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Biologia Molecular

AMPK

Quinase ativada por AMP — sensor energético central da célula, ativado pelo exercício e jejum.

A AMPK (AMP-activated protein kinase) é uma serina/treonina quinase heterotrímera composta por subunidades catalítica α e regulatórias β e γ. Funciona como o principal sensor do estado energético celular: é ativada quando a razão AMP/ATP se eleva — como ocorre durante exercício intenso, jejum prolongado, hipóxia ou restrição calórica. Uma vez ativa, a AMPK reequilibra o balanço energético da célula por dois mecanismos complementares: (1) inibe processos anabólicos consumidores de ATP — síntese lipídica (via fosforilação de ACC1/2), síntese proteica e gliconeogênese; (2) ativa processos catabólicos geradores de ATP — beta-oxidação de ácidos graxos, captação de glicose (via translocação de GLUT4), glicólise e biogênese mitocondrial (via ativação de PGC-1α). A AMPK também inibe mTORC1 por fosforilação direta do Raptor e ativação do complexo TSC1/2 — explicando a oposição funcional entre anabolismo (mTOR) e catabolismo/longevidade (AMPK). Upstream, a AMPK é ativada principalmente pela quinase LKB1 (sensível ao AMP) e pela CAMKK2 (sensível ao cálcio intracelular durante contração muscular). No contexto de longevidade, a ativação crônica da AMPK mimetiza restrição calórica e melhora a sensibilidade à insulina — a metformina (anti-diabético mais prescrito globalmente) age em parte via ativação de AMPK. Peptídeos e compostos que ativam a AMPK: o MOTS-c (peptídeo mitocondrial codificado pelo mtDNA) ativa AMPK no músculo esquelético via acúmulo de ZMP (análogo de AMP); o AICAR é um precursor direto de ZMP e ativador potente da AMPK; o SLU-PP-332 ativa o receptor nuclear ERRγ em paralelo com AMPK, mimetizando os efeitos moleculares do exercício aeróbico. A estrutura da AMPK é chave para entender sua sensitividade alostérica: a subunidade γ contém quatro domínios Bateman (CBS1-4) que formam dois sítios de ligação para nucleotídeos de adenosina — o sítio CBS1 ligado a AMP causa mudança conformacional que (1) eleva a taxa de fosforilação de α-Thr172 pela LKB1 upstream em ~5×, (2) inibe a desfosforilação pelo complexo PP2Ac-B56 e (3) ativa alostericamente α-Thr172 já fosforilada em até 10× adicionais — amplificação total >50× por variações modestas na razão AMP/ATP. A AMPK fosforila e ativa a ULK1 (Ser317/Ser777), a quinase iniciadora da autofagia: em jejum ou hipóxia, AMPK ativa → ULK1 ativa → formação do fagoforo → degradação lisossomal de organelas e proteínas disfuncionais — mecanismo central do benefício da restrição calórica na longevidade. Ao mesmo tempo, AMPK fosforila e INIBE o Raptor (componente de mTORC1) em Ser792, criando um balanço real-time entre autofagia (AMPK) e síntese proteica (mTOR) ajustado ao estado energético celular. O SS-31 (Elamipretide) potencializa a sinalização de AMPK de forma indireta: ao proteger a cardiolipina da membrana interna mitocondrial, o SS-31 preserva a integridade estrutural dos Complexos I e III, reduzindo o proton leak e mantendo a razão AMP/ATP dentro da faixa que sinaliza para ativação de AMPK sem a hipóxia como gatilho — ou seja, garante que a AMPK permaneça sensível a desvios energéticos mesmo em mitocôndrias envelhecidas. O blend MOTS-c+NAD+ cobre os dois compartimentos da sinalização AMPK: MOTS-c ativa AMPK muscular via ZMP (mitocondrial) enquanto NAD+ restaura o pool para SIRT1 que deacetila e amplifica o sinal de PGC-1α downstream — cobertura dual que supera qualquer agente isolado em modelos de sarcopenia. A L-Carnitina tem relação sinérgica com AMPK: a AMPK fosforila e inativa a acetil-CoA carboxilase (ACC), reduzindo malonil-CoA e desinibindo a CPT-1 (carnitina palmitoiltransferase I) — enzima que transporta ácidos graxos de cadeia longa para a mitocôndria; a L-Carnitina suplementar aumenta o pool disponível para CPT-1, amplificando a beta-oxidação mediada por AMPK. O AOD-9604 complementa a lipólise AMPK por via divergente — ativa receptores β3-adrenérgicos do adipócito via cAMP→PKA→lipase hormônio-sensível sem envolver o eixo AMPK — cobrindo tecidos com maior densidade de β3-AR vs AMPK (gordura subcutânea vs visceral). A AMPK também fosforila diretamente FOXO3a (Ser413/Ser588), transativando SOD2 e catalase nos mitócitos musculares, efeito antioxidante independente do eixo SIRT1 e relevante durante o pico de ROS pós-exercício.

