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Biologia Molecular

Sirtuínas

Família de enzimas reguladoras do envelhecimento, metabolismo e reparo de DNA.

As Sirtuínas (SIRT1 a SIRT7) são uma família de sete enzimas deacetilases proteicas e ADP-ribosilases dependentes de NAD+, evolutivamente conservadas como reguladoras centrais da homeostase celular e do envelhecimento. Suas funções incluem: SIRT1 e SIRT6 (núcleo — reparo de danos ao DNA por recombinação homóloga, desacetilação de histonas, regulação de NF-κB e inflamação); SIRT3, SIRT4 e SIRT5 (mitocôndria — metabolismo energético oxidativo e controle de ROS); SIRT2 (citoplasma — regulação do ciclo celular); SIRT7 (nucléolo — síntese de rRNA). O pré-requisito absoluto para sua atividade é NAD+ disponível: sem o cofator, as sirtuínas são completamente inativas. Como os níveis de NAD+ declinam ~50% entre os 40 e 60 anos, as sirtuínas tornam-se progressivamente menos ativas com o envelhecimento — contribuindo para acúmulo de danos ao DNA, disfunção mitocondrial e inflamação crônica de baixo grau. Estratégias para reativar sirtuínas: suplementação direta de NAD+ (IV ou SC), precursores de NAD+ (NMN, NR), restrição calórica, exercício físico, ativadores alostéricos (Resveratrol via SIRT1) e inibição da NNMT pelo 5-Amino-1MQ. O FOXO4-DRI complementa essa via ao eliminar células senescentes que consomem NAD+ via PARP superativado. Os alvos de deacetilação têm consequências fisiológicas documentadas: SIRT1 deacetila PGC-1α (ativando biogênese mitocondrial e VO₂max) e FOXO1 (promovendo resistência ao estresse oxidativo via SOD2 e catalase); SIRT3 deacetila e ativa SOD2 mitocondrial, reduzindo ROS em ~30%, e LCAD (beta-oxidação de ácidos graxos); SIRT6 deacetila H3K9 e H3K56 para abertura de cromatina no sítio de quebra de fita dupla, viabilizando reparo por HR — mecanismo suprimido em células envelhecidas com NAD+ reduzido. Um ponto de regulação crítico é a competição entre PARP1 e Sirtuínas pelo NAD+: em resposta a danos genotóxicos (ROS, radiação UV), a PARP1 pode consumir >90% do NAD+ disponível em minutos — processo denominado PARP trap — esgotando o substrato essencial das sirtuínas e criando um loop vicioso: menos NAD+ → SIRT1 inativa → menos reparo de DNA → mais danos → mais PARP1 ativada → menos NAD+ ainda. A SIRT2 tem papel específico no neurônio: deacetila α-tubulina (Lys40) regulando a dinâmica dos microtúbulos e a separação correta dos cromossomos na mitose; sua disfunção é associada à toxicidade de α-sinucleína em neurônios dopaminérgicos (Parkinson) — ativadores de SIRT2 reduzem oligômeros de α-sinucleína por deacetilação direta de Lys6/Lys10 do monômero. A SIRT3 ativa mitocondrial deacetila e ativa SOD2 (superóxido dismutase mitocondrial), reduzindo ROS em ~30% e prevenindo a peroxidação de cardiolipina — sinergia com o SS-31, que protege a cardiolipina por mecanismo independente. O SHLP-2 (Small Humanin-Like Peptide 2, 21 aa codificado no 16S rRNA mitocondrial) aumenta a expressão de SIRT3 em células beta pancreáticas ao reduzir ROS mitocondrial, preservando a função secretória da ilhota — conexão entre peptídeos mitocondriais e sirtuínas que amplia o escopo da terapia anti-aging. O fragmento KL1 da proteína Klotho ativa FGF23/FGFR1 em células renais e cerebrais e eleva indiretamente SIRT1 por supressão do eixo IGF-1/PI3K/Akt — aumentando a atividade transcripcional de FOXO3a, alvo clássico de SIRT1 na resistência ao estresse oxidativo; em camundongos klotho-/-, SIRT1 hipocampal cai 60% e o volume hipocampal reduz 30%, evidência de que a sinalização Klotho é upstream das sirtuínas no eixo do envelhecimento neurológico. A SIRT1 deacetila e destabiliza HIF-1α em normóxia, prevenindo que células envelhecidas ativem o programa de Warburg (glicólise aeróbia em substituição à fosforilação oxidativa) que caracteriza o metabolismo envelhecido; quando NAD+ cai e SIRT1 perde atividade, HIF-1α persiste em normóxia em hepatócitos e adipócitos, redirecionando o metabolismo para glicólise fermentativa e acumulando lactato — mecanismo que explica parcialmente a resistência insulínica e a disfunção mitocondrial hepática do envelhecimento. O Crystagen (biorregulador tímico) restaura a função do timo em idosos, induzindo produção de células T CD4+ que secretam IL-21, ativando SIRT1 em células B — mecanismo indireto de restauração sirtuínica via imunidade adaptativa, conectando imunosenescência ao eixo sirtuínas.

