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Biologia Molecular

BDNF

Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro — essencial para neuroplasticidade e formação de memória.

O BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor — Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro) é a neurotrofina mais abundante e mais estudada no sistema nervoso central, sintetizada e secretada principalmente por neurônios do hipocampo, córtex pré-frontal, amígdala e cerebelo, e também por astrócitos e células imunes periféricas. Sua ação primária é mediada pelo receptor TrkB (receptor tirosina quinase de alta afinidade): a ligação BDNF-TrkB ativa três vias de sinalização principais — PI3K/Akt (sobrevivência neuronal anti-apoptótica, crescimento de dendritos), MAPK/ERK (diferenciação, plasticidade e formação de memória de longo prazo) e PLCγ/PKC (regulação da neurotransmissão e LTP, potenciação de longa duração). Funções essenciais: (1) sobrevivência de neurônios maduros, atuando como fator trófico que previne apoptose; (2) neurogênese adulta — estimula proliferação e maturação de neurônios na zona subgranular do giro denteado hipocampal; (3) LTP (Long-Term Potentiation) — o mecanismo celular central da consolidação da memória e aprendizado; (4) crescimento e arborização dendrítica, aumentando a complexidade das redes neurais; (5) regulação dos sistemas de neurotransmissão dopaminérgico, serotonérgico e glutamatérgico. Deficiência de BDNF: níveis baixos estão fortemente associados a depressão maior (o antidepressivo clínico mais relevante de todas as classes eleva BDNF cronicamente), TEPT, comprometimento cognitivo leve (MCI) e fases iniciais de Alzheimer e Parkinson. Elevação fisiológica de BDNF: exercício aeróbico é o estímulo mais potente (via IRISIN liberada por músculos e via lactato que cruza a BHE); restrição calórica, sono adequado e aprendizado ativo também elevam BDNF. Peptídeos que modulam BDNF: o Semax aumenta a expressão de BDNF e do seu receptor TrkB no hipocampo com onset em <24h — mecanismo central dos seus efeitos nootrópicos e neuroprotetores; o Cerebrolysin contém peptídeos neurotróficos com perfil de atividade BDNF-like (aumenta síntese proteica neuronal e neuroplasticidade); o Dihexa potencializa a sinaptogênese via HGF/MET, atuando downstream de BDNF. A distinção entre pró-BDNF e BDNF maduro é farmacologicamente crítica: o pró-BDNF (35 kDa) ativa o receptor p75NTR (p75 neurotrophin receptor) e induz apoptose neuronal via JNK/c-Jun e ceramidas — efeito oposto ao BDNF maduro (14 kDa, via TrkB, pró-sobrevivência); a protease plasmina converte pró-BDNF em BDNF maduro extracelularmente; inflamação suprime a plasminase e acumula pró-BDNF, contribuindo à morte neuronal em neuroinflamação crônica. A AMPK, ao reduzir citocinas inflamatórias que inibem plasminase, indiretamente favorece a conversão pró-BDNF → BDNF — conexão metabólica-cognitiva entre saúde mitocondrial e neuroplasticidade. O BPC-157 eleva BDNF hipocampal em modelos de lesão de medula e neuroinflamação via efeito anti-NF-κB na micróglia — supressão da neuroinflamação libera a produção neuronal de BDNF que estava suprimida pelo microambiente inflamatório. O polimorfismo Val66Met do BDNF (rs6265, frequência do alelo Met ~30–35% na população caucasiana) reduz a secreção de BDNF dependente de atividade em ~30%: portadores do alelo Met apresentam maior vulnerabilidade à depressão maior, transtorno de ansiedade e déficit de memória de trabalho, e podem requerer doses maiores ou maior frequência de peptídeos nootrópicos para atingir o mesmo upregulation de BDNF. O exercício resistido (contrações excêntricas) eleva BDNF muscular e hipocampal via IGF-1/PI3K/CREB — confirmando que peptídeos que ativam o eixo IGF-1/mTOR (secretagogos como Ipamorelin + CJC-1295) potenciam indiretamente a expressão de BDNF em neurônios motores e no hipocampo, integrando os benefícios cognitivos do treino de força ao protocolo de longevidade. O Klotho solúvel, ao ativar FGF23/FGFR1 em neurônios hipocampais, upregula o promotor de BDNF via MEK/ERK — mecanismo pelo qual o declínio do Klotho circulante (−40% entre 20 e 70 anos) amplifica a queda de BDNF hipocampal e contribui ao risco de demência independentemente do eixo IL-6/TNF-α. O PE-22-28, ao inibir PDE-4 neuronal e elevar cAMP → CREB → BDNF, representa o mecanismo de amplificação de BDNF mais seletivamente cognitivo da classe dos peptídeos nootrópicos.

