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Pontos-chave: acetilcolina, receptores e tratamento colinérgico
1. Síntese de ACh: colina + acetil-CoA → acetilcolina via ChAT; colina é limitante e reciclada pelo CHT1 dos terminais colinérgicos.
2. AChE degrada 25.000 moléculas de ACh por segundo — uma das enzimas mais rápidas do organismo; BuChE (plasmática) metaboliza ACh no plasma.
3. Receptores muscarínicos M1-M5: GPCRs; M1/M3/M5 (Gq → ↑Ca²⁺) são excitatórios, M2/M4 (Gi → ↓cAMP) são inibitórios. M1 facilita cognição e LTP no córtex pré-frontal e hipocampo — alvo de xanomeline (Cobenfy®).
4. Receptores nicotínicos (nAChR): canais iônicos pentaméricos; α4β2 = alvo da vareniclina (cessação tabágica); α7 = alta permeabilidade ao Ca²⁺, expresso no hipocampo, pesquisado em Alzheimer.
5. Hipótese colinérgica do Alzheimer: perda de neurônios colinérgicos do núcleo de Meynert → déficit de ACh no córtex. Inibidores de AChE são sintomáticos — não modificam a doença.
6. Inibidores de AChE aprovados: donepezila (reversível, seletivo AChE, 1×/dia), rivastigmina (pseudo-irreversível, inibe BuChE+AChE, única aprovada para Demência do Parkinson, patch disponível), galantamina (inibe AChE + modula alostericamente nAChR α4β2/α7).
7. Carga anticolinérgica (ACB scale): somar pontuação ACB de todos os medicamentos em idosos; ACB ≥ 3 associa-se a comprometimento cognitivo; substituir por alternativas com menor carga.
8. Cobenfy® (2024): xanomeline (agonista M1/M4 central) + trospium (antagonista muscarínico periférico) — aprovado para esquizofrenia; primeiro mecanismo colinérgico puro aprovado em 70 anos de antipsicóticos.
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Comparativo: inibidores de acetilcolinesterase aprovados para demência
| Fármaco | Mecanismo | Meia-vida | Posologia | Indicação extra | Principal diferencial | |---|---|---|---|---|---| | Donepezila | AChE reversível seletivo | 70-100h | 5-10 mg 1×/dia (noite) | Todos estágios DA | Patch Adlarity® 2022; pesadelos vívidos | | Rivastigmina | AChE+BuChE pseudo-irreversível | ~1.5h (efeito 8-10h) | Patch 4.6/9.5/13.3 mg/24h | DA + Demência do Parkinson | Única aprovada DDP; patch = menos náusea | | Galantamina | AChE + modula nAChR alostericamente | 7-8h | 8-16-24 mg ER 1×/dia | DA leve-moderada | Duplo mecanismo (APL); origem natural | | Memantina | Antagonista NMDA (não é AChEi) | 60-80h | 10-20 mg 1×/dia | DA moderada-grave | Combinável com donepezila em DA grave |
*Não há superioridade clara entre donepezila, rivastigmina e galantamina em ensaios head-to-head — a escolha é guiada por comorbidades, tolerabilidade e via de administração. Memantina NÃO é inibidor de AChE — mecanismo diferente.*
Erros comuns no uso de fármacos colinérgicos
Erro 1 — Suspender donepezila porque o paciente continua piorando: Inibidores de AChE não curam o Alzheimer, mas a suspensão em DA grave acelera o declínio funcional (DOMINO-AD trial). A doença progressa mesmo com o medicamento — isso não significa que ele não funciona.
Erro 2 — Prescrever anticolinérgicos sem calcular ACB total: Muitos idosos tomam múltiplos medicamentos com atividade anticolinérgica cumulativa (oxibutinina + difenidramina + olanzapina = ACB ≥ 6), anulando o benefício do inibidor de AChE e comprometendo cognição.
Erro 3 — Iniciar donepezila em dose alta imediatamente: Titulação lenta (5 mg por 4 semanas → 10 mg) reduz náusea, bradicardia e diarreia. Iniciar direto em 10 mg aumenta a descontinuação prematura por intolerância GI.
Erro 4 — Ignorar a interação com bloqueadores neuromusculares: Inibidores de AChE potencializam a succinilcolina (bloqueador despolarizante) → bloqueio prolongado no perioperatório. O anestesiologista deve ser informado antes de qualquer cirurgia.
Erro 5 — Combinar dois inibidores de AChE simultaneamente: Não há benefício adicional e há maior risco de toxicidade colinérgica (bradicardia grave, broncoespasmo). Usar apenas um de cada vez.
Quando procurar avaliação profissional
Declínio cognitivo novo ou progressivo em qualquer idade: o diagnóstico diferencial inclui DA, demência vascular, demência de Lewy, FTD, hipotireoidismo e deficiência de B12 — algumas causas são reversíveis e o diagnóstico diferencial correto muda o tratamento.
Sintomas colinérgicos excessivos após iniciar inibidor de AChE: bradicardia sintomática, síncope, salivação excessiva, broncoespasmo ou vômito persistente indicam redução de dose ou suspensão temporária — não ignorar esses sinais.
Suspeita de síndrome anticolinérgica em idoso: confusão aguda + retenção urinária + constipação + xerostomia + taquicardia em idoso usando múltiplos medicamentos → avaliar carga ACB total e deprescrever sob supervisão médica.
Intoxicação por organofosforados (pesticidas): síndrome colinérgica aguda (DUMBELS) é emergência — acionar SAMU imediatamente; atropina IV é o antídoto principal.
Antes de qualquer cirurgia em paciente usando inibidor de AChE: informar anestesiologista para ajuste do bloqueador neuromuscular e evitar complicações perioperatórias.