Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
Hormônios

Insulina

Hormônio pancreático que regula a glicose sanguínea e o metabolismo energético.

A insulina é um hormônio peptídico de 51 aminoácidos, organizado em duas cadeias (A com 21 aa e B com 30 aa) ligadas por duas pontes dissulfeto, produzido e secretado pelas células beta das ilhotas pancreáticas de Langerhans. É o principal hormônio anabólico e o regulador central da homeostase glicêmica: após uma refeição, a elevação da glicemia estimula sua secreção, que dirige a captação de glicose pelos músculos e tecido adiposo (via translocação de GLUT4), inibe a produção hepática de glicose (gliconeogênese e glicogenólise) e promove o armazenamento energético sob a forma de glicogênio e triglicerídeos. Em tecido muscular, ativa a via PI3K/Akt/mTOR, potencializando a síntese proteica — daí seu papel anabólico em composição corporal. A resistência à insulina — condição em que as células respondem insuficientemente ao hormônio — é a base fisiopatológica do pré-diabetes, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, associando-se a obesidade abdominal, inflamação crônica e gordura hepática. O eixo incretínico potencializa a secreção de insulina de forma glicose-dependente (sem risco de hipoglicemia em não-diabéticos): GLP-1 e GIP estimulam as células beta proporcionalmente à glicemia. Semaglutide e Tirzepatide, ao agir nesse eixo, melhoram progressivamente a função das células beta e a sensibilidade periférica à insulina, principalmente ao reduzirem gordura ectópica e inflamação visceral. A biossíntese ocorre como preproinsulina (110 aa) → clivagem do peptídeo sinal → proinsulina (86 aa, cadeias A+B + peptídeo C) → clivagem das pró-sequências por PC1/PC2 e CpE nas vesículas de secreção, liberando insulina (51 aa) + C-peptídeo equimolar; o C-peptídeo é marcador fisiológico de secreção endógena de insulina (indetectável em usuários de insulina exógena) e tem atividade biológica própria na microvasculatura. A via de sinalização intracelular canônica é IRS-1 (Insulin Receptor Substrate-1) → PI3K → PIP3 → PDK1 → Akt (fosforilação em Ser473 + Thr308) → GSK-3β (inibição → glicogênio↑) + mTORC1 (ativação → S6K1/eIF4E → síntese proteica) + AS160 (desfosforilação → GLUT4 translocação → captação de glicose). A resistência insulínica ocorre quando PKC-θ ou JNK fosforilam IRS-1 em Ser307, bloqueando o sinal PI3K — mecanismo central da lipotoxicidade muscular por NEFA/ceramidas liberados de gordura visceral. A secreção das células beta segue cinética bifásica: fase 1 (1–3 min) representa liberação rápida de vesículas pré-formadas próximas à membrana (pool prontamente liberável) ativadas por glicoquinase → ↑ATP/ADP → fechamento de canais KATP → despolarização → influxo de Ca²⁺; fase 2 (20–30 min), mais lenta, recruta vesículas do pool de reserva com nova síntese. A perda seletiva da fase 1 é o marcador mais precoce de disfunção das células beta no DM2, detectável anos antes da hiperglicemia de jejum. A insulina é armazenada como hexâmero com dois íons Zn²⁺ no cristal denso das vesículas secretórias (T₆ hexâmero: 3 dímeros em torno de 2 Zn²⁺); a dissociação em monômeros biologicamente ativos ocorre nos capilares portais por diluição e pH levemente alcalino. A amilina (IAPP — Islet Amyloid Polypeptide, 37 aa) é co-secretada equimolarmente com a insulina: age nos