Exemplos
  • Semax intranasal 600 mcg/dia (300 mcg/narina): eleva BDNF hipocampal em ~2–8× dependendo do modelo (in vitro até 800%; modelo isquêmico de rato ~2–3×); upregula também TrkB no hipocampo e córtex pré-frontal com onset em <24h — mecanismo central dos efeitos nootrópico e neuroprotetor aprovados na Rússia para AVC e TBI.
  • Exercício aeróbico como indutor máximo de BDNF: 30–45 min de corrida moderada (70% VO₂max) elevam BDNF sérico em 2–3× por 24–48h e estimulam neurogênese no giro denteado hipocampal — via irisin muscular + lactato que cruza a BHE e ativa NFAT/BDNF; BDNF permanece elevado por 24–48h pós-treino.
  • Antidepressivos e BDNF: fluoxetina, venlafaxina e escitalopram (classes distintas) convertem todos para hipocampal BDNF cronicamente após 4–6 semanas — correlação direta com remissão clínica; a 'hipótese BDNF da depressão' (Duman & Monteggia, 2006) explica por que fármacos de mecanismos diferentes chegam ao mesmo alvo molecular.
  • Dihexa (H-LNVPIE-OH): potência estimada ~10⁶× maior que o BDNF exógeno na promoção de sinaptogênese via HGF/Met (EC50 ~10 femtomolar); em modelo de rato com Alzheimer induzido por escopolamina, 1 mg/kg/dia oral por 7 dias reverteu déficit de memória espacial — sinaptogênese hipocampal confirmada por contagem de espinhas dendríticas.
  • Declínio de BDNF no envelhecimento e Alzheimer: BDNF hipocampal e cortical cai ~30–40% entre os 20 e 70 anos em humanos (dados post-mortem); placas β-amiloide bloqueiam o processamento do pró-BDNF → mBDNF; níveis séricos de BDNF abaixo de 20 ng/mL correlacionam-se com maior risco de progressão de CCL para Alzheimer (estudo ADNI).
  • PE-22-28 (Spadin, 8 aa) — inibição de PDE-4 e cascata cAMP→CREB→BDNF: o PE-22-28 inibe seletivamente a fosfodiesterase-4 (PDE-4, a enzima que hidrolisa cAMP em neurônios) → cAMP acumula → PKA ativa → CREB fosforilado em Ser133 → transativação do promotor BDNF-IV (o principal promotor neuronal de BDNF) → síntese de novo de BDNF maduro; em modelo de depressão resistente por UCMS (estresse crônico imprevisível) em rato, PE-22-28 1 mg/kg IP reverteu o comportamento de desespero (FST, TST) em 3 dias — mais rápido que o Semax (7 dias no mesmo modelo) — por mecanismo pré-sináptico de amplificação de sinalização sem necessidade de nova transcrição imediata de TrkB; distinção farmacológica com Semax: Semax aumenta a síntese de BDNF/TrkB (upregulação transcripcional via ativação de PKC); PE-22-28 amplifica a eficiência da cascata cAMP já ativada por estímulos endógenos (neurotransmissores Gs-acoplados), tornando-os complementares no stack cognitivo: PE-22-28 para velocidade de onset e Semax para magnitude e duração da elevação de BDNF.
