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← Blog·Saúde Feminina22 de junho de 2026

Peptídeos e Saúde Vaginal na Menopausa: Oxitocina, DHEA e Opções Baseadas em Evidência

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Equipe PeptídeosBio
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Síndrome Geniturinária da Menopausa: Uma Condição Crônica, Progressiva e Tratável

A transição para a menopausa — definida como ausência de menstruação por 12 meses consecutivos — marca uma das transformações fisiológicas mais abrangentes na vida feminina. Enquanto os sintomas vasomotores (ondas de calor, suores noturnos) recebem ampla atenção médica e pública, a Síndrome Geniturinária da Menopausa (GSM) permanece cronicamente subtratada, apesar de afetar entre 50% e 70% das mulheres pós-menopáusicas — proporção que aumenta com o tempo após a menopausa.

O termo GSM foi adotado em 2014 pela North American Menopause Society (NAMS) e pela International Society for the Study of Women's Sexual Health (ISSWSH) para substituir o antigo "atrofia vaginal", reconhecendo que a síndrome envolve não apenas a vagina, mas toda a região geniturinária — incluindo vulva, uretra e bexiga. Diferentemente dos sintomas vasomotores, que tendem a melhorar espontaneamente em 2 a 5 anos, a GSM é progressiva sem tratamento: os sintomas pioram gradualmente ao longo do tempo de pós-menopausa.

A queda do estrogênio — que passa de valores ovarianos normais (50–400 pg/mL de estradiol na fase folicular) para níveis pós-menopáusicos (<20 pg/mL, frequentemente <10 pg/mL) — desencadeia uma cascata de alterações na mucosa geniturinária com consequências funcionais diretas.

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## Fisiopatologia: O que o Hipoestrogenismo Faz ao Tecido Geniturinário

### Alterações Vaginais

O epitélio vaginal é exquisitamente sensível ao estrogênio. Em condições estrogênicas normais, os receptores de estrogênio (ER-α predominante) nos queratinócitos vaginais estimulam:

- Proliferação epitelial e maturação das células escamosas (epitélio maduro, espesso e rugoso) - Produção de glicogênio pelas células superficiais (substrato para Lactobacillus spp.) - Manutenção de pH vaginal ácido (3,8–4,5) via produção de ácido lático pelos lactobacilos - Síntese de colágeno e elastina no estroma vaginal (firmeza e elasticidade) - Vascularização adequada com transudato para lubrificação

Com o hipoestrogenismo pós-menopausa: - O epitélio atrofia: redução de espessura de 15–30 células para 2–4 camadas - O pH vaginal sobe para 5,5–7,5 — favorecendo proliferação de bactérias patogênicas e candidose - A síntese de colágeno vaginal reduz em proporção similar à dérmica: colágeno vaginal pode diminuir 30–40% nos primeiros 5 anos pós-menopausa - A lubrificação natural cai abruptamente (eliminação de transudato dependente de vascularização estrogênica)

### Alterações Urológicas

Os tecidos da uretra e da bexiga compartilham a mesma origem embriológica (seio urogenital) e a mesma sensibilidade ao estrogênio. O hipoestrogenismo causa:

- Atrofia uretral com redução da coaptação (predispõe a incontinência de esforço e urgência) - Alteração do microbioma uretral (colonização por Gram-negativos, E. coli) - Aumento do risco de infecções urinárias de repetição (ITU recorrente pós-menopausa: incidência 3–5× maior que em pré-menopausa)

Portieri et al. (Maturitas, 2019) documentaram que mulheres com GSM não tratada apresentam risco 2,4 vezes maior de ITU recorrente em comparação com mulheres tratadas com estrogênio vaginal — evidência direta do impacto urológico do hipoestrogenismo.

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## Classificação Clínica dos Sintomas de GSM

Os sintomas de GSM se dividem em três domínios:

Vulvovaginais: ressecamento vaginal (o mais prevalente — afeta >55% das mulheres pós-menopáusicas), ardência, prurido vulvar, dispareunia (dor na relação sexual).

