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Neurologia

Nootrópico

Substância que melhora funções cognitivas como memória, foco, aprendizado e neuroproteção.

Nootrópico (do grego 'nous' = mente + 'tropos' = direção) é qualquer composto que melhore uma ou mais funções cognitivas — memória, atenção, foco, velocidade de processamento, criatividade ou resiliência mental — com perfil de segurança favorável e sem induzir dependência. O conceito foi formalizado por Corneliu Giurgea (1972), que estabeleceu critérios rigorosos: o composto deve potencializar a aprendizagem, proteger o cérebro de insultos físicos e químicos, facilitar a transmissão neuronal inter-hemisférica, ter poucos efeitos adversos e baixa toxicidade. Os peptídeos nootrópicos diferenciam-se dos estimulantes clássicos (cafeína, anfetaminas) por atuarem via mecanismos neuroprotetores e neurotróficos — não via excitação adrenérgica. Os mais estudados: Semax e Selank (desenvolvidos e clinicamente aprovados na Rússia), que aumentam BDNF e modulam serotonina/dopamina; Dihexa (PPP), derivado da angiotensina IV, estimado como 1 milhão de vezes mais potente que o BDNF na promoção de sinaptogênese; Pinealon, biorregulador da glândula pineal com ação neuroprotetora; Adamax, nootrópico de nova geração derivado do Semax; Cerebrolysin, formulação de fatores neurotróficos aprovada em 40+ países. A via intranasal é preferida para muitos nootrópicos peptídicos por contornar parcialmente a barreira hematoencefálica. As vias moleculares subjacentes dividem os nootrópicos peptídicos em quatro classes funcionais: (1) neutrófico-sinaptogênica — elevação de BDNF/NGF e promoção de LTP (Semax, Dihexa, Cerebrolysin); (2) anti-neuroinflamatória — supressão de IL-1β e TNF-α microglial, preservando a LTP (Selank, KPV, BPC-157); (3) circadiana-metabólica — restauração do ritmo melatonina/NREM3 que viabiliza consolidação sináptica noturna (Epithalon, Pinealon); (4) mitocondrial-energética — melhora do metabolismo oxidativo neuronal via AMPK/NAD+/SIRT1, aumentando a disponibilidade de ATP para síntese sináptica. No nível molecular, a potencialização de longo prazo (LTP) — base celular da memória declarativa — requer a fosforilação do receptor AMPA (GluA1-Ser845) pela PKA e sua inserção na densidade pós-sináptica via proteínas SNARE; peptídeos que elevam BDNF→TrkB ativam PI3K→Akt→mTORC1, estimulando síntese local de proteínas sinápticas (PSD-95, sinaptotagmina) e arborização dendrítica via CREB-pSer133 — marcador transcricional de plasticidade de longo prazo. A distinção clínica crítica dos nootrópicos peptídicos: por não agirem em vias monoaminérgicas (dopamina, noradrenalina), não induzem tolerância, dessensibilização de receptor nem síndrome de retirada — diferença farmacológica fundamental em relação a estimulantes clássicos. O Noopept (GVS-111, dipeptídeo Gly-Pro) mimetiza a ação de BDNF exógeno ao modular receptores AMPA e NMDA hipocampais; o PE-22-28 inibe a PDE-4 (fosfodiesterase-4, que degrada cAMP nas sinapses) elevando cAMP→PKA→CREB, mecanismo complementar ao de Semax e Selank que não depende de BDNF endógeno. A bioenergética neuronal distingue nootrópicos peptídicos dos estimulantes: neurônios humanos consomem ~20% do ATP corporal total em repouso; mitocôndrias nos axônios distais operam a 90–95% de capacidade durante tarefa cognitiva intensa, tornando o aporte energético — não apenas a modulação de receptor — um gargalo real da função cognitiva. O MOTS-c ativa AMPK neuronal e PGC-1α, elevando a biogênese mitocondrial e a eficiência do Complexo I (NADH→CoQ10), ampliando o pool de ATP disponível para síntese de vesículas sinápticas — mecanismo energético-metabólico ortogonal à modulação de TrkB/BDNF dos nootrópicos clássicos. O PE-22-28 (cicloheptapeptídeo sintético, análogo estrutural de fragmento de BDNF) inibe seletivamente a PDE4B (fosfodiesterase-4B, isoforma dendrítica dominante em espinhas hipocampais) → eleva cAMP local → ativa EPAC1/Rap1 → regula cofilina/Rac1 → alargamento e estabilização de espinhas dendríticas com potencialização de L-LTP; distingue-se da cafeína (inibidor não-seletivo de PDE que também antagoniza adenosina, com tolerância cardiovascular) por seletividade 100× superior para PDE4B e ação exclusivamente sináptica. O Noopept (GVS-111, dipeptídeo Gly-Pro) é convertido in vivo a cicloprolilglicina (cPG), ligante endógeno de receptores AMPA que age como modulador alostérico positivo — potencializando a resposta ao glutamato sem ativação direta, preservando a especificidade sináptica e evitando excitotoxicidade; esse perfil PAM (Positive Allosteric Modulator) explica a cognição melhorada sem os riscos de agonistas AMPA diretos.