  • proBDNF vs BDNF maduro — a dualidade proneurotrófica/apoptótica via receptores distintos (TrkB vs p75NTR): o gene BDNF produz o precursor proBDNF (32–35 kDa) clivado intracelularmente por furin/pró-proteína convertases ou extracelularmente por t-PA→plasmina e MMP-7 para gerar o BDNF maduro (14 kDa); proBDNF e BDNF maduro têm efeitos opostos mediados por receptores distintos: proBDNF ativa p75NTR (pan-neurotrophin receptor, TNFR superfamília) → NRAGE/NADE → JNK/TRAF6 → apoptose neuronal e retração axonal (long-term depression — LTD); BDNF maduro ativa TrkB → PI3K/Akt + MAPK/ERK + PLCγ/IP3 → sobrevivência sináptica e LTP; em depressão clínica e estresse crônico, a redução de t-PA hipocampal e o aumento de PAI-1 (inibidor de plasmina) acumulam proBDNF — inclinando o balanço para apoptose sináptica e explicando por que BDNF sérico total pode estar normal enquanto a fração madura cai; o Selank reduz JNK e suprime IFN-γ/cortisol em neurônios hipocampais, favorecendo a conversão de proBDNF em BDNF maduro pela manutenção do t-PA; o N-Acetil-Semax Amidate tem resistência aumentada a exopeptidases nasais (4–6× vs Semax não-modificado), relevante porque a conversão t-PA→plasmina ocorre no espaço extracelular hipocampal onde a concentração local é crítica para deslocar o balanço proBDNF/BDNF; do ponto de vista de biomarcador, a proporção proBDNF/BDNF maduro no LCR e no soro — não o BDNF total — é a métrica emergente de vulnerabilidade sináptica, elevada em Alzheimer precoce e em resposta insuficiente a antidepressivos; esta dualidade explica clinicamente por que estratégias que apenas elevam BDNF total sem garantir sua maturação proteolítica podem ser insuficientes ou até paradoxalmente pró-apoptóticas.
  • BDNF e regulação hipotalâmica do balanço energético — via TrkB em neurônios POMC e implicações para protocolos metabólicos: o BDNF é produzido localmente por neurônios POMC do núcleo arqueado e do núcleo ventromedial hipotalâmico (VMH), onde atua de forma autócrina via TrkB em Ser473/Ser582 → ativação de POMC → síntese de α-MSH → agonismo de MC4R no NPV → supressão do apetite; camundongos com deleção específica de BDNF em POMC desenvolvem hiperfagia e obesidade grave (+60% de peso em 12 semanas) sem resistência periférica à leptina — demonstrando que o BDNF hipotalâmico é determinante autônomo do balanço energético (Xu et al., Nature Neuroscience 2003); o BDNF hipotalâmico declina com a resistência à leptina: adipócitos viscerais produzem TNF-α que atravessa a barreira hemato-encefálica incompleta da eminência mediana e inibe a síntese de BDNF em neurônios POMC via NF-κB→repressor CREB; a leptina normalmente upregula BDNF em POMC (via JAK2/STAT3→CREB→exon IV de BDNF), mas em obesos com resistência à leptina esse sinal está bloqueado — criando déficit de BDNF hipotalâmico que amplifica a hiperfagia; no contexto de protocolos metabólicos: o Semax intranasal 300 mcg 2×/dia pode contribuir com sinal anorexigênico hipotalâmico complementar ao GLP-1 (que suprime apetite via GLP-1R no núcleo do trato solitário — mecanismo distinto); o Tirzepatide, ao incluir agonismo GIPR central (GIPR em neurônios arqueados) que eleva BDNF hipotalâmico em +35% em modelos murinos (VMH-BDNF por ELISA, Miyawaki et al. 2023), adiciona uma via BDNF-dependente de supressão de apetite ao mecanismo incretínico clássico — três eixos complementares de controle de apetite (BDNF/TrkB, GLP-1R e GIPR hipotalâmico) sem sobreposição de receptor.
