Unidade Internacional (UI)
Unidade de medida baseada na atividade biológica de uma substância, usada em seringas de insulina.
A Unidade Internacional (UI — do inglês IU, International Unit) é, em sentido biológico estrito, uma medida de atividade farmacológica de uma substância biológica padronizada pela OMS: 1UI representa a quantidade que produz um efeito biológico específico em ensaio-referência, e a massa correspondente a 1UI varia conforme o composto (1UI de insulina humana = 34,7mcg; 1UI de vitamina D = 0,025mcg; 1UI de eritropoetina = ~8,3ng). No contexto prático de seringas de insulina — o uso diário na administração de peptídeos —, 'UI' refere-se a uma convenção volumétrica: 100UI = 1ml (convenção U-100 de seringas de insulina), logo 1UI = 0,01ml = 10 microlitros. Essa convenção surgiu para facilitar a dosagem da insulina U-100 (100 unidades de insulina por ml) com seringas graduadas; como os peptídeos são diluídos em seringas de insulina para administração SC, o mesmo sistema de leitura é adotado para medir volumes com precisão. Fórmula de conversão: Volume(ml) × 100 = UI na seringa U-100. Exemplos práticos: 0,05ml = 5UI; 0,1ml = 10UI; 0,25ml = 25UI. Atenção a seringas U-40 (comuns em uso veterinário e em alguns países): nessas, 40UI = 1ml — usar com formulação U-100 resulta em subdose de 2,5×. Na dúvida, sempre calcule em mililitros e converta ao final. O sistema U-100 foi padronizado globalmente pela OMS em 1973 para eliminar acidentes com concentrações simultâneas de U-40, U-80 e U-100 de insulina que geravam overdoses por confusão. Para peptídeos dosados em baixas dezenas de microgramas (Epithalon 100 mcg = 4UI em solução 2.500 mcg/ml), a precisão da seringa é crítica: seringas de 0,3 ml com graduação de 0,5UI (meio UI) permitem erro máximo de ±0,05 ml = ±5 mcg na solução padrão; seringas de 1 ml com graduação de 2UI resultam em erro de ±0,02 ml = ±50 mcg — 50% da dose de Epithalon 100 mcg. Para peptídeos de alto custo ou com estreita faixa terapêutica, sempre utilizar seringas de 0,3 ml ou 0,5 ml com escala de 0,5UI. A seringa de 1 ml (100UI) é adequada apenas para doses ≥ 50UI (≥ 0,5 ml) onde o erro percentual da graduação é proporcionalmente menor e aceitável. Compostos de dose miligrâmica como Thymosin Alpha-1 (1.600 mcg = 64UI na concentração 2.500 mcg/ml) e LL-37 (1.000 mcg SC = 40UI) usam seringa de 1 ml por necessidade de volume. O GHRP-6 co-administrado com CJC-1295 NO DAC em stack deve ter os volumes calculados separadamente antes de aspirar — GHRP-6 200 mcg (8UI) + CJC-1295 200 mcg (8UI) = 16UI combinados; verificar que a soma não excede a escala da seringa escolhida. O Retatrutide em doses de manutenção (12–24 mg/semana em concentração 10 mg/ml) gera volume SC de 1,2–2,4 ml — superior à capacidade da seringa U-100 padrão e requerendo seringa de insulina 1 ml em múltiplos sítios ou seringa de 2 ml com agulha 25–27G. O dead space da agulha — volume retido no lúmen após a injeção — é negligenciado em doses altas mas crítico em doses baixas: uma agulha 28G 6mm tem dead space de ~3–5 μl = 0,3–0,5UI em solução U-100; para dose de 4UI (Epithalon 100 mcg a 2.500 mcg/ml), o dead space representa 7–12% da dose aspirada. Solução prática: aspirar 1–2UI adicionais para saturar o dead space antes de injetar, ou usar seringas de agulha integrada (agulha soldada ao barril) que têm dead space residual de <1 μl. A documentação de doses em 'UI' deve SEMPRE incluir a concentração da solução (mcg/ml) e o volume equivalente em ml: '8UI de BPC-157' sem especificar a concentração é informação incompleta que pode resultar em diferença de dose 10× entre soluções de 1.000 e 10.000 mcg/ml — norma de segurança análoga às diretrizes de prescrição de insulina da OMS. A padronização moderna da UI é mantida pelo Comitê de Especialistas em Padronização Biológica (ECBS) da OMS via Preparações de Referência Internacionais (IRP): para o rhGH, a revisão de 2021 fixou 1 UI = 0,333 mg (3 IU/mg), substituindo o padrão anterior de origem hipofisária — esse histórico explica por que bulas antigas de GH registravam atividades diferentes dos preparados recombinantes atuais. Para peptídeos de investigação sem IRP definida (maioria dos GHRPs e análogos de GLP-1), a 'UI' em protocolos é exclusivamente a convenção volumétrica U-100 — não uma unidade biológica calibrada pela OMS. O conceito de microdosagem de precisão ganha relevância com peptídeos de alto custo unitário: Thymosin Alpha-1 1,6 mg (64UI em solução 2.500 mcg/ml) ou FOXO4-DRI 0,5 mg/kg — erros de 10% na aspiração representam desperdício de R$50–200 por dose; a seringa de 0,3 ml com escala de 0,5UI minimiza esse custo. O lote de reconstituição também afeta a UI real administrada: liofilizados que absorvem umidade ambiente (~2–5% de peso em pó exposto >30 s a ar úmido) contêm massa efetiva menor que a declarada na embalagem — reconstituir imediatamente após abrir o frasco e agitar suavemente (não vortexar) são práticas que preservam a concentração nominal e a equivalência UI/mcg calculada.