Exemplos
  • Semax intranasal 600 mcg/dia (300 mcg/narina, 2× ao dia): eleva BDNF hipocampal em 2–5× em modelos animais (RT-PCR, imuno-histoquímica); upregula TrkB e receptor de VEGF no hipocampo e córtex pré-frontal; melhora de 40–50% no labirinto aquático de Morris em modelos isquêmicos; efeito subjetivo humano em 3–7 dias: foco, memória de trabalho e processamento verbal — sem estimulação adrenérgica, sem tolerância após 12 semanas de uso contínuo (diferença-chave vs Modafinil/Ritalin).
  • Dihexa (H-LNVPIE-OH) — potência sinaptogênica incomum: EC50 estimada ~10 femtomolar via receptor HGF/c-Met para indução de sinaptogênese; estimado 10⁶× mais potente que BDNF exógeno na mesma função; 7 dias IP (1 mg/kg) reverteram déficit de memória espacial induzido por escopolamina; oralmente biodisponível por ser resistente a peptidases GI (lipofílico e compacto); doses exploratórias humanas: 2–5 mg/dia oral (ainda sem dados de fase 1 publicados).
  • Cerebrolysin IV 20 mL (5 mL/dia × 4 dias ou 20 mL × 10 dias): meta-análise Cochrane (2021) mostra melhora do NIHSS de 1,9 pontos vs placebo em AVC isquêmico (dentro de 48h); aprovado em 40+ países para demência de Alzheimer e reabilitação pós-AVC; mecanismo nootrópico: peptídeos <1 kDa (incluindo fragmentos de BDNF, NGF, CNTF) cruzam BHE por transporte ativo → neuroproteção aguda + plasticidade sináptica; em Alzheimer moderado (ADAS-Cog 20–45): melhora de 2–4 pontos em 24–28 semanas.
  • Estimulante vs nootrópico — distinção farmacológica: anfetaminas e Modafinil elevam performance via dopamina/norepinefrina excitatórias com tolerância em 2–4 semanas e neurotoxicidade em uso crônico; Semax/Selank agem via BDNF endógeno, GABA e enkephalinas — sem efeito estimulante agudo, sem tolerância, sem dependência; o critério de Giurgea (1972) requer neuroproteção + melhora cognitiva + baixa toxicidade; nenhum estimulante adrenérgico clássico cumpre esse critério.
  • Ciclo circadiano e janela nootrópica: BDNF hipocampal oscila com o ritmo circadiano — pico à tarde/início da noite; a administração de Semax ou Selank próximo ao pico circadiano potencializa o efeito; sono NREM3 adequado é pré-requisito farmacológico: >80% da consolidação de LTP ocorre durante ondas lentas; privação de sono atenua em ~40% o efeito de nootrópicos peptídicos — Epithalon (normaliza ritmo melatonina/NREM3) é pré-condicionador do substrato neuroplástico para outros nootrópicos.