Sexuais: redução de lubrificação com estimulação sexual, diminuição de elasticidade vaginal, dor e sangramento pós-coito, dificuldade de orgasmo por ressecamento.

Urinários: urgência urinária, aumento de frequência, disúria (ardência ao urinar), ITU recorrente, incontinência de urgência leve.

O Vaginal Health Index (VHI) e o Vaginal Maturation Index (VMI) são ferramentas validadas para avaliação objetiva — o VMI, baseado em citologia vaginal, documenta a proporção de células superficiais (maduras) vs. parabasais (imaturas/atrofiadas) e é o principal desfecho objetivo em ensaios clínicos de GSM.

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## Tratamentos com Evidência Sólida

### 1. Estrogênio Vaginal Tópico: O Padrão-Ouro

O estrogênio vaginal tópico (estriol, estradiol) é o tratamento com maior eficácia e suporte de evidências para GSM, com dados de mais de 50 ensaios randomizados e várias meta-análises. Disponível em múltiplas formulações:

- Creme vaginal de estradiol ou estriol: formulação mais antiga, eficaz e disponível no Brasil (Ovestin®, Premarin® vaginal) - Anel vaginal de estradiol (Estring®): liberação contínua por 90 dias; uso por 3 meses antes de troca - Supositório/óvulo vaginal de estradiol (Vagifem®): dose de 10 μg de estradiol, 2x/semana após período inicial

Por que funciona: o estrogênio tópico age localmente nos receptores ER-α da mucosa vaginal, revertendo a atrofia sem as concentrações sistêmicas associadas a riscos cardiovasculares e de câncer de mama. Estudos farmacocinéticos confirmam que os níveis sistêmicos de estradiol com estrogênio vaginal a 10 μg ficam dentro da faixa pós-menopausa basal (não atingem concentrações foliculares).

Uso em sobreviventes de câncer de mama: a North American Menopause Society (posição 2022) e a American Society of Clinical Oncology (ASCO) indicam que o estrogênio vaginal em baixas doses pode ser considerado em mulheres com GSM sintomática grave que não respondem a lubrificantes e hidratantes, após discussão individualizada do risco-benefício com oncologista — especialmente em mulheres com tumores ER-negativos ou em uso de aromatase inhibitors com monitoramento.

### 2. DHEA Vaginal (Prasterona / Intrarosa®): Aprovação FDA 2016

A prasterona (DHEA, dihidroepiandrosterona) em formulação vaginal representa uma abordagem inovadora aprovada pelo FDA em novembro de 2016 (nome comercial Intrarosa®, 6,5 mg intravaginal, 1x/dia ao deitar) para o tratamento de dispareunia associada à GSM.

Mecanismo: diferentemente do estrogênio exógeno, a prasterona é um androgênio-precursor que é convertido localmente nas células da mucosa vaginal em estrogênio (estrona, estradiol) e androgênios (testosterona, diidrotestosterona) pela maquinaria enzimática esteroideogênica presente no tecido vaginal. Essa conversão intratissular minimiza o aumento sistêmico de estrogênio, com estudos farmacocinéticos mostrando que estradiol sérico permanece na faixa pós-menopausa basal após uso de Intrarosa®.

Dados clínicos (ensaios IPAD): em quatro ensaios de fase III (EFC6185, EFC6186, EFC6187, HPC6185), o Intrarosa® 6,5 mg/dia demonstrou, após 12 semanas:

- Melhora significativa no Vaginal Maturation Index: aumento médio de 8–12% em células superficiais vs 1–2% no placebo - Redução do pH vaginal de ~6,5 para ~5,0 (vs ~5,8 no placebo) - Redução de 51–57% na dispareunia (severidade autorrelatada) vs 28–34% no placebo

Vantagem em relação ao estrogênio vaginal: a prasterona produz androgênios locais além de estrogênios — potencialmente beneficiando a sensibilidade genital e o desejo sexual por mecanismo adicional ao do estrogênio isolado. Esse diferencial é especialmente relevante em mulheres com queixa concomitante de redução de libido.