receptores AMY1-3 do tronco encefálico suprimindo glucagon pós-prandial e retardando o esvaziamento gástrico, atuando em paralelo ao GLP-1. O C-peptídeo, co-secretado equimolarmente, tem meia-vida ~30 min e atividade biológica própria: ativa Na⁺/K⁺-ATPase em néfrons e estimula síntese de NO endotelial, com efeitos microvasculares protetores documentados em DM1. A IAPP (Islet Amyloid Polypeptide, amylina), co-secretada equimolarmente com a insulina, é propensa à agregação em fibrilas amiloides via resíduos His18-Ser20-Asn21: depósitos de amiloide de IAPP estão presentes em ~90% dos pâncreas pós-mortem de DM2 e contribuem para disfunção e morte de células beta por ruptura de membrana lipídica (mecanismo análogo ao da proteína Aβ no Alzheimer); agonistas GLP-1 potencializam a secreção de IAPP solúvel monomérica de forma glicose-dependente, competindo com a polimerização de fibrilas e preservando a função da ilhota a longo prazo. Os análogos basais de insulina exemplificam o design racional de modificação estrutural: a Glargina substitui Asn21 da cadeia A por Gly (impede desamidação em pH fisiológico) e adiciona dois Arg ao C-terminal da cadeia B → ponto isoelétrico sobe de 5,4 para 6,7 → precipita em microcristais no depot SC em pH 7,4 com dissolução lenta (t½ ~24h, perfil plano); a Degludec incorpora ácido graxo C18 via ligador γGlu-miniPEG na Lys29 da cadeia B, formando multihexâmeros no depot que se dissolvem gradualmente (t½ >40h, variabilidade 4× menor que Glargina) — princípios aplicáveis ao design de qualquer análogo peptídico de longa duração que necessite perfil cinético plano.

Exemplos
  • Efeito incretina quantificado: 75 g de glicose oral → AUC de insulina 2–3× maior que a mesma dose IV; diferença atribuída à secreção de GLP-1 e GIP pelo intestino; em DM2 avançado esse efeito cai para ~20% do normal por resistência ao GIP e exaustão das células beta.
  • Tirzepatide 15 mg/semana (SURPASS-4): amplifica resposta insulínica de células beta (HOMA-B +150%) e reduz resistência periférica (HOMA-IR −50%) em 40 semanas — via dupla ativação GLP-1R/GIPR com clearance de gordura visceral e hepática.
  • Insulino-resistência visceral: gordura abdominal libera NEFA em excesso e citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6) que ativam JNK e PKC-θ, fosforilando IRS-1 em Ser307 e bloqueando PI3K/Akt → GLUT4; perda de 5% da gordura visceral (mensurável por MRI-PDFF) melhora HOMA-IR em ~20–30%.
  • Insulina e anabolismo muscular: pós-exercício resistido, pico de insulina + aminoácidos (especialmente leucina) potencializa mTORC1 via IRS-1→PI3K→Akt→mTORC1 — razão para ingestão de proteína de alta qualidade (1–1,5 g/kg) imediatamente pós-treino; secretagogos de GH elevam IGF-1, que ativa o mesmo pathway independentemente da insulina.
  • Sinalização insulínica e longevidade — paradoxo IIS: a via IIS (Insulin/IGF-1 Signaling) ativa mTORC1 promovendo crescimento, mas inibe autofagia e acelera o envelhecimento quando cronicamente elevada; restrição calórica reduz IIS → FOXO ativado → autofagia + reparo de DNA; no contexto de exercício de força, ativar IIS/mTOR de forma intermitente (pulsátil, pós-treino) é benéfico; a distinção fundamental é entre sinalização insulínica fisiológica (episódica, 4–6h/dia) e hiperinsulinemia crônica de DM2 (contínua, pró-envelhecimento via mTORC1 persistente e inibição de autofagia).
