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← Blog·peptideos02 de julho de 2026· 14 min de leitura

Sertralina, escitalopram, fluoxetina e venlafaxina — ISRS e IRSN em depressão e ansiedade: mecanismo de recaptação, indicações, síndrome serotonérgica e descontinuação

ISRSs (sertralina/escitalopram/fluoxetina) inibem o transportador SERT → mais serotonina na fenda sináptica → adaptação de receptores 5-HT em semanas. Venlafaxina e duloxetina (IRSN) também inibem NET (norepinefrina) → mais eficazes em dor crônica neuropática e ansiedade. Síndrome serotonérgica (excesso de 5-HT): hipertermia, clonus, agitação, diaforese — tratada com ciproeptadina. Síndrome de descontinuação ao parar abruptamente, especialmente paroxetina e venlafaxina.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Neurotransmissão serotonérgica e mecanismo dos ISRS/IRSN

Serotonina (5-HT — 5-Hidroxitriptamina): monoamina derivada do triptofano; sintetizada por neurônios do núcleo dorsal da rafe (tronco encefálico) que projetam para córtex pré-frontal, sistema límbico, hipocampo, hipotálamo, cerebelo e medula espinhal. Fora do SNC: 90% da serotonina corporal está nas células enterocromafins do intestino e nas plaquetas.

Neurotransmissão sináptica de 5-HT (ciclo completo):

  1. Triptofano → 5-HTP (por TPH1/TPH2 — triptofano-hidroxilase) → 5-HT (por DOPA-descarboxilase/AAAD)
  2. 5-HT armazenada em vesículas (por VMAT2 — vesicular monoamine transporter 2)
  3. Potencial de ação → fusão vesicular → 5-HT na fenda sináptica
  4. 5-HT liga receptores pós-sinápticos (5-HT1A, 5-HT2A, 5-HT3, 5-HT4, etc.)
  5. SERT (serotonin transporter, SLC6A4) recapta 5-HT para dentro do neurônio pré-sináptico → termina o sinal
  6. 5-HT recaptada → reutilizada ou degradada por MAO-A → 5-HIAA
  7. Auto-receptores pré-sinápticos (5-HT1A no soma/dendritos e 5-HT1B/1D no terminal) → mecanismo de autorregulação: quando 5-HT extracelular sobe, ativa auto-receptores → inibe síntese e liberação de 5-HT (freio de segurança)

Mecanismo dos ISRSs (Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina):

  • ISRSs bloqueiam o SERT → 5-HT não é recaptada → permanece mais tempo na fenda → amplificação do sinal serotonérgico
  • Por que demora 2-4 semanas para efeito antidepressivo?: no curto prazo (dias), a 5-HT extra na fenda ativa os auto-receptores 5-HT1A somatodendríticos → os neurônios da rafe disparam MENOS (retroalimentação negativa) → a quantidade de 5-HT liberada cai → menos ganho líquido de 5-HT; com o tempo (semanas), os auto-receptores 5-HT1A se dessensibilizam (desregulamse) → a capacidade de freio diminui → os neurônios voltam a disparar + o SERT ainda está inibido → agora há MAIS 5-HT na fenda sináptica → efeito antidepressivo pleno
  • Mecanismo neurobiológico adicional: serotonina estimula neurogênese hipocampal (aumento de BDNF via 5-HT → proliferação de neurônios no giro denteado); hipótese neuroplástica da depressão e dos antidepressivos (complementar à hipótese monoaminérgica)

Mecanismo dos IRSNs (Inibidores de Recaptação de Serotonina e Noradrenalina):

  • Inibem SERT + NET (norepinephrine transporter) → mais serotonina E mais noradrenalina na fenda sináptica
  • Noradrenalina adicional tem papéis: analgesia descendente (via vias noradrenérgicas da medula espinhal que inibem transmissão de dor) → explica eficácia em dor neuropática crônica; atenção e vigor; via α1 → vasoconstrição leve (aumento de PA observado com venlafaxina em doses altas)
  • A inibição de NET é dose-dependente com venlafaxina: dose baixa (37.5-75 mg) → ISRS puro; dose moderada (150 mg) → IRSN com contribuição NET; dose alta (225+ mg) → IRSN pleno

