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← Blog·peptideos16 de julho de 2026· 13 min de leitura

Biológicos para asma grave e urticária — omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe e tezepelumabe: IgE, IL-5, IL-4/IL-13 e TSLP como alvos

Biológicos transformaram o tratamento da asma grave não controlada. Omalizumabe bloqueia IgE livre — indicado na asma alérgica grave (IgE total elevado). Mepolizumabe e benralizumabe bloqueiam a via IL-5/eosinófilos. Dupilumabe neutraliza IL-4 e IL-13 — aprovado para asma eosinofílica e dermatite atópica. Tezepelumabe bloqueia TSLP upstream de todos os endótipos. Urticária crônica espontânea refratária: omalizumabe 300 mg SC mensal.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Asma grave — fisiopatologia, endótipos e alvos dos biológicos

ASMA — definição e epidemiologia: Asma é doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por: hiperresponsividade brônquica (HRB — exagerado estreitamento brônquico em resposta a estímulos como exercício, ar frio, alérgenos, irritantes), broncoespasmo reversível e inflamação com remodelamento das vias aéreas. ~339 milhões afetados no mundo; 5-10% têm asma grave (não controlada apesar de tratamento com corticoide inalatório dose alta + LABA + controle de triggers).

FISIOPATOLOGIA IMUNOLÓGICA DA ASMA — dois grandes endótipos:

Endótipo Tipo 2 (T2-high) — 50-70% das asmas:

  • Resposta imune de linfócitos Th2 + células ILC2 (innate lymphoid cells tipo 2) dominada por IL-4, IL-5 e IL-13:

- IL-4: (1) drive de diferenciação Th2; (2) induz switch de isotipo em células B → produção de IgE (IgE é o anticorpo da alergia e do helminto); (3) estimula células endoteliais a expor VCAM-1 (recruta eosinófilos) - IL-5: proliferação, maturação e sobrevida de eosinófilos (célula central na asma T2); recrutamento de eosinófilos da medula para o sangue e vias aéreas - IL-13: contração de músculo liso brônquico, hipersecreção de muco, fibrose subepitelial (remodelamento), recrutamento de eosinófilos - IL-33 e TSLP (thymic stromal lymphopoietin) e IL-25: alarminas epiteliais liberadas por estímulos (alérgenos, vírus, poluição, fumo) → ativam ILC2 e Th2 upstream de IL-4/IL-5/IL-13; TSLP atua ANTES de todos — ativa DCs, mastócitos, Th2, ILC2 — o mais upstream - IgE: anti-IgE específico ao alérgeno → sensibiliza mastócitos e basófilos (que têm receptor FcεRI) → novo contato com alérgeno → crosslinking dos IgE na superfície → desgranulação → histamina, prostaglandinas, leucotrienos → broncoespasmo agudo; IgE também contribui para inflamação crônica - Biomarcadores de T2-high: eosinófilos no sangue (≥ 150-300/μL) e no escarro, IgE total elevada, FeNO (fração exalada de NO) ≥ 25 ppb (produzido pelo epitélio brônquico em resposta à IL-13/IL-4)

Endótipo Tipo 2-low (T2-low) — 30-50%:

  • Neutrofílico (Th1/Th17 dominado por IL-8, IL-17, TNF) ou paucigranulocítico
  • Associado a asma de início tardio em adultos, obesidade, fumo, asma ocupacional
  • MENOS responsivo aos corticosteroides inalatórios
  • Nenhum biológico aprovado especificamente para T2-low ainda

CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DA GRAVIDADE (GINA 2024):

  • Asma leve: step 1-2 (SABA de alívio ± dose baixa CI)
  • Asma moderada: step 3-4 (CI moderada + LABA)
  • Asma grave: step 5 — requer CI alta + LABA + considerar biológicos ou corticoide oral se incontrolada apesar de step 4
  • Critérios para biológico: asma grave não controlada (≥2 exacerbações graves/ano ou corticoide oral ≥50% do ano) + endótipo identificado

SELEÇÃO DE BIOLÓGICO — baseada no endótipo:

  • T2-high com IgE elevada + alergia documentada → omalizumabe
  • T2-high com eosinofilia sanguínea alta → mepolizumabe, benralizumabe ou dupilumabe
  • T2-high com eosinofilia + FeNO alto → dupilumabe ou tezepelumabe
  • Endótipo misto ou inespecífico → tezepelumabe (age upstream)
  • Urticária crônica espontânea refratária (UCE) → omalizumabe

Omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe e tezepelumabe — mecanismo, eficácia e segurança

OMALIZUMABE (Xolair® — Genentech/Roche; Novartis):

Mecanismo: anticorpo monoclonal humanizado anti-IgE livre → liga-se ao domínio CE3 da IgE (o mesmo sítio de ligação ao receptor FcεRI) → complexo omalizumabe-IgE não se liga aos receptores FcεRI (mastócitos, basófilos) ou FcεRII/CD23 (células B, células apresentadoras) → redução dos receptores FcεRI nos mastócitos e basófilos (downregulation) → menos desgranulação mediada por IgE

  • Resultado: redução de reações alérgicas mediadas por IgE; não pode se ligar à IgE já fixada nos mastócitos (só age na IgE livre circulante)

Indicações aprovadas:

  1. Asma alérgica grave (critérios de elegibilidade): IgE sérica total 30-700 UI/mL; sensibilização a pelo menos um alérgeno perene por prick test ou IgE específica; asma não controlada com CI alta + LABA; ≥6 anos de idade
  2. Urticária crônica espontânea (UCE) refratária: urticária que persiste > 6 semanas, refratária a anti-H1 (anti-histamínicos) na dose máxima; IgE NÃO precisa estar alta (mecanismo diferente — bloqueia IgE envolvida na ativação de mastócitos dérmicos); 300 mg SC a cada 4 semanas; altamente eficaz (70-80% de controle completo de sintomas)
  3. Alergia alimentar (amendoim — OIT com palforzia + omalizumabe em fase avançada); rinossinusite com pólipo nasal (recente)

Dose: calculada pelo peso corporal E pelo nível de IgE total basal → tabela de posologia; 75-375 mg SC a cada 2-4 semanas

Efeitos adversos: geralmente bem tolerado; reação anafilática rara (0.1-0.2%) → observação 30 min pós-injeção; cefaleia; dor no local de injeção; parasitoses intestinais (IgE protege contra helmintos — omalizumabe pode aumentar susceptibilidade em áreas endêmicas)

MEPOLIZUMABE (Nucala® — GSK):

Mecanismo: anticorpo monoclonal humanizado anti-IL-5 → bloqueia a ligação da IL-5 ao seu receptor (IL-5Rα) nos eosinófilos e precursores → sem sinalização JAK2/STAT5 → menos proliferação e sobrevida de eosinófilos → redução de eosinófilos no sangue (em 80-90%) e nas vias aéreas → menos inflamação eosinofílica

Indicações: asma grave eosinofílica (eosinófilos sanguíneos ≥ 150/μL no início do tratamento ou ≥ 300/μL em qualquer momento do ano anterior — critério de elegibilidade); síndrome hipereosinofílica; GEPA (granulomatose eosinofílica com poliangiite — síndrome de Churg-Strauss)

Dose: 100 mg SC a cada 4 semanas (autoaplicação disponível com caneta Nucala® pré-preenchida)

Eficácia (estudos MENSA, DREAM, SIRIUS): redução de ~50% nas exacerbações graves anuais; redução de dose de corticoide oral; melhora do FEV1 e qualidade de vida

Efeitos adversos: cefaleia, reações locais na injeção, faringite, raramente reação de hipersensibilidade; herpes zoster (reativação — vacina antes se > 50 anos ou imunossuprimido)

BENRALIZUMABE (Fasenra® — AstraZeneca):

Mecanismo: anticorpo monoclonal humanizado anti-IL-5Rα (o receptor da IL-5) → bloqueia a sinalização da IL-5 + ADCC (citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpo) via FcγRIIIa (NK cells, macrófagos) → depleção rápida e profunda de eosinófilos no sangue e tecidos (redução > 90% em dias)

  • Diferença fundamental vs mepolizumabe: benralizumabe depleta os eosinófilos mais profundamente (via ADCC além do bloqueio de IL-5); mepolizumabe age só no ligante (IL-5)

Dose: 30 mg SC a cada 4 semanas nas primeiras 3 doses (meses 0, 1, 2) → depois a cada 8 semanas (maior conveniência de dose a cada 2 meses)

Indicações: asma grave eosinofílica (eosinófilos ≥ 300/μL); GEPA

Eficácia (SIROCCO, CALIMA trials): redução de 50-59% nas exacerbações graves; redução de dose de corticoide oral

DUPILUMABE (Dupixent® — Sanofi/Regeneron):