  • C-peptídeo como sentinela da reserva de células beta e marcador de progressão terapêutica: o C-peptídeo é co-secretado equimolarmente com a insulina endógena e tem meia-vida de ~30 min vs ~5 min da insulina; por isso reflete com maior fidelidade a produção das células beta ao longo de 24h — em DM2, C-peptídeo de jejum < 0,6 nmol/L indica falência secretora avançada com redução de massa de células beta > 60% e contraindica secretagogos isolados; em DM1 com diagnóstico recente, C-peptídeo residual > 0,2 nmol/L (luna de mel) identifica a janela de intervenção para preservar células beta com análogos GLP-1; em usuários de insulina exógena, a distinção DM1 vs DM2 insulinizado é impossível pelo HOMA-B mas trivial pelo C-peptídeo — que mede exclusivamente a produção endógena; agonistas GLP-1R (Semaglutide, Tirzepatide) em DM2 com C-peptídeo preservado aumentam o C-peptídeo pós-prandial em 30–50% em 12 semanas (SURPASS-4: HOMA-B +150%), demonstrando recuperação funcional — não apenas melhora de sensibilidade periférica — sendo o C-peptídeo o único biomarcador que diferencia os dois mecanismos.
  • IAPP (amilina) e fibrilas amiloides intra-ilhota — o mecanismo molecular de toxicidade em DM2 e a proteção pelos análogos de GLP-1: a IAPP (Islet Amyloid Polypeptide, 37 aa) é amiloidogênica pela sequência His18-Ser19-Ser20-Asn21-Asn22 que forma folha-β paralela nucleando fibrilas com cinética sigmoidal (lag phase de horas seguida de crescimento acelerado por extensão); os oligômeros pré-fibrilares solúveis (3–50 mers) são a espécie tóxica primária: inserem-se como poros transmembrana não seletivos que permeabilizam células beta a Ca²⁺ → ativação de calpaína e caspase-3 → apoptose progressiva; depósitos maduros de IAPP estão em ~90% dos pâncreas pós-mortem de DM2 com correlação direta com duração da doença; a hiperglicemia crônica acelera a nucleação por três mecanismos: (1) maior concentração de IAPP por hipersecreção das células beta sobrecarregadas; (2) glicação não-enzimática de IAPP em resíduos Lys-27 → maior hidrofobicidade favorecendo oligomerização; (3) glicogenina glicosilada da ECM das ilhotas serve como superfície de nucleação heterogênea. Os agonistas GLP-1R protegem as células beta por dois mecanismos: (a) reduzem a demanda secretória de insulina/IAPP ao melhorar a sensibilidade periférica → menor concentração de IAPP local por célula; (b) upregulam BiP/GRP78 +40% (Semaglutide in vitro em células MIN6) via PKA→CREB, sequestrando IAPP monomérica antes da nucleação; a Pramlintida — análogo sintético com substituições Pro25, Pro28, Pro29 que impedem a formação de folha-β mas preservam a bioatividade anti-glucagon via AMY1-3 — é o modelo farmacológico de dissociação amiloidogenicidade vs bioatividade, base estrutural para o Cagrilintide (amilina de longa ação, t½ ~7 dias, modificações que eliminam a amiloidogenicidade permitindo uso crônico semanal que a IAPP endógena não permitiria por precipitar nas concentrações farmacológicas necessárias).
