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← Blog·Peptídeos18 de junho de 2026· 6 min de leitura

O Que É Relaxina? Gravidez, Fibrose e Serelaxina em Insuficiência Cardíaca Aguda

Relaxina (RLX1/RLX2) é um hormônio peptídeo da família da insulina secretado pelo corpo lúteo, placenta e coração. Durante a gravidez, relaxa o ligamento púbico, dilata vasos renais e reduz resistência vascular sistêmica. Possui potente efeito antifibrótico via RXFP1/NO/MMP. Serelaxina (relaxina-2 recombinante humana) foi estudada em insuficiência cardíaca aguda no RELAX-AHF: reduz disneia e mortalidade a 180 dias.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Relaxina: Estrutura, Família e Receptores RXFP

Relaxina foi descoberta em 1926 por Frederick Hisaw como uma substância no soro de coelhas prenhes que relaxava a sínfise púbica. É um peptídeo da superfamília insulina/IGF-1 — similar ao IGF-1, possui cadeia A + cadeia B conectadas por pontes dissulfeto.

Família da Relaxina humana

  • Gene RLN1 (relaxin-1): cromossomo 9p24; produzida em próstata
  • Gene RLN2 (relaxin-2): cromossomo 9p24; produzida no corpo lúteo, placenta, coração, rins, cérebro

- RLN2 = relaxina circulante principal em humanos grávidas

  • Gene INSL3 (Insulin-Like 3): testículo de Leydig → 'fator inibidor da regressão do gubernaculum' → descida testicular fetal
  • Gene INSL5: intestino, SNC
  • Gene RLN3 (Relaxin-3): SNC — neuropeptídeo; papel em alimentação, estresse, memória

Estrutura da Relaxina-2

  • Pré-pro-relaxina-2 → pro-relaxina → clivagem de peptídeo C → Relaxina madura
  • Relaxina madura: cadeia A (24aa) + cadeia B (29aa) conectadas por 2 pontes dissulfeto intercadeias + 1 intracadeia (cadeia A)
  • Domínio de ligação ao receptor: Arg-X-X-X-Arg-X-X-Ile na cadeia B (alta conservação)

Receptores da Relaxina — RXFP (Relaxin Family Peptide Receptors)

ReceptorGeneLigante principalLocalizaçãoAcoplamento
RXFP1RXFP1RLN2 (Relaxina-2)Coração, rins, pulmão, útero, SNC, fibroblastosGs/Gi → ↑cAMP; Gi/o → ↑NO
RXFP2RXFP2INSL3 + RLN2Testículo, ovário, gubernaculumGs → ↑cAMP
RXFP3RXFP3RLN3SNC (hipotálamo, amígdala)Gi/o → ↓cAMP
RXFP4RXFP4INSL5Intestino, testículoGi/o → ↓cAMP

RXFP1 — receptor principal da Relaxina-2

  • RXFP1: receptor de classe A GPCR com domínio LDLa N-terminal (único)
  • Sinalização: ↑cAMP (via Gs) → vasodilatação, ↑NO; ↑PI3K → antifibrótico (↓TGF-β/Smad3); ↑MMP-1/-2/-9 → ↑degradação de colágeno
  • Distribuição de RXFP1: coração (miócitos, fibroblastos), rim, fígado (células estreladas), pulmão, cérebro

Relaxina-3 (RLN3)

  • Distinto: membro ancestral da família
  • Expresso primariamente no nucleus incertus (tronco cerebral)
  • Receptores: RXFP3 (principal) e RXFP4; também RXFP1 com baixa afinidade
  • Funções: regulação de alimentação (↑apetite), ritmo circadiano, resposta ao estresse, memória; análogo ao NPY com mais funções neuromodulatórias

Relaxina na Gravidez: Vasodilatação Renal e Adaptações Hemodinâmicas

Produção durante a gravidez

  • Corpo lúteo: produz RLN2 desde a implantação até ~14 semanas (trimestre 1)
  • Pico de relaxina: 1.º trimestre (~12 semanas) — níveis séricos 1-2 ng/mL
  • Placenta, decídua e trofoblasto: produção mais baixa, sustentada
  • Após 14 semanas: ↓RLN2 (corpo lúteo involui) mas placenta mantém alguma produção