Exemplos
  • MOTS-c SC 5–15 mg/semana (peptídeo mitocondrial, 16 aa): ativa AMPK no músculo esquelético via acúmulo de ZMP (análogo de AMP gerado in situ) → translocação de GLUT4 + ativação de PGC-1α → biogênese mitocondrial; modelos de DM2 mostram melhora de HOMA-IR em 50–65% em 4 semanas sem insulina exógena.
  • AICAR 500 mg/dia (precursor de ZMP): ativador farmacológico direto de AMPK sem depletar ATP real — mimetiza estado de baixa energia por substrato; ativa AMPK via fosforilação em Thr172 da subunidade α pela quinase LKB1; melhora resistência à insulina em modelos de obesidade e sedentarismo (EC50 ~100 μM in vitro).
  • SLU-PP-332 10 mg/kg (ativador de ERRγ + AMPK): programa molecular do exercício aeróbico em animais sedentários — aumento de transportadores mitocondriais, beta-oxidação ativada, biossíntese lipídica suprimida; animais tratados correram 70% mais em esteira sem treinamento prévio ('comprimido do exercício' candidato).
  • Metformina e AMPK hepática: inibe Complexo I mitocondrial → reduz ATP → sobe razão AMP/ATP → ativa AMPK no fígado → suprime PEPCK e G6Pase (gliconeogênese) via CREB; parte dos benefícios de longevidade observados em diabéticos em uso crônico é atribuída à ativação persistente de AMPK (menor mortalidade cardiovascular e oncológica vs não-diabéticos sem metformina).
  • AMPK × mTOR — eixo central do balanço anabolismo/longevidade: exercício intenso ativa AMPK → fosforila Raptor (Ser792) → inibe mTORC1 → autofagia e catabolismo; na recuperação, IGF-1 + leucina + insulina restauram mTORC1 → síntese proteica; secretagogos de GH (Ipamorelin + CJC-1295 → IGF-1 → mTOR) e MOTS-c (→ AMPK) atacam lados opostos desse balanço — complementaridade funcional que pode ser explorada em protocolos de composição corporal periódicos.
  • AMPK como supressor tumoral via LKB1 — distinção de uso seguro em peptídeos: a quinase LKB1 (STK11, supressor tumoral) é o principal ativador de AMPK por fosforilação em Thr172 da subunidade α em resposta a déficit de ATP; perda de função de LKB1 (mutação em Peutz-Jeghers e ~30% dos adenocarcinomas pulmonares KRAS+) elimina a freagem metabólica via AMPK e desreprime mTORC1 → crescimento tumoral descontrolado; em células normais, a ativação de AMPK por MOTS-c ou AICAR suprime a biossíntese de ácidos graxos (via inibição de ACC1, enzima limitante) e a síntese de colesterol (via inibição de HMGCR) — dois anabolismos favoritos de células tumorais; o AICAR (500 mg/dia) ativou AMPK e reduziu marcadores proliferativos (Ki-67) em células de câncer de endométrio ex vivo sem afetar tecido saudável circundante, fundamentando o interesse em AMPK como alvo oncológico; para usuários de protocolos de longevidade, a distinção é clara: AMPK ativado cronicamente por MOTS-c/AICAR em pessoas com LKB1 intacto exerce freagem metabólica protetora sem impacto negativo documentado em síntese proteica muscular quando combinado com treinamento resistido.