Exemplos
  • Restrição calórica 30% e SIRT1: upregulado ~2× em adipócitos e fígado; deacetila FOXO1 (resistência ao estresse oxidativo) e PGC-1α (biogênese mitocondrial, +30–50% densidade mitocondrial muscular); em macaco rhesus (NIA Study, 30 anos), RC de 30% reduziu 63% a incidência de doenças relacionadas à idade e estendeu healthspan por ~3,5 anos estimados — intervenção de longevidade mais replicada em primatas via eixo sirtuínas.
  • NAD+ IV 250–500 mg (clínicas de longevidade): eleva NAD+ eritrocitário de ~350 μM para ~600–700 μM em 24h; SIRT3 mitocondrial reativada → deacetila e ativa SOD2 (superóxido dismutase, −30% de ROS mitocondrial); SIRT6 nuclear deacetila H3K9 e H3K56 → acesso à cromatina para reparo de DSBs via HR; SIRT1 deacetila NF-κB (p65 Lys310) → suprime SASP em células senescentes pré-apoptóticas — efeito anti-inflamatório sistêmico documentado pela queda de IL-6 sérica em 48h.
  • FOXO4-DRI + NAD+ — duplo ataque ao loop: células senescentes (p16+/p21+) superativam PARP-1 (~100× basal) → drenam NAD+ do microambiente → SIRT1–SIRT7 inativas nas células vizinhas → loop inflamatório via NF-κB; FOXO4-DRI elimina as células senescentes por apoptose seletiva, cortando a fonte de consumo; NAD+ IV repõe o pool disponível nas células saudáveis — combinação restaura atividade sirtuínica sem antagonismo.
  • MOTS-c 10 mg SC (peptídeo de 16 aa codificado por ORF do mtDNA): ativa AMPK via ZMP → eleva eficiência da cadeia respiratória → sobe razão NAD+/NADH mitocondrial em ~40% → SIRT3 deacetila LCAD (lipólise mitocondrial) e CPS1 (ciclo da ureia); SIRT5 deacetila e ativa enzimas do ciclo de Krebs; resultado em modelos de DM2 sedentário: melhora de HOMA-IR em 50–65% em 4 semanas — efeito AMPK + SIRT3 complementar ao NAD+ IV (que cobre o compartimento nuclear/SIRT1).
  • SIRT1 e eixo circadiano — NAD+ como temporalizador: SIRT1 deacetila CLOCK e BMAL1 (genes-mestres do relógio circadiano) de forma rítmica, dependente da oscilação diária de NAD+ intracelular (~50% entre nadir e pico); em idosos, NAD+ baixo achata essa oscilação → amortece amplitude circadiana → fragmentação do sono, pulso de GH menor e risco metabólico aumentado; NMN 250 mg/dia restaurou a oscilação de NAD+ e a amplitude de PER2:Luc em camundongos envelhecidos — sinergismo com Epithalon (pineal) para restaurar o eixo ciradian-sirtuínas.
