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Klotho: O Que É e Por Que É Chamado de Proteína da Longevidade
← Blog·Anti-aging / Longevidade17 de junho de 2026· 8 min de leitura

Klotho: O Que É e Por Que É Chamado de Proteína da Longevidade

Klotho é uma proteína transmembrana e solúvel que age como co-receptor do FGF23. Camundongos sem Klotho envelhecem precocemente; com superexpressão, vivem 30% mais. Entenda por que ela é central na biologia do envelhecimento.

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Equipe Peptídeos Bio
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O Que É a Proteína Klotho

Klotho é uma proteína transmembrana de tipo I, codificada pelo gene KL no cromossomo 13q12 em humanos. O nome é uma referência à Cloto, uma das três Moiras da mitologia grega — a que tece o fio da vida — refletindo o papel central dessa proteína na determinação da longevidade. Foi descoberta em 1997 por Kuro-o et al. quando camundongos com mutação no gene Kl desenvolveram uma síndrome de envelhecimento acelerado (progéria), incluindo arteriosclerose, osteoporose, enfisema, atrofia de pele e infertilidade — mortos com poucas semanas. A proteína Klotho existe em duas formas principais: a forma transmembrana (mKlotho), ancorada na superfície celular, e a forma solúvel (sKlotho), liberada proteoliticamente pela ação de enzimas como ADAM10/17 e que circula no plasma, urina e líquor. Os rins, paratireoide e plexo coroide são os principais locais de expressão.

Klotho como Co-receptor do FGF23

A principal função molecular da Klotho transmembrana é servir como co-receptor obrigatório do FGF23 (Fator de Crescimento de Fibroblastos 23), um hormônio fosfatúrico produzido pelos osteócitos. O receptor canônico do FGF23 (FGFR1c) tem baixa afinidade por FGF23 na ausência de Klotho. A formação do complexo FGF23-Klotho-FGFR1c no túbulo renal proximal sinaliza para reduzir a reabsorção de fosfato e suprimir a síntese de vitamina D ativa (1,25-OH2-D3). Portanto, o eixo FGF23-Klotho é central na homeostasia de fósforo e cálcio. A deficiência de Klotho leva a hiperfosfatemia crônica, calcificação vascular e envelhecimento acelerado — reproduzindo em parte o fenótipo do camundongo KL-/. Esse mecanismo explica por que a sobrecarga de fósforo dietético tem sido associada ao declínio de Klotho e ao envelhecimento vascular acelerado.

Extensão da Longevidade: O Experimento Fundamental

O experimento que estabeleceu a Klotho como 'proteína da longevidade' foi publicado por Kurosu et al. em 2005 na Science. Nesse estudo, camundongos transgênicos que superexpressavam o gene Kl tiveram expectativa de vida estendida em aproximadamente 20–30% em comparação a controles selvagens. Esse aumento de longevidade foi acompanhado de melhoras em múltiplos parâmetros fisiológicos: melhor resistência à insulina, menor oxidação proteica, redução da peroxidação lipídica e atividade aumentada de enzimas antioxidantes. Os camundongos superexpressores também apresentaram menor incidência de arteriosclerose e melhor função renal ao envelhecer. Em contraste, os camundongos KL-/- (sem Klotho) desenvolvem síndrome progeroide com sobrevida de apenas 8–9 semanas. Essa dicotomia extrema é rara na biologia do envelhecimento e contribuiu para o intenso interesse na Klotho como alvo terapêutico.

Efeitos Neuroprotetores e Cognitivos

Além de seus efeitos sistêmicos sobre o metabolismo mineral e o envelhecimento vascular, a Klotho exerce efeitos neuroprotetores e cognitivos documentados. A forma solúvel de Klotho é detectável no líquor e se liga a gangliosídeos na superfície de neurônios, modulando a sinalização de insulina/IGF-1 e PI3K/Akt, que está implicada na sobrevivência neuronal e na resistência ao estresse oxidativo. Estudos em camundongos KL-/- mostram disfunção cognitiva pronunciada e degeneração do hipocampo. Em humanos, polimorfismos no gene KL associados a maior expressão de Klotho (como o alelo KL-VS) foram correlacionados com melhor desempenho cognitivo e menor risco de doença de Alzheimer em estudos epidemiológicos. Um estudo notável de Dubal et al. (2014) mostrou que a elevação de Klotho cerebral em camundongos melhorava a cognição independentemente do envelhecimento, sugerindo efeito agudo sobre plasticidade sináptica.

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  • 🔹 Declínio de Klotho com o Envelhecimento e Fatores Moduladores
  • 🔹 Klotho como Potencial Terapêutico e Estado da Pesquisa
Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Por que a Klotho é chamada de proteína da longevidade?+

Porque camundongos sem o gene Kl envelhecem prematuramente e morrem com poucas semanas, enquanto camundongos com superexpressão de Klotho vivem cerca de 20–30% mais que controles. Essa relação bidirecional com a longevidade é incomum e bem documentada.

Qual é a relação entre Klotho e FGF23?+

A Klotho transmembrana é o co-receptor obrigatório do FGF23, um hormônio que regula a excreção renal de fósforo e a produção de vitamina D ativa. Sem Klotho, o FGF23 não consegue sinalizar eficientemente, levando a hiperfosfatemia e calcificação vascular.

Os níveis de Klotho podem ser aumentados naturalmente?+

Estudos indicam que exercício aeróbico regular, restrição calórica e manutenção de níveis adequados de vitamina D podem contribuir para elevar os níveis séricos de Klotho. A doença renal crônica, diabetes e inflamação sistêmica reduzem os níveis de Klotho.

Klotho protege o cérebro?+

Sim. A Klotho solúvel é detectável no líquor, e estudos em humanos associam polimorfismos de ganho de função no gene KL a melhor cognição e menor risco de Alzheimer. Em modelos animais, elevação de Klotho cerebral melhora a plasticidade sináptica e reduz a patologia amiloide.

Referências Científicas

  1. Kuro-o M, Matsumura Y, Aizawa H, et al. Mutation of the mouse klotho gene leads to a syndrome resembling ageing. Nature, 1997. DOI: 10.1038/38088.Artigo original de descoberta da Klotho demonstrando envelhecimento acelerado em camundongos KL-/-.
  2. Kurosu H, Yamamoto M, Clark JD, et al. Suppression of aging in mice by the hormone Klotho. Science, 2005. DOI: 10.1126/science.1112766.Demonstra extensão de longevidade de 20–30% em camundongos com superexpressão de Klotho.
  3. Dubal DB, Yokoyama JS, Zhu L, et al. Life extension factor klotho enhances cognition. Cell Reports, 2014. DOI: 10.1016/j.celrep.2014.09.038.Mostra que a elevação de Klotho cerebral em camundongos melhora a cognição de forma independente da idade.
  4. Mencke R, Hillebrands JL. Klotho: a major shareholder in vascular aging enterprises. Ageing Research Reviews, 2017. DOI: 10.1016/j.arr.2017.08.006.Revisão do papel da Klotho no envelhecimento vascular e suas implicações terapêuticas.

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