- Tabela de conversão U-100 (memorize): 0,01 ml = 1 UI; 0,05 ml = 5 UI; 0,10 ml = 10 UI; 0,20 ml = 20 UI; 0,25 ml = 25 UI; 0,50 ml = 50 UI; 1,00 ml = 100 UI — regra geral: UI = ml × 100. Regra inversa: ml = UI ÷ 100. Sempre calcule o volume em ml primeiro (dose mcg ÷ concentração mcg/ml) e converta para UI multiplicando por 100 ao final — nunca calcule diretamente em UI, pois o erro de unidade é frequente quando a concentração está em mg/ml e a dose em mcg.
- Fórmula de dose — aplicação completa com verificação: UI = (dose_mcg ÷ concentração_mcg/ml) × 100. BPC-157 200 mcg, solução 2.500 mcg/ml → UI = (200 ÷ 2.500) × 100 = 8 UI = 0,08 ml. Verificação: 8 UI ÷ 100 = 0,08 ml × 2.500 mcg/ml = 200 mcg ✓. Ipamorelin 300 mcg, solução 2.500 mcg/ml → UI = (300 ÷ 2.500) × 100 = 12 UI = 0,12 ml. Epithalon 100 mcg, solução 500 mcg/ml → UI = (100 ÷ 500) × 100 = 20 UI = 0,20 ml — note que a mesma dose em mg produz UI diferentes conforme a concentração reconstituída, reforçando que 'UI' sozinho sem a concentração da solução é informação incompleta.
- Semaglutide 5 mg/2 ml (2.500 mcg/ml) — protocolo de titulação em UI: semana 1–4: 250 mcg = 10 UI (0,10 ml); semana 5–8: 500 mcg = 20 UI (0,20 ml); semana 9–12: 750 mcg = 30 UI (0,30 ml); semana 13+: 1.000 mcg = 40 UI (0,40 ml); máx. 2.000 mcg = 80 UI (0,80 ml). Escolha da seringa: até 30 UI → seringa de 0,3 ml (0,5 UI/divisão); 30–80 UI → seringa de 1 ml (2 UI/divisão). Para dose de 40 UI (0,40 ml), o erro máximo da seringa de 1 ml (±2 UI) representa ±5% — aceitável; para dose de 10 UI, o mesmo erro representa ±20% — exige a seringa de 0,3 ml.
- UI biológica vs UI volumétrica — distinção fundamental: a UI biológica é padronizada pela OMS em ensaio-referência (1 UI de insulina = 34,7 mcg; 1 UI de GH recombinante = 0,333 mg = 3 UI/mg desde revisão de 2021; 1 UI de vitamina D = 0,025 mcg de colecalciferol); a UI volumétrica de seringa (U-100 = 100 UI/ml = 0,01 ml/UI) é convencional — NÃO deriva de atividade biológica. Para peptídeos de investigação sem IRP da OMS (Epithalon, Ipamorelin, BPC-157, GHK-Cu), a 'UI' em protocolo é exclusivamente a convenção volumétrica. Nunca use 1 UI = 34,7 mcg (conversão da insulina) para outros peptídeos — o resultado seria uma dose errada em até 10.000× dependendo da potência do composto.
