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← Blog·Peptídeos18 de junho de 2026· 6 min de leitura

O Que É Relaxina? Gravidez, Fibrose e Serelaxina em Insuficiência Cardíaca Aguda

Relaxina (RLX1/RLX2) é um hormônio peptídeo da família da insulina secretado pelo corpo lúteo, placenta e coração. Durante a gravidez, relaxa o ligamento púbico, dilata vasos renais e reduz resistência vascular sistêmica. Possui potente efeito antifibrótico via RXFP1/NO/MMP. Serelaxina (relaxina-2 recombinante humana) foi estudada em insuficiência cardíaca aguda no RELAX-AHF: reduz disneia e mortalidade a 180 dias.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Relaxina: Estrutura, Família e Receptores RXFP

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Relaxina na Gravidez: Vasodilatação Renal e Adaptações Hemodinâmicas

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Serelaxina em Insuficiência Cardíaca Aguda: RELAX-AHF

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Relaxina como Antifibrótico: Fígado, Rim, Pulmão e Coração

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Tabela — Família da Relaxina: RLN1, RLN2, RLN3, INSL3 e Receptores RXFP

Explore a relaxina e hormônios peptídicos relacionados no Hub Anti-Aging e nos artigos: Peptídeos e sistema cardiovascular, Apelina cardiovascular e obesidade e Biomarcadores e protocolos de peptídeos.

| Peptídeo | Gene | Receptor (principal) | Célula/órgão produtor | Funções principais | |---|---|---|---|---| | Relaxina-1 (RLX1) | RLN1 | RXFP1 | Próstata | Papel em humanos pouco definido | | Relaxina-2 (RLX2) | RLN2 | RXFP1 | Corpo lúteo, placenta, coração | Vasodilatação renal, remodelamento cervical, antifibrótico sistêmico | | Relaxina-3 (RLX3) | RLN3 | RXFP3 | Nucleus incertus (tronco cerebral) | Apetite, ritmo circadiano, estresse, memória | | INSL3 | INSL3 | RXFP2 | Testículo de Leydig | Descida testicular fetal; fertilidade masculina adulta | | INSL5 | INSL5 | RXFP4 | Intestino (cólon), SNC | Regulação de apetite; incretina candidata |

Serelaxina é RLN2 recombinante humana (idêntica à endógena) — estudada para ICC aguda no RELAX-AHF (Lancet 2013, n=1.161) com resultado positivo de dispneia e mortalidade exploratória a 180 dias; mas o RELAX-AHF-2 (Lancet 2023, n=6.600) foi neutro para o desfecho primário de mortalidade cardiovascular — programa descontinuado pela Novartis. A diferença entre os dois ensaios é uma aula sobre o risco de superinterpretar desfechos exploratórios de fase 2.

Pontos-chave sobre Relaxina e Serelaxina

  • Relaxina-2 é o hormônio circulante principal durante a gravidez — produzida pelo corpo lúteo a partir da implantação, com pico no 1.º trimestre (~12 semanas) e importante para a adaptação vascular e renal gestacional.
  • Relaxina aumenta a taxa de filtração glomerular em 40–50% na gravidez — via RXFP1 em células endoteliais e musculares renais, com ativação de NO e VEGF renal. É um dos principais mecanismos da hiperfiltração gestacional.
  • RXFP1 é um GPCR único — possui um domínio LDLa N-terminal atípico para GPCRs e sinaliza via Gs/Gi → ↑cAMP → ↑NO, além de ativar PI3K → ↓TGF-β/Smad3 → efeito antifibrótico.
  • Serelaxina melhorou dispneia no RELAX-AHF (p=0,007) e mostrou redução de mortalidade a 180 dias exploratoramente — mas RELAX-AHF-2, com mortalidade como desfecho primário e 6× mais pacientes, foi completamente neutro.
  • A lição metodológica de RELAX-AHF: desfechos exploratórios de fase 2 frequentemente são positivos por acaso — somente desfechos primários confirmados em fase 3 com poder estatístico adequado validam eficácia.
  • O efeito antifibrótico da relaxina é mediado por: ↑MMP-1/-2/-9 (degradação de colágeno) + ↓TIMP-1/-2 (inibidores de MMP) + ↓TGF-β/Smad3 (pró-fibrótico principal) — mecanismo de tripla ação em fibroblastos ativos.
  • Serelaxina por 24 semanas SC reduziu a fibrose de pele em esclerodermia sistêmica (Seibold 2000, Ann Intern Med) — resultado positivo, mas o desenvolvimento não avançou por dificuldades logísticas e mudança de estratégia empresarial.
  • Relaxina-3 (RLN3) via RXFP3 é um neuropeptídeo distinto — orexigênico, modulador de memória e ritmo circadiano; não deve ser confundido com a Relaxina-2 (RLN2) dos estudos cardiovasculares e antifibróticos.