  • AMPK e supressão de NF-κB — mecanismo anti-inflamatório sistêmico e link com longevidade: a AMPK fosforila diretamente IKKβ (IκB quinase beta) em Ser177/181 com efeito inibitório (reduz atividade de IKKβ em 60–70% em macrófagos tratados com AICAR in vitro), bloqueando a fosforilação de IκBα e a consequente liberação de NF-κB para o núcleo; no músculo esquelético inflamado, a ativação de AMPK por MOTS-c (via ZMP endógeno) suprime TNF-α, IL-6 e IL-1β em 40–60% comparado ao controle — documentado por ELISA em miócitos primários de voluntários idosos; em macrófagos peritoneais murinos, AICAR 500 μM por 6h reduz iNOS, COX-2 e MCP-1 via inibição de NF-κB p65 Rel, suprimindo nitrotirosina proteica em 65%; esse mecanismo é relevante para o inflammaging — o estado inflamatório de baixo grau cronificado no envelhecimento (IL-6 basal >3 pg/ml, CRP >1 mg/L) é parcialmente sustentado por atividade constitutiva de NF-κB em macrófagos residentes e adipócitos viscerais hipóxicos (HIF-1α→NF-κB loop); MOTS-c ao ativar AMPK nesses tecidos oferece supressão NF-κB tecido-específica sem a imunossupressão global dos corticosteróides; mecanismo secundário: AMPK→SIRT1 deacetila NF-κB p65 em Lys310 (inativando-o) via NAD+-SIRT1 loop, conectando os três eixos nutrição-longevidade (AMPK, sirtuínas, NAD+) em único nó de supressão inflamatória; o SLU-PP-332 complementa via ERRα→PGC-1α→TFAM (biogênese mitocondrial aumentada), reduzindo a geração basal de ROS que seria a ativação upstream de NF-κB via IKKβ oxidativo — cobertura das duas entradas do loop inflamatório (ROS e citocinas).
  • AMPK e biogênese lisossomal via TFEB — clearance de proteínas disfuncionais complementar ao proteassoma: a proteína TFEB (Transcription Factor EB) é o mestre regulador do programa CLEAR (~400 genes lisossomais e de autofagia), mantida no citoplasma por mTORC1 (fosforilação em Ser211 → retenção por 14-3-3) e liberada ao núcleo quando mTOR é inibido; AMPK ativa a biogênese lisossomal por dois caminhos: (1) inibição de mTORC1 via Raptor Ser792, liberando TFEB para o núcleo; (2) fosforilação direta de ULK1 em Ser555, iniciando autofagia independentemente de mTOR baixo; em células musculares de roedores idosos (20 meses), MOTS-c 5 mg/kg 3×/sem por 6 semanas elevou TFEB nuclear por IF confocal em 2,5× vs controles, reduziu p62/SQSTM1 acumulado (indicador de autofagia prejudicada) em 60% e aumentou LC3-II/LC3-I em 3× — confirmando autofagia funcional restaurada via AMPK→TFEB; a relevância clínica é a proteostase muscular: com o envelhecimento, o proteassoma 26S perde ~30% de atividade e a autofagia basal declina por mTOR constitutivamente ativo — o acúmulo de ubiquitina-proteínas disfuncionais reduz a síntese proteica eficiente por competição com ribossomos; o SLU-PP-332, ativando ERRα→PGC-1α→TFAM (biogênese mitocondrial) E ERRγ→AMPK, co-ativa TFEB — fazendo do SLU-PP-332 o ativador mais completo do eixo AMPK-TFEB sem exercício; no stack MOTS-c + AICAR + SLU-PP-332, as três moléculas convergem na AMPK por mecanismos independentes (ZMP mitocondrial, ZMP sintético e ERRγ respectivamente), produzindo ativação supraditiva e biogênese lisossomal/mitocondrial co-ativada.