Hipótese monoaminérgica da depressão (simplificada): deficiência de serotonina, noradrenalina e/ou dopamina no SNC causaria depressão; antidepressivos aumentam essas monoaminas → tratamento. Limitações: nem todos os pacientes respondem; o atraso de 2-4 semanas não é explicado apenas pelo aumento imediato de 5-HT; a depressão envolve circuitos, plasticidade neuronal, inflamação e múltiplos sistemas de neurotransmissão além das monoaminas

ISRSs — sertralina, escitalopram, fluoxetina, paroxetina e seus perfis clínicos

Sertralina (Zoloft® — Pfizer; Tolrest®, Serenata® — genérico):

  • ISRS de primeira escolha mais prescrito mundialmente; boa evidência em depressão maior, TAG, TOC, TEPT, fobia social, transtorno do pânico
  • Dose: 50 mg/dia (início), aumento a cada 2-4 semanas → 100-200 mg/dia
  • Vantagem: pouco inibidor de CYP450 (CYP2D6 inibidor fraco/moderado) → menos interações; longa meia-vida (26h) mas sem metabólitos ativos relevantes → descontinuação mais fácil que paroxetina; segurança em gravidez (maior evidência de segurança entre os ISRSs — primeira escolha na depressão gestacional); bom perfil em cardiopatas (segurança em pós-IAM — SADHART trial)
  • Desvantagem: maior tendência a diarreia que outros ISRSs

Escitalopram (Lexapro® — Lundbeck/Forest; Reconter® — EMS; genérico):

  • S-enantiômero do citalopram; o ISRS mais seletivo para SERT com menor ação em outros receptores → geralmente o mais bem tolerado
  • Dose: 10-20 mg/dia; início com 5-10 mg em ansiosos (a seletividade pelo SERT torna o início mais suave que fluoxetina ativadora)
  • Indicações: depressão maior, TAG (primeira escolha), transtorno do pânico, fobia social; boa evidência em idosos (tolerado bem em > 65 anos)
  • Vantagem: mínimas interações farmacológicas (CYP2C19 inibidor fraco); bom na ansiedade generalizada
  • Citalopram (Cipramil® — Lundbeck): racemato; 20-40 mg/dia; associado a prolongamento de QTc dose-dependente → limite de 40 mg/dia (20 mg em idosos, hepatopatas, uso de CYP2C19 inibidores); escitalopram é preferido

Fluoxetina (Prozac® — Eli Lilly; genérico):

  • Primeiro ISRS (aprovado 1987); meia-vida muito longa da fluoxetina (1-4 dias) + metabólito ativo norfluoxetina (meia-vida 4-16 dias!) → estado estacionário demora 4-6 semanas; mas a vantagem é que a descontinuação é mais suave (auto-desmame)
  • Dose: 20-60 mg/dia; 10 mg/dia inicial em ansiosos e idosos
  • Indicações: depressão maior, bulimia nervosa (única ISRS aprovada para bulimia — 60 mg/dia), TOC, transtorno do pânico, TEPT, disforia pré-menstrual (fluoxetina 20-60 mg/dia só nos 14 dias antes da menstruação — Sarafem® nos EUA)
  • Inibidor de CYP2D6 (significativo): eleva níveis de tricíclicos, antipsicóticos, opioides (codeína — inibe conversão para morfina), tamoxifeno (reduz eficácia), propranolol → várias interações importantes
  • Ativação/estimulação inicial (mais que outros ISRSs) → começar com dose baixa em pacientes com ansiedade intensa

Paroxetina (Paxil® — GSK; Pondera® — EMS; genérico):

  • ISRS + propriedades anticolinérgicas (bloqueia receptor muscarínico M1) + anti-histamínico (H1) → mais sedativo e causa mais ganho de peso que outros ISRSs; mais anticolinérgico → constipação, boca seca, retenção urinária, confusão em idosos
  • Dose: 20-60 mg/dia; meia-vida curta (21h) sem metabólito ativo
  • Maior risco de síndrome de descontinuação de todos os ISRSs (meia-vida curta + alta potência de inibição do SERT + ação anticolinérgica → descontinuação abrupta causa síndrome aguda intensa); reduzir lentamente
  • Inibidor de CYP2D6 potente → mais interações
  • Não recomendado na gravidez (dados de associação com malformações cardíacas fetais — mais controverso mas causa precaução)