Erros Comuns sobre Relaxina e Serelaxina

Erro 1 — Interpretar o resultado positivo do RELAX-AHF-1 como prova de eficácia de serelaxina em ICC aguda: o RELAX-AHF-1 tinha mortalidade como desfecho exploratório, não primário. O desfecho primário de dispneia (Likert) foi negativo — apenas o desfecho VAS (área sob a curva) foi positivo. O RELAX-AHF-2, com mortalidade como desfecho primário confirmado, foi completamente neutro — serelaxina não é uma terapia estabelecida para ICC aguda.

Erro 2 — Confundir serelaxina com relaxina endógena gestacional: serelaxina é RLN2 recombinante usada em doses farmacológicas IV (30 μg/kg/dia por 48h) — suprafisiológica. A relaxina endógena gestacional circula em concentrações nanomolares; os efeitos em ICC aguda foram investigados em doses bem acima das fisiológicas.

Erro 3 — Acreditar que a relaxina-3 tem relação com ICC ou fibrose: relaxina-3 (RLN3) via RXFP3 é um neuropeptídeo expresso no tronco cerebral com funções de regulação de apetite, estresse e memória — completamente distinto da relaxina-2 (RLN2/RXFP1) dos estudos cardiovasculares e antifibróticos.

Erro 4 — Subestimar o potencial antifibrótico da relaxina por causa do fracasso em ICC aguda: o fracasso em ICC aguda não invalida o mecanismo antifibrótico. Em modelos animais de fibrose hepática, renal, pulmonar e cardíaca, a relaxina mostra efeitos robustos. Formulações de longa ação (análogos pegilados, SC semanal) estão em desenvolvimento para fibrose crônica.

Erro 5 — Confundir INSL3 com relaxina por pertencerem à mesma família: INSL3 age via RXFP2 no gubernaculum fetal para a descida testicular, e na fertilidade masculina adulta. Deficiência de INSL3 ou RXFP2 está associada a criptorquidia — completamente diferente das funções cardiovasculares e gestacionais da relaxina-2.

Quando Procurar Avaliação Especializada em Relaxina e Condições Relacionadas

Insuficiência cardíaca aguda descompensada com congestão: serelaxina não é terapia aprovada, mas o manuseio de ICC aguda (diuréticos IV, vasodilatadores, correção de precipitantes) exige avaliação cardiológica urgente ou hospitalização. A avaliação inclui BNP/NT-proBNP, ecocardiograma e busca de causas precipitantes.

Fibrose hepática com suspeita de NASH/cirrose compensada: avaliação hepatológica com estadiamento de fibrose (elastografia hepática — FibroScan — ou biópsia) é indicada. Análogos de FGF-21 e relaxina estão em fase de pesquisa para fibrose hepática; hoje a abordagem inclui perda de peso, controle metabólico e, em NASH, medicamentos como semaglutida com evidência em fase 3.

Esclerodermia sistêmica (SSc) com fibrose cutânea progressiva: avaliação reumatológica especializada é indicada — serelaxina produziu melhora de fibrose cutânea em ensaio fase 2 (Seibold 2000), mas não há terapia aprovada baseada em relaxina; tratamentos atuais incluem micofenolato, ciclofosfamida e nintedanibe para fibrose pulmonar associada.

Adaptações gestacionais atípicas (pré-eclâmpsia, hiperfiltração renal excessiva): avaliação obstétrica especializada é indicada. A relaxina endógena modula parcialmente a vasodilatação renal gestacional — dados sobre sua dosagem e correlação com pré-eclâmpsia ainda são conflitantes e não têm utilidade clínica estabelecida.

Fibrose pulmonar idiopática (IPF): avaliação pneumológica com estadiamento é indicada — nintedanibe e pirfenidona são os tratamentos aprovados. Serelaxina para IPF está em pesquisa pré-clínica/piloto; análogos de relaxina de longa ação podem ser alternativas futuras, especialmente para pacientes intolerantes às terapias aprovadas.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é relaxina e qual é sua função na gravidez?+

Relaxina é um hormônio peptídeo da família insulina/IGF, produzido principalmente pelo corpo lúteo durante o 1.º trimestre. Na gravidez, relaxa o ligamento púbico (facilita o parto), dilata vasos renais (aumenta TFG em 40-50%), reduz a resistência vascular sistêmica (vasodilatação via NO) e promove o amolecimento do colo do útero. É responsável por parte das adaptações hemodinâmicas gestacionais como a ↓pressão arterial do 1.º/2.º trimestre.

