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← Blog·Peptídeos18 de junho de 2026· 9 min de leitura

O Que É Angiotensina (1-7)? O Braço Protetor do Sistema Renina-Angiotensina

Angiotensina (1-7) é um heptapeptídeo endógeno gerado pela ACE2, com ações cardioprotetoras, anti-inflamatórias e vasodilatadoras — contrapondo os efeitos da Angiotensina II. Entenda mecanismo e relevância clínica.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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O Que É Angiotensina (1-7)

Angiotensina (1-7) [Ang(1-7)] é um heptapeptídeo endógeno com sequência Asp-Arg-Val-Tyr-Ile-His-Pro, gerado principalmente pela enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) a partir da Angiotensina II (que tem sequência de 8 aminoácidos, diferindo apenas pelo resíduo fenilalanina na posição 8).

Ang(1-7) representa o 'braço protetor' do Sistema Renina-Angiotensina (SRAA) — contrapondo os efeitos vasoconstritores, pró-inflamatórios e pró-fibróticos da Angiotensina II (o 'braço clássico'). O SRAA é frequentemente simplificado como um sistema único pró-hipertensivo, mas consiste na verdade em dois eixos opostos:

Eixo clássico (pró-hipertensivo) Angiotensinogênio → Renina → Angiotensina I → ACE → Angiotensina II → receptor AT1 → vasoconstrição, retenção de sódio, fibrose, inflamação

Eixo alternativo (cardioprotetor) Angiotensina I → ACE2 → Ang(1-7) → receptor MAS → vasodilatação, natriurese, anti-fibrose, anti-inflamação

Essa dualidade ganhou imensa relevância clínica após 2020, quando se descobriu que SARS-CoV-2 usa ACE2 como receptor de entrada celular — o vírus ao se ligar à ACE2 reduz sua atividade, suprimindo a geração protetora de Ang(1-7) e desequilibrando o SRAA em favor de Angiotensina II → contribuindo para inflamação, dano pulmonar e complicações cardiovasculares do COVID-19.

Mecanismo: Receptor MAS e Vias Protetoras

Ang(1-7) exerce seus efeitos principalmente via receptor MAS (proto-oncogene Mas), um GPCR sem parentesco estrutural com AT1 ou AT2:

Efeitos vasculares (receptor MAS em endotélio)

  • Ativa eNOS → produção de óxido nítrico (NO) → vasodilatação
  • Inibe proliferação de células de músculo liso vascular
  • Reduz estresse oxidativo vascular (inibe NADPH oxidase)

Efeitos cardíacos

  • Reduz hipertrofia cardíaca patológica (contra-regula Angiotensina II)
  • Efeito antifibrótico miocárdico: inibe TGF-β1/Smad3 no miocárdio
  • Anti-arrítmico: reduz fibrose de condução
  • Melhora função diastólica em modelos de insuficiência cardíaca

Efeitos renais

  • Natriurese: promove excreção de sódio
  • Antifibrótico renal: reduz fibrose túbulo-intersticial
  • Proteção de néfrons: contra-regula efeitos pró-fibróticos da Angiotensina II via AT1

Efeitos anti-inflamatórios

  • Inibe NF-κB → reduz TNF-α, IL-6, IL-1β
  • Reduz infiltração de macrófagos em tecidos inflamados
  • Inibe ativação de NLRP3 inflamassomo

Efeitos metabólicos

  • Melhora sensibilidade à insulina (modelos de síndrome metabólica)
  • Efeito antiobesidade em modelos animais (aumento de metabolismo de gordura)

Ang(1-7), ACE2 e COVID-19

O papel de Ang(1-7) tornou-se central na compreensão das complicações do COVID-19:

Mecanismo de depleção de Ang(1-7) no COVID-19

  1. SARS-CoV-2 usa a proteína spike para se ligar à ACE2 como receptor de entrada
  2. A ligação do vírus à ACE2 → internalização e downregulation da enzima na superfície celular
  3. Menos ACE2 disponível → menor geração de Ang(1-7) a partir de Angiotensina II
  4. Acúmulo de Angiotensina II (não clivada) → ativação excessiva de AT1
  5. Ativação de AT1 → vasoconstrição pulmonar, inflamação, fibrose, ARDS

Estudos documentaram:

  • Pacientes com COVID-19 grave têm Angiotensina II plasmática elevada e Ang(1-7) reduzida vs. saudáveis
  • A razão Ang(1-7)/Ang II como biomarcador de gravidade está sendo investigada

Estratégias terapêuticas baseadas neste mecanismo

  • Administração de Ang(1-7) exógena ou análogos (TXA127, COVA322)
  • rACE2 recombinante: restaura geração endógena de Ang(1-7)
  • Inibidores de AT1 (losartan, candesartan): reduzem efeitos de Angiotensina II acumulada

Ensaio clínico CLARITY (TXA127, análogo de Ang(1-7) inalado) em COVID-19 moderado-grave: melhora de oxigenação em análise exploratória. Dados não confirmados em ensaio definitivo.