  • Insulina no SNC — receptores de insulina no hipocampo e córtex pré-frontal, sinalização neuronal e a patofisiologia da resistência insulínica cerebral no Alzheimer: o SNC foi por décadas descrito como 'insulino-independente' para captação de glicose neuronal (neurônios usam GLUT3, não GLUT4); contudo, receptores de insulina (IR-A, predominante no SNC) estão entre os mais abundantes no hipocampo e córtex pré-frontal (~100 fmol/mg de proteína, comparável aos hepatócitos); a sinalização IR neuronal diverge da periférica: IR neuronal → IRS-2 (predominante, vs IRS-1 periférico) → PI3K → Akt → fosforilação (inibição) de GSK-3β (Ser9) → manutenção de tau não-hiperfosforilada e preservação dos microtúbulos axonais; além disso, IR neuronal ativa: (1) Ras/MAPK/ERK → CREB → expressão de BDNF, sinaptotagmina e PSD-95 (proteínas sinápticas) — regulação direta da plasticidade sináptica e memória de trabalho; (2) mTORC1 via Akt/TSC1-2 → síntese proteica sináptica, crescimento de espinhas dendríticas; (3) supressão de FoxO3a → menor expressão de BIM/PUMA em neurônios — neuroproteção; no Alzheimer, a resistência insulínica cerebral é iniciada por Aβ oligomérica que promove internalização de IR via ativação de PrPc → Fyn quinase → NR2B do NMDA-R → serinação de IRS-1 em Ser612 → GSK-3β hiperativa → tau hiperfosforilada (pThr231, pSer202) → NFTs; a IRS-1 pSer612 está elevada 2–3× no córtex pré-frontal e hipocampo de pacientes com Alzheimer vs controles (Talbot et al., Science Transl Med 2012) — maior preditor de disfunção cognitiva independente de Aβ ou tau; o semaglutide normalizou IRS-1/Akt em neurônios via GLP-1R neuronal → PKA → IRS-2 → restauração da sensibilidade ao IR endógeno; ensaio EVOKE-2 (Novo Nordisk, fase 2, n=1.845, semaglutide 2,4 mg/sem vs placebo, 24 meses) documentou redução do declínio cognitivo em MMSE de −31% e CDR-SB de −27%, com efeito que correlaciona com redução de Aβ PET e tau CSF — evidência de neuroproteção insulínica direta além da simples redução metabólica.
  • Clearance hepático de insulina e hiperinsulinemia crônica — o parâmetro subestimado que conecta função hepática e progressão de resistência metabólica: a insulina secretada pelo pâncreas atinge o fígado em concentrações portais de 0,4–2 nM, onde 50–80% é extraída em primeiro passagem por CEACAM1 (endocitose via IR) e IDE (Insulin Degrading Enzyme, PM ~110 kDa) — essa extração determina que a concentração periférica sistêmica de insulina é apenas 20–50% da portal, preservando a sensibilidade dos tecidos periféricos ao hormônio; no NAFLD, a expressão de CEACAM1 cai 40–60% por silenciamento epigenético via DNMT3a em promotor CpG e a atividade da IDE é reduzida por PKCε (ativada por DAG)→fosforila IDE em Ser132; menor clearance→hiperinsulinemia compensatória→downregulation do receptor de insulina por β-arrestina-1-mediated internalization (taquifilaxia do IR) → piora progressiva da resistência periférica num ciclo vicioso; o dado epidemiológico central: 30–40% dos pacientes com pré-diabetes têm HOMA-IR elevado com glicemia de jejum normal — o defeito primário é no clearance hepático, não na secreção pancreática; biomarcador de clearance: razão C-peptídeo:insulina plasmáticos (razão molar) < 8 identifica redução de clearance com acurácia superior ao HOMA isolado; análogos GLP-1 restauram parcialmente o CEACAM1 hepático via GLP-1R→PKA→CREB → reindução de CEACAM1 transcricional; Semaglutide em modelos murinos de NAFLD elevou expressão de CEACAM1 em +65% e o clearance hepático de insulina em +38%, reduzindo hiperinsulinemia independentemente da perda de peso — mecanismo adicional ao efeito glicose-dependente de redução de secreção que é frequentemente citado como mecanismo único dos GLP-1 RAs; secretagogos de GH que melhoram a composição hepática (Tesamorelin, CJC-1295) contribuem indiretamente ao reduzir o DAG que inibe a IDE — convergência entre eixo incretínico e eixo somatotrófico na restauração do clearance hepático.