Mecanismo: anticorpo monoclonal humano anti-IL-4Rα (subunidade α do receptor de IL-4 compartilhada pelo receptor de IL-4 Tipo I e pelo receptor de IL-4/IL-13 Tipo II) → bloqueia SIMULTANEAMENTE a sinalização de IL-4 E IL-13 (ao contrário de anticorpos que bloqueiam só um)

  • Bloqueio de IL-4: sem diferenciação Th2, sem switch IgE
  • Bloqueio de IL-13: sem hipersecreção de muco, sem contração de músculo liso, sem eosinofilia tecidual
  • Age em todos os tecidos que expressam IL-4Rα: vias aéreas (asma), pele (dermatite atópica), esôfago (esofagite eosinofílica), nariz (rinossinusite com pólipo nasal)

Indicações aprovadas (múltiplas — o biológico com mais aprovações):

  1. Dermatite atópica moderada-grave (≥6 meses de vida): indicação original; 300 mg SC a cada 2 semanas (adulto); resposta em 16 semanas
  2. Asma grave (eosinofílica com eos ≥ 300/μL e/ou FeNO ≥ 25 ppb): 200 mg SC a cada 2 semanas
  3. Rinossinusite crônica com pólipo nasal (RCcPN) grave: 300 mg SC a cada 2 semanas
  4. Esofagite eosinofílica (EoE): 300 mg SC semanalmente
  5. Prurigo nodular
  6. DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) com eosinofilia (aprovação recente FDA 2024)

Eficácia na asma (QUEST, VENTURE trials): redução de 48% nas exacerbações; melhora de FEV1 de 130 mL; permite redução de corticoide oral em 50-70% dos pacientes corticodependentes

Efeitos adversos: conjuntivite (15-30% em dermatite atópica — menos na asma); reações no local de injeção; cefaleia; raramente artralgia; SEGUROS a longo prazo

TEZEPELUMABE (Tezspire® — AstraZeneca/Amgen):

Mecanismo: anticorpo monoclonal humano anti-TSLP (Thymic Stromal Lymphopoietin) → a alarmina mais upstream na cascata inflamatória da asma; bloqueia a ligação da TSLP ao seu receptor (TSLPR complexo com IL-7Rα) → inibe a ativação de: células dendríticas (que ativam Th2), mastócitos, ILC2, basófilos → suprime TODA a cascata T2 downstream (IL-4, IL-5, IL-13, IgE) + também atenua resposta T2-low (IL-8, TNF por efeitos em neutrófilos)

Por que tezepelumabe é único: é o ÚNICO biológico para asma aprovado independente de um biomarcador específico → funciona em T2-high E potencialmente em T2-low; aprovado para asma grave não selecionada por fenótipo eosinofílico

Dose: 210 mg SC a cada 4 semanas

Eficácia (NAVIGATOR trial — N=1061): redução de 70% nas exacerbações globalmente; 91% de redução em pacientes com eosinófilos ≥ 300/μL; eficaz mesmo em eosinófilos < 150/μL (ao contrário de mepolizumabe/benralizumabe)

Efeitos adversos: faringite, artralgia, dor de costas; bem tolerado; sem preocupações de segurança graves nos estudos

URTICÁRIA CRÔNICA ESPONTÂNEA (UCE) — OMALIZUMABE:

  • UCE: urticária (pápulas eritematosas pruriginosas) e/ou angioedema por ≥ 6 semanas sem causa identificável (alimento, medicação, frio, pressão, calor); prevalência 0.5-1% da população
  • Patogênese: ativação de mastócitos dérmicos (por IgE, por IgG anti-FcεRI ou anti-IgE, ou por outros mecanismos) → desgranulação → histamina → vasodilatação + aumento de permeabilidade vascular → pápula + prurido
  • Tratamento escalonado: anti-H1 não sedante (cetirizina, loratadina) na dose padrão → até 4x a dose padrão → omalizumabe 300 mg SC a cada 4 semanas (se refratário) → ciclosporina (off-label, 3ª linha)
  • Omalizumabe na UCE: altamente eficaz — 65-80% de remissão completa; mecanismo: reduz IgE livre → downregulation de FcεRI nos mastócitos → menos desgranulação; também bloqueia possível auto-IgE anti-mastócito; início de ação em 1-4 semanas; tentativa de descontinuação após 6 meses (pode remitir)

Perguntas frequentes sobre biológicos para asma e urticária

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Qual biológico escolher para asma grave — como o médico decide?+

