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← Blog·peptideos28 de junho de 2026· 13 min de leitura

Levotiroxina, propiltiouracil e metimazol — farmacologia da tireoide: eixo HPT, T3/T4, hipotireoidismo e hipertireoidismo (Graves, Plummer, tempestade tireoidiana)

Levotiroxina (T4 sintético) é o tratamento de escolha do hipotireoidismo — convertida perifericamente em T3 ativo pela desiodase. Propiltiouracil (PTU) e metimazol (tionamidas) inibem a peroxidase tireoidiana (TPO) → reduzem síntese de T3/T4. PTU também inibe desiodase periférica → preferido em tempestade tireoidiana e 1º trimestre. Metimazol é mais potente, 1x/dia e preferido na maioria dos casos de Graves/Plummer.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Fisiologia do eixo HPT e síntese dos hormônios tireoidianos

Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide (HPT):

  • TRH (Tireotropina-releasing hormone — hipotálamo) → estimula TSH (Tireotropina — hipófise anterior) → estimula T3/T4 (tireoide)
  • Retroalimentação negativa: T3 e T4 inibem TRH e TSH → regulação precisa do status tireoidiano
  • TSH tem função dupla: estimula a síntese de hormônios E o crescimento da glândula → bócio em hipotireoidismo (TSH elevado estimulando crescimento da tireoide)

Síntese dos hormônios tireoidianos (processo em múltiplas etapas na célula folicular tireoidiana):

  1. Captação de iodo: bomba NIS (sodium-iodide symporter) na membrana basal → transporta 2 Na⁺ + 1 I⁻ para dentro da célula (contra gradiente de I⁻, impulsionado pelo gradiente de Na⁺ da Na/K-ATPase); inibida por perclorato, tiocianato
  2. Oxidação do iodo: pendrina transporta I⁻ para o lúmen folicular → TPO (tireoperoxidase) oxida I⁻ a I₂/I⁺ usando H₂O₂ (gerado pela DUOX/NADPH oxidase)
  3. Organificação: TPO iodina resíduos de tirosina na tireoglobulina (TG) → monoiodotirosina (MIT) e diiodotirosina (DIT)
  4. Acoplamento: TPO acopla MIT + DIT → T3 (monoiodotirosina + diiodotirosina); DIT + DIT → T4 (diiodotirosina + diiodotirosina); tudo ainda ligado na molécula de TG
  5. Armazenamento: TG iodada fica armazenada no colóide (lúmen do folículo tireoidiano) — estoque para semanas a meses de hormônio
  6. Liberação: TSH estimula endocitose de coloide → lisossomos proteolisam TG → liberam T3 e T4 livres → secretados na corrente sanguínea

T3 vs T4 — a distinção crucial:

  • T4 (tiroxina): hormônio principal secretado pela tireoide (80% do total); baixa atividade biológica (pró-hormônio); meia-vida 7 dias; 99.97% ligado a proteínas (TBG, albumina, transtiretina)
  • T3 (triiodotironina): 3-4x mais ativo que T4; 20% secretado diretamente pela tireoide; 80% da T3 circulante provém de conversão periférica de T4 por desiodase tipo I (fígado, rins, músculo) e tipo II (hipófise, cérebro, tecido adiposo marrom, coração); meia-vida 1 dia; 99.7% ligado
  • T3 LIVRE (fT3) é a forma metabolicamente ativa que entra nas células
  • Por que é melhor repor com T4 (levotiroxina) e não T3: T4 tem meia-vida mais longa (7 dias) → dose oral 1x/dia mantém nível estável; a conversão periférica T4→T3 é regulada tissularmente (cada tecido converte conforme sua necessidade); T3 oral tem pico abrupto → sintomas de hipertireoidismo transitório → não fisiológico

Ação dos hormônios tireoidianos nas células alvo: T3 entra nas células → liga-se a receptores nucleares TR (thyroid receptor — TR α e TR β, diferentes distribuições tissulares) → homodimeriza ou heterodimeriza com RXR → liga-se a TRE (thyroid response elements) no DNA → regula transcrição de centenas de genes:

  • Metabolismo: aumenta metabolismo basal, termogênese (upregula UCP1 no tecido adiposo marrom), glicólise, gliconeogênese, síntese e degradação de colesterol (ex: receptor LDL é TRE-responsivo → T3 aumenta expressão de LDLR → mais clearance de LDL → hipotireoidismo causa hipercolesterolemia)
  • Cardiovascular: aumenta cronotropismo e inotropismo cardíaco (upregula miosina cadeia pesada α, Ca²⁺-ATPase do retículo, canais If do nódulo sinusal), reduz resistência vascular periférica
  • Crescimento e desenvolvimento: T3 é essencial para maturação do SNC fetal e neonatal (mielinização, sinaptogênese) → hipotireoidismo congênito não tratado = cretinismo (retardo mental severo e irreversível)
  • Osso: aumenta turnover ósseo (hipertireoidismo crônico → osteoporose)
  • Metabolismo proteico: anabolismo em baixas doses, catabolismo em altas
  • Síntese de GH e IGF-1: hipotireoidismo reduz GH → crescimento prejudicado em crianças