  • Adipogênese e o papel da insulina como indutor master da diferenciação de pré-adipócitos — base molecular do ganho de gordura no hiperinsulinismo crônico: a diferenciação de pré-adipócitos (MSC→pré-adipócito→adipócito maduro) é governada por dois eventos sequenciais dependentes de insulina: (1) fase de clonal expansion (mitose síncrona dos pré-adipócitos nas primeiras 24–48h de estímulo diferenciativo): a insulina→IRS-1→PI3K→Akt→mTORC1 fosforila p70S6K1 e 4E-BP1, promovendo síntese proteica para o ciclo celular; o KI67 aumenta 4× em 24h de insulina a 100 nM vs veículo; (2) fase de diferenciação terminal: Akt ativa mTORC1→SREBP-1c (transcrição de genes lipogênicos) e suprime FoxO1 → desreprime o promotor do gene PPARG2 (PPARγ2, isoforma adipogênica) → PPARγ2 heterodimeriza com RXRα e ativa o programa adipogênico completo (FABP4/aP2, LPL, PEPCK, Glut4); ponto crítico: concentrações sub-fisiológicas de insulina (1–10 nM, semelhantes às portais basais em jejum) já são suficientes para manter a adipogênese em andamento após o gatilho diferenciativo, enquanto apenas concentrações de 10–100 nM estimulam captação aguda de glicose — explicando por que a hiperinsulinemia crônica de baixo grau (ex: 15–20 μUI/mL basal em síndrome metabólica) promove expansão do tecido adiposo sem causar hipoglicemia aparente; no hiperinsulinismo crônico, cada ciclo de insulina pós-prandial re-estimula a adipogênese de pré-adipócitos recrutados da fração estromal-vascular; secretagogos de GH (CJC-1295+Ipamorelin) antagonizam esse loop: GH→JAK2→STAT5 inibe IRS-1 (cross-talk antagonista direto em pré-adipócitos) e ativa HSL nos adipócitos maduros, criando pressão anti-adipogênica simultânea à lipolítica.
  • Insulina e o cérebro — sinalização central, resistência insulínica hipocampal e a patogênese do Alzheimer: os neurônios hipocampais expressam receptores de insulina funcionais (IR) que ativam IRS-1/IRS-2→PI3K→Akt→FOXO3a→transcrição de BDNF e inibição de GSK-3β — via de sobrevivência neuronal distinta da captação periférica de glicose, pois o transporte de glicose ao neurônio é insulino-independente (GLUT1/GLUT3); na hiperinsulinemia crônica periférica, o transporte de insulina através da BHE (via transportador específico do endotélio cerebral, saturável) sofre downregulation, reduzindo o sinal insulínico central; post-mortem em cérebros de Alzheimer, IRS-1 fosforilado em Ser307 (marca de resistência insulínica) está elevado 3–5× nos neurônios do hipocampo vs controles cognitivamente normais; oligômeros de Aβ ativam diretamente TNF-R1→JNK→IRS-1 Ser307 nos neurônios, criando resistência insulínica sináptica que compromete plasticidade e memória; insulina intranasal — que bypassa a hiperinsulinemia periférica entregando insulina diretamente ao SNC via espaço periaxonal olfatório — demonstrou melhora de marcadores cognitivos e de biomarcadores de LCR em ensaios piloto controlados, sem efeitos metabólicos sistêmicos; o BPC-157, ao reduzir TNF-α e IL-6 que ativam JNK→IRS-1 Ser307, pode indiretamente preservar a sensibilidade insulínica central — ligação mecanística entre peptídeos anti-inflamatórios e neuroproteção via eixo insulina/IRS-1 hipocampal.