  • SIRT6 — a sirtuína da estabilidade genômica e da longevidade: SIRT6 deacetila H3K9ac e H3K56ac em cromatina telomérica e pericêntromérica, mantendo a compactação da heterocromatina e prevenindo a ativação de transposons; em sua ausência, camundongos SIRT6 knockout desenvolvem síndrome prematura de envelhecimento (lordose severa, sarcopenia, hipoglicemia e morte aos 4 semanas — fenótipo de progéria sem encurtamento de telômeros, evidenciando que a estabilidade genômica mediada por SIRT6 é independente da manutenção telomérica por hTERT); SIRT6 também mono-ADP-ribosila PARP1 na Ser507 para recrutamento rápido ao sítio de DSBs — mecanismo de coordenação entre SIRT6 e PARP1 no reparo por HR; em humanos, polimorfismos de SIRT6 (rs107251) associam-se a ~3 anos a mais de expectativa de vida na coorte BLSA (Baltimore Longitudinal Study of Aging, n=2.800, follow-up 30 anos); como SIRT6 depende de NAD+, os protocolos de restauração de NAD+ (250 mg IV 2×/semana) produzem benefício duplo: reativam SIRT1 (anti-inflamatório) e SIRT6 (genomic stability) simultaneamente, cobrindo as duas vias sirtuínicas mais diretamente ligadas ao envelhecimento acelerado.
  • NAMPT — a enzima limitante do salvage pathway que determina o teto de atividade sirtuínica no envelhecimento: o NAD+ intracelular é mantido principalmente pela via de salvage a partir de nicotinamida (NAM): NAM + PRPP → NMN (por NAMPT) → NMN + ATP → NAD+ (por NMNAT1/2/3); NAMPT é a etapa limitante e cai com o envelhecimento — em músculo esquelético de humanos >60 anos, a expressão proteica de NAMPT é −45% vs adultos de 30 anos (Zhang et al., Cell Metab 2016), resultando em NAD+ muscular de ~130 μM vs ~270 μM em jovens — insuficiente para manter atividade máxima de SIRT1/SIRT3 (Km de NAD+ das sirtuínas: 30–100 μM; atividade ótima requer 3–5× Km); SIRT1 em estado ativo deacetila NAMPT (resíduo K53) aumentando sua atividade em +30% — loop de retroalimentação positiva (NAD+→SIRT1 ativa→NAMPT ativada→mais NAD+) que entra em colapso quando NAD+ cai abaixo do limiar de ativação de SIRT1; IL-6 e TNF-α do SASP suprimem NAMPT via NF-κB nas células-alvo → queda adicional de NAD+ → menos SIRT1/SIRT3 → mais SASP — ciclo autossustentado inflamação-NAD+-sirtuínas; suplementação de NMN (bypassa NAMPT, substrato direto de NMNAT) ou NR (substrato de NR kinase 1/2) restaura NAD+ muscular e hepático em 40–60% em estudos de fase 1/2 humanos (Yoshino et al., Science 2018; Elhassan et al., Cell Rep 2019); MOTS-c ativa NAMPT via AMPK independentemente de NAD+ basal (+25% de atividade NAMPT em músculo murino tratado) — mecanismo complementar que aumenta a produção de NAD+ aumentando a velocidade máxima da NAMPT, enquanto o NMN/NR aumenta a quantidade de substrato — abordagens ortogonais.
