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Pontos-chave: DII, mesalazina, biológicos e monitoramento
1. Doença de Crohn vs Colite Ulcerativa: CU = inflamação superficial contínua do cólon (começa no reto); Crohn = inflamação transmural descontínua em qualquer segmento do TGI. Marcador diferencial: granulomas não-caseosos (Crohn, 30-40%).
2. Mesalazina (5-ASA): pilar do tratamento da CU leve-moderada — indução e manutenção de remissão; protege contra carcinoma colorretal com uso crônico. NÃO tem eficácia demonstrada em Crohn (exceto colônica muito leve).
3. Vedolizumabe (Entyvio®): seletividade gut-specific — bloqueia α4β7, não α4β1. Mantém imunidade sistêmica preservada. Preferido em pacientes com comorbidades (HIV, TB, neoplasia prévia, idosos). Desvantagem: início de ação lento (6-14 semanas).
4. Ustekinumabe (Stelara®): bloqueia p40 de IL-12 e IL-23 → inibe Th1 e Th17. Excelente perfil de segurança; dose de ataque IV única, depois SC a cada 8-12 semanas. Indicado em Crohn e CU moderada-grave.
5. Calprotectina fecal: biomarcador não invasivo de atividade inflamatória intestinal; distingue DII de SII (intestino irritável); meta < 150 μg/g em remissão; > 250 em atividade moderada-grave.
6. Objetivos modernos do tratamento: remissão profunda (sintomas ausentes + calprotectina normalizada + cicatrização mucosa endoscópica) — associada a menor taxa de cirurgia, hospitalizações e progressão.
7. BPC-157 e saúde intestinal: o peptídeo BPC-157 é estudado em modelos experimentais de inflamação intestinal por sua capacidade de promover cicatrização da mucosa e modular a resposta inflamatória. Veja BPC-157 e saúde intestinal e peptídeos para o intestino.
Saiba mais: hub Recuperação e Saúde Intestinal · microbiota e inflamação · BPC-157 para o intestino
Comparativo: biológicos aprovados para DII moderada-grave
| Biológico | Alvo | Via/Frequência | Melhor perfil | Limitação | Destaque | |---|---|---|---|---|---| | Infliximabe (Remicade®) | TNF-α | IV a cada 8 sem | 1ª linha Crohn+CU | TB/infecções sistêmicas, imunossupressão | 70 anos de experiência; combina com AZA | | Adalimumabe (Humira®) | TNF-α | SC semanal/quinzenal | Comodidade SC | Imunossupressão sistêmica | Genérico disponível (biossimilares) | | Vedolizumabe (Entyvio®) | Integrina α4β7 | IV 8 sem / SC quinzenal | Comorbidades (TB, neoplasia, HIV, idosos) | Início lento (6-14 sem) | Seletividade intestinal — sem imunossupressão sistêmica | | Ustekinumabe (Stelara®) | IL-12/IL-23 (p40) | Ataque IV, depois SC 8-12 sem | Crohn + psoríase/artrite | Caro; menos dados de longo prazo | Excelente segurança; funcionou em falha de anti-TNF | | Risanquizumabe (Skyrizi®) | IL-23 (p19) | IV/SC | Crohn (2023), CU (2024) | Novo — dados emergentes | Mais seletivo que ustekinumabe (não afeta IL-12/Th1) |
*VARSITY trial: vedolizumabe superior ao adalimumabe em CU em remissão clínica e mucosa (sem diferenças em Crohn). Anti-TNF continua com mais evidência em Crohn de alto risco (fístulas, doença perianal).*
Erros comuns no manejo da doença inflamatória intestinal
Erro 1 — Usar 5-ASA/mesalazina para Doença de Crohn: A mesalazina NÃO tem evidência suficiente para Crohn (especialmente ileíte e ileocolite — as formas mais comuns). Seu uso em Crohn é um erro comum mas difundido — as diretrizes ACG 2018 não recomendam 5-ASA como padrão para DC.
Erro 2 — Suspender biológico em remissão prolongada sem monitoramento: Suspender biológico após 1-2 anos de remissão profunda leva a recidiva em 50%+ em 1 ano, especialmente em Crohn. A decisão deve ser individual e com monitoramento estreito de calprotectina + endoscopia após suspensão.
Erro 3 — Rastrear TB apenas com PPD (Mantoux) antes de anti-TNF: Em pacientes imunossuprimidos, o PPD pode ser falso-negativo; usar IGRA (QuantiFERON-TB Gold) que não é afetado pela imunossupressão. Ambos estão indicados — IGRA é preferencial. TB latente tratada com isoniazida 9 meses não contraindica o anti-TNF.
Erro 4 — Não vacinar antes de iniciar biológico: Vacinas vivas (febre amarela, varicela/herpes zóster viva atenuada, BCG) são contraindicadas durante biológico — devem ser aplicadas ANTES de iniciar. Vacinas inativadas (pneumocócica, influenza, hepatite B) devem estar em dia antes e podem ser mantidas durante o tratamento.
Erro 5 — Tratar apenas os sintomas sem acompanhar cicatrização mucosa: Pacientes podem estar assintomáticos com inflamação mucosa ativa — a calprotectina fecal e a endoscopia detectam atividade subclínica que prediz recidiva. O objetivo moderno é cicatrização mucosa documentada, não apenas controle de sintomas.
Quando procurar avaliação profissional
Sintomas sugestivos de DII não diagnosticada: diarreia por mais de 6 semanas (especialmente com sangue ou muco), dor abdominal persistente, perda de peso sem causa aparente, febre recorrente sem foco infeccioso identificado — esses sintomas justificam colonoscopia com biópsia.
Antes de iniciar biológico: rastreio obrigatório de TB (PPD + IGRA), hepatite B (HBsAg, anti-HBc, anti-HBs), varicela (IgG) e atualização vacinal. Presença de tuberculose latente ou hepatite B ativa requer tratamento prévio.
Piora aguda em paciente com DII estabelecida: diarreia sanguinolenta intensa, dor abdominal grave ou febre alta em paciente com CU ou Crohn podem indicar colite grave, megacólon tóxico (CU) ou complicação infecciosa — não tratar em domicílio sem avaliação médica urgente.
Suspeita de carcinoma colorretal em CU de longa data: pacientes com CU por mais de 8 anos devem fazer colonoscopia de vigilância a cada 1-3 anos (dependendo da extensão e atividade da doença).
Manifestações extra-intestinais: artrite periférica, eritema nodoso, uveíte ou colangite esclerosante primária podem ocorrer independentemente da atividade intestinal — requeirem avaliação especializada multidisciplinar.