Efeitos vasculares e renais — adaptação à gravidez

  • Relaxina → RXFP1 em endotélio e músculo liso vascular → ↑NO (óxido nítrico) → vasodilatação
  • Adaptação renal gestacional:

- ↑TFG (taxa de filtração glomerular) em 40-50% na gravidez → mediada em parte por Relaxina - Relaxina → ↑VEGF renal → ↑relaxamento de arteríola aferente → ↑FSR - Disfunção tubular: ↑bicarbonatúria, ↑glicosúria leve, ↑aminoacidúria — contribuição de relaxina

Efeitos no colo uterino e ligamento púbico

  • Remodelamento do colo do útero: Relaxina → fibroblastos cervicais → ↑MMP, ↓TIMP → degradação de colágeno → amolecimento cervical
  • Sínfise púbica: Relaxina → ↑MMP + ↑PGE2 → ↑elasticidade do ligamento púbico → separação da sínfise para passagem fetal
  • Ação uterina: ↓tônus miometrial → ↑quiescência uterina no 1.º trimestre (prevenção de aborto?)

Relaxina e pré-eclâmpsia

  • Pré-eclâmpsia: ↓Relaxina vs. gravidez normal? — dados contraditórios
  • Hipótese: ↓Relaxina → ↓vasodilatação renal → ↑HAS gestacional
  • RLN2 recombinante como protetor em pré-eclâmpsia? — pesquisa pré-clínica promissora

Serelaxina em Insuficiência Cardíaca Aguda: RELAX-AHF

Serelaxina — Relaxina-2 recombinante humana

  • Serelaxina (RLX030 — Novartis): relaxina-2 humana recombinante idêntica à nativa
  • Formulação: IV contínuo (48h) — 30 μg/kg/dia
  • Farmacocinética: t½ ~5-8 min; sem acumulação com infusão contínua
  • Mecanismo em IC aguda: ↑NO → vasodilatação sistêmica e pulmonar → ↓pré-carga e pós-carga; ↑perfusão renal; ↑natriurese

Fundamento para IC aguda

  • IC descompensada aguda (ICAD): ↑congestão + ↑BNP + ↓perfusão renal + ↑resistência vascular
  • Relaxina endógena: ↑durante IC (mecanismo compensatório) — mas insuficiente
  • Dose farmacológica de serelaxina: suprafisiológica → vasodilatação sustentada sem reflexo taquicardia (diferente de nitratos/nitroprussiato)

RELAX-AHF Trial (Teerlink JR et al., Lancet 2013)

  • N=1161 pacientes com IC aguda (BNP >350 pg/mL ou NT-proBNP >1400), ↑TnT/I, PAS >125 mmHg
  • Serelaxina 30 μg/kg/dia IV × 48h vs. placebo (sobre terapia padrão)
  • Desfechos primários: (1) alívio de dispneia VAS; (2) proporção sem dispneia
  • Resultados:

- VAS dispneia area under curve (D1-5): serelaxina +448 mm·h vs. placebo (p=0.007) ✓ - Proporção dispneia moderadamente melhorada (D1, D2, D5): 0% diferença (p não significativo) ✗ - Mortalidade 180 dias: serelaxina 7.3% vs. placebo 12.0% (p=0.028) — significativo! - Mortalidade CV 180 dias: serelaxina 6.1% vs. placebo 9.6% (p=0.028) - Hospitalizações e deterioração: ↓serelaxina

RELAX-AHF-2 (Teerlink JR et al., Lancet 2023)

  • N=6600 (muito maior); mesmo regime serelaxina
  • Desfecho primário: mortalidade CV 180 dias
  • Resultado: NEUTRO — serelaxina NÃO reduziu mortalidade CV a 180 dias vs. placebo (11.6% vs. 11.6%)
  • Análise exploradora de dispneia: ↓dispneia nas primeiras 24h (ELQ) mas sem significância primária
  • Conclusão: RELAX-AHF-2 não confirmou benefício de mortalidade → desenvolvimento de serelaxina para ICAD descontinuado pela Novartis