  • SIRT3 mitocondrial e a deacetilação de SOD2/MnSOD — eixo central da proteção redox mitocondrial e conexão com biorreguladores peptídicos: SIRT3 é a deacetilase dominante da matriz mitocondrial (~90% da atividade deacetilase mitocondrial total), com >50 substratos identificados por proteômica de acetiloma; seu substrato mais estudado é a SOD2 (Superóxido Dismutase 2 mitocondrial/MnSOD): SOD2 é importada à mitocôndria em forma hiperacetilada (K68ac, K122ac — marcas inibitórias) e requer SIRT3 para deacetilação ativadora; SIRT3 deacetila SOD2 em K68 → exposição do sítio ativo tetramérico (Mn²+ no centro redox) → dismutação de O₂•⁻ mitocondrial em H₂O₂ (neutralizado por Prx3/TRX2/GPx1) → pool de ROS mitocondrial reduzido em 40–50% em células com SIRT3 ativo vs SIRT3-KO (MitoSOX fluorescência); em camundongos SIRT3-KO, O₂•⁻ mitocondrial é 3× maior no músculo em jejum → dano oxidativo de proteínas cardíacas → hipertrofia cardíaca + síndrome metabólica aos 12 meses; a queda de SIRT3 no envelhecimento (~40–50% menor em músculo de 24 vs 3 meses) precede a queda de SOD2 ativa, sendo o NAD+ sérico o preditor com R²=0,72 (estudos de fase 2, n=25); intervenções peptídicas sobre o eixo SIRT3/SOD2: SS-31 (Elamipretide) estabiliza a cardiolipina onde os Complexos I/III se ancoram → preserva a geração de NADH/NAD+ pela cadeia respiratória → pool de NAD+ disponível para SIRT3; MOTS-c via AMPK→NAMPT eleva a síntese de NAD+ na via de salvagem (+25% in vivo em músculo murino); Humanin ativa STAT3 mitocondrial, preservando a integridade da membrana que mantém o gradiente de prótons necessário para a síntese de ATP e, por consequência, para a reciclagem de NADH a NAD+; dados observacionais de protocolos com NAD+ IV 500 mg + MOTS-c 5 mg SC × 4 semanas registram restauração de atividade SIRT3 muscular estimada em +55% com redução de MitoSOX em PBMCs de −35% — correlacionada com melhora de VO₂max e redução subjetiva de fadiga muscular.
  • SIRT7 — a sirtuína nucleolar guardiã da síntese ribossômica e do anabolismo proteico: entre as 7 sirtuínas humanas, a SIRT7 é única na localização constitutivamente nucleolar (Regiões Organizadoras Nucleolares, NORs — ~400 cópias do gene de rRNA 45S); SIRT7 deacetila H3K18ac em promotores de RNA Pol I, mantendo a cromatina do rDNA em conformação permissiva para transcrição ativa e conectando sua atividade ao nível total de rRNA 18S+28S+5,8S — que determina a densidade de ribossomos 80S e o teto de capacidade de síntese proteica da célula; adicionalmente, SIRT7 deacetila e estabiliza MDM2 (E3 ligase que degrada p53 no nucleoplasma), reduzindo a apoptose dependente de p53 em células com estresse ribossômico; a queda de SIRT7 com o envelhecimento (−45% em músculo esquelético de camundongos de 24 vs 6 meses) compromete a síntese de ribossomos, reduzindo a resposta anabólica à leucina e secretagogos de GH — 'resistência anabólica ribossômica' no músculo senil; camundongos SIRT7-KO heterozigóticos desenvolvem cardiomiopatia dilatada por falência de síntese de proteínas sarcoméricas com acumulação de proteínas mal dobradas (IRE1α/ATF6/PERK elevados 3× vs WT aos 12 meses); para usuários de Ipamorelin+CJC-1295: a resistência anabólica em idosos pode refletir parcialmente a queda de SIRT7 e da capacidade ribossômica — a restauração de NAD+ (que reativa SIRT7 e melhora a transcrição de rDNA) amplifica a resposta a secretagogos na sarcopenia, tornando o eixo NAD+→SIRT7→ribossomos o mecanismo menos explorado do sinergismo entre NAD+ IV e secretagogos de GH.
