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Microbiota, Barreira Intestinal e o Futuro da Terapia Personalizada em IBD
A compreensão crescente do papel da microbiota intestinal na patogênese da doença inflamatória intestinal está redefinindo as abordagens terapêuticas além dos anti-inflamatórios e imunossupressores clássicos. A disbiose — alteração quantitativa e qualitativa da microbiota — é tanto consequência quanto possível fator perpetuador da inflamação na doença de Crohn e na colite ulcerativa.
O transplante de microbiota fecal (TMF) em colite ulcerativa tem evidência emergente: o estudo TURN (2022) mostrou remissão clínica e endoscópica em 32% com doador saudável versus 9% com doador controle em CU leve-moderada. O TMF representa uma abordagem que age no substrato microbiano sem imunossupressão sistêmica — ainda não aprovado para IBD fora de protocolos de pesquisa no Brasil, mas em expansão internacional.
Na fronteira da terapia personalizada, biomarcadores como a calprotectina fecal (proteína liberada por neutrófilos na mucosa inflamada) permitem monitorar a resposta ao tratamento sem necessidade de colonoscopia a cada avaliação. A calprotectina fecal acima de 250 μg/g sugere inflamação mucosa ativa; abaixo de 50 μg/g sugere remissão. Essa abordagem não invasiva permite ajuste de tratamento de forma mais frequente e individualizada do que o monitoramento endoscópico periódico.
Peptídeos intestinais endógenos como o GLP-2 (via teduglutida) têm aprovação para síndrome do intestino curto — um papel trófico direto na mucosa intestinal com potencial perspectiva para estados de inflamação grave com comprometimento de barreira. A interface entre peptídeos regulatórios do intestino e saúde da mucosa é um campo ativo com implicações tanto para IBD quanto para SII pós-infecciosa. Para aprofundar: Peptídeos e Desconforto GI | O Que É Microbiota Intestinal?. Hub: Recuperação e Saúde Intestinal.