Fluvoxamina (Luvox® — Solvay; genérico):

  • ISRS; aprovado principalmente para TOC (1ª linha, especialmente em crianças) e depressão com componente obsessivo; potente inibidor de CYP1A2 e CYP3A4 → múltiplas interações (cafeína, teofilina, clozapina, tricíclicos → níveis aumentados)

Vortioxetina (Brintellix® — Lundbeck):

  • Multimodal: inibe SERT + antagonista de 5-HT3, 5-HT7, 5-HT1D + agonista parcial de 5-HT1A + agonista de 5-HT1B → modulação de neurotransmissão em múltiplos níveis + potencial de melhora cognitiva (via 5-HT3 na memória e cognição); aprovada para depressão maior; 5-20 mg/dia; menor disfunção sexual que ISRSs clássicos

IRSNs, síndrome serotonérgica e descontinuação dos antidepressivos

Venlafaxina (Effexor® — Pfizer; Efexor® — Wyeth; genérico) e Duloxetina (Cymbalta® — Eli Lilly; genérico):

  • IRSNs — inibem SERT + NET
  • Venlafaxina: dose 37.5-225 mg/dia (XR — liberação extendida 1x/dia); meia-vida 5h + metabólito ativo desvenlafaxina (meia-vida 11h); ação noradrenérgica relevante a partir de 150 mg/dia; indicações: depressão maior (eficaz mesmo em refratários a ISRSs), TAG, fobia social, transtorno do pânico, dor neuropática (em menor extensão que duloxetina); efeito adverso específico: hipertensão arterial (dose-dependente → monitorar PA especialmente com doses ≥ 150 mg); síndrome de descontinuação grave — meia-vida curta → NÃO suspender abruptamente; desmame muito gradual
  • Duloxetina: 60-120 mg/dia; indicações amplas: depressão maior, TAG, dor neuropática diabética periférica (DPDN — aprovada), fibromialgia (aprovada), dor lombossacra crônica (aprovada), incontinência urinária de esforço (aprovada — YENTREVE® nos EUA para IUE feminina via contração do esfíncter uretral externo por NE); menor efeito hipertensivo que venlafaxina; boa opção em depressão + dor crônica (aborda as duas comorbidades simultaneamente)
  • Desvenlafaxina (Pristiq® — Pfizer): metabólito ativo da venlafaxina; 50 mg/dia; perfil similar

Síndrome Serotonérgica — excesso de serotonina no SNC:

  • Tríade clínica: (1) Alterações neuronais: agitação, confusão, hiperreflexia, clonus (contração muscular rítmica desencadeada por estiramento — patognomônico; verificar no tornozelo/joelho); tremores; (2) Hiperatividade autonômica: taquicardia, hipertensão, hipertermia (febre), diaforese, midríase, diarreia; (3) Alterações neuromusculares: rigidez muscular, mioclonias, ataxia, disartria; casos graves: hipertermia > 41°C, rhabdomiólise, convulsões, coagulação intravascular disseminada (CIVD) — potencialmente fatal
  • Causas: qualquer combinação que aumente muito a 5-HT sináptica:

- ISRS/IRSN + tramadol (inibe SERT + agonista µ débil) → COMBINAÇÃO FREQUENTE E PERIGOSA - ISRS + linezolida (inibidor de MAO fraco — antibiótico para MRSA/VRE; FDA contraindica; se necessário: descontinuar ISRS, usar linezolida, reiniciar ISRS 24h após) - ISRS + triptanos (sumatriptano, eletriptano — agonistas 5-HT1B/1D) → combinação discutida — a maioria das autoridades acredita que o risco é baixo com a dose normal de triptan + ISRS - ISRS + fentanila/meperidina (meperidina inibe SERT + agonista µ) - ISRS + IMAO (interação GRAVÍSSIMA — síndrome serotonérgica fatal possível; washout de 14 dias ao trocar IMAO para ISRS; 5 semanas para fluoxetina → IMAO, por causa da meia-vida longa da norfluoxetina) - ISRS + dextrometorfano (inibidor de SERT + NMDA) — encontrado em antitussígenos - ISRS + lítio; ISRS + St. John's Wort (Erva de São João — inibe SERT) - Intoxicação por ISRS isolado em overdose: síndrome serotonérgica leve a moderada