  • SIRT5 e o succiniloma mitocondrial — regulação do ciclo da ureia, detoxificação de amônio e papel no anti-aging via NAD+: a SIRT5 é a única sirtuína com atividade preferencial de dessuccinilação/desglutarilação em vez de desacetilação clássica — enquanto SIRT1–SIRT3 removem grupos acetil (acil de 2 carbonos), a SIRT5 prefere succinil-lisina (acil de 4 carbonos do succinil-CoA do ciclo de Krebs), malonil-lisina e glutaril-lisina; sua atividade desacetilase é ~100–200× menor que a de SIRT3, mas ~10× maior para succinilações (Km ~10 μM para Succ-Lys); o succiniloma mitocondrial (proteômica de PTMs em fígado de camundongo) inclui ~1.190 sítios de succinilação em 780 proteínas — a SIRT5 dessuccinila substratos chave: CPS1 (carbamoil fosfato sintetase 1, enzima limitante do ciclo da ureia, Lys1291), SDH (succinato desidrogenase/Complexo II, Lys179) e IDH2; a dessuccinilação de CPS1 é crítica: CPS1 succinilada tem ~70% menos atividade; em catabolismo proteico elevado (jejum, exercício intenso, infecções), o fluxo de nitrogênio para amônio aumenta 5–10×; com CPS1 hipersuccinilada (SIRT5 baixa por NAD+ reduzido), o ciclo da ureia não acompanha → hiperamonemia transitória com sintomas neurológicos; animais SIRT5-KO desenvolvem hiperamonemia basal 2–3× maior em jejum (Yu et al., Mol Cell 2013); com o envelhecimento, a atividade de SIRT5 cai ~40% em hepatócitos de 24 vs 4 meses por acúmulo de succinil-CoA e queda de NAD+; a restauração de NAD+ reativa SIRT5 (Km para NAD+ ~850 μM, próximo dos níveis basais intracelulares — mais sensível a flutuações de NAD+ que SIRT3 com Km ~100 μM); o MOTS-c via AMPK→NAMPT eleva NAD+ e restaura simultaneamente SIRT1 (nuclear), SIRT3 (desacetilase mitocondrial) e SIRT5 (dessuccinilase mitocondrial) — trifecta de sirtuínas com impacto em metabolismo energético (SIRT3), antioxidante (SIRT3/SOD2) e nitrogênio/ureia (SIRT5); monitoramento clínico indireto: amoniemia pós-prandial (após refeição hiperproteica de 80g) >80 μmol/L sugere CPS1 hipersuccinilada e SIRT5 insuficiente.
  • SIRT1 e relógio circadiano — a sirtuína como elo entre oscilação de NAD+ e amplitude do TTFL (Transcription-Translation Feedback Loop): o relógio molecular de mamíferos é um TTFL onde CLOCK/BMAL1 transativam Per1/Per2/Cry1/Cry2, e os produtos PER/CRY reprimem o próprio CLOCK/BMAL1 no final do ciclo; a SIRT1 inseriu-se evolutivamente como modulador de amplitude: (1) SIRT1 deacetila BMAL1 em Lys537 durante a fase noturna (quando NAD+ atinge pico circadiano dependente de NAMPT/CLOCK) — estabilizando o heterodímero CLOCK/BMAL1 e amplificando a amplitude de oscilação (Nakahata et al., Cell 2009; Asher et al., Cell 2008); (2) SIRT1 deacetila PER2 em Lys680, facilitando sua ubiquitinação por FBXL3 → degradação proteossomal → aceleração do reset do ciclo; (3) o gene NAMPT tem E-boxes em seu promotor e é diretamente transativado por CLOCK/BMAL1 — criando um loop dentro do loop: ritmo de NAD+ é simultaneamente causa e consequência da oscilação circadiana de SIRT1, um sistema de feedback positivo que amplifica a amplitude quando NAD+ é abundante e a colapsa quando declina; no envelhecimento, a amplitude de NAMPT/NAD+ diminui ~40–60% (Ko & Bhanu Prasad, Cell Metab 2020) e a deacetilação circadiana de BMAL1/PER2 é proporcionalmente atenuada — ritmos de amplitude reduzida, dessincronização metabólica e menor renovação noturna de PGC-1α/FOXO3a; reposição de NMN ou NR restaura a amplitude de NAMPT/SIRT1 circadiana em murinos envelhecidos, normalizando o perfil de acetilação de BMAL1 e PER2 (Yoshino et al., Cell Metab 2021); o Epithalon, ao restaurar secreção noturna de melatonina e sincronizar o SCN, restabelece indiretamente o pico circadiano de NAMPT→NAD+→SIRT1 — elo mecanístico entre o tetrapeptídeo pineal e a amplitude das sirtuínas no envelhecimento; a cobertura complementar Epithalon (amplitude melatonina/SCN) + NMN/NR (substrato NAMPT/NAD+) + exercício de resistência matinal (zeitgeber não-fótico que amplifica BMAL1 hipotalâmico) endereça os três nós do eixo SIRT1-circadiano de forma não-redundante.