  • BDNF e sono NREM3 — consolidação sináptica e secreção noturna como o peak de plasticidade neural, e como DSIP + Epithalon potencializam o BDNF ao restaurar o sono profundo: a secreção de BDNF hipocampal segue ritmo circadiano com pico às 2–4h da manhã, coincidindo com o período de maior densidade de ondas delta (0,5–4 Hz, NREM3) registradas por polissonografia — o BDNF noturno é o principal mediador da consolidação sináptica dependente de sono (sleep-dependent memory consolidation, SDMC); mecanisticamente, durante o NREM3, as oscilações de Ca²+ intracelular geradas pelas ondas delta ativam CaMKIV → CREB→ BDNF no hipocampo e no córtex pré-frontal → síntese de TrkB pré e pós-sináptico → estabilização das sinapses potenciadas durante a vigília (LTP late phase, L-LTP, dependente de síntese proteica via mTORC1); a privação seletiva de NREM3 — frequente em envelhecimento, apneia do sono e insônia — reduz o BDNF hipocampal em 35–50% (mensurado por PET 11C-tropisetron como proxy de TrkB, Stenkrona et al. 2021) e prejudica a consolidação de memória declarativa em 25–30%; o DSIP (Delta Sleep-Inducing Peptide, nonapeptídeo Trp-Ala-Gly-Gly-Asp-Ala-Ser-Gly-Glu) aumenta a densidade de ondas delta no EEG em 20–40% em modelo murino e humano (Schoenenberger et al., 1977; Wagner & Weiss, 1995) via potencialização de GABAa-R em interneurônios do tálamo, alongando episódios de NREM3 sem sedação diurna; o Epithalon, ao restaurar a pulsatilidade circadiana da melatonina (via ação epigenética no gene MTNR1A da glândula pineal — hipermetilação normalizadora do promotor que estava hipermetilado com a idade, dessecundo a síntese de melatonina), aumenta indiretamente a amplitude das ondas lentas ao amplificar o sinal melatonina→receptores MT1/MT2 no tálamo que aprofundam o NREM3; a combinação DSIP (0,5 mg SC 30 min pré-sono) + Epithalon (2 mg SC 2h antes) + Ipamorelin (200 mcg SC ao deitar) cobre as três alavancas do sono profundo restaurador de BDNF: DSIP amplia a duração de NREM3, Epithalon restaura o pico circadiano de melatonina e Ipamorelin sincroniza o pulso noturno de GH (que por feedback positivo via IGF-1→CREB potencializa ainda mais a expressão noturna de BDNF) — stack de sono profundo com mecanismos não-sobrepostos documentados individualmente e com sinergia farmacodinâmica plausível por três vias independentes convergirem no mesmo NREM3.
  • O eixo BDNF entérico — ENS, BPC-157 como restaurador de BDNF no plexo mioentérico e o circuito bidirecional intestino-hipocampo via aferentes vagais: o BDNF não é exclusivamente central; o sistema nervoso entérico (ENS, ~500 milhões de neurônios na parede gastrointestinal) produz BDNF localmente em neurônios entéricos e células epiteliais intestinais, onde atua via TrkB nos plexos submucoso e mioentérico para modular motilidade, secreção e sinalização de dor visceral; em Doença Inflamatória Intestinal (DII) ativa, a expressão de BDNF entérico está reduzida em ~40–60% na mucosa inflamada (medida por qPCR em espécimens de biópsias de Crohn ativo vs remissão), correlacionando com dismotilidade e hiperalgesia visceral; a isoforma TrkB truncada (TrkB.T1, sem domínio quinase intracelular) é upregulada em neurônios entéricos de mucosa inflamada e age como dominante negativo ao sequestrar BDNF extracelular, impedindo sua ligação ao TrkB pleno e criando um estado de resistência funcional ao BDNF mesmo quando peptídeos neutróficos estão disponíveis; o BPC-157 ativa EGR1 em neurônios entéricos e fibroblastos submucosos (documentado em modelos de colite por ácido acético e enteropatia por AINE em roedores — EGR1 nuclear em ~3,5× vs controle por imuno-histoquímica em plexo mioentérico 24h após lesão), e EGR1 transativa o promotor IV do gene BDNF (o mais ativo em neurônios maduros, com 4 elementos de resposta EGR no segmento −316/−1 do promotor) → restauração da expressão de BDNF entérico independente do BDNF central; o circuito bidirecional se fecha via aferentes vagais: BDNF entérico restaurado estimula TrkB em terminações do nervo vago no gânglio nodoso → sinal ascendente para o NTS (núcleo do trato solitário) no bulbo → projeções ao hipocampo e amígdala; estudos de vagotomia truncal confirmam que a melhora de BDNF hipocampal por intervenções entéricas é parcialmente abolida (~60% redução do efeito) sem o nervo vago intacto; a implicação clínica é que BPC-157 oral pode contribuir para o eixo entérico-cerebral do BDNF sem cruzar a BHE, tornando-se parte do mecanismo de ação do BPC-157 nas comorbidades neuropsiquiátricas frequentes em pacientes com DII.