Levotiroxina — tratamento do hipotireoidismo

Hipotireoidismo — deficiência de hormônios tireoidianos:

  • Primário (95% dos casos): doença da tireoide; causas mais comuns: tireoidite de Hashimoto (autoimune — anticorpos anti-TPO e anti-TG destroem o parênquima tireoidiano), tireoidectomia total, radioterapia cervical, radioiodo (terapia ablativa do Graves/nódulo), deficiência de iodo (endemia global), drogas (amiodarona — contém 37% de iodo por peso; lítio; interferon-α; tionamidas)
  • Secundário: insuficiência hipofisária (pouco ACTH, GH, TSH, LH/FSH, PRL — hipopituitarismo) → TSH baixo + T4 baixo
  • Diagnóstico laboratorial: TSH elevado (hipotireoidismo primário — mais sensível) + T4 livre baixo; TSH normal-alto + T4 livre baixo (hipotireoidismo subclínico); em hipotireoidismo central (hipofisário): TSH inapropriadamente normal ou baixo + T4 baixo
  • Sintomas clínicos: fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, constipação, lentidão psicomotora, pele seca, edema facial (mixedema), queda de cabelo, bradicardia, hipercolesterolemia (LDL elevado → LDLR reduzido), voz rouca, irregularidade menstrual, depressão, síndrome do túnel do carpo (infiltração de mucopolissacarídeos)
  • Coma mixedematoso: emergência rara mas com mortalidade 20-60%; hipotermia grave, bradicardia extrema, hipoventilação, hipoglicemia, hiponatremia, hipotensão, alteração de consciência; precipitado por infecção, AVC, hipotermia ambiental, sedativos; tratamento: UTI, levotiroxina IV 300-500 μg de ataque (satura as proteínas de ligação) + 50-100 μg IV/dia, hidrocortisona 100 mg IV a cada 8h (pode haver insuficiência adrenal concomitante), suporte

Levotiroxina (Synthroid® — AbbVie; Puran T4® — Sanofi; genérico):

  • T4 sintético (levotiroxina sódica); forma mais fisiológica de reposição
  • Dose: início 1.5-1.7 μg/kg/dia (adulto saudável jovem) → ajuste a cada 4-6 semanas pelo TSH; iniciar com dose baixa (25-50 μg) em idosos e cardiopatas (T3 aumenta consumo de O₂ miocárdico → pode precipitar angina ou arritmia)
  • Objetivo: TSH 0.5-2.5 mIU/L (adultos); na gravidez: TSH < 2.5 (1º trimestre) — hipotireoidismo não tratado na gestação associa com perdas fetais e deficiência intelectual fetal; rastrear TSH preconcepcional
  • Absorção da levotiroxina — muito sensível a interferências: absorção é variável (40-80%) e depende de: tomada em jejum 30-60 min antes do café da manhã (ácido gástrico facilita; comida, Ca²⁺ e Fe²⁺ reduzem absorção); preparações de soja, fibras, carbonato de cálcio, sulfato ferroso, omeprazol/IBP, colestiramina, hidróxido de alumínio, sucralfato reduzem absorção → espaçar 4h; café com leite reduz absorção (tomar com água apenas)
  • Formulação líquida oral (gotas/cápsulas moles de levotiroxina): maior absorção, menos interferência alimentar — preferida em pacientes com má absorção (doença celíaca, cirurgia bariátrica, doença inflamatória intestinal)
  • Levotiroxina IV: disponível para pacientes incapazes de absorção oral (pós-operatório, coma mixedematoso) — usar 50-75% da dose oral
  • Interações: amiodarona bloqueia conversão T4→T3 + contém iodo → pode causar hipo ou hipertireoidismo; rifampicina induz metabolismo de T4 → pode necessitar dose maior; carbamazepina, fenitoína, rifampicina → aumentam metabolismo; estrogênio oral → aumenta TBG → mais T4 total ligado → pode necessitar maior dose de levotiroxina (sem impacto nos níveis livres na maioria)
  • Monitoramento: TSH a cada 6-8 semanas após ajuste de dose até estabilizar; depois anualmente; na gravidez: TSH a cada 4-6 semanas no 1º trimestre
  • Adição de T3 (liotironina) à levotiroxina: controverso; alguns pacientes com hipotireoidismo tratado com levotiroxina que mantêm sintomas persistentes de fadiga/cognição apesar de TSH normal podem se beneficiar de adição de pequena dose de T3 (combinação T4+T3); evidência ainda não definitiva; trials em andamento