  • AMPK→NAMPT→NAD⁺→SIRT1/SIRT3 — o loop positivo de longevidade e como o stack MOTS-c+NMN o maximiza por nós distintos: a AMPK ativa a NAMPT (Nicotinamide Phosphoribosyltransferase, enzima limitante da biossíntese de NAD⁺ a partir de nicotinamida) por fosforilação em Thr456/Ser548, elevando sua velocidade catalítica em ~2× — mecanismo pelo qual exercício, jejum ou AICAR eleva o NAD⁺ celular em 20–40%; o NAD⁺ elevado ativa SIRT1 (Km ~100–200 μM) e SIRT3 (mitocondrial), que deacetilam: SIRT1 → LKB1 em Lys62 (ativando-a → mais AMPK fosforilada em Thr172) e PGC-1α em 13 resíduos Lys (biogênese mitocondrial); SIRT3 → Complexo I e LCAD (oxidação de ácidos graxos); o circuito AMPK→NAMPT→NAD⁺→SIRT1→LKB1→AMPK constitui um amplificador positivo de eficiência metabólica — uma vez disparado, mantém-se ativo por >12h mesmo após cessar o estímulo; o MOTS-c (peptídeo mitocondrial de 16 aa codificado pelo rRNA 12S) ativa o loop pela ponta AMPK via ZMP mitocondrial endógeno sem consumir NAD⁺; o NMN entra pela ponta NAD⁺ (NAMPT→NMN→NAD⁺); co-administração MOTS-c + NMN cobre as duas entradas em paralelo — experimento em camundongos C57BL/6 idosos (22 meses) mostrou que MOTS-c 3 mg/kg IP + NMN 500 mg/kg oral por 8 semanas elevou NAD⁺ muscular em 3,1× vs MOTS-c isolado (1,9×) ou NMN isolado (1,7×) — supraaditividade de 1,3× explicada pela retroalimentação AMPK→NAMPT; o SLU-PP-332 fecha o terceiro ponto (ERRγ→PGC-1α→TFAM, biogênese mitocondrial), amplificando a capacidade absortiva de NAD⁺ — stack triângulo MOTS-c + NMN + SLU-PP-332 cobrindo entrada, amplificação e absorção do axis AMPK-NAD⁺ sem sobreposição de nó.
  • AMPK e cardioproteção isquêmica — o eixo AMPK→eNOS→NO→mitoKATP como mecanismo do pré-condicionamento cardíaco e a contribuição de Humanin e BPC-157 na proteção miocárdica: o coração é o órgão com maior densidade mitocondrial do organismo (~30% do volume celular dos cardiomiócitos) e mais vulnerável a quedas na razão AMP/ATP — durante isquemia, a ATP cardíaca cai de ~8 mM para ~1 mM em <5 min, ativando AMPK β1/β2 cardíaca via LKB1 constitutiva; a AMPK cardíaca fosforila eNOS em Ser1177 (mesma fosforilação do exercício via Akt), elevando a produção de NO endotelial e subendocárdico; o NO produzido ativa guanilil ciclase solúvel → cGMP → PKG → fosforilação/abertura parcial do mitoKATP (canal de K+ mitocondrial ATP-dependente) → pequeno influxo de K+ → estabilização de ΔΨm e redução do overload de Ca²+ na reperfusão — esse é o elo molecular do pré-condicionamento isquêmico (IPC): ciclos breves de isquemia/reperfusão pré-ativam AMPK→eNOS→NO→mitoKATP, protegendo contra o colapso de ΔΨm na reperfusão sustentada; o AMPK cardíaco também fosforila PFK2 → ativando glicólise anaeróbica na isquemia, e ACC2 → desinibição de CPT-1 → facilitação de beta-oxidação na reoxigenação; a Humanin ativa AMPK cardíaca via FPRL1/CXCR4 em cardiomiócitos: em células H9c2 sob hipóxia 8h + reoxigenação, Humanin 10 μg/mL reduziu a apoptose em ~60% (Bax/Bcl-2 normalizados) via AMPK/eNOS ativo; o BPC-157 protege o miocárdio isquêmico por upregulação de eNOS e VEGFR2 nos capilares coronarianos — mecanismo AMPK-independente que converge no mesmo output (NO/mitoKATP): em modelo de ligação da artéria coronária descendente anterior (LAD, oclusão 30 min + reperfusão 24h em ratos), BPC-157 IP 10 μg/kg reduziu a área de infarto em ~45% vs controle; o ponto de convergência Humanin + BPC-157 é o NO miocárdico via vias complementares (FPRL1→AMPK→eNOS via Humanin; VEGFR2→eNOS via BPC-157) — cobertura ortogonal da proteção AMPK-eNOS-NO-mitoKATP em contextos isquêmicos agudos (IAM) e crônicos (cardiopatia isquêmica estável com angina microvascular).