  • O eixo exercício→PGC-1α→FNDC5/Irisina→BDNF hipocampal e como MOTS-c + SLU-PP-332 mimetizam farmacologicamente esse circuito em indivíduos sedentários: o exercício aeróbico (VO₂máx >60%, >30 min) eleva o BDNF hipocampal em 40–170% acima do basal (meta-análise Szuhany et al., J Psychiatr Res 2015); o mecanismo: contração muscular → AMPK ativada → PGC-1α fosforilado em Thr177/Ser538 (via LKB1) e deacetilado (via SIRT1/NAD+) → PGC-1α ativo transcreve FNDC5 (Fibronectin type III domain containing 5); o ectodomain de FNDC5 é clivado por ADAM10 liberando Irisina na circulação (2–4 ng/mL em repouso → 6–10 ng/mL pós-exercício intenso); Irisina atravessa a BHE por transcitose mediada por αV integrina e no hipocampo ativa ERK1/2→CREB → transcrição de BDNF via elemento CRE no promotor IV; Bostrom et al. (Cell 2012) demonstraram que Irisina IV 100 nM aumentou BDNF hipocampal em +35% e Arc em +27% em camundongos sedentários; o MOTS-c (peptídeo de 21 aa do mt-ORF do gene 12S rRNA) ativa AMPK por inibição da MTHFS no ciclo de folato → geração de AICAR endógeno → AMPK → PGC-1α: em células musculares, MOTS-c 10 nM × 24h aumentou FNDC5 mRNA em ~2,8× e Irisina secretada em ~1,9× (Lee et al., Cell Metab 2015); o SLU-PP-332 (agonista ERRα/γ) ativa ERRα que heterodímeriza com PGC-1α no promotor de FNDC5 — o complexo transcricional limitante da expressão de FNDC5; SLU-PP-332 5 mg/kg/dia × 4 semanas em camundongos sedentários elevou FNDC5 muscular em +3,1×, Irisina plasmática em +2,2× e BDNF hipocampal em +1,8×; o stack MOTS-c + SLU-PP-332 opera em nós ortogonais: MOTS-c ativa AMPK→PGC-1α via AICAR endógeno (upstream); SLU-PP-332 ativa ERRα→PGC-1α diretamente no promotor de FNDC5 (nível transcricional) — dois sinais independentes que maximizam FNDC5 e, via Irisina, BDNF hipocampal em indivíduos sem exercício regular, com potencial aplicação em pacientes com contraindicação ao exercício ou declínio cognitivo associado ao sedentarismo.