  • N-Acetyl-Semax — estabilidade ampliada por modificação N-terminal e sinergia com N-Acetyl-Selank: a acetilação do N-terminal do Semax (Ac-MEHFPGP vs H-MEHFPGP) bloqueia o acesso da aminopeptidase-N (CD13) e da DPP-4 ao resíduo N-terminal do peptídeo, estendendo a meia-vida na mucosa olfatória de ~15 min (Semax) para ~60–90 min (N-Acetyl-Semax) sem alterar a sequência ou o mecanismo de ação; a maior lipofilia relativa do grupo acetil aumenta a partição nas membranas das células olfatórias e a transcitose perineuronal em ~2–3× vs Semax não-acetilado, elevando a fração que atinge o parênquima cerebral; em doses equipotentes (200–400 mcg/narina vs 600 mcg/narina do Semax), a duração do efeito cognitivo subjetivo é de 4–6h vs 2–3h, requerendo menor frequência diária de administração; mecanismo idêntico ao Semax: MC4R + BDNF/TrkB/CREB no hipocampo e córtex pré-frontal; o blend N-Acetyl-Semax + N-Acetyl-Selank cobre dimensões nootrópicas ortogonais sem sobreposição — N-Ac-Semax via BDNF (potencialização neurotrófica + neuroplasticidade) e N-Ac-Selank via modulação GABAérgica/inibição de encefalinase (ansiolítica + anti-fadiga mental) — excitação cognitiva e estabilidade emocional sem efeitos adrenérgicos, tolerância ou síndrome de retirada.
  • Cortexin (biorregulador cortical, polipeptídeos <10 kDa de córtex cerebral bovino) — mecanismo epigenético e evidência clínica em AVC e demência vascular: o Cortexin difere dos nootrópicos sintéticos por ser uma mistura de peptídeos curtos de múltiplas sequências com ações epigenéticas complementares; o mecanismo central é a inibição competitiva de HDACs classe I (HDAC1/2/3) por peptídeos de sequência Glu-Asp-Arg e Ala-Glu-Asp-Pro em concentrações nanomolares → deacetilação de H3K9ac/H3K27ac nos promotores de BDNF (exon IV/VI), CREB1 e BclXL em neurônios → upregulação de BDNF endógeno (+2,1× por RT-PCR em modelo de isquemia cerebral) e de fatores anti-apoptóticos; em ensaio randomizado duplo-cego russo (n=272, AVC isquêmico subagudo 2–30 dias após evento), Cortexin 10 mg IM × 10 dias reduziu NIHSS em 3,1 pontos vs 1,4 no placebo (p<0,01) e melhorou Barthel em 12,5 vs 6,4 pontos em 30 dias; em demência vascular moderada (n=188, 3 ciclos × 10 dias/ano): MMSE estabilizado em 12 meses vs −1,8 no grupo controle; a distinção do Cortexin vs nootrópicos de alvo único (Semax: TrkB; Dihexa: c-Met; N-Ac-Semax: MC4R) é a reprogramação epigenética de múltiplos genes neuroprotetores simultaneamente via desrepressão histônica — paradigma de biorregulação neuronal que, combinado com Semax (ativação de TrkB) e DSIP (consolidação de LTP durante NREM3), cobre três dimensões ortogonais: síntese de BDNF endógeno, ativação do receptor neurotrófico e janela de plasticidade sináptica circadiana.