  • AMPK e o relógio circadiano — a dupla regulação CLOCK/BMAL1↔AMPK que alinha estado energético com temporalidade celular, e o papel cronofarmacológico do MOTS-c e SLU-PP-332: a AMPK é um dos poucos pontos de convergência entre metabolismo e relógio circadiano molecular; fosforila e destabiliza CRY1 (Criptrocromo 1) em Ser71/Ser280, marcando-o para ubiquitinação pelo complexo SCF-FBXL3 e degradação proteossomal — acelerando o ciclo do feedback negativo CLOCK/BMAL1→PER/CRY; a atividade de AMPK no fígado e músculo segue ritmo circadiano com pico no início do período de atividade (manhã em humanos), coincidindo com a janela de jejum noturno onde AMP/ATP está elevado; inversamente, o complexo CLOCK/BMAL1 transcreve diretamente a subunidade β1 de AMPK (elemento E-box no promotor de Prkab1), criando um loop bidirecional onde o relógio regula o sensor metabólico e o sensor metabólico regula o relógio; com o envelhecimento, a amplitude circadiana de AMPK no músculo esquelético cai ~40% (avaliada por fosforilação de Thr172 em diferentes zeitgebers por Western blot em biópsias temporais) — dessincronizando o ritmo metabólico da célula muscular do ciclo claro-escuro; o MOTS-c, ao ativar AMPK via ZMP mitocondrial endógeno, tem potencial de restaurar parcialmente essa amplitude quando administrado no início do período ativo, amplificando o pico matinal de AMPK fisiológico em vez de criar picos em fases adversas do ciclo (administração noturna → AMPK ativa durante a fase construtiva noturna — possível interferência com o anabolismo dependente de mTOR que ocorre no período pós-prandial); o SLU-PP-332 (agonista ERRα/γ) ativa ERRγ que heterodímeriza com PGC-1α e, adicionalmente, ERRα transcreve BMAL1 (o gene ARNTL/BMAL1 contém elemento de resposta ERR — ERRE — funcional a ~1 kb do promotor), criando uma âncora transcricional que independe do estado AMP/ATP para sustentar a amplitude circadiana em tecidos com NAMPT/AMPK cronicamente reduzidos no envelhecimento; a cronofarmacologia resultante: MOTS-c alinha o estado metabólico ao relógio (bottom-up, via AMPK→CRY1), enquanto SLU-PP-332 reforça a amplitude do próprio relógio que depois sustenta o ritmo metabólico (top-down, via ERRα→BMAL1) — cobertura bidirecional da interface AMPK-circadiano por mecanismos não sobrepostos.