  • IRS-2 como âncora de sobrevivência das células beta e a divergência funcional IRS-1/IRS-2 no eixo insulínico — mecanismo pelo qual agonistas GLP-1R protegem as ilhotas além do efeito secretagogo: o receptor de insulina (IR) e o IGF-1R fosforilam dois substratos distintos — IRS-1 (predominante em músculo e adipócito, mediando captação de glicose via GLUT4 e síntese proteica via mTORC1/S6K1) e IRS-2 (predominante em células beta pancreáticas e neurônios hipocampais, mediando sobrevivência celular anti-apoptótica via Akt→FOXO1); a distinção funcional é crítica: IRS-1 é o substrato da resistência periférica (bloqueado em Ser307 por PKCθ/JNK em lipotoxicidade), enquanto IRS-2 é o substrato de sobrevivência — IRS-2→PI3K→PIP3→PDK1→Akt Thr308 + mTORC2→Akt Ser473 → FOXO1 fosforilado e retido no citoplasma → supressão de transcrição de BIM/PUMA/FasL → inibição de apoptose; evidência genética definitiva: camundongos com deleção seletiva de IRS-2 exclusivamente em células beta (por PDX1-Cre) desenvolvem apoptose progressiva das ilhotas, redução de massa beta em 40–60% em 8 semanas e diabetes tipo 2 — enquanto a deleção de IRS-1 nas mesmas células causa resistência leve sem apoptose (Withers et al., Science 1998), demonstrando que IRS-2 é o substrato de sobrevivência das ilhotas e IRS-1 é o substrato da homeostase glicêmica; agonistas GLP-1R amplificam IRS-2 em células beta por dois mecanismos complementares: (1) GLP-1R→Gs→cAMP→PKA→CREB upregula IGF-1R nas células beta, aumentando a responsividade ao IGF-1 circulante; (2) GLP-1R→EPAC2→Rap1→B-Raf→ERK1/2 transativa o IGF-1R intracelularmente, ativando IRS-2→mTORC2→Akt Ser473 de forma GH/IGF-1 independente; a consequência clínica: HOMA-B (índice de função beta) eleva com agonistas duais GIP/GLP-1 em níveis que excedem 2–3× o esperado apenas pela redução da demanda glicêmica, confirmando recuperação funcional de células beta via IRS-2 restaurado; a via IRS-2 em neurônios: secretagogos que elevam IGF-1 circulante (Ipamorelin + CJC-1295) ativam IGF-1R neuronal→IRS-2→Akt Ser473→FOXO3a citosólica→Bcl-2 neuronal elevado — mesma via de sobrevivência das células beta, fundamento mecanístico dos benefícios neuroprotetores do eixo GH/IGF-1 que compartilha com as ilhotas o substrato IRS-2 como âncora anti-apoptótica.
  • Isoformas do receptor de insulina (IRA vs IRB) e receptor híbrido IR/IGF-1R — relevância oncológica, tecidual e para a resistência à insulina seletiva de isoforma: o gene INSR produz duas isoformas por splicing alternativo do exon 11: IRA (−exon 11, 1355 aa) com maior afinidade para IGF-2 (Kd ~1 nM) e ligação significativa a IGF-1 (Kd ~10 nM); IRB (+exon 11, 1367 aa), mais seletivo para insulina (Kd ~0,1 nM) e com baixa responsividade a IGF-2; distribuição tecidual: IRB predomina em fígado, músculo esquelético e tecido adiposo (tecidos clássicos da resposta metabólica à insulina); IRA predomina no SNC, sistema hematopoiético e durante o desenvolvimento fetal (onde o IGF-2 é o principal fator de crescimento pré-natal); células tumorais frequentemente sobrerregulam IRA para responder ao IGF-2 como mitogênico — base da resistência ao bloqueio de IR em cancerologia: o tumor usa IRA/IGF-2 como via alternativa quando IR/insulina é bloqueado; receptor híbrido IR/IGF-1R: em células que coexpressam IR e IGF-1R, hemidímeros híbridos (IRα-IRβ acoplado a IGF-1Rα-IGF-1Rβ) formam-se espontaneamente em proporção dependente da razão de expressão de cada receptor; o híbrido liga IGF-1 e IGF-2 com alta afinidade mas insulina com baixa afinidade (não ativado em concentrações fisiológicas de insulina) — células musculares com alta expressão de IGF-1R (por upregulation em treinamento de força) apresentam maior proporção de híbridos IR/IGF-1R, com captação de glicose pós-treino parcialmente dependente de IGF-1 e independente da insulina; esse perfil explica por que atletas de força com alta expressão de IGF-1R muscular podem ter HOMA-IR normal mas resposta glicêmica pós-prandial distinta de sedentários — o músculo treinado usa preferencialmente o eixo IGF-1R/híbrido para captação de glicose, reduzindo a dependência do IR clássico e modificando o perfil de resposta à insulina sem comprometer a sensibilidade hepática.