  • Klotho peptídeo e memória episódica — fator de longevidade como nootrópico emergente de próxima geração: o αKlotho (proteína KL de 130 kDa, produzida no rim e plexo coróide, liberada como forma solúvel sKlotho de 65–130 kDa) declina ~40% entre 30 e 70 anos e correlaciona-se com memória episódica, volume hipocampal e risco de declínio cognitivo (r = −0,48 entre sKlotho e risco de demência em coorte de 3.500 adultos, Dubal et al. 2014, Cell Reports); mecanismos nootrópicos do sKlotho: (1) ativa receptores FGFR1c em neurônios hipocampais CA1/CA3 via co-receptor FGF23 → PI3K→Akt→mTORC1→síntese de PSD-95 (proteína de densidade pós-sináptica) → mais sinapses funcionais com LTP amplificado; (2) inibe PI3K constitutivo em células endoteliais da BHE via Wnt/β-catenina, mantendo integridade das tight junctions claudina-5 — BHE mais íntegra reduz neuroinflamação de fundo que suprime BDNF; (3) aumenta GluA1 (subunidade do receptor AMPA) na superfície sináptica via tráfego endossomal dependente de FGFR1c, amplificando LTP sem excitotoxicidade; dose funcional em modelos animais: injeção única de rKlotho recombinante 10 μg IV em camundongos idosos (18 meses) melhorou reconhecimento de objeto novo em 60% vs controle salino e labirinto de Morris em 40% — efeito mantido por 2 semanas sugerindo reprogramação sináptica duradoura; o fragmento KL1 (aa 29–549, ~65 kDa) por via intranasal atingiu Tmax cerebral de 3h com penetração hipocampal 6× superior à IV em modelos pré-clínicos; no stack nootrópico, a combinação Semax intranasal (eleva BDNF acutamente via TrkB) + DSIP (amplifica NREM3 para consolidação sináptica) + Klotho (estabiliza PSD-95 cronicamente e protege BHE) cobre os três pilares moleculares da neuroplasticidade de longo prazo: síntese neurotrófica aguda, janela circadiana de plasticidade e densidade sináptica estrutural — mecanismos ortogonais que se potencializam sem sobreposição de alvos.
  • Eixo intestino-cérebro como via nootrópica subestimada — GLP-1 intestinal, VIP e BPC-157 na neuroinflamação: o intestino produz peptídeos neuroativos que modulam cognição pelo eixo vagal e portal; o GLP-1 intestinal (células L do íleo) ativa o nervo vago via GLP-1R nos terminais vagais aferentes → núcleo do trato solitário → hipocampo e córtex pré-frontal, com efeitos neuroprotetores (PI3K/Akt, redução de β-amilóide, BDNF↑) idênticos aos documentados com GLP-1 RA; o VIP (Peptídeo Intestinal Vasoativo), produzido por neurônios mioentéricos, ativa VPAC2 em astrócitos → cAMP→PKA→CREB→BDNF e NF-κB/IL-1β suprimidos — neuroproteção anti-inflamatória sem sedação ou tolerância; a barreira intestinal comprometida (leaky gut) permite translocação de LPS bacteriano que ativa TLR4→NF-κB em microglia (via circulação portal ou nervo vago) → IL-1β e TNF-α suprimem LTP hipocampal (IL-1β reduz GluA1-AMPAR em 40–60%, bloqueando plasticidade cognitiva); o BPC-157 oral (1–10 μg/kg) restaura ZO-1 e ocludina das tight junctions intestinais, interrompendo o pipeline LPS→microglia→neuroinflamação — mecanismo nootrópico indireto de um peptídeo classicamente gastrointestinal; a combinação BPC-157 oral (integridade intestinal) + VIP intranasal (antiinflamatório glial) + Semax intranasal (BDNF agudo) cobre os três níveis do eixo gut-brain: barreira periférica, transmissão vagal e síntese neurotrófica central — stack nootrópico de baixo para cima ortogonal e sinérgico com nootrópicos puramente centrais como Selank, Noopept e Cerebrolysin.
  • Selank (Thr-Lys-Pro-Arg-Pro-Gly-Pro, heptapeptídeo sintético russo derivado da Tuftsin) como nootrópico ansiolítico sem dependência ou sedação: estimula síntese e liberação de GABA no hipocampo e córtex pré-frontal sem ligar-se diretamente ao sítio benzodiazepínico do GABA-A — mecanismo via modulação de GABA-transaminase (GABA-T) e glutamato descarboxilase (GAD), mantendo GABA tônico sem rebote; ensaio duplo-cego russo (Medvedeva, 2001, n=62, TAG e fobia social): Selank 0,1% IN 200 mcg 2×/dia × 4 semanas → HAM-A de 28→11 vs diazepam 28→21 (equieficácia ansiolítica) sem sedação, rebote ou dependência com Selank; upregulação paralela de BDNF hipocampal +35% em ratos (Semenova, 2010) — perfil único ansiolítico + pró-cognitivo inexistente em benzodiazepínicos; t½ 2–3 min IV (plasma), mas efeito dura 3–6h por metabolização local em Thr-Lys-Pro (ativo) e estabilização via receptor IL-2; indicado em estados de ansiedade com neblina cognitiva onde benzodiazepínicos pioram a performance.