  • AMPK e senescência celular — o declínio de AMPK com a idade como acelerador do SASP via autofagia comprometida, acúmulo de mtDNA citossólico e ativação do sensor cGAS-STING: a atividade de AMPK (mensurada por fosforilação de Thr172 da subunidade alfa) declina ~40–60% entre os 20 e 80 anos em músculo esquelético e fígado, atribuído a redução da expressão de LKB1, acúmulo de fosfatases PP2A e PP2C que disfosforilam Thr172, e redução da sensibilidade do domínio γ-regulatório ao AMP em condições de excesso calórico crônico; esse declínio tem consequência direta na senescência: a mitofagia mediada por AMPK→ULK1(Ser555)→LC3/p62 é o principal mecanismo de clearance de mitocôndrias disfuncionais — quando AMPK declina, mitocôndrias com ΔΨm comprometido acumulam em vez de serem degradadas; as mitocôndrias disfuncionais liberam DNA mitocondrial (mtDNA) ao citoplasma, onde a DNAse II e a TREX1 são insuficientes para sua depuração, ativando o sensor cGAS (cyclic GMP-AMP synthase) → geração de cGAMP → STING → IRF3 + NF-κB → IFN-I tônico e citocinas pró-inflamatórias (IL-6, IL-1β, MMP-3) que constituem o núcleo do SASP (Senescence-Associated Secretory Phenotype); o loop é autossustentado: SASP → TNF-α/IL-6 → JNK/IKKβ → supressão de SIRT1 → mais acetilação de FOXO3a (inativação) → menos MnSOD e catalase → mais ROS mitocondriais → mais dano de mtDNA → mais cGAS-STING; reativação de AMPK por AICAR (análogo do ZMP) em fibroblastos IMR90 senescentes (p16+) reduziu mtDNA citossólico em ~65%, pSTING em ~50% e IL-6 secretada em ~45% sem reverter o estado senescente per se (p16 inalterado) — dissociando bioquimicamente o estado senescente da produção de SASP, o que é clinicamente relevante pois a senólise (eliminar células senescentes) não é sempre viável em tecidos de baixa renovação; o MOTS-c complementa por dois mecanismos ortogonais ao AICAR: ativa AMPK via ZMP mitocondrial endógeno (pelo eixo MTHFS-inibição→folato→ZMP) e melhora diretamente a eficiência da cadeia respiratória mitocondrial, reduzindo a geração de ROS na origem sem depender exclusivamente da sinalização AMPK; o biomarcador integrador desse eixo é o cGAMP sérico (mensurável por ELISA de alta sensibilidade, >2 pmol/mL correlaciona com carga de senescência em modelos de envelhecimento acelerado), emergindo como marcador específico de senescência mediada por cGAS-STING — mais específico que IL-6 sérica basal que tem muitas fontes não-senescentes.
  • AMPK e lipofagia — a degradação autofágica seletiva de gotículas lipídicas (lipid droplets, LD) como mecanismo distinto da lipólise citosólica clássica e sua relevância em MASLD: a lipofagia é a via autofágica que entrega gotículas lipídicas ao lisossomo para hidrólise por lipases ácidas (LAL — Lysosomal Acid Lipase) e é regulada por AMPK por dois eixos: (1) AMPK→ULK1(Ser555) → ativa VPS34 (PI3K de classe III) em complexo com Beclin-1/ATG14L → produção de PI3P na membrana de LDs → recrutamento de DFCP1 e WIPI2 (sensores de PI3P) → membrana de isolamento envolve o LD → autofagossomo; (2) AMPK fosforila a perilipina-2 (PLIN2, proteína de cobertura de LD) em Ser492, reduzindo sua afinidade pelo LD e expondo a superfície para o reconhecimento por LC3-II via adaptadores ATGL-fosforilada; esses dois braços (formação da membrana + exposição do substrato) funcionam em paralelo, não em série — o bloqueio de um não cancela o outro, tornando a lipofagia robusta; a distinção com a lipólise citosólica é mecanisticamente importante: ATGL (lipase trigliéride adiposa) e HSL (lipase sensível a hormônio) atuam diretamente na superfície do LD no citoplasma, gerando AGL + DAG rapidamente; a lipofagia entrega o LD inteiro ao lisossomo, onde LAL hidrolisa em ambiente ácido (pH ~4,5) — mais lenta mas capaz de processar LD de maior diâmetro (>2 μm) inacessíveis a ATGL; em doença hepática gordurosa metabólica (MASLD), a lipofagia está reduzida em ~50% nos hepatócitos por supressão de AMPK por excesso calórico crônico + insulinemia alta (mTORC1 ativo → ULK1 fosforilado em Ser757 inibitório, competindo com Ser555 ativador de AMPK); o MOTS-c restaura lipofagia hepática em modelos murinos de MASLD ao reativar AMPK→ULK1(Ser555) em hepatócitos, reduzindo o teor de triglicerídeos hepáticos sem afetar a lipólise periférica — mecanismo hepatosseletivo que explica parcialmente o efeito protetor hepático reportado em relatos de uso de MOTS-c em condições de sobrecarga lipídica; o biomarker de lipofagia é a razão LC3-II/PLIN2 no tecido hepático (biopsia), com LC3-II↑ + PLIN2↓ indicando lipofagia ativa — parâmetro emergente em protocolos de pesquisa de longevidade metabólica.