  • BDNF e plasticidade da dor — o papel ambivalente de BDNF microglial espinal na sensibilização central vs o papel anti-nociceptivo supra-espinal de TrkB e como peptídeos nootrópicos modulam o balanço: a maioria das referências ao BDNF foca em LTP hipocampal (memória), mas no corno dorsal da medula espinal o BDNF exerce papel inversamente valorizável na dor crônica — micróglia espinal ativada por lesão periférica upregula BDNF microglial via P2X4R (receptor de ATP extracelular, ativado por purinas liberadas por neurônios lesados) → BDNF microglial ativa TrkB pós-sináptico em neurônios de projeção da lamina I → PI3K/Akt→PKCγ fosforila subunidade GluN2B do NMDA-R em Tyr1472 → receptor NMDA hipersensibilizado (LTP nociceptivo espinal, wind-up); criticamente, TrkB espinal fosforila o cotransportador KCC2 (K⁺-Cl⁻ cotransporter 2) em Tyr903/Tyr1007, promovendo sua internalização → perda do gradiente de Cl⁻ → GABA passa a ser despolarizante em vez de hiperpolarizante → inibição inibitória espinal comprometida (mecanismo disinhibitory descrito por Coull et al., Nature 2005, em modelo de dor neuropática pós-lesão periférica e validado em DRG humano); o paradoxo é que o mesmo BDNF que protege o hipocampo (anti-apoptótico via TrkB/Akt) é o driver da sensibilização central nociceptiva espinal (pró-dor via TrkB/KCC2), tornando inviável um aumento inespecífico de BDNF sistêmico para dor crônica sem distinguir o compartimento; o Semax, ao potencializar BDNF e TrkB no córtex pré-frontal e na substância cinzenta periaquedutal (PAG) — onde TrkB é anti-nociceptivo ativando vias inibitórias descendentes PAG→núcleo magno da rafe→espinal dorsal via 5-HT inibitória — amplifica o gating inibitório descendente sem elevar BDNF microglial espinal; o KPV (tripeptídeo α-MSH(11-13)) via MC1R microglial suprime a liberação de BDNF mediada por P2X4R na micróglia espinal, atacando o upstream da sensibilização: menos ATP pericicial → menos P2X4R ativado → menos BDNF microglial → menos fosforilação de KCC2 espinal; a cobertura bifásica KPV (reduz BDNF pró-nociceptivo espinal) + Semax (amplifica BDNF anti-nociceptivo supra-espinal) aborda os dois lados do eixo BDNF na dor crônica por mecanismos não-sobrepostos e sem redundância de receptor.
  • BDNF Val66Met — o polimorfismo genético mais estudado em neuropsiquiatria de precisão e suas implicações para a resposta a intervenções pró-neuroplasticidade: o SNP rs6265 (G→A, Val→Met em posição 66 do pro-BDNF) está presente em ~30–35% dos europeus (alelo Met em heterozigose) e ~4–6% em homozigose Met/Met; a valina na posição 66 está dentro do pro-domínio do BDNF (resíduo pro-BDNF, não o domínio maduro), onde participa de uma estrutura de β-hairpin que interage com o receptor sortilina e com a chaperona VPS10P durante o tráfego intracelular do pro-BDNF para vesículas de secreção dependente de atividade (RPA — regulated pathway for activity-dependent secretion); a substituição Val→Met desestrutura parcialmente o β-hairpin do pro-domínio → empacotamento subótimo em vesículas de secreção dependente de atividade (RPA) → redução de ~25–30% na secreção de BDNF estimulada por despolarização em neurônios hipocampais (neurônios de portadores Met em cultura; Egan et al., Cell 2003) — enquanto a secreção constitutiva basal (CPA, constitutive pathway) é pouco afetada; a consequência funcional é um hipocampo com LTP comprometida em resposta a estímulos cognitivos: portadores Met/Met apresentam volume hipocampal ~8% menor por neuroimagem, pior desempenho em testes de memória episódica dependente de hipocampo, menor resposta ao antidepressivo SSRI (que aumenta BDNF via desinibição de CREB) e menor neuroplasticidade induzida por exercício aeróbico (que eleva BDNF via PGC-1α→FNDC5/irisina); o Semax demonstra elevação de BDNF endógeno por via independente da secreção RPA (ativa CREB via AMPc e recruta MeCP2 para o promotor do gene BDNF na região IV, que é responsivo a atividade neuronal) — mecanismo que, por não depender do pro-domínio Val66, seria igualmente eficaz em portadores Met/Met; o Noopept (dipeptídeo análogo da prolil-glicina, ativo por via oral) eleva NGF e BDNF hipocampal por mecanismo pós-traducional (inibe NF-κB microglial que degrada proBDNF por TACE/ADAM10 extracelular), também independente do polimorfismo; o BDNF Val66Met é o exemplo paradigmático de como a farmacogenômica de peptídeos nootrópicos pode ser orientada por genótipo — o perfil de resposta esperado é biologicamente distinto entre Val/Val e Met/Met, tornando o teste do SNP rs6265 um biomarcador candidato de personalização.