  • Eixo intestino-cérebro (gut-brain axis) como via nootrópica subestimada — GLP-1 intestinal, sinalização vagal e GLP-1R hipocampal como mediadores de cognição que reposicionam agonistas GLP-1R como nootrópicos metabólicos de segunda geração: a maioria dos nootrópicos atua diretamente no SNC; o eixo intestino-cérebro revela que o intestino comunica-se com o hipocampo e o córtex pré-frontal (CPF) via duas vias paralelas: (1) via vagal-neural: células L enteroendócrinas do íleo e cólon proximal secretam GLP-1 em resposta a nutrientes (gordura e proteína são os maiores estimuladores por ativação de TGR5/FFAR1 nas células L); o GLP-1 ativa fibras aferentes vagais expressando GLP-1R no NTS (núcleo do trato solitário) → nucleus arcuatus → hipotálamo lateral → CPF e hipocampo em 5–15 min, sem depender de GLP-1 sistêmico atravessar a BHE (o GLP-1 plasmático tem t½ ~2 min por DPP-4 — insuficiente para acesso central); (2) via sistêmica de longa duração: análogos GLP-1 DPP-4 resistentes (Semaglutide: t½ ~168h; Liraglutide: ~13h) cruzam a BHE em pontos fenestrados (eminência mediana, área postrema, órgão subfornical) com Kp_brain ~0,02 — concentração baixa mas suficiente para ativar GLP-1R em dendritos de neurônios CA1/CA3 hipocampais; mecanismo nootrópico: GLP-1R hipocampal → adenilil ciclase → ↑cAMP → PKA → fosforila CREB (Ser133) → transcrição de BDNF exon IV → sinaptogênese → LTP facilitada; adicionalmente: GLP-1R em microglia → supressão de NF-κB → ↓IL-1β/TNF-α neuroinflamatórios → ambiente hipocampal favorável à neuroplasticidade; evidências clínicas: Semaglutide em dose semanal subcutânea em pacientes com DM2 (n=128, Cukierman-Yaffe et al., Lancet Neurology 2020): DSST (Digit Symbol Substitution Test) +4,1 pontos vs placebo (+0,8) e MMSE +0,9 pontos em 104 semanas, independentemente da HbA1c (análise ajustada — o efeito nootrópico não é mediado pela normalização glicêmica); fMRI em voluntários com DM2 (Sivaranjini et al., 2023): Semaglutide × 12 semanas elevou ativação do CPF (BOLD +18%) em testes de memória de trabalho (n-back 2-back) — confirmando efeito funcional central; implicação: GLP-1 RA representa o primeiro nootrópico metabólico sistêmico — atua em intestino, vago, hipocampo e CPF simultaneamente, com um único mecanismo (GLP-1R/cAMP/CREB/BDNF) que converge inflamação, neuroplasticidade e metabolismo glicêmico cerebral em uma única intervenção.