Aplicações Clínicas e Ensaios em Outras Condições

Hipertensão e Síndrome Cardiometabólica Administração de Ang(1-7) IV ou SC em modelos animais hipertensos: redução de PA sem reflexo taquicardia, natriurese, redução de hipertrofia cardíaca. Em humanos, infusão IV de Ang(1-7) produziu vasodilatação dose-dependente em estudo de fase 1.

Insuficiência Cardíaca Ensaios de fase 2 em insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr): melhora de biomarcadores (BNP, TGF-β) e tendência a melhora funcional. Sem ensaio definitivo publicado.

Síndrome Metabólica e Resistência Insulínica Ensaio de fase 2 (2 mg/kg/dia SC, 4 semanas) em pacientes com síndrome metabólica: melhora de sensibilidade à insulina (HOMA-IR), redução de triglicérides e adipogênese abdominal.

Fibrose Pulmonar Modelos de fibrose pulmonar induzida por bleomicina: Ang(1-7) reduz deposição de colágeno e TGF-β1 pulmonar. Ensaios clínicos em fibrose pulmonar idiopática (FPI) em fase inicial.

Análogos orais em desenvolvimento Ang(1-7) oral não é biodisponível (degradação gastrointestinal). Vários análogos cíclicos mais estáveis estão em desenvolvimento pré-clínico e clínico precoce. TXA127 é o análogo inalatório mais avançado clinicamente.

Segurança e Perspectiva Terapêutica

Segurança nos ensaios clínicos Nos estudos de fase 1/2 com Ang(1-7) IV (doses de 0,1–91 µg/kg/hora por infusão contínua):

  • Sem hipotensão severa (diferente de Angiotensina II, cujo efeito vasopressor pode causar hipertensão; Ang(1-7) vasodilatação é moderada)
  • Flush leve em doses mais altas
  • Sem toxicidade de órgão-alvo em estudos de curto prazo (< 4 semanas)
  • Excelente tolerabilidade geral

Limitações de desenvolvimento

  • Meia-vida muito curta (IV: ~1–2 min) → necessidade de infusão contínua ou análogos
  • Sem formulação oral eficaz
  • Mecanismo via receptor MAS requer tecnologia específica para estudar (receptor órfão por longo período)

Futuro terapêutico Ang(1-7) representa um alvo genuinamente promissor para:

  • Cardioproteção em pós-infarto
  • Proteção renal em nefropatia diabética
  • Anti-fibrótico em múltiplos órgãos
  • Complemento em COVID-19/Long COVID

O desenvolvimento de análogos orais estáveis e formulações inalatórias é o principal foco das pesquisas farmacêuticas ativas.

Sistema Renina-Angiotensina: Os Dois Braços em Perspectiva

O SRAA é frequentemente ensinado como sistema pró-hipertensivo único, mas funciona de forma dual com braços opostos:

| Eixo | Peptídeo | Enzima geradora | Receptor | Efeito principal | |---|---|---|---|---| | Clássico (pró-patológico) | Angiotensina II (8 aa) | ACE cliva Ang I | AT1R | Vasoconstrição, retenção Na⁺, fibrose, inflamação | | Protetor (contrarregulador) | Angiotensina (1-7) (7 aa) | ACE2 cliva Ang II | MAS | Vasodilatação, natriurese, anti-fibrose, anti-inflamação | | Mineralocorticoide | Aldosterona | Zona glomerulosa (estimulada por Ang II) | MR | Retenção Na⁺/água, excreção K⁺ | | Bradicinina (conexo) | Bradicinina | Calicreína; degradada pela ACE | B2R/B1R | Vasodilatação (tosse com IECAs por acúmulo) |

Essa dualidade explica por que IECAs (captopril, enalapril) e BRAs (losartan, valsartan) indiretamente favorecem Ang(1-7): ao reduzir Ang II disponível para AT1, deslocam o equilíbrio para o braço protetor.

