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Neprilisina, Peptídeos Vasoativos e Horizontes Terapêuticos do ARNI
A neprilisina (NEP) degrada muito mais do que apenas os peptídeos natriuréticos ANP, BNP e CNP. É uma endopeptidase de zinco de amplo espectro que inativa uma família extensa de peptídeos vasoativos endógenos com funções cardioprotetoras. Compreender esse escopo amplo ajuda a explicar por que o benefício de mortalidade do sacubitril/valsartana no PARADIGM-HF (20% de redução) supera o esperado apenas pela vasodilatação e natriurese via peptídeos natriuréticos.
Entre os peptídeos que a neprilisina degrada com funções protetoras cardiovasculares: adrenomedulina (vasodilatadora e anti-fibrótica, com efeitos protetores no endotélio), CGRP (calcitonin gene-related peptide — um dos vasodilatadores mais potentes do organismo, com efeito neuroprotetor no endotélio coronariano), bradicinina (vasodilatadora via receptor B2, com efeito anti-proliferativo em células musculares lisas vasculares) e fragmentos de encefalinas (com efeitos cardioprotetores mediados por receptor delta-opioide no miocárdio). Ao inibir a NEP via sacubitril, o Entresto eleva os níveis de todos esses peptídeos simultaneamente, criando perfil pleiotrópico de proteção que nenhuma combinação de fármacos atuais replicaria individualmente.
As perspectivas além da IC com FE reduzida incluem: IC com FE moderadamente reduzida (LVEF 40-50% — zona cinzenta onde PARAGON subgrupos sugerem benefício), IC pós-infarto com disfunção sistólica, e possivelmente hipertensão resistente (NEP inibe vasodilatadores endógenos que poderiam ajudar no controle pressórico). O estudo PARADISE-MI (sacubitril/valsartana vs ramipril em IAM com disfunção de VE) mostrou tendência favorável mas não atingiu significância primária, deixando aberta a questão do timing ideal pós-IAM.
Para aprofundar o tema: Peptídeos Cardíacos e BNP | Sistema Cardiovascular e Peptídeos. Hub: Anti-Aging e Longevidade Cardiovascular.
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