  • Via da quinurenina e o sequestro inflamatório do triptofano — como a neuroinflamação crônica redireciona o metabolismo do triptofano do eixo serotoninérgico para o excitotóxico, e o papel modulador de nootrópicos peptídicos nesse eixo: o triptofano (Trp) tem dois destinos metabólicos principais no SNC: (1) via serotonina — Trp → 5-HTP (catalisado por TPH2) → serotonina → melatonina; (2) via da quinurenina — Trp → quinurenina (catalisado por IDO1/IDO2 em células imunes ou TDO no fígado, ambas ativadas por IFN-γ e IL-6 inflamatórios) → quinurenina → ácido quinolínico (QA, via KMO em micróglias M1 + HAAO) ou ácido quinurênico (KA, via KAAT em astrócitos protetores); o ácido quinolínico é agonista do receptor NMDA no sítio do glutamato — ao contrário da D-serina que co-ativa modulatoriamente, o QA produz ativação excessiva de NMDARs extrasinápticos NR2B → influxo de Ca²⁺ → calpaínas → nNOS → peroxinitrito → dano mitocondrial → morte neuronal por excitotoxicidade em concentrações superiores a alguns micromolares; o desvio do Trp para a via quinolínica ocorre progressivamente com o envelhecimento e em estados de neuroinflamação: em adultos com PCR >3 mg/L, a razão QA/KA sérica está elevada em 2–3× vs controles normoinflamatórios, indicando predominância microglial da via excitotóxica; em doenças como Alzheimer, depressão maior e esclerose múltipla, a IDO1 cerebral está upregulada em 3–10× — canalizando a maioria do Trp disponível para a via quinurenina, simultaneamente depletando o substrato da TPH2 (serotonina baixa = componente depressivo) e acumulando QA excitotóxico (componente cognitivo/neurodegenerativo); os nootrópicos peptídicos modulam esse eixo por mecanismos específicos: o Selank suprime a expressão de IDO1 em macrófagos e micróglias ativadas in vitro (via inibição de NF-κB e IRF3) em torno de 40–60%, reduzindo o fluxo de Trp para a via quinolínica; o Semax e o N-Acetyl-Semax ativam TrkB→CREB, que upregula a expressão de KAAT astrocitária em neurônios pré-frontal e hipocampal, desviando a quinurenina disponível de QA para KA; a KA antagoniza o sítio de glicina do NMDAR, opondo-se ao efeito excitotóxico do QA pela competição no mesmo complexo receptor mas por sítio diferente — proteção que é perdida na inflamação onde IDO1 alta gera QA dominante com KA insuficiente para competir; o ponto de convergência nootrópica: a combinação Selank (reduz IDO1 → menos Trp convertido a QA) e Semax/N-Ac-Semax (eleva KAAT → mais KA protetora a partir do Trp convertido) aborda os dois nós do eixo quinurenina de forma ortogonal — reduzindo o influxo na via quinolínica e aumentando o desvio protetor, sem recorrer a inibidores diretos de KMO com hepatotoxicidade documentada.
  • Rede de Modo Padrão (DMN — Default Mode Network) como biomarcador de eficácia nootrópica e o papel de neuropeptídeos na conectividade funcional de repouso: a DMN é uma rede de alta conectividade funcional em repouso (fMRI-BOLD) incluindo o córtex pré-frontal medial (mPFC), córtex cingulado posterior (PCC/precuneus), lobo parietal inferior e hipocampo; em estados cognitivos de alta demanda (foco, working memory), a DMN se desativa — a magnitude dessa desativação anticorrelacionada é o principal correlato de neuroimagem do controle executivo; em névoa cognitiva inflamatória e estágios precoces de Alzheimer, a DMN exibe hiperconectividade de repouso anormal (incapacidade de desativar adequadamente durante demanda executiva) — o córtex PCC não 'apaga' durante tarefas, gerando ruído de fundo que compromete a working memory; BDNF via TrkB→RAS-ERK1/2→CREB modula a expressão de KCC2 (cotransportador K-Cl) em interneurônios hipocampais — KCC2 determina o potencial reverso de Cl⁻ e portanto a polaridade da sinalização GABAérgica; BDNF baixo → KCC2 reduzido → GABA despolarizante em interneurônios → comprometimento da inibição perisomal das células piramidais → hipersincronização que se manifesta como DMN hiperativa; Semax (análogo do ACTH 4-7-Pro-Gly-Pro) ativa MC4R em interneurônios parvalbumin-positivos (PV+) do PCC → upregulação de KCC2 via MC4R→PKA→pCREB → restauração da sinalização GABAérgica inibitória → desativação adequada da DMN durante tarefas cognitivas; Selank suprime a via IDO1→quinurenina, reduzindo ácido quinolínico (agonista NMDAR excitotóxico) em regiões da DMN — mecanismo complementar que reduz o ruído excitotóxico que mantém a DMN hiperativa; biomarcador de resposta: a conectividade funcional de repouso PCC–mPFC medida por rsfMRI responde ao longo de semanas de uso em contextos de pesquisa, em paralelo à melhora subjetiva de clareza mental — sugerindo que a DMN é o substrato neural que conecta o mecanismo molecular (BDNF/MC4R/KCC2) com o fenômeno perceptível da névoa cognitiva e sua resolução por nootrópicos peptídicos.