Para entender a Angiotensina II em profundidade: O Que É Angiotensina II?. Para o papel central do ACE2 como receptor viral e gerador de Ang(1-7): ACE2 e SRAA. Para o contexto da aldosterona: Aldosterona e o SRAA.

Hub de ciência e conceitos de peptídeos: Ciência e Conceitos.

Pontos-Chave sobre Angiotensina (1-7)

  • Ang(1-7) é um heptapeptídeo de 7 aa gerado pela ACE2 a partir de Angiotensina II — não é produzida pela ACE clássica.
  • Seu receptor principal, o MAS (proto-oncogene Mas), é um GPCR distinto dos receptores AT1 e AT2 da Angiotensina II.
  • Os efeitos são opostos aos da Ang II via AT1: vasodilatação (vs. vasoconstrição), anti-fibrose (vs. fibrose), anti-inflamação (vs. pró-inflamação).
  • A COVID-19 grave suprime Ang(1-7): SARS-CoV-2 internaliza ACE2 ao se ligar, reduzindo a geração do peptídeo protetor e agravando dano pulmonar e cardiovascular.
  • Meia-vida plasmática muito curta (IV: ~1-2 min) limita o uso da molécula nativa — análogos mais estáveis como TXA127 (inalatório) estão em fases clínicas.
  • Ensaios de fase 1/2 com infusão IV contínua documentaram boa segurança geral sem hipotensão grave.
  • IECAs e BRAs indiretamente elevam Ang(1-7) ao desviar o substrato Ang II para a ACE2 — parte de seus benefícios cardioprotetores pode decorrer desse mecanismo.
  • O eixo ACE2/Ang(1-7)/MAS é alvo ativo em pesquisas de hipertensão resistente, insuficiência cardíaca, fibrose pulmonar e Long COVID.

Erros Comuns sobre o SRAA e Ang(1-7)

1. 'Angiotensina é sempre ruim' Erro. Angiotensina (1-7) é o braço protetor do SRAA — vasodilatadora, anti-inflamatória e antifibrótica. Usar 'angiotensina' sem qualificação é impreciso: importa qual molécula (Ang I, Ang II, Ang 1-7) e qual receptor (AT1, AT2, MAS).

2. 'Bloquear todo o SRAA é sempre ideal' Simplificação. IECAs e BRAs têm papéis definidos em hipertensão e IC, mas a dualidade do sistema importa: suprimir toda a cascata também afeta o braço Ang(1-7)/MAS. O equilíbrio entre os braços é clinicamente relevante.

3. 'ACE2 é só uma porta de entrada ruim do coronavírus' Erro de framing. ACE2 é essencial para gerar Ang(1-7) e proteger o SRAA do excesso de Ang II. O vírus explora uma função fisiológica protetora — a enzima em si é benéfica.

4. 'Ang(1-7) pode ser comprada como suplemento' Não. A molécula nativa não tem biodisponibilidade oral (degradação GI). Os análogos em desenvolvimento clínico (TXA127, COVA322) são compostos farmacêuticos em ensaios, não suplementos.

5. 'Bradicinina e Ang(1-7) são o mesmo peptídeo vasodilatador' Não. São peptídeos distintos gerados por vias diferentes (calicreína vs. ACE2), com receptores diferentes (B2R/B1R vs. MAS). IECAs causam acúmulo de bradicinina (tosse, angioedema) — não de Ang(1-7).

Quando Procurar Avaliação Especializada

Ang(1-7) é atualmente alvo de pesquisa clínica, não composto de uso rotineiro. Situações que indicam avaliação com cardiologista, nefrologista ou infectologista:

  • Hipertensão resistente (sem controle com ≥3 anti-hipertensivos): avaliação do SRAA e possível hiperaldosteronismo primário.
  • Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida: otimização de IECAs/BRAs/sacubitril-valsartan por cardiologista especializado.
  • Nefropatia diabética ou proteinúria: nefrologia para proteção renal com bloqueadores do SRAA.
  • Sequelas cardiovasculares de Long COVID: a disfunção do eixo ACE2/Ang(1-7) é área de pesquisa ativa; avaliação cardiológica completa é recomendada.
  • Interesse em ensaios clínicos: análogos de Ang(1-7) têm registros em clinicaltrials.gov para COVID-19, hipertensão e insuficiência cardíaca.