Lição de RELAX-AHF vs. RELAX-AHF-2

  • RELAX-AHF-1: subgrupo específico (PAS >125, BNP alto, troponina +) + 2 desfechos primários diferentes → um positivo, um negativo; mortalidade 180d foi exploratória
  • RELAX-AHF-2: confirmatório com mortalidade como desfecho primário → neutro → cautela em superinterpretar desfechos exploratórios de ensaios fase 2

Relaxina como Antifibrótico: Fígado, Rim, Pulmão e Coração

Mecanismo antifibrótico da Relaxina

  • TGF-β: principal pró-fibrótico → ativa miofibroblastos → ↑colágeno I/III
  • Relaxina/RXFP1 → ↑cAMP/PKA → ↑ativação de RXFP1 → ↑nNOS/eNOS → ↑NO → inibe TGF-β/Smad3 → ↓miofibroblastos
  • Relaxina → ↑MMP-1 (colagenase intersticial), MMP-2, MMP-9 → degradação de colágeno já depositado
  • Relaxina → ↓TIMP-1/-2 (inibidores de MMP) → balanço pró-degradação de matriz

Fibrose hepática

  • NASH/cirrose: ↑células estreladas hepáticas (CEH) ativadas → ↑colágeno
  • Relaxina → RXFP1 em CEH ativadas → ↓atividade de CEH, ↑MMP-2 → ↓fibrose hepática em modelos animais
  • Modelos de cirrose (CCl4, bile duct ligation): RLN2 → regressão de fibrose hepática
  • Humanos: RLN2 plasmática ↓ em cirrose avançada (CEH perdem RXFP1)

Fibrose renal

  • Nefropatia diabética: TGF-β → fibrose túbulo-intersticial
  • Relaxina → RXFP1 em células tubulares e fibroblastos renais → ↓fibrose renal em DM1 e DM2 murinos
  • Potencial em glomerulonefrite: ↓expansão mesangial, ↓proteinúria em modelos animais

Fibrose pulmonar

  • Fibrose pulmonar idiopática (FPI/IPF): doença fatal com sobrevida mediana ~3 anos
  • Relaxina → fibroblastos pulmonares: ↓TGF-β1-induzida ativação → ↓α-SMA, ↓colágeno I
  • Modelos de bleomicina (murino): Relaxina → ↓fibrose pulmonar e ↓perda funcional
  • Ensaio clínico com serelaxina em IPF: fase 2 parcial — resultados aguardados/inconclusivos

Fibrose cardíaca e remodelamento

  • IC crônica: ↑fibrose intersticial cardíaca → ↓complacência → ↓função diastólica
  • Relaxina endógena no coração: RXFP1 em miócitos e fibroblastos cardíacos
  • Relaxina exógena → ↓fibrose cardíaca em modelos de IC por pressão-sobrecarga e infarto
  • IC com fração de ejeção preservada (ICFEp): fibrose diastólica → relaxina potencial? — fase 2 em desenvolvimento

Relaxina em esclerodermia (SSc)

  • Esclerodermia sistêmica: fibrose progressiva de pele e órgãos; tratamento limitado
  • Ensaio fase 2 (Seibold 2000): serelaxina SC × 24 semanas em SSc → ↓espessura de pele (mRSS) significativamente vs. placebo; ↓fibrose pulmonar
  • Desenvolvimento não avançado por dificuldades logísticas (infusão SC contínua) e mudança de estratégia da empresa

Perspectivas

  • Formulações subcutâneas de relaxina de longa ação (pegiladas, análogos): superam limitação da meia-vida curta
  • RXFP1 agonistas de pequena molécula: bypass de proteína injetável — pesquisa ativa
  • Alvo em múltiplas fibroses: NASH com fibrose, IPF, ICFEp — alta necessidade médica não atendida
  • Relaxina-3/RXFP3: agonistas para ondas de calor, apetite, memória — distinto da Relaxina-2

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Tabela — Família da Relaxina: RLN1, RLN2, RLN3, INSL3 e Receptores RXFP

Explore a relaxina e hormônios peptídicos relacionados no Hub Anti-Aging e nos artigos: Peptídeos e sistema cardiovascular, Apelina cardiovascular e obesidade e Biomarcadores e protocolos de peptídeos.