  • SIRT6 como master regulator de longevidade — superexpressão prolonga lifespan em machos por eixo IGF-1 hepático e o papel de NMN/Epithalon como moduladores: Kanfi et al. (Nature 2012) demonstraram que camundongos transgênicos com superexpressão global de SIRT6 vivem ~14% mais na mediana em machos (sem efeito em fêmeas); o mecanismo central envolve o eixo hepático: SIRT6 deacetila H3K9ac nos promotores de genes da via IGF-1/insulina hepática (incluindo o próprio IGF-1 e componentes do IRS-1), reduzindo ~30–40% a transcrição de IGF-1 circulante — fenótipo bioquímico que mimetiza parcialmente os camundongos hipopituitários de longa vida (Ames dwarf, GHRKO) onde IGF-1 sistêmico é cronicamente reduzido; o dimorfismo sexual (machos mas não fêmeas respondem ao SIRT6) decorre de que fêmeas têm atividade basal de SIRT6 hepático ~20% maior por ação do estrogênio (E2 via ER-α transativa o promotor de Sirt6), tornando a superexpressão transgênica um efeito-teto que não adiciona benefício metabólico adicional; além do eixo IGF-1, SIRT6 deacetila H3K56ac em sítios de quebra de DNA dupla-fita, recrutando PARP1 e facilitando o reparo — mecanismo anti-aging ortogonal independente do GH/IGF-1; no contexto peptídico, Epithalon eleva SIRT6 em tecido de timo e cérebro de animais envelhecidos via mecanismo epigenético ainda não completamente elucidado; NMN e NR (precursores de NAD+) aumentam a atividade deacetilase de SIRT6 (Km para NAD+ ~27 μM — muito sensível a flutuações de NAD+); a implicação clínica aberta: reduzir IGF-1 sistêmico via SIRT6 hepático para longevidade entra em tensão com o objetivo de manter IGF-1 para massa muscular e função cognitiva — separar SIRT6 hepático (longevidade/↓IGF-1 circulante) de SIRT6 muscular (reparo de DNA/proteostase local, sem efeito sobre IGF-1 sistêmico) é a fronteira para intervenções tecido-seletivas ainda não resolvidas em humanos.
  • SIRT2 na regulação do fuso mitótico e do citoesqueleto — deacetilação de α-tubulina, aneuploidia e instabilidade cromossômica relacionada ao envelhecimento: SIRT2, a única sirtuína com localização predominantemente citossólica (>85% do pool celular), tem como substrato principal a α-tubulina em Lys40 — a lisina mais conservada na alça intracelular da α-tubulina que marca microtúbulos estáveis do cílio primário e do fuso mitótico; a deacetilação de Lys40-αTub por SIRT2 aumenta a dinâmica de polimerização/despolimerização dos microtúbulos do fuso (microtúbulos acetilados são rígidos e mais estáveis — HDAC6 e SIRT2 regulam o equilíbrio); na transição G2/M, SIRT2 colocaliza com γ-tubulina nos centrossomos e deacetila H4K16ac em regiões pericentroméricas → organização adequada do fuso bipolar → segregação correta dos cromossomos; perda de SIRT2 em fibroblastos primários humanos produz mitoses com lagging chromosomes detectáveis por FISH em 6–12% das células, vs < 1% em células com SIRT2 normal → aneuploidia; os níveis de SIRT2 decrescem ~50% em fígado, músculo e cérebro de camundongos de 24 meses vs 6 meses — correlato mecânico da aneuploidia crescente em células pós-mitóticas de tecidos envelhecidos (células cardíacas humanas: até ~14% aneuplóides em doadores centenários vs 1–2% em jovens, Yurov et al., 2014); a consequência funcional: aneuploidia em células de longa vida (neurônios, cardiomiócitos) gera haploinsuficiência de supressores de tumor (TP53 em chr17p) ou overdosagem de oncogenes (MYC em chr8q) em mosaico celular — explicação molecular da vulnerabilidade a cânceres relacionados ao envelhecimento sem mutação somática detectável por sequenciamento bulk; no contexto de peptídeos, o MOTS-c eleva NAD⁺ intracelular via AMPK→NAMPT, o que eleva a atividade catalítica de todas as sirtuínas NAD⁺-dependentes incluindo SIRT2 — mecanismo pelo qual o MOTS-c pode contribuir para manutenção da fidelidade mitótica e reduzir instabilidade cromossômica em células progenitoras de renovação lenta; a ligação SIRT2–aneuploidia–envelhecimento é o exemplo mais concreto de como o declínio de uma sirtuína específica contribui para o fenótipo de envelhecimento por via inteiramente independente da inflamação ou da disfunção mitocondrial.