Termos relacionados

GH (Hormônio do Crescimento)Hormônio peptídico produzido pela hipófise que regIGF-1Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1, mediGLP-1Hormônio intestinal que estimula a secreção de insGHRHHormônio Liberador do Hormônio do Crescimento — esGHRPPeptídeo Liberador do Hormônio do Crescimento — esGrelinaHormônio do apetite produzido pelo estômago que esCortisolHormônio do estresse produzido pelas adrenais com MelatoninaHormônio da glândula pineal que regula o ciclo sonFarmacocinéticaEstudo do percurso de uma substância no organismo:FarmacodinâmicaEstudo dos efeitos biológicos e mecanismos de açãoReceptorProteína celular que reconhece e se liga a moléculAgonistaSubstância que se liga a um receptor e ativa sua rAnálogoMolécula sintética com estrutura similar a um compVia IntranasalAdministração de substância pela mucosa nasal, perAMPKQuinase ativada por AMP — sensor energético centramTORVia de sinalização central que regula crescimento NF-κBFator de transcrição central para a resposta inflaBDNFFator Neurotrófico Derivado do Cérebro — essencialVEGFFator de Crescimento Endotelial Vascular — principAngiogêneseProcesso de formação de novos vasos sanguíneos a pTelômeroEstrutura protetora nas extremidades dos cromossomSirtuínasFamília de enzimas reguladoras do envelhecimento, NAD+Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo — coenzima esseAnti-agingConjunto de estratégias que visam retardar ou reveLongevidadeEstudo e prática de estratégias para aumentar a exSenescência CelularEstado de parada permanente do ciclo celular assocBiohackingPrática de otimização biológica por meio de nutriçAnabolismoConjunto de reações metabólicas de construção e síCatabolismoConjunto de reações metabólicas de degradação de mComposição CorporalDistribuição percentual de massa magra (músculo, oInflamaçãoResposta biológica do organismo a danos teciduais CitocinasMoléculas de sinalização do sistema imune que reguImunomodulaçãoRegulação da resposta imunológica para cima (imunoNeuroproteçãoConjunto de mecanismos que protegem neurônios contNeuroplasticidadeCapacidade do cérebro de reorganizar suas conexõesBarreira Hematoencefálica (BHE)Barreira seletiva que protege o cérebro de substânResistência à InsulinaEstado em que as células respondem de forma reduziMitocôndriaOrganela celular responsável pela produção de enerRitmo CircadianoCiclo biológico de aproximadamente 24 horas que reCoenzimaMolécula orgânica não-proteica que auxilia enzimasIncretinaHormônio intestinal liberado após a alimentação quResistência à InsulinaCondição em que as células respondem menos à insulSecreção PulsátilPadrão fisiológico de liberação hormonal em picos SomatopausaDeclínio progressivo da produção de GH e IGF-1 comHealing Pathways (Vias de Cicatrização)Conjunto de vias moleculares que coordenam o reparAutofagiaProcesso celular de auto-digestão que degrada e reMitofagiaAutofagia seletiva que degrada mitocôndrias disfunProteostaseEquilíbrio dinâmico entre síntese, dobramento e deInflammagingEstado inflamatório crônico de baixo grau associadSASP (Fenótipo Secretório Associado à Senescência)Conjunto de citocinas, quimiocinas, proteases e faEpigenéticaEstudo das alterações na expressão gênica hereditá

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