PeptídeoGeneReceptor (principal)Célula/órgão produtorFunções principais
Relaxina-1 (RLX1)RLN1RXFP1PróstataPapel em humanos pouco definido
Relaxina-2 (RLX2)RLN2RXFP1Corpo lúteo, placenta, coraçãoVasodilatação renal, remodelamento cervical, antifibrótico sistêmico
Relaxina-3 (RLX3)RLN3RXFP3Nucleus incertus (tronco cerebral)Apetite, ritmo circadiano, estresse, memória
INSL3INSL3RXFP2Testículo de LeydigDescida testicular fetal; fertilidade masculina adulta
INSL5INSL5RXFP4Intestino (cólon), SNCRegulação de apetite; incretina candidata

Serelaxina é RLN2 recombinante humana (idêntica à endógena) — estudada para ICC aguda no RELAX-AHF (Lancet 2013, n=1.161) com resultado positivo de dispneia e mortalidade exploratória a 180 dias; mas o RELAX-AHF-2 (Lancet 2023, n=6.600) foi neutro para o desfecho primário de mortalidade cardiovascular — programa descontinuado pela Novartis. A diferença entre os dois ensaios é uma aula sobre o risco de superinterpretar desfechos exploratórios de fase 2.

Pontos-chave sobre Relaxina e Serelaxina

  • Relaxina-2 é o hormônio circulante principal durante a gravidez — produzida pelo corpo lúteo a partir da implantação, com pico no 1.º trimestre (~12 semanas) e importante para a adaptação vascular e renal gestacional.
  • Relaxina aumenta a taxa de filtração glomerular em 40–50% na gravidez — via RXFP1 em células endoteliais e musculares renais, com ativação de NO e VEGF renal. É um dos principais mecanismos da hiperfiltração gestacional.
  • RXFP1 é um GPCR único — possui um domínio LDLa N-terminal atípico para GPCRs e sinaliza via Gs/Gi → ↑cAMP → ↑NO, além de ativar PI3K → ↓TGF-β/Smad3 → efeito antifibrótico.
  • Serelaxina melhorou dispneia no RELAX-AHF (p=0,007) e mostrou redução de mortalidade a 180 dias exploratoramente — mas RELAX-AHF-2, com mortalidade como desfecho primário e 6× mais pacientes, foi completamente neutro.
  • A lição metodológica de RELAX-AHF: desfechos exploratórios de fase 2 frequentemente são positivos por acaso — somente desfechos primários confirmados em fase 3 com poder estatístico adequado validam eficácia.
  • O efeito antifibrótico da relaxina é mediado por: ↑MMP-1/-2/-9 (degradação de colágeno) + ↓TIMP-1/-2 (inibidores de MMP) + ↓TGF-β/Smad3 (pró-fibrótico principal) — mecanismo de tripla ação em fibroblastos ativos.
  • Serelaxina por 24 semanas SC reduziu a fibrose de pele em esclerodermia sistêmica (Seibold 2000, Ann Intern Med) — resultado positivo, mas o desenvolvimento não avançou por dificuldades logísticas e mudança de estratégia empresarial.
  • Relaxina-3 (RLN3) via RXFP3 é um neuropeptídeo distinto — orexigênico, modulador de memória e ritmo circadiano; não deve ser confundido com a Relaxina-2 (RLN2) dos estudos cardiovasculares e antifibróticos.

Erros Comuns sobre Relaxina e Serelaxina

Erro 1 — Interpretar o resultado positivo do RELAX-AHF-1 como prova de eficácia de serelaxina em ICC aguda: o RELAX-AHF-1 tinha mortalidade como desfecho exploratório, não primário. O desfecho primário de dispneia (Likert) foi negativo — apenas o desfecho VAS (área sob a curva) foi positivo. O RELAX-AHF-2, com mortalidade como desfecho primário confirmado, foi completamente neutro — serelaxina não é uma terapia estabelecida para ICC aguda.

Erro 2 — Confundir serelaxina com relaxina endógena gestacional: serelaxina é RLN2 recombinante usada em doses farmacológicas IV (30 μg/kg/dia por 48h) — suprafisiológica. A relaxina endógena gestacional circula em concentrações nanomolares; os efeitos em ICC aguda foram investigados em doses bem acima das fisiológicas.