Veja também: O Que É Angiotensina? SRAA, Pressão Arterial e Peptídeos Vasoativos.

ACE2 como Eixo Protetor: Muito Além do Receptor do SARS-CoV-2

A ACE2 se tornou amplamente conhecida como receptor de entrada do SARS-CoV-2, mas sua função fisiológica primária é protetora: ACE2 cliva Angiotensina II em Ang(1-7), removendo o resíduo C-terminal fenilalanina e gerando o heptapeptídeo cardioprotetor. Ao fazer isso, ACE2 simultaneamente reduz o substrato para o braço pró-patológico (menos Ang II para AT1R) e gera o peptídeo do braço protetor (Ang(1-7) → MAS).

A expressão de ACE2 nos pulmões, coração, rins, intestino e vasos é, portanto, uma medida de capacidade protetora do SRAA. Doenças cardiovasculares, DM2 e inflamação crônica reduzem a expressão de ACE2 — enfraquecendo o braço Ang(1-7)/MAS e aumentando a vulnerabilidade à Ang II. Para o contexto da Ang II: O Que É Angiotensina II.

Ang(1-7) e Proteção Renal: Antifibrótico via Receptor MAS

No rim, Ang(1-7) via receptor MAS exerce efeitos antifibróticos e natriuréticos fundamentais para nefroproteção a longo prazo. Ang(1-7) inibe a via TGF-β1/Smad3 nos túbulos renais — a mesma via que, ativada por Ang II via AT1R, leva à fibrose túbulo-intersticial progressiva na nefropatia diabética e hipertensiva. Estudos experimentais com Ang(1-7) em modelos de nefropatia diabética mostram redução de proteinúria, preservação glomerular e atenuação da fibrose intersticial.

Em ensaios clínicos de fase 2 em síndrome metabólica, a melhora da sensibilidade à insulina observada com Ang(1-7) tem componente renal — a resistência à insulina renal compromete a natriurese. O eixo ACE2/Ang(1-7)/MAS é alvo de estratégias de nefroproteção em pesquisa ativa para DM2 e hipertensão resistente.

Implicações Metabólicas: Ang(1-7) e Síndrome Metabólica

Além dos efeitos cardiovasculares e renais, Ang(1-7) tem implicações metabólicas crescentemente reconhecidas. Em modelos animais de síndrome metabólica, a administração de Ang(1-7) via receptor MAS melhora a sensibilidade à insulina, reduz acúmulo de gordura visceral e atenua a inflamação do tecido adiposo. O mecanismo envolve ativação de PI3K/AKT no tecido adiposo e muscular via MAS — via paralela à ativada pelo receptor de insulina, com efeitos sinérgicos.

Estudo de fase 2 em humanos com síndrome metabólica documentou melhora do HOMA-IR e redução de triglicérides após administração de Ang(1-7). A conexão entre SRAA e resistência à insulina é clinicamente relevante: IECAs e BRAs, ao elevar indiretamente Ang(1-7), contribuem para a redução de novos casos de DM2 observada em alguns estudos de desfecho cardiovascular.

Ang(1-7) no Envelhecimento Cardiovascular: Perspectiva de Longevidade

O eixo ACE2/Ang(1-7)/MAS declina funcionalmente com o envelhecimento: a expressão de ACE2 diminui em tecidos cardiovasculares de indivíduos mais velhos, favorecendo o acúmulo relativo de Ang II e seus efeitos pró-fibróticos e pró-inflamatórios. Esse declínio do braço protetor do SRAA contribui para a rigidez arterial progressiva, hipertrofia cardíaca e fibrose renal que caracterizam o envelhecimento cardiovascular.

Estratégias que preservam ou restauram ACE2/Ang(1-7) — como uso criterioso de IECAs/BRAs, exercício aeróbico (que upregula ACE2 no miocárdio) e controle de DM2 — têm base mecanística para proteger coração e rins a longo prazo. Para o contexto de longevidade e biohacking cardiovascular: Longevidade e Stack de Peptídeos.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Angiotensina (1-7) é o mesmo que Angiotensina II?+

Não — são peptídeos relacionados mas com efeitos opostos. Angiotensina II (8 aa) é vasoconstritora, pró-inflamatória e pró-fibrótica. Angiotensina (1-7) (7 aa) é vasodilatadora, anti-inflamatória e antifibrótica — o 'braço protetor' do sistema renina-angiotensina.

