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← Blog·peptideos08 de julho de 2026· 12 min de leitura

Vancomicina, glicopeptídeos e polimixinas — MRSA, VRE e Gram-negativos multirresistentes: mecanismo, monitoramento e colistina de último recurso

Vancomicina (glicopeptídeo) inibe a síntese do peptidoglicano ligando-se ao D-Ala-D-Ala do precursor → bactericida contra MRSA e Enterococcus. Teicoplanina e dalbavancina são alternativas de longa duração. Polimixinas (colistina/polimixina B) são lipopeptídeos que desestabilizam a membrana externa de Gram-negativos MDR (Acinetobacter, KPC, NDM) como antibióticos de último recurso. Monitoramento de nível (AUC/MIC) da vancomicina é obrigatório.

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BioPeptídeos Editorial
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Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Por que é importante monitorar o nível sérico de vancomicina?+

Vancomicina tem janela terapêutica estreita — a concentração precisa estar alta o suficiente para matar as bactérias (especialmente MRSA) mas não tão alta que cause toxicidade renal ou auditiva. O conceito moderno de monitoramento de vancomicina mudou do simples monitoramento de vale (concentração antes da próxima dose) para a relação AUC/MIC (Área Sob a Curva dividida pela Concentração Inibitória Mínima da bactéria), recomendada desde o guideline conjunto ASHP/IDSA de 2020. O alvo AUC/MIC de 400-600 mg·h/L foi derivado de estudos que mostraram: abaixo de 400 → maior taxa de falha terapêutica em MRSA; acima de 600 → nefrotoxicidade aumenta sem benefício extra. Calcular a AUC requer coletar 2 concentrações (pico 1-2h após início da infusão + vale antes da próxima dose) e usar software de farmacocinética bayesiana. Na prática de muitos hospitais brasileiros onde o software bayesiano não está disponível, ainda se usa o monitoramento de vale: para MRSA grave (pneumonia, bacteremia, endocardite): vale alvo 15-20 μg/mL; para infecções menos graves: 10-15 μg/mL. Quando monitorar: colher o primeiro vale antes da 4ª dose (em regime de dose a cada 6h) ou antes da 3ª dose (a cada 8h) — tempo para atingir estado estacionário. Se o vale estiver fora do alvo, ajustar a dose ou o intervalo e repetir o nível após 2-3 doses do novo regime. Em pacientes com função renal variável (UTI, sepse, hipovolemia, uso de contrastes), monitorar creatinina e vale a cada 48-72h. A combinação de vancomicina com piperacilina-tazobactam deve ser evitada sempre que possível pois estudos observacionais mostram aumento de 4-5x na incidência de injúria renal aguda comparado a cada fármaco isolado.

Colistina ainda é segura de usar? Quais são as alternativas?+

Colistina é de fato tóxica — nefrotoxicidade ocorre em 30-60% dos pacientes — mas em infecções por organismos pan-resistentes (como Acinetobacter baumannii MDR, KPC ou NDM produtores), muitas vezes é a única opção disponível, e o risco de não tratar (mortalidade de 50-80% em bacteremia por Gram-negativo MDR sem tratamento eficaz) supera os efeitos adversos do fármaco. Como minimizar a toxicidade da colistina: manter hidratação adequada; evitar combinar com outros nefrotóxicos (aminoglicosídeos, anfotericina, AINEs, contrastes radiológicos); monitorar creatinina diariamente; usar na menor dose eficaz; as combinações sinérgicas com carbapenêmicos (meropenem em infusão prolongada) ou com rifampicina podem permitir reduzir a dose de colistina; nunca usar colistina em monoterapia se possível (resistência pode surgir rapidamente). Alternativas à colistina que têm surgido: Ceftazidima-avibactam (Avycaz®): cobre KPC (carbapenemase serina-dependente) mas NÃO cobre NDM (metalo-β-lactamase); já disponível no Brasil via importação; Ceftolozano-tazobactam (Zerbaxa®): excelente para Pseudomonas MDR mas não para Acinetobacter ou carbapenemase-produtores; Imipenem-cilastatina-relebactam (Recarbrio®) e Meropenem-vaborbactam (Vabomere®): cobrem KPC; Aztreonam-avibactam (Azevtra®, em aprovação): cobertura de NDM (o avibactam inibe as ESBL/KPC que degradariam o aztreonam, que não é degradado por NDM); Cefiderocol (Fetroja®): sideróforo-cefalosporina que entra na bactéria via receptores de ferro → cobertura pan-resistente incluindo Acinetobacter MDR, NDM e OXA; aprovado FDA 2019. Essas novas opções devem ser reservadas para infecções documentadas por organismos resistentes às terapias convencionais e usadas em guia de antimicrobianos hospitalar.

Referências Científicas

  1. Rybak MJ, Le J, Lodise TP, et al. (ASHP/IDSA/SIDP vancomycin monitoring guideline 2020) Therapeutic monitoring of vancomycin for serious methicillin-resistant Staphylococcus aureus infections: A revised consensus guideline and review by the American Society of Health-System Pharmacists, the Infectious Diseases Society of America, the Pediatric Infectious Diseases Society, and the Society of Infectious Diseases Pharmacists. Am J Health Syst Pharm, 2020.
  2. Falagas ME, Kasiakou SK. (Colistin: the revival of polymyxins for management of multidrug-resistant Gram-negative bacterial infections — review) Colistin: the revival of polymyxins for the management of multidrug-resistant gram-negative bacterial infections. Clin Infect Dis, 2005.
  3. Bassetti M, Peghin M, Vena A, et al. (Treatment of infections due to MDR Gram-negative bacteria — review 2019) Treatment of Infections Due to MDR Gram-Negative Bacteria. Front Med (Lausanne), 2019.
  4. Murray BE, Arias CA, Bhatt DL. (Staphylococci, streptococci and enterococci — Harrison principles) Enterococcal infections — current treatment and resistance mechanisms. Clin Infect Dis, 2014.
  5. Fenniri I, Bispo PJM, Andre C In vivo tolerability of topical telavancin versus vancomycin in a murine ocular model. The Journal of antimicrobial chemotherapy, 2026.O estudo comparou tolerabilidade ocular de telavancina versus vancomicina, ilustrando diferenças dentro da classe dos glicopeptídeos no tratamento de infecções por MRSA.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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