Erro 3 — Acreditar que a relaxina-3 tem relação com ICC ou fibrose: relaxina-3 (RLN3) via RXFP3 é um neuropeptídeo expresso no tronco cerebral com funções de regulação de apetite, estresse e memória — completamente distinto da relaxina-2 (RLN2/RXFP1) dos estudos cardiovasculares e antifibróticos.

Erro 4 — Subestimar o potencial antifibrótico da relaxina por causa do fracasso em ICC aguda: o fracasso em ICC aguda não invalida o mecanismo antifibrótico. Em modelos animais de fibrose hepática, renal, pulmonar e cardíaca, a relaxina mostra efeitos robustos. Formulações de longa ação (análogos pegilados, SC semanal) estão em desenvolvimento para fibrose crônica.

Erro 5 — Confundir INSL3 com relaxina por pertencerem à mesma família: INSL3 age via RXFP2 no gubernaculum fetal para a descida testicular, e na fertilidade masculina adulta. Deficiência de INSL3 ou RXFP2 está associada a criptorquidia — completamente diferente das funções cardiovasculares e gestacionais da relaxina-2.

Quando Procurar Avaliação Especializada em Relaxina e Condições Relacionadas

Insuficiência cardíaca aguda descompensada com congestão: serelaxina não é terapia aprovada, mas o manuseio de ICC aguda (diuréticos IV, vasodilatadores, correção de precipitantes) exige avaliação cardiológica urgente ou hospitalização. A avaliação inclui BNP/NT-proBNP, ecocardiograma e busca de causas precipitantes.

Fibrose hepática com suspeita de NASH/cirrose compensada: avaliação hepatológica com estadiamento de fibrose (elastografia hepática — FibroScan — ou biópsia) é indicada. Análogos de FGF-21 e relaxina estão em fase de pesquisa para fibrose hepática; hoje a abordagem inclui perda de peso, controle metabólico e, em NASH, medicamentos como semaglutida com evidência em fase 3.

Esclerodermia sistêmica (SSc) com fibrose cutânea progressiva: avaliação reumatológica especializada é indicada — serelaxina produziu melhora de fibrose cutânea em ensaio fase 2 (Seibold 2000), mas não há terapia aprovada baseada em relaxina; tratamentos atuais incluem micofenolato, ciclofosfamida e nintedanibe para fibrose pulmonar associada.

Adaptações gestacionais atípicas (pré-eclâmpsia, hiperfiltração renal excessiva): avaliação obstétrica especializada é indicada. A relaxina endógena modula parcialmente a vasodilatação renal gestacional — dados sobre sua dosagem e correlação com pré-eclâmpsia ainda são conflitantes e não têm utilidade clínica estabelecida.

Fibrose pulmonar idiopática (IPF): avaliação pneumológica com estadiamento é indicada — nintedanibe e pirfenidona são os tratamentos aprovados. Serelaxina para IPF está em pesquisa pré-clínica/piloto; análogos de relaxina de longa ação podem ser alternativas futuras, especialmente para pacientes intolerantes às terapias aprovadas.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é relaxina e qual é sua função na gravidez?+

Relaxina é um hormônio peptídeo da família insulina/IGF, produzido principalmente pelo corpo lúteo durante o 1.º trimestre. Na gravidez, relaxa o ligamento púbico (facilita o parto), dilata vasos renais (aumenta TFG em 40-50%), reduz a resistência vascular sistêmica (vasodilatação via NO) e promove o amolecimento do colo do útero. É responsável por parte das adaptações hemodinâmicas gestacionais como a ↓pressão arterial do 1.º/2.º trimestre.

O que foi o estudo RELAX-AHF?+

RELAX-AHF (Lancet 2013) foi um ensaio fase 3 com 1.161 pacientes com insuficiência cardíaca aguda, que avaliou serelaxina (relaxina-2 recombinante IV por 48h). Mostrou melhora de dispneia (desfecho primário VAS, p=0.007) e — surpreendentemente — redução de mortalidade a 180 dias (7.3% vs. 12.0%). Porém, RELAX-AHF-2 (n=6.600), que testou mortalidade como desfecho primário confirmatório, foi neutro — a Novartis descontinuou o programa.