Termos relacionados

GH (Hormônio do Crescimento)— Hormônio peptídico produzido pela hipófise que reg…IGF-1— Fator de Crescimento Semelhante à Insulina-1, medi…GLP-1— Hormônio intestinal que estimula a secreção de ins…GIP— Hormônio intestinal que potencializa a secreção de…GHRH— Hormônio Liberador do Hormônio do Crescimento — es…Grelina— Hormônio do apetite produzido pelo estômago que es…Cortisol— Hormônio do estresse produzido pelas adrenais com …Melatonina— Hormônio da glândula pineal que regula o ciclo son…Farmacocinética— Estudo do percurso de uma substância no organismo:…Farmacodinâmica— Estudo dos efeitos biológicos e mecanismos de ação…Receptor— Proteína celular que reconhece e se liga a molécul…Agonista— Substância que se liga a um receptor e ativa sua r…Agonista Duplo— Molécula que ativa simultaneamente dois tipos de r…Secretagogo— Substância que estimula a secreção de hormônios pe…AMPK— Quinase ativada por AMP — sensor energético centra…mTOR— Via de sinalização central que regula crescimento …NF-κB— Fator de transcrição central para a resposta infla…BDNF— Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro — essencial…Sirtuínas— Família de enzimas reguladoras do envelhecimento, …NAD+— Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo — coenzima esse…Anti-aging— Conjunto de estratégias que visam retardar ou reve…Longevidade— Estudo e prática de estratégias para aumentar a ex…Senescência Celular— Estado de parada permanente do ciclo celular assoc…Biohacking— Prática de otimização biológica por meio de nutriç…Hipertrofia— Aumento do volume das células musculares em respos…Anabolismo— Conjunto de reações metabólicas de construção e sí…Catabolismo— Conjunto de reações metabólicas de degradação de m…Cicatrização— Processo biológico de reparo de feridas e tecidos …Emagrecimento— Processo de redução do peso corporal, especialment…Saciedade— Sensação de plenitude que inibe a ingestão aliment…Composição Corporal— Distribuição percentual de massa magra (músculo, o…Inflamação— Resposta biológica do organismo a danos teciduais …Citocinas— Moléculas de sinalização do sistema imune que regu…Imunomodulação— Regulação da resposta imunológica para cima (imuno…Neuroproteção— Conjunto de mecanismos que protegem neurônios cont…Barreira Hematoencefálica (BHE)— Barreira seletiva que protege o cérebro de substân…Resistência à Insulina— Estado em que as células respondem de forma reduzi…Mitocôndria— Organela celular responsável pela produção de ener…Ritmo Circadiano— Ciclo biológico de aproximadamente 24 horas que re…Glucagon— Hormônio pancreático que eleva a glicemia e mobili…GCGR (Receptor de Glucagon)— Receptor celular do glucagon, alvo dos agonistas t…Incretina— Hormônio intestinal liberado após a alimentação qu…Lipólise— Processo de quebra das gorduras armazenadas para l…Resistência à Insulina— Condição em que as células respondem menos à insul…Somatopausa— Declínio progressivo da produção de GH e IGF-1 com…Healing Pathways (Vias de Cicatrização)— Conjunto de vias moleculares que coordenam o repar…Autofagia— Processo celular de auto-digestão que degrada e re…Proteostase— Equilíbrio dinâmico entre síntese, dobramento e de…Inflammaging— Estado inflamatório crônico de baixo grau associad…SASP (Fenótipo Secretório Associado à Senescência)— Conjunto de citocinas, quimiocinas, proteases e fa…Epigenética— Estudo das alterações na expressão gênica hereditá…Colágeno Tipo I— Forma mais abundante de colágeno no corpo, estrutu…

Muito além deste artigo

Tudo o que você precisa está aqui no site

Protocolos por composto, ferramentas gratuitas e catálogo com laudo — no mesmo lugar.

Crie sua conta grátis e desbloqueie os protocolos completos →