  • Diagnóstico: critérios de Sternbach ou de Hunter; clonus é o sinal mais específico; excluir síndrome neuroléptica maligna (SNM — muito similar mas causada por antipsicóticos/dopamina, onset mais lento, rigidez mais proeminente, sem clonus)
  • Tratamento: (1) Descontinuar imediatamente todos os serotonérgicos; (2) Suporte (resfriamento externo, benzodiazepínico para agitação e convulsões, fluidos, monitoramento cardíaco); (3) Ciproeptadina (antagonista de 5-HT2A/5-HT1A): 4-8 mg VO/SNG → repetir a cada 2h até controle; não IV (oral apenas); é o tratamento farmacológico específico; (4) Em casos graves: intubação + sedação + relaxante muscular (succinilcolina OU rocurônio) + UTI

Síndrome de Descontinuação dos Antidepressivos (FINISH: Flu-like syndrome, Insônia, Náusea, Sensações elétricas anormais [FINISH], Hiperativação, H (Hiperestesia)):

  • Sintomas de descontinuação após parada abrupta de ISRS/IRSN: sensações de choque elétrico ("brain zaps" ou paresthesias elétricas), diaforese, tontura, irritabilidade, agitação, insônia, náusea, mialgia, flu-like
  • Paroxetina e venlafaxina têm os piores quadros de descontinuação (meia-vida curta + alta potência); fluoxetina raramente causa (meia-vida muito longa = auto-desmame)
  • Prevenção: redução gradual (10-25% da dose a cada 2-4 semanas); em paroxetina grave: trocar para fluoxetina equivalente → desmame gradual de fluoxetina (método dos "cruzamentos de isoproteínas")
  • Diagnóstico diferencial com recaída da depressão: descontinuação começa em 2-4 dias após parar (rápida, temporal), resolve em 2-4 semanas se retomar brevemente e desmame gradual; recaída da depressão começa em semanas após parar e não resolve rapidamente

Disfunção sexual por ISRSs: 30-40% dos usuários, principalmente anorgasmia/retardo ejaculatório; estratégias: redução de dose, adicionar bupropiona, trocar para bupropiona, mirtazapina ou vortioxetina (menor incidência); inibidor de PDE5 (sildenafil) para disfunção erétil induzida por ISRS

Perguntas frequentes sobre ISRS/IRSN e antidepressivos

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo devo tomar antidepressivo após o primeiro episódio de depressão?+

As diretrizes recomendam tratamento de manutenção por pelo menos 6-12 meses após a remissão do primeiro episódio de depressão maior — pois o risco de recaída é mais alto nos primeiros 6-12 meses. O que a evidência mostra: parar precocemente (antes de 6 meses de remissão) aumenta muito o risco de recaída imediata; manter por 6-12 meses reduz esse risco em 70-80% (meta-análise de Geddes et al., Lancet 2003). Critérios para extensão além de 12 meses (tratamento de manutenção longa): (1) 2 ou mais episódios de depressão maior na vida → indicação de tratamento de manutenção por 2-5 anos ou indefinidamente; (2) 3 ou mais episódios → recomenda-se tratamento indefinido na maioria dos consensos; (3) Episódio muito grave (ideação suicida, psicose, hospitalização, duração longa) → extensão do tratamento; (4) Idade avançada (risco de recaída aumenta com a idade). Como descontinuar: nunca abruptamente; reduzir 10-25% da dose a cada 2-4 semanas; monitorar por 6 meses após descontinuação. Se recaída: retomar o mesmo antidepressivo que funcionou (geralmente na mesma dose). A decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente — alguns pacientes preferem continuar indefinidamente pelo impacto que episódios depressivos têm em suas vidas.