Ang(1-7) tem relação com COVID-19?+

Sim — SARS-CoV-2 usa ACE2 como receptor de entrada, reduzindo a atividade dessa enzima. ACE2 gera Ang(1-7) a partir de Ang II. Com menos ACE2 ativa, Ang II se acumula e Ang(1-7) diminui, contribuindo para inflamação e dano pulmonar na COVID-19 grave.

Ang(1-7) pode ser tomada oralmente?+

Não com a molécula nativa — é degradada no trato gastrointestinal. Análogos mais estáveis e formulações alternativas (inalatória, SC) estão em desenvolvimento clínico. TXA127 é o análogo inalatório mais avançado.

O que é o receptor MAS?+

O receptor MAS (proto-oncogene Mas) é o receptor principal de Ang(1-7) — um GPCR expresso no endotélio, coração, rim, cérebro e pulmões. Sua ativação por Ang(1-7) medeia os efeitos cardioprotetores e anti-inflamatórios desse heptapeptídeo.

Ang(1-7) e bradicinina têm o mesmo efeito vasodilatador?+

São ambos vasodilatadores, mas peptídeos completamente distintos. Bradicinina é gerada pela calicreína e degradada pela ACE — por isso IECAs causam tosse (acúmulo de bradicinina). Ang(1-7) é gerada pela ACE2 a partir de Ang II e age via receptor MAS. Mecanismos, receptores e vias são independentes.

IECAs e BRAs (losartan) afetam os níveis de Ang(1-7)?+

Sim, indiretamente. IECAs reduzem a conversão de Ang I em Ang II pela ACE, mas aumentam substrato Ang I disponível para ACE2 gerar Ang(1-7). BRAs bloqueiam AT1R sem reduzir Ang II — mais Ang II fica disponível para ACE2 gerar Ang(1-7). Ambas as classes indiretamente favorecem o braço protetor do SRAA.

Ang(1-7) tem relação com o Long COVID?+

Sim — na infecção grave por SARS-CoV-2, o vírus internaliza ACE2 ao se ligar, suprimindo a geração de Ang(1-7) e favorecendo acúmulo de Ang II. A disfunção do eixo ACE2/Ang(1-7)/MAS é investigada como mecanismo de sequelas cardiovasculares, fadiga e disfunção autonômica observadas no Long COVID.

Ang(1-7) está disponível como suplemento ou medicamento?+

Não. A molécula nativa tem meia-vida plasmática inferior a 2 minutos e nenhuma biodisponibilidade oral — não existe produto comercial disponível. O análogo inalatório TXA127 (análogo de Ang(1-7)) está em ensaios clínicos nos EUA e Europa para COVID-19 e insuficiência cardíaca, mas não é aprovado. No Brasil, não há uso terapêutico aprovado de Ang(1-7).

A dosagem plasmática de Ang(1-7) é exame de rotina?+

Não. A dosagem de Ang(1-7) requer espectrometria de massa ou ELISA específico em laboratórios de pesquisa — não está disponível em análises clínicas de rotina no Brasil. A coleta precisa de inibidores enzimáticos para evitar degradação ex vivo (a molécula se degrada em segundos após a coleta). É usada apenas em estudos clínicos especializados.

Referências Científicas

  1. Santos RAS, et al. Angiotensin-(1-7) is an endogenous ligand for the G protein-coupled receptor Mas.. Proc Natl Acad Sci USA, 2003.
  2. Ferrario CM, et al. Effect of angiotensin-converting enzyme inhibition and angiotensin II receptor blockers on cardiac angiotensin-converting enzyme 2.. Circulation, 2005.
  3. Imai Y, et al. Angiotensin-converting enzyme 2 protects from severe acute lung failure.. Nature, 2005.
  4. Monteil V, et al. Inhibition of SARS-CoV-2 infections in engineered human tissues using clinical-grade soluble human ACE2.. Cell, 2020.
  5. Leal MC, et al. Localization of angiotensin-(1-7) in normal and ischemic brains of rats.. Regul Pept, 2009.
  6. Yasar E, Dogru S, Eroglu E et al. Angiotensin 1-7 Modulates the Dynamics and Activation of the Proto-Oncogene Mas Receptor.. J Mol Recognit, 2026.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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