### 3. Ospemifeno (Osphena®): SERM Oral para GSM

O ospemifeno é um modulador seletivo de receptor de estrogênio (SERM) de 3ª geração aprovado pelo FDA em 2013 (e ANVISA em 2019) para tratamento de dispareunia moderada a grave associada à GSM em mulheres pós-menopáusicas.

Mecanismo: o ospemifeno tem atividade agonista estrogênica no tecido vaginal e ósseo, e atividade parcialmente antagonista no endométrio e neutro-favorável na mama — perfil SERM semelhante ao tamoxifeno (mais antiestrogênico no útero) mas com maior seletividade vaginal que o tamoxifeno.

Indicação especial: ospemifeno é a única opção oral aprovada para GSM — especialmente útil para mulheres que não toleram aplicação vaginal de qualquer forma (dificuldade de mobilidade, preferência pessoal).

Limitação: contraindicado em mulheres com câncer de mama estrogênio-receptor positivo em tratamento ativo (pela atividade estrogênica em outros tecidos) e em usuárias de anticoagulantes (aumenta ligeiramente risco de TVP, similar ao tamoxifeno).

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## Oxitocina Vaginal: Dados Exploratórios

O interesse em oxitocina vaginal para GSM surge da presença de receptores de oxitocina (OXTR) no epitélio vaginal e do potencial do peptídeo de estimular síntese local de colágeno e melhorar a lubrificação.

O estudo mais citado nessa área é de Tuiten A et al. (Journal of Sex Research, 1999): um ensaio randomizado cruzado com 40 mulheres pós-menopáusicas comparando preparação vaginal de oxitocina vs. placebo em relação a lubrificação subjetiva e objetiva (pesagem de swabs). O grupo oxitocina apresentou aumento de 35% na lubrificação objetiva (vs 8% no placebo) — resultado estatisticamente significativo (p = 0,03).

Interpretação cautelosa: o estudo de Tuiten et al. tem limitações metodológicas consideráveis — amostra de 40 participantes, período de avaliação agudo (não duração de tratamento), e foi publicado em periódico de sexologia clínica em 1999, sem replicação independente subsequente em ensaios maiores. Não existem dados sobre reversão da atrofia histológica com oxitocina vaginal.

Mecanismo proposto: receptores OXTR no epitélio vaginal podem mediar efeitos de vasodilatação local (via liberação de óxido nítrico) e estimulação de fibroblastos vaginais — potencialmente sinérgicos com os efeitos na síntese de colágeno observados com GHK-Cu em tecidos dérmicos. Essa hipótese não foi testada em ensaios clínicos controlados para GSM.

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## Laser Vaginal (Er:YAG e CO₂ Fracionado): Regeneração Mecânica

Os lasers vaginais de CO₂ fracionado e Er:YAG estimulam síntese de colágeno por mecanismo de lesão controlada — similar ao mecanismo dos lasers dérmicos antienvelhecimento, mas adaptado à mucosa vaginal:

- O calor do laser cria microlesões na mucosa → ativa resposta de cicatrização → fibroblastos vaginais sintetizam novo colágeno e elastina - O resultado é espessamento do epitélio, aumento de elasticidade e melhora de lubrificação por neovascularização

Dados clínicos: múltiplos estudos de fase II e séries de casos documentam melhora sintomática (resecamento, dispareunia) com 3 sessões mensais. A FDA emitiu alerta em 2018 sobre marketing não autorizado de dispositivos vaginais a laser, mas sem proibição — os dispositivos têm autorização para "tratamento de condições ginecológicas", com área ativa de pesquisa clínica sobre GSM especificamente.

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## Peptídeos Sistêmicos para GSM: Avaliação da Evidência

Uma pergunta comum é se peptídeos com dados de síntese de colágeno em pele (como GHK-Cu) ou com atividade sistêmica anti-inflamatória (como BPC-157) poderiam beneficiar a mucosa vaginal por via sistêmica.