ISRS pode ser tomado na gravidez? Qual o risco para o bebê?+

A depressão não tratada na gravidez é um risco real para mãe e bebê — prematuridade, baixo peso ao nascer, e riscos para a saúde materna; portanto, tratar a depressão gestacional é importante, não opcional. A sertralina é considerada o ISRS com o maior perfil de segurança na gestação: sem aumento documentado de malformações congênitas maiores nos grandes estudos; é o antidepressivo de primeira escolha na gravidez segundo a maioria das diretrizes. Outros ISRSs são geralmente seguros mas com algumas ressalvas: fluoxetina — dados extensos sem aumento de malformações maiores; paroxetina — alguns estudos (controversos) sugeriram associação com defeitos cardíacos septais menores — evitar no 1º trimestre se possível, substituir por sertralina. IRSN (venlafaxina/duloxetina): dados de segurança menores que ISRSs — usar se não houver ISRS adequado. Síndrome de adaptação neonatal: recém-nascidos de mães usando ISRS/IRSN até o parto podem apresentar irritabilidade, choro excessivo, dificuldade de alimentação e tremores por 2-3 dias (autolimitado, sem sequelas) — não é teratogenicidade. Hipertensão pulmonar persistente neonatal: risco muito pequeno com ISRSs usados no 3º trimestre (HR ~2x vs população, mas risco absoluto passa de 0.02% para 0.04% — extremamente raro). Conclusão: para mulheres com depressão moderada-grave, os benefícios de tratar superam os riscos dos ISRSs; sertralina é a escolha preferida; nunca suspender antidepressivo na gravidez sem consulta psiquiátrica.

Diferença entre ISRS e IRSN: quando usar cada um?+

ISRSs e IRSNs têm eficácia similar em depressão maior, mas diferem em indicações e perfis de efeitos adversos — o que guia a escolha: ISRSs (sertralina, escitalopram, fluoxetina): primeira escolha para depressão maior, TAG, TOC, transtorno do pânico, TEPT, fobia social; excelente perfil de tolerabilidade; sem efeito significativo em dor neuropática; sem hipertensão; mínima ação noradrenérgica. IRSNs (venlafaxina, duloxetina): indicados quando: (1) Depressão + dor crônica concomitante (neuropatia diabética, fibromialgia, dor lombar crônica — duloxetina aprovada para essas indicações); (2) Depressão refratária a ISRS (a adição da ação NE pode ajudar os não-respondedores); (3) TAG com sintomas físicos proeminentes (tensão muscular, fadiga); (4) Incontinência urinária de esforço feminina (duloxetina — via NE uretral). Quando preferir IRSN com certeza: fibromialgia (duloxetina é 1ª linha junto com pregabalina); dor neuropática diabética periférica (duloxetina aprovada FDA); depressão atípica com sonolência e fadiga intensa (ação NE energizante); paciente que falhou 2 ISRSs (muda-se o perfil farmacológico). Desvantagens do IRSN: mais efeitos adversos (hipertensão — especialmente venlafaxina doses altas; sudorese; boca seca); síndrome de descontinuação mais intensa; maior custo. Em geral: ISRS primeiro; IRSN se dor crônica associada ou falha de ISRS.

Referências Científicas

  1. Geddes JR, Carney SM, Davies C, et al. (Relapse prevention with antidepressants — meta-analysis Lancet) Relapse prevention with antidepressant drug treatment in depressive disorders: a systematic review. Lancet, 2003.
  2. Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. (Comparative efficacy of 21 antidepressants — landmark network meta-analysis) Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. Lancet, 2018.
  3. Boyer EW, Shannon M. (Serotonin syndrome — review pathophysiology diagnosis management) The Serotonin Syndrome. N Engl J Med, 2005.
  4. Fava GA, Gatti A, Belaise C, Guidi J, Offidani E. (Withdrawal symptoms after selective serotonin reuptake inhibitor discontinuation) Withdrawal Symptoms after Selective Serotonin Reuptake Inhibitor Discontinuation: A Systematic Review. Psychother Psychosom, 2015.
  5. Ornoy A, Koren G. (Selective serotonin reuptake inhibitor use during pregnancy and neonatal outcomes — review) Selective Serotonin Reuptake Inhibitors During Pregnancy: How Safe Are They?. Isr Med Assoc J, 2010.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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