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VIP (Peptídeo Intestinal Vasoativo): O Que É e Seus Múltiplos Papéis
← Blog·Imunidade / Neuroproteção17 de junho de 2026· 8 min de leitura

VIP (Peptídeo Intestinal Vasoativo): O Que É e Seus Múltiplos Papéis

Conheça o VIP, neuropeptídeo de 28 aminoácidos com ação vasodilatadora, anti-inflamatória potente e papel na regulação circadiana, investigado inclusive para SDRA grave.

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Equipe Peptídeos Bio
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O que é o VIP?

O Peptídeo Intestinal Vasoativo (VIP) é um neuropeptídeo de 28 aminoácidos pertencente à família secretina/glucagon. Apesar do nome, o VIP não se restringe ao intestino: é amplamente expresso no sistema nervoso central, periférico, no pulmão, no coração e em células imunes. Foi isolado pela primeira vez em 1970 por Said e Mutt a partir de tecido intestinal porcino, mas décadas de pesquisa revelaram sua atuação multissistêmica. Sua meia-vida plasmática é curta (cerca de 2 minutos), o que reflete sua função como mensageiro local e parácrino. O VIP age principalmente via receptores acoplados à proteína G denominados VPAC1 e VPAC2, que ativam a via do AMPc intracelular.

Receptores VPAC1 e VPAC2

Os dois principais receptores do VIP apresentam distribuições e funções distintas. O VPAC1 predomina no intestino delgado, pulmão, fígado e linfócitos T, enquanto o VPAC2 é mais abundante no sistema nervoso central, músculo liso vascular e pâncreas. Ambos sinalizam via adenilato ciclase, elevando AMPc e ativando PKA, o que desencadeia relaxamento muscular liso, modulação da secreção enzimática e efeitos anti-inflamatórios. A ativação do VPAC2 no núcleo supraquiasmático (SCN) do hipotálamo é crucial para a sincronização do ritmo circadiano, posicionando o VIP como regulador central do relógio biológico. Antagonistas seletivos de cada subtipo estão em investigação para entender o papel diferencial de cada receptor em patologias específicas.

Ação Vasodilatadora e Cardiopulmonar

A denominação 'vasoativo' reflete a poderosa ação vasodilatadora do VIP sobre musculatura lisa arterial e venosa. No pulmão, o VIP relaxa a musculatura brônquica e vascular pulmonar, reduzindo a resistência vascular pulmonar. Esse mecanismo foi explorado clinicamente com a aviptadil, forma sintética do VIP, para o tratamento de hipertensão arterial pulmonar e, mais recentemente, para síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) associada à COVID-19 grave. Ensaios clínicos fase II/III mostraram que a aviptadil intravenosa reduziu a necessidade de ventilação mecânica em pacientes críticos, evidenciando o potencial terapêutico desse eixo VIP/pulmão. O VIP também exerce efeitos cronotrópicos e inotrópicos moderados no coração.

Neuroimunomodulação: Anti-inflamatório Potente

Uma das descobertas mais impactantes sobre o VIP é sua capacidade como anti-inflamatório potente. Em modelos de inflamação sistêmica, o VIP suprime a produção de TNF-α, IL-6 e IL-12 por macrófagos e células dendríticas, ao mesmo tempo que estimula a produção de IL-10, citocina anti-inflamatória. Esse perfil — inibição de pró-inflamatórios + estímulo de anti-inflamatórios — é considerado único entre os neuropeptídeos. O VIP também induz células T reguladoras (Tregs), o que explica seu potencial em doenças autoimunes como esclerose múltipla, artrite reumatoide e doença de Crohn. Estudos em modelos animais demonstraram que a administração de VIP reduz severidade de colite experimental e artrite induzida por colágeno.

Papel na Regulação Circadiana

O núcleo supraquiasmático (SCN), considerado o 'relógio mestre' do organismo, usa o VIP como principal neurotransmissor para sincronizar os neurônios que compõem o oscilador circadiano. A sinalização VIP-VPAC2 no SCN é essencial para manter a coesão da atividade rítmica: camundongos com deleção do gene Vip apresentam ritmos fragmentados e incapacidade de se sincronizar corretamente com ciclos luz-escuro. Em humanos, polimorfismos no receptor VPAC2 foram associados a distúrbios do sono e esquizofrenia, sugerindo que a via VIP circadiana pode ter implicações em saúde mental. Esta conexão entre imunidade, neurologia e ritmo biológico ilustra a natureza pluripotente do VIP.

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Aprofundamento educacional: o que a literatura e relatos descrevem, comparativos e perguntas para o seu médico — conteúdo descritivo, não prescritivo.

  • 🔹 VIP na Pesquisa Clínica: Estado Atual
  • 🔹 Perspectivas Futuras e Limitações
Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O VIP é o mesmo que o peptídeo YY ou o GIP?+

Não. Embora todos pertençam à família secretina/glucagon, são peptídeos distintos com receptores e funções próprias. O GIP atua no pâncreas para liberar insulina, o PYY regula saciedade, e o VIP tem foco em vasodilatação e imunorregulação.

O que é aviptadil?+

Aviptadil é a denominação farmacológica da forma sintética do VIP humano, utilizada em estudos clínicos para hipertensão pulmonar e SDRA por COVID-19. Ela replica a sequência de 28 aminoácidos do VIP endógeno.

O VIP afeta o sono diretamente?+

Sim, indiretamente. O VIP é o principal neurotransmissor do núcleo supraquiasmático, que controla o ritmo circadiano. Alterações na sinalização VIP-VPAC2 podem fragmentar o ciclo sono-vigília e dificultar a adaptação a novos fusos horários.

Existe relação entre VIP e autismo?+

Pesquisas preliminares identificaram que alguns indivíduos com TEA apresentam anticorpos anti-VIP ou polimorfismos em VPAC2. O VIP também regula o desenvolvimento neuronal pré-natal, mas nenhuma associação causal definitiva foi estabelecida ainda.

Referências Científicas

  1. Delgado M, Ganea D Vasoactive intestinal peptide: a neuropeptide with pleiotropic immune functions. Amino Acids, 2013. DOI: 10.1007/s00726-011-1184-8.Revisão abrangente sobre as funções imunorreguladoras do VIP, incluindo supressão de TNF-α, IL-6 e indução de IL-10.
  2. Frieman M, et al. Aviptadil for treatment of severe COVID-19 respiratory failure. medRxiv / NEJM Evidence, 2021. DOI: 10.1101/2021.01.02.21248715.Ensaio clínico fase IIb avaliando aviptadil IV em pacientes com SDRA por COVID-19.
  3. Gonzalez-Rey E, et al. VIP and PACAP: players in intrinsic and adaptive immunity. Current Pharmaceutical Design, 2007. DOI: 10.2174/138161207780618966.Detalha os mecanismos pelos quais VIP e PACAP modulam imunidade inata e adaptativa.
  4. Aton SJ, et al. VIP neurons in the SCN redundantly synchronize circadian locomotor rhythms. Nature Neuroscience, 2005. DOI: 10.1038/nn1419.Demonstra o papel do VIP na sincronização do núcleo supraquiasmático e no ritmo circadiano.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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