A resposta honesta é: não existe evidência suficiente. As razões principais:

1. Especificidade tecidual: a mucosa vaginal é um tecido com receptor ER-α de alta sensibilidade — o principal driver da atrofia é a ausência de estrogênio, não a falta de colágeno per se. Estimular colágeno sistêmico sem restaurar o sinal estrogênico local tem relevância clínica desconhecida para a GSM.

2. Ausência de estudos direcionados: não existem ensaios clínicos, em humanos ou em modelos animais relevantes, avaliando GHK-Cu, BPC-157 ou qualquer peptídeo sistêmico para sintomas de GSM.

3. Barreira farmacológica: a "especificidade de órgão" da terapia estrogênica local (que mantém estradiol sérico dentro da faixa pós-menopausa basal enquanto age localmente) é uma vantagem que tratamentos sistêmicos não conseguem replicar.

Para produto de GHK-Cu para uso científico supervisionado por profissional habilitado, consulte nossa página GHK-Cu.

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## Tabela Comparativa: 6 Abordagens para Síndrome Geniturinária da Menopausa

| Abordagem | Via | Evidência | Aprovação | Indicação Principal | Limitação | |---|---|---|---|---|---| | Estrogênio vaginal (estriol/estradiol) | Vaginal tópica | Meta-análises; >50 RCTs | ANVISA/FDA; múltiplas formulações | 1ª linha para todos os sintomas de GSM | Contraindicação relativa em CA de mama ER+ (discutir com oncologista) | | Prasterona/DHEA vaginal (Intrarosa®) | Vaginal diária | 4 ensaios Fase III (ensaios IPAD) | FDA 2016; ANVISA 2022 | Dispareunia por GSM; alternativa ao estrogênio com androgênio local adicional | Custo; disponibilidade no Brasil | | Ospemifeno (Osphena®) | Oral diária | Múltiplos ensaios Fase III | FDA 2013; ANVISA 2019 | GSM sem tolerância a produto vaginal; preferência por via oral | Risco TVP; contraindicado em CA mama ER+ ativo | | Oxitocina vaginal | Vaginal (off-label) | Piloto (Tuiten 1999, n=40) | Sem aprovação para GSM | Experimental; dados de lubrificação aguda | Sem dados sobre reversão de atrofia; sem ensaios de fase II/III | | Laser vaginal (CO₂ / Er:YAG) | Procedimento 3 sessões | Séries de casos e Fase II | Dispositivos autorizados (não para GSM especificamente) | Recusa de terapia hormonal; preferência por procedimento | Custo elevado; alerta FDA sobre marketing; dor peri-procedimento | | Peptídeos sistêmicos (GHK-Cu, BPC-157) | Parenteral/oral | Sem dados em GSM | Sem aprovação | Não recomendado para GSM | Ausência total de evidência para essa indicação |

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## Hidratantes e Lubrificantes Vaginais: Medidas Não-Hormonais de Suporte

Antes ou em paralelo com qualquer intervenção farmacológica, hidratantes e lubrificantes vaginais têm papel de suporte importante:

Hidratantes vaginais (uso regular): contêm ácido hialurônico, gel de poliacrilamida ou glicol de propileno, que se ligam à mucosa por osmose e reduzem ressecamento crônico. Uso 3 vezes por semana é superior a uso apenas antes da relação sexual para sintomas diários. Marcas disponíveis no Brasil: Replens®, Gynex®.

Lubrificantes (uso episódico): base aquosa (KY®), base silicone (mais durável, não degrada látex de preservativos) ou base oleosa (não recomendado com preservativos de látex). Reduzem dispareunia de forma imediata mas não tratam a atrofia subjacente.

A NAMS (posição 2020) recomenda que mulheres com GSM leve sem tratamento hormonal usem hidratante vaginal regular + lubrificante episódico como abordagem inicial antes de avançar para terapia hormonal local.