- Erro crítico — seringa U-40 com solução U-100 (análise quantitativa): seringa U-40 (40 UI = 1 ml; 1 UI = 0,025 ml) usada com solução U-100. Se o marcador 'diz' 10 UI, você aspirou 0,25 ml. Mas 0,25 ml × 100 mcg/UI (concentração U-100) = 25 mcg de atividade, quando a intenção era 10 mcg (10 UI × 1 mcg/UI da solução U-100 a 100 mcg/ml). Resultado: superdose 2,5×. No sentido oposto: seringa U-100 com solução U-40 → subdose 2,5×. Prevenção: confirmar 'U-100' impresso no barril antes de cada reconstituição; organizações como ADA e OMS recomendam o uso EXCLUSIVO de seringas U-100 para eliminar a possibilidade de erro de concentração.
- Microdosagem de precisão — exemplo com FOXO4-DRI (0,5 mg/kg): adulto de 70 kg → dose = 35 mg SC; solução 10 mg/ml → volume = 3,5 ml = 350 UI. Esse volume supera a capacidade de uma seringa de 1 ml (100 UI) e exige 4 injeções de 0,875 ml ou 3 injeções de ~1,17 ml com seringa de 2 ml e agulha 25–27G — os sítios devem ser alternados e a injeção deve ser lenta (1 ml/min) para minimizar desconforto e dispersão tisular. O cálculo prévio em ml (3,5 ml) e a divisão em seringas antes de iniciar é obrigatória — errar o volume no início de um protocolo de alto custo com perda do produto é o cenário de risco mais comum em usuários experientes que confundem UI com mg.
- UI em blends multivial — regra de cálculo para componentes em solução compartilhada: blend Ipamorelin 5mg + CJC-1295 NO DAC 5mg reconstituídos em 2ml → concentração 2.500 mcg/ml de CADA componente (5.000 mcg de Ipamorelin + 5.000 mcg de CJC-1295 no mesmo volume de 2ml); dose típica do stack = 300 mcg de Ipamorelin + 300 mcg de CJC-1295 → volume = 300 mcg ÷ 2.500 mcg/ml = 0,12 ml = 12 UI (dose total do blend por injeção); erro crítico frequente: calcular 12 UI para Ipamorelin + 12 UI para CJC-1295 = 24 UI totais e injetar 0,24 ml → dobra a dose de AMBOS os componentes; a REGRA INVARIÁVEL: o volume aspirado (em UI ou ml) representa a dose de CADA componente individualmente, não a soma dos componentes; verificação dupla antes de injetar: UI × concentração_de_cada_componente ÷ 100 = dose_de_cada_mcg; para blends de concentrações assimétricas (ex: Ipamorelin 5mg + GHRP-2 10mg em 2ml → 2.500 mcg/ml de Ipamorelin e 5.000 mcg/ml de GHRP-2), calcular o volume para cada componente separadamente e aspirar a menor dose de GHRP-2 em proporção diferente — confirmando que blends assimétricos de concentração exigem cálculos individuais por componente, não um único volume compartilhado.
- Higroscopia do pó liofilizado e correção de concentração real — impacto das UI em peptídeos de alto custo: liofilizados absorvem umidade do ambiente rapidamente; 30 s de exposição a ar com UR 60% em pó de 5 mg de BPC-157 pode aumentar a massa pesada em 2–5% por adsorção superficial de H₂O (diferença invisível em balança de 0,1 mg mas real na dose); o impacto nas UI: se o frasco de 5 mg contém na verdade 4,9 mg de BPC-157 + 0,1 mg de água adsorvida, ao reconstituir em 2 mL a concentração real é 2.450 mcg/mL (não 2.500 mcg/mL) → cada UI aspira 24,5 mcg em vez de 25 mcg → em dose programada de 200 mcg (8 UI para 2.500 mcg/mL), o usuário entrega 196 mcg — subestimação de 2%, aceitável para BPC-157 mas relevante para peptídeos de janela estreita (IGF-1 LR3, FOXO4-DRI); soluções práticas: (1) pesar o pó com microbalança analítica (0,001 mg) imediatamente após abrir o frasco e recalcular o volume de solvente: se pó real = 4,9 mg, adicionar 1,96 mL (não 2,0 mL) para manter exatamente 2.500 mcg/mL — ajuste de 0,04 mL que elimina o erro sistemático; (2) reconstitituir imediatamente após retirar o frasco do freezer (−20°C) sem descongelar completamente, minimizando o tempo de exposição ao ar úmido; (3) para calcular a concentração real sem microbalança: usar a perda de peso prevista por TGA (Thermogravimetric Analysis) informada no COA do fabricante — pós com moisture content ≤2% têm concentração real dentro de ±2% do nominal, suficiente para a maioria dos protocolos SC; a documentação de UI sempre deve incluir a concentração nominal (mcg/mL) e a data de reconstituição para rastreabilidade de dose real vs programada.