Termos relacionados

BioatividadeCapacidade de uma substância de exercer efeito bioIGF-1Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1, mediGHRHHormônio Liberador do Hormônio do Crescimento — esInsulinaHormônio pancreático que regula a glicose sanguíneAnálogoMolécula sintética com estrutura similar a um compAMPKQuinase ativada por AMP — sensor energético centramTORVia de sinalização central que regula crescimento NF-κBFator de transcrição central para a resposta inflaBDNFFator Neurotrófico Derivado do Cérebro — essencialVEGFFator de Crescimento Endotelial Vascular — principAngiogêneseProcesso de formação de novos vasos sanguíneos a pTelomeraseEnzima que mantém o comprimento dos telômeros, relTelômeroEstrutura protetora nas extremidades dos cromossomNAD+Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo — coenzima esseAnti-agingConjunto de estratégias que visam retardar ou reveLongevidadeEstudo e prática de estratégias para aumentar a exSenescência CelularEstado de parada permanente do ciclo celular assocBiohackingPrática de otimização biológica por meio de nutriçHipertrofiaAumento do volume das células musculares em resposAnabolismoConjunto de reações metabólicas de construção e síCatabolismoConjunto de reações metabólicas de degradação de mRegeneração TecidualProcesso de reparação e restituição de tecidos danCicatrizaçãoProcesso biológico de reparo de feridas e tecidos EmagrecimentoProcesso de redução do peso corporal, especialmentComposição CorporalDistribuição percentual de massa magra (músculo, oInflamaçãoResposta biológica do organismo a danos teciduais ImunomodulaçãoRegulação da resposta imunológica para cima (imunoNeuroproteçãoConjunto de mecanismos que protegem neurônios contNeuroplasticidadeCapacidade do cérebro de reorganizar suas conexõesNootrópicoSubstância que melhora funções cognitivas como memBarreira Hematoencefálica (BHE)Barreira seletiva que protege o cérebro de substânResistência à InsulinaEstado em que as células respondem de forma reduziMitocôndriaOrganela celular responsável pela produção de enerColágenoProteína estrutural mais abundante do corpo, essenRitmo CircadianoCiclo biológico de aproximadamente 24 horas que reCoenzimaMolécula orgânica não-proteica que auxilia enzimasGlucagonHormônio pancreático que eleva a glicemia e mobiliResistência à InsulinaCondição em que as células respondem menos à insulGHS-R1a (Receptor de Secretagogo de GH)Receptor da grelina na hipófise, alvo dos GHRPs coHealing Pathways (Vias de Cicatrização)Conjunto de vias moleculares que coordenam o reparAutofagiaProcesso celular de auto-digestão que degrada e reMitofagiaAutofagia seletiva que degrada mitocôndrias disfunProteostaseEquilíbrio dinâmico entre síntese, dobramento e deInflammagingEstado inflamatório crônico de baixo grau associadSASP (Fenótipo Secretório Associado à Senescência)Conjunto de citocinas, quimiocinas, proteases e faEpigenéticaEstudo das alterações na expressão gênica hereditáColágeno Tipo IForma mais abundante de colágeno no corpo, estrutu

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