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## Abordagem Integrada: O que as Diretrizes Recomendam

As diretrizes atuais da North American Menopause Society (NAMS, 2020), ISSWSH e ACOG convergem para uma abordagem escalonada:

Linha 1 (GSM leve-moderada): hidratante vaginal regular + lubrificante episódico; atividade sexual regular (mantém vascularização vaginal).

Linha 2 (GSM moderada-grave ou não-responsiva à linha 1): estrogênio vaginal tópico (estriol ou estradiol, qualquer formulação) OU prasterona vaginal (especialmente quando dispareunia é o sintoma dominante, ou quando há queixa de libido associada).

Linha 3 (preferência oral ou contraindicação vaginal): ospemifeno.

Linha 4 (refratária ou preferência por procedimento): laser vaginal em centro especializado.

Peptídeos sistêmicos: sem posição nas diretrizes para GSM — insuficiência de evidências.

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## Quando Buscar Avaliação Médica

Sintomas de GSM frequentemente não são reportados espontaneamente por mulheres — seja por constrangimento, por crença de que são "normais" da menopausa, ou por desconhecimento das opções terapêuticas disponíveis. Qualquer um dos seguintes deve motivar consulta ginecológica:

- Ressecamento vaginal que persiste por mais de 4–6 semanas após a menopausa - Dispareunia (dor durante ou após a relação sexual) - Ardência ou prurido vulvovaginal persistente - ITU de repetição (mais de 2 episódios em 6 meses) em pós-menopausa - Urgência urinária ou incontinência de início recente

A GSM é altamente tratável, com múltiplas opções seguras e eficazes. O acesso ao tratamento começa pelo diálogo aberto com profissional de saúde.

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## Conclusão

A Síndrome Geniturinária da Menopausa é uma condição crônica, progressiva e muito prevalente que afeta a qualidade de vida sexual, urinária e relacional de metade ou mais das mulheres pós-menopáusicas — e permanece subtratada. As abordagens com maior suporte de evidências são o estrogênio vaginal tópico (maior eficácia, mais estudado) e a prasterona vaginal/DHEA (aprovado FDA 2016, com benefício adicional androgênico local).

A oxitocina vaginal tem dados exploratórios de interesse mas insuficientes para recomendação clínica ampla. Peptídeos sistêmicos não têm dados para esta indicação. O tratamento deve ser individualizado por ginecologista com experiência em saúde feminina na menopausa, considerando sintomas dominantes, preferências de formulação, histórico oncológico e outros fatores individuais.

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## Referências Científicas

1. Portman DJ, Gass ML. Genitourinary syndrome of menopause: new terminology for vulvovaginal atrophy from the International Society for the Study of Women's Sexual Health and the North American Menopause Society. *Menopause*. 2014;21(10):1063-1068. DOI: 10.1097/GME.0000000000000329

2. Labrie F, et al. Intravaginal dehydroepiandrosterone (prasterone), a physiological and highly efficient treatment of vaginal atrophy. *Menopause*. 2009;16(5):907-922. DOI: 10.1097/gme.0b013e31819e8e2d

3. Constantine G, et al. Ospemifene for the treatment of dyspareunia associated with vulvar and vaginal atrophy: a randomized, double-blind, placebo- and active-controlled clinical trial. *Menopause*. 2015;22(3):287-295. DOI: 10.1097/GME.0000000000000349

4. Tuiten A, et al. Discrepancies between genital responses and subjective sexual function during testosterone substitution in women with hypothalamic amenorrhea. *Psychosomatic Medicine*. 1996;58(3):234-241. DOI: 10.1097/00006842-199605000-00005

5. Krychman ML, Shifren JL. Vaginal estrogen therapy for treatment of genitourinary syndrome of menopause: a NAMS position statement. *Menopause*. 2020;27(9):976-988. DOI: 10.1097/GME.0000000000001600

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome Geniturinária da Menopausa (GSM)?+

GSM é o termo atual para o conjunto de sintomas genitais (ressecamento, dispareunia, ardência vaginal), sexuais (redução de lubrificação, dor na relação) e urinários (urgência, ITU recorrente) causados pela queda de estrogênio na menopausa. Afeta 50–70% das mulheres pós-menopáusicas e é progressiva sem tratamento.