A escolha do biológico para asma grave baseia-se principalmente no endótipo inflamatório do paciente — ou seja, qual via imune está predominantemente ativa. O médico avaliará: (1) Eosinófilos no sangue: se ≥ 300 células/μL, todos os anti-IL-5/IL-5R (mepolizumabe, benralizumabe) e dupilumabe são opções eficazes. Eosinófilos > 500/μL sugere benefício ainda maior com anti-IL-5; (2) FeNO (óxido nítrico exalado): se ≥ 25 ppb, dupilumabe e tezepelumabe têm boas evidências (o FeNO reflete ativação de IL-13/IL-4 no epitélio brônquico); (3) IgE total e sensibilização alérgica: se IgE 30-700 UI/mL + alergia a alérgeno perene (ácaros, fungos, barata, pelo de animal) comprovada → omalizumabe é a escolha clássica; (4) Se o paciente tem asma + dermatite atópica grave + rinossinusite com pólipo nasal (a tríade T2 morbidade múltipla) → dupilumabe cobre as três com uma injeção; (5) Asma grave sem fenótipo claro ou com eosinófilos baixos (< 150) → tezepelumabe é a escolha pois age upstream, independente de biomarcador. Outros fatores na decisão: conveniência de dose (benralizumabe: a cada 8 semanas após indução; tezepelumabe e mepolizumabe: mensal), necessidade de reduzir corticoide oral (todos os biológicos têm esta indicação), custo e disponibilidade pelo plano/APAC SUS. Após 4 meses de tratamento, o médico avalia a resposta — se inadequada, considera trocar de biológico (frequentemente por outro mecanismo).

Dupilumabe resolve definitivamente a dermatite atópica ou precisa usar sempre?+

Dupilumabe é altamente eficaz na dermatite atópica moderada-grave, mas na maioria dos pacientes o tratamento é contínuo a longo prazo, não um ciclo que cura definitivamente. A dermatite atópica é uma doença crônica com base genética (mutação de filagrina, barreira cutânea comprometida) + imunológica (ativação T2 crônica) — o dupilumabe controla a inflamação enquanto é usado, mas a tendência da doença subjacente persiste. Dados de longo prazo (3-5 anos) mostram que os pacientes mantêm boa resposta com uso contínuo. Alguns pacientes (especialmente crianças em que a doença pode melhorar com a idade, e adultos com DA de início tardio e baixo escore basal) podem conseguir reduzir a frequência ou descontinuar após períodos prolongados de remissão — isso é avaliado individualmente pelo dermatologista. Para crianças, existem dados de dupilumabe aprovados a partir dos 6 meses de vida para casos graves — a aprovação precoce visa prevenir o desenvolvimento de outras condições T2 (asma, alergia alimentar, rinossinusite) — o chamado "marcha atópica" pode ser interrompida pelo tratamento precoce. Em adultos com DA grave, a realidade para a maioria é que o dupilumabe precisa ser mantido continuamente para manter o benefício — assim como um hipertenso mantém anti-hipertensivo ou um diabético mantém metformina. O perfil de segurança é excelente para uso a longo prazo — não há imunossupressão sistêmica significativa, não aumenta infecções bacterianas ou virais (exceto raramente reativação de herpes) e não há dados de malignidade.

Referências Científicas

  1. Wenzel S, Castro M, Corren J, et al. (QUEST — dupilumab in uncontrolled persistent asthma — Lancet) Dupilumab efficacy and safety in adults with uncontrolled persistent asthma despite use of medium-to-high-dose inhaled corticosteroids plus a long-acting beta agonist: a randomised double-blind placebo-controlled pivotal phase 2b dose-ranging trial. Lancet, 2016.
  2. Menzies-Gow A, Corren J, Bourdin A, et al. (NAVIGATOR — tezepelumab in severe asthma — N Engl J Med) Tezepelumab in adults and adolescents with severe, uncontrolled asthma. N Engl J Med, 2021.
  3. Maurer M, Rosen K, Hsieh HJ, et al. (ASTERIA II — omalizumab in chronic idiopathic urticaria — N Engl J Med) Omalizumab for the treatment of chronic idiopathic or spontaneous urticaria. N Engl J Med, 2013.
  4. Ortega HG, Liu MC, Pavord ID, et al. (MENSA — mepolizumab in severe eosinophilic asthma — N Engl J Med) Mepolizumab treatment in patients with severe eosinophilic asthma. N Engl J Med, 2014.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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