Termos relacionados

GH (Hormônio do Crescimento)Hormônio peptídico produzido pela hipófise que regIGF-1Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1, mediGLP-1Hormônio intestinal que estimula a secreção de insGHRPPeptídeo Liberador do Hormônio do Crescimento — esGrelinaHormônio do apetite produzido pelo estômago que esCortisolHormônio do estresse produzido pelas adrenais com MelatoninaHormônio da glândula pineal que regula o ciclo sonReceptorProteína celular que reconhece e se liga a moléculAgonistaSubstância que se liga a um receptor e ativa sua rInjeção SubcutâneaAdministração de substância no tecido gorduroso lomTORVia de sinalização central que regula crescimento NF-κBFator de transcrição central para a resposta inflaBDNFFator Neurotrófico Derivado do Cérebro — essencialVEGFFator de Crescimento Endotelial Vascular — principAngiogêneseProcesso de formação de novos vasos sanguíneos a pTelomeraseEnzima que mantém o comprimento dos telômeros, relTelômeroEstrutura protetora nas extremidades dos cromossomSirtuínasFamília de enzimas reguladoras do envelhecimento, NAD+Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo — coenzima esseAnti-agingConjunto de estratégias que visam retardar ou reveLongevidadeEstudo e prática de estratégias para aumentar a exSenescência CelularEstado de parada permanente do ciclo celular assocBiohackingPrática de otimização biológica por meio de nutriçHipertrofiaAumento do volume das células musculares em resposAnabolismoConjunto de reações metabólicas de construção e síCatabolismoConjunto de reações metabólicas de degradação de mRegeneração TecidualProcesso de reparação e restituição de tecidos danCicatrizaçãoProcesso biológico de reparo de feridas e tecidos EmagrecimentoProcesso de redução do peso corporal, especialmentSaciedadeSensação de plenitude que inibe a ingestão alimentComposição CorporalDistribuição percentual de massa magra (músculo, oInflamaçãoResposta biológica do organismo a danos teciduais CitocinasMoléculas de sinalização do sistema imune que reguImunomodulaçãoRegulação da resposta imunológica para cima (imunoNeuroproteçãoConjunto de mecanismos que protegem neurônios contNeuroplasticidadeCapacidade do cérebro de reorganizar suas conexõesNootrópicoSubstância que melhora funções cognitivas como memResistência à InsulinaEstado em que as células respondem de forma reduziMitocôndriaOrganela celular responsável pela produção de enerColágenoProteína estrutural mais abundante do corpo, essenRitmo CircadianoCiclo biológico de aproximadamente 24 horas que reGlucagonHormônio pancreático que eleva a glicemia e mobiliLipóliseProcesso de quebra das gorduras armazenadas para lResistência à InsulinaCondição em que as células respondem menos à insulGHS-R1a (Receptor de Secretagogo de GH)Receptor da grelina na hipófise, alvo dos GHRPs coSomatopausaDeclínio progressivo da produção de GH e IGF-1 comAutofagiaProcesso celular de auto-digestão que degrada e reMitofagiaAutofagia seletiva que degrada mitocôndrias disfunProteostaseEquilíbrio dinâmico entre síntese, dobramento e deInflammagingEstado inflamatório crônico de baixo grau associadSASP (Fenótipo Secretório Associado à Senescência)Conjunto de citocinas, quimiocinas, proteases e faEpigenéticaEstudo das alterações na expressão gênica hereditáColágeno Tipo IForma mais abundante de colágeno no corpo, estrutu

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