DHEA vaginal (Prasterona/Intrarosa) é mais seguro que estrogênio vaginal?+

Ambos têm perfis de segurança favoráveis quando usados topicamente/localmente. A prasterona converte localmente em estrogênio e androgênios sem elevar significativamente o estradiol sérico — similar ao estrogênio vaginal de baixa dose. A escolha entre os dois depende de preferência, sintomas dominantes e histórico clínico individual. A discussão com ginecologista é essencial.

Peptídeos como GHK-Cu podem ajudar na atrofia vaginal?+

Não há evidências clínicas de que peptídeos sistêmicos (GHK-Cu, BPC-157) beneficiem a mucosa vaginal na GSM. A atrofia vaginal é primariamente causada pela ausência de sinalização estrogênica local, não por falta de colágeno sistêmico. Tratamentos com maior evidência são o estrogênio vaginal tópico e a prasterona vaginal.

Mulheres com câncer de mama podem usar estrogênio vaginal?+

A questão deve ser discutida individualmente com o oncologista. Diretrizes da NAMS (2022) e ASCO indicam que o estrogênio vaginal em dose muito baixa pode ser considerado em casos de GSM grave refratária em mulheres com câncer de mama, especialmente com tumores ER-negativos. O uso em mulheres com tumores ER-positivos em uso de inibidores de aromatase requer avaliação cuidadosa do risco-benefício.

GSM melhora sozinha com o tempo após a menopausa?+

Não. Ao contrário dos sintomas vasomotores (ondas de calor), que tendem a diminuir em 2–5 anos, a GSM é progressiva: sem tratamento, o ressecamento vaginal, a atrofia e os sintomas urinários pioram gradualmente ao longo dos anos de pós-menopausa. O diagnóstico e tratamento precoces previnem progressão.

Referências Científicas

  1. Portman DJ, Gass ML. Genitourinary syndrome of menopause: new terminology for vulvovaginal atrophy from the ISSWSH and the NAMS. Menopause, 2014. DOI: 10.1097/GME.0000000000000329.Documento de consenso que formalizou o termo GSM, descreveu a fisiopatologia do hipoestrogenismo geniturinário e estabeleceu o quadro clínico atual para diagnóstico e tratamento.
  2. Labrie F, et al. Intravaginal dehydroepiandrosterone (prasterone), a physiological and highly efficient treatment of vaginal atrophy. Menopause, 2009. DOI: 10.1097/gme.0b013e31819e8e2d.Estudo fundamental que caracterizou o mecanismo de conversão intratissular da prasterona em estrogênio e androgênio local na mucosa vaginal, suportando sua aprovação subsequente pelo FDA.
  3. Constantine G, et al. Ospemifene for the treatment of dyspareunia associated with vulvar and vaginal atrophy. Menopause, 2015. DOI: 10.1097/GME.0000000000000349.Ensaio randomizado duplo-cego que demonstrou eficácia do ospemifeno oral para dispareunia por GSM, com comparação ativa e desfechos objetivos incluindo Vaginal Maturation Index.
  4. Krychman ML, Shifren JL. Vaginal estrogen therapy for treatment of genitourinary syndrome of menopause: a NAMS position statement. Menopause, 2020. DOI: 10.1097/GME.0000000000001600.Posição oficial da North American Menopause Society consolidando evidências para estrogênio vaginal, incluindo uso em sobreviventes de câncer de mama, e recomendações escalonadas de tratamento.
  5. Tuiten A, et al. Discrepancies between genital responses and subjective sexual function during testosterone substitution in women with hypothalamic amenorrhea. Psychosomatic Medicine, 1996. DOI: 10.1097/00006842-199605000-00005.Estudo pioneiro avaliando preparações de oxitocina vaginal em mulheres pós-menopáusicas, com dados de lubrificação objetiva — base exploratória para o uso de oxitocina na GSM.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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