Relaxina é antifibrótica?+

Sim — via RXFP1, a relaxina inibe TGF-β/Smad3 (principal pró-fibrótico), aumenta MMP-1/-2/-9 (degradação de colágeno) e reduz miofibroblastos ativos. Em modelos animais, mostra reversão de fibrose hepática (cirrose por CCl4), renal, pulmonar (bleomicina) e cardíaca. Em humanos, serelaxina por 24 semanas reduziu a fibrose de pele em esclerodermia sistêmica (estudo Seibold 2000). É um alvo em desenvolvimento para NASH com fibrose e fibrose pulmonar idiopática.

Relaxina-3 é diferente de Relaxina?+

Sim — Relaxina-3 (RLN3) é um neuropeptídeo ancestral expresso principalmente no nucleus incertus do tronco cerebral. Age via receptor RXFP3 (não RXFP1). Funções: regulação do apetite (orexigênico), ritmo circadiano, resposta ao estresse e formação de memória. É funcionalmente distinta da Relaxina-2 (RLN2), que é o hormônio circulante da gravidez e o alvo dos estudos em IC/fibrose.

Por que RELAX-AHF-1 foi positivo mas RELAX-AHF-2 foi neutro?+

RELAX-AHF-1 tinha dois desfechos primários de dispneia — apenas o desfecho VAS (escala visual analógica de área sob a curva D1-5) foi positivo; o Likert foi negativo. A redução de mortalidade a 180 dias foi um desfecho exploratório não planejado como primário. RELAX-AHF-2 foi desenhado especificamente para confirmar esse sinal de mortalidade com poder estatístico adequado (n=6.600) e foi completamente neutro. A conclusão: o sinal de mortalidade do RELAX-AHF-1 era provavelmente um resultado positivo por acaso — uma lição clássica de que desfechos exploratórios não confirmam eficácia.

Existe algum análogo de relaxina em desenvolvimento mais avançado?+

O programa de serelaxina em ICC aguda foi descontinuado pela Novartis após RELAX-AHF-2. O foco atual em relaxina está em formulações de longa ação para fibrose crônica (NASH, IPF, ICFEp com fibrose diastólica) e em small-molecule agonistas de RXFP1 que possam ser administrados oralmente. Empresas como Protagonist Therapeutics e outros grupos estão pesquisando RXFP1 agonistas de pequena molécula para superar a limitação da proteína injetável.

Relaxina tem papel no sistema imune?+

Sim — RXFP1 é expresso em linfócitos, macrófagos e mastócitos. Relaxina modula a resposta imune via ↑NO e ↓NF-κB → ↓produção de TNF-α, IL-6 e IL-1β. Em modelos de inflamação e choque séptico experimental, relaxina exerce efeitos anti-inflamatórios e protetores de barreira endotelial. Em doenças autoimunes com fibrose (como esclerodermia sistêmica), o efeito anti-inflamatório e antifibrótico combinados são o racional para o interesse terapêutico — mas sem terapia aprovada nessa indicação.

Referências Científicas

  1. Hisaw FL. Experimental relaxation of the pubic ligament of the guinea pig.. Proc Soc Exp Biol Med, 1926.
  2. Sherwood OD. Relaxin's physiological roles and other diverse actions.. Endocr Rev, 2004.
  3. Teerlink JR, et al. (RELAX-AHF Investigators). Serelaxin, recombinant human relaxin-2, for treatment of acute heart failure (RELAX-AHF): a randomised, placebo-controlled trial.. Lancet, 2013.
  4. Teerlink JR, et al. (RELAX-AHF-2 Investigators). Serelaxin in Patients with Acute Heart Failure.. NEJM, 2023.
  5. Seibold JR, et al. Randomised trial of recombinant human relaxin in systemic sclerosis.. Ann Intern Med, 2000.
  6. Wang Z, She G, Wang C et al. Serelaxin has greater anti-fibrotic potential than perindopril but maintains its anti-fibrotic efficacy in the presence of perindopril in normotensive mouse models of heart disease.. Life sciences, 2026.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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