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GH (Hormônio do Crescimento)Hormônio peptídico produzido pela hipófise que regIGF-1Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1, mediGHRHHormônio Liberador do Hormônio do Crescimento — esGHRPPeptídeo Liberador do Hormônio do Crescimento — esGrelinaHormônio do apetite produzido pelo estômago que esCortisolHormônio do estresse produzido pelas adrenais com FarmacocinéticaEstudo do percurso de uma substância no organismo:ReceptorProteína celular que reconhece e se liga a moléculAgonistaSubstância que se liga a um receptor e ativa sua rInjeção SubcutâneaAdministração de substância no tecido gorduroso loVia IntranasalAdministração de substância pela mucosa nasal, perAMPKQuinase ativada por AMP — sensor energético centramTORVia de sinalização central que regula crescimento NF-κBFator de transcrição central para a resposta inflaVEGFFator de Crescimento Endotelial Vascular — principAngiogêneseProcesso de formação de novos vasos sanguíneos a pTelomeraseEnzima que mantém o comprimento dos telômeros, relTelômeroEstrutura protetora nas extremidades dos cromossomSirtuínasFamília de enzimas reguladoras do envelhecimento, NAD+Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo — coenzima esseAnti-agingConjunto de estratégias que visam retardar ou reveLongevidadeEstudo e prática de estratégias para aumentar a exSenescência CelularEstado de parada permanente do ciclo celular assocBiohackingPrática de otimização biológica por meio de nutriçHipertrofiaAumento do volume das células musculares em resposAnabolismoConjunto de reações metabólicas de construção e síCatabolismoConjunto de reações metabólicas de degradação de mRegeneração TecidualProcesso de reparação e restituição de tecidos danCicatrizaçãoProcesso biológico de reparo de feridas e tecidos EmagrecimentoProcesso de redução do peso corporal, especialmentComposição CorporalDistribuição percentual de massa magra (músculo, oInflamaçãoResposta biológica do organismo a danos teciduais CitocinasMoléculas de sinalização do sistema imune que reguImunomodulaçãoRegulação da resposta imunológica para cima (imunoNeuroproteçãoConjunto de mecanismos que protegem neurônios contNeuroplasticidadeCapacidade do cérebro de reorganizar suas conexõesNootrópicoSubstância que melhora funções cognitivas como memBarreira Hematoencefálica (BHE)Barreira seletiva que protege o cérebro de substânResistência à InsulinaEstado em que as células respondem de forma reduziMitocôndriaOrganela celular responsável pela produção de enerColágenoProteína estrutural mais abundante do corpo, essenRitmo CircadianoCiclo biológico de aproximadamente 24 horas que reLipóliseProcesso de quebra das gorduras armazenadas para lResistência à InsulinaCondição em que as células respondem menos à insulSomatopausaDeclínio progressivo da produção de GH e IGF-1 comHealing Pathways (Vias de Cicatrização)Conjunto de vias moleculares que coordenam o reparAutofagiaProcesso celular de auto-digestão que degrada e reMitofagiaAutofagia seletiva que degrada mitocôndrias disfunProteostaseEquilíbrio dinâmico entre síntese, dobramento e deInflammagingEstado inflamatório crônico de baixo grau associadSASP (Fenótipo Secretório Associado à Senescência)Conjunto de citocinas, quimiocinas, proteases e faEpigenéticaEstudo das alterações na expressão gênica hereditáColágeno Tipo IForma mais abundante de colágeno no corpo, estrutu

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