O que foi o estudo RELAX-AHF?+

RELAX-AHF (Lancet 2013) foi um ensaio fase 3 com 1.161 pacientes com insuficiência cardíaca aguda, que avaliou serelaxina (relaxina-2 recombinante IV por 48h). Mostrou melhora de dispneia (desfecho primário VAS, p=0.007) e — surpreendentemente — redução de mortalidade a 180 dias (7.3% vs. 12.0%). Porém, RELAX-AHF-2 (n=6.600), que testou mortalidade como desfecho primário confirmatório, foi neutro — a Novartis descontinuou o programa.

Relaxina é antifibrótica?+

Sim — via RXFP1, a relaxina inibe TGF-β/Smad3 (principal pró-fibrótico), aumenta MMP-1/-2/-9 (degradação de colágeno) e reduz miofibroblastos ativos. Em modelos animais, mostra reversão de fibrose hepática (cirrose por CCl4), renal, pulmonar (bleomicina) e cardíaca. Em humanos, serelaxina por 24 semanas reduziu a fibrose de pele em esclerodermia sistêmica (estudo Seibold 2000). É um alvo em desenvolvimento para NASH com fibrose e fibrose pulmonar idiopática.

Relaxina-3 é diferente de Relaxina?+

Sim — Relaxina-3 (RLN3) é um neuropeptídeo ancestral expresso principalmente no nucleus incertus do tronco cerebral. Age via receptor RXFP3 (não RXFP1). Funções: regulação do apetite (orexigênico), ritmo circadiano, resposta ao estresse e formação de memória. É funcionalmente distinta da Relaxina-2 (RLN2), que é o hormônio circulante da gravidez e o alvo dos estudos em IC/fibrose.

Por que RELAX-AHF-1 foi positivo mas RELAX-AHF-2 foi neutro?+

RELAX-AHF-1 tinha dois desfechos primários de dispneia — apenas o desfecho VAS (escala visual analógica de área sob a curva D1-5) foi positivo; o Likert foi negativo. A redução de mortalidade a 180 dias foi um desfecho exploratório não planejado como primário. RELAX-AHF-2 foi desenhado especificamente para confirmar esse sinal de mortalidade com poder estatístico adequado (n=6.600) e foi completamente neutro. A conclusão: o sinal de mortalidade do RELAX-AHF-1 era provavelmente um resultado positivo por acaso — uma lição clássica de que desfechos exploratórios não confirmam eficácia.

Existe algum análogo de relaxina em desenvolvimento mais avançado?+

O programa de serelaxina em ICC aguda foi descontinuado pela Novartis após RELAX-AHF-2. O foco atual em relaxina está em formulações de longa ação para fibrose crônica (NASH, IPF, ICFEp com fibrose diastólica) e em small-molecule agonistas de RXFP1 que possam ser administrados oralmente. Empresas como Protagonist Therapeutics e outros grupos estão pesquisando RXFP1 agonistas de pequena molécula para superar a limitação da proteína injetável.

Relaxina tem papel no sistema imune?+

Sim — RXFP1 é expresso em linfócitos, macrófagos e mastócitos. Relaxina modula a resposta imune via ↑NO e ↓NF-κB → ↓produção de TNF-α, IL-6 e IL-1β. Em modelos de inflamação e choque séptico experimental, relaxina exerce efeitos anti-inflamatórios e protetores de barreira endotelial. Em doenças autoimunes com fibrose (como esclerodermia sistêmica), o efeito anti-inflamatório e antifibrótico combinados são o racional para o interesse terapêutico — mas sem terapia aprovada nessa indicação.

Referências Científicas

  1. Hisaw FL. Experimental relaxation of the pubic ligament of the guinea pig.. Proc Soc Exp Biol Med, 1926.
  2. Sherwood OD. Relaxin's physiological roles and other diverse actions.. Endocr Rev, 2004.
  3. Teerlink JR, et al. (RELAX-AHF Investigators). Serelaxin, recombinant human relaxin-2, for treatment of acute heart failure (RELAX-AHF): a randomised, placebo-controlled trial.. Lancet, 2013.
  4. Teerlink JR, et al. (RELAX-AHF-2 Investigators). Serelaxin in Patients with Acute Heart Failure.. NEJM, 2023.
  5. Seibold JR, et al. Randomised trial of recombinant human relaxin in systemic sclerosis.. Ann Intern Med, 2000.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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