Tionamidas — metimazol e propiltiouracil no hipertireoidismo de Graves e Plummer

Hipertireoidismo — excesso de hormônios tireoidianos:

  • Doença de Graves (60-80% do hipertireoidismo): doença autoimune — anticorpos TRAb (TSH receptor antibodies) estimulam o receptor de TSH constitutivamente → produção excessiva de T3/T4; manifestações extra-tireoidiana: oftalmopatia de Graves (exoftalmia, proptose — mediada por fibroblastos orbitários que expressam receptor TSHR + glicosaminoglicanas que retêm H₂O) e dermopatia pré-tibial
  • Bócio multinodular tóxico (Plummer): nódulos autônomos (mutações de ganho de função no receptor de TSH ou Gαs) → produção independente de T3/T4 sem estimulação imune
  • Adenoma tóxico: único nódulo autônomo
  • Tireoidite: subaguda (de De Quervain — viral; dolorosa), pós-parto, por amiodarona, por iodo
  • Sintomas: taquicardia, palpitações, tremor fino de mãos, nervosismo/ansiedade, perda de peso (hipermetabolismo), intolerância ao calor, diarreia, sudorese, oligos/amenorreia, atrofia muscular, osteoporose (turnover ósseo aumentado), fibrilação atrial (especialmente em idosos)
  • Tempestade tireoidiana: hipertireoidismo descompensado e potencialmente fatal — febre > 38.5°C, taquicardia >140 bpm, agitação/psicose/coma, vômitos/diarreia, ICC de alto débito; mortalidade 10-30%; precipitada por cirurgia/anestesia/infecção em hipertireoidismo não controlado; tratamento específico (ver abaixo)

Tionamidas (antitireoidianos):

Propiltiouracil (PTU — genérico):

  • Tionamida de menor potência; dose 100-600 mg/dia (2-3 tomadas/dia)
  • Mecanismos: (1) Inibe TPO → bloqueia organificação do iodo (como metimazol); (2) Inibe desiodase tipo I periférica → bloqueia conversão T4→T3 nos tecidos; este 2º mecanismo é EXCLUSIVO do PTU e o torna superior ao metimazol nas situações onde redução rápida de T3 é crítica
  • Indicações preferenciais de PTU:

- 1º trimestre da gravidez (PTU é preferido ao metimazol no 1º trimestre pois metimazol é mais associado a aplasia cutis e outras malformações do 1º trimestre; PTU também cruza a placenta mas com menor teratogenicidade nesta fase; no 2º e 3º trimestres → trocar para metimazol pois PTU tem maior risco de hepatotoxicidade grave) - Tempestade tireoidiana: a ação dupla (bloqueia síntese + bloqueia conversão periférica) reduz T3 mais rapidamente

  • Hepatotoxicidade grave do PTU: raramente mas documentada hepatite fulminante com necessidade de transplante hepático → FDA emitiu black box warning em 2010; por isso metimazol é preferido na maioria das situações em adultos não grávidos
  • Dose na tempestade: 600-1000 mg de ataque → 200-300 mg a cada 4-6h

Metimazol (Tapazol® — King; genérico):

  • Tionamida mais potente (10x por mg que PTU); meia-vida mais longa → 1 tomada ao dia → melhor adesão; preferido na maioria dos casos de Graves/Plummer fora da gravidez 1º trimestre
  • Mecanismo: inibe TPO (organificação) e acoplamento DIT+DIT/MIT+DIT → bloqueia síntese de T3/T4; NÃO inibe desiodase periférica
  • Dose: 10-30 mg/dia para Graves leve-moderado; 30-60 mg/dia para hipertireoidismo grave
  • Efeitos adversos das tionamidas (ambas):

- Agranulocitose (0.2-0.5%): mais frequente com metimazol (dose-dependente acima de 40 mg/dia) nas primeiras 12 semanas; sintoma de alarme: febre + faringite → instruir o paciente a ir imediatamente a emergência e dosar leucograma; tratamento: suspender a droga, G-CSF, antibióticos; pode-se tentar trocar de droga após normalização (agranulocitose não necessariamente recorre com a outra tionamida) - Rash cutâneo, artralgia, febre por droga: comuns (5-10%); se leve → anti-histamínico e observar; se grave ou agranulocitose → suspender - Síndrome ANCA-positiva (PTU > metimazol): vasculite associada a ANCA com uso prolongado de PTU - Hipotireoidismo iatrogênico: dose excessiva → TSH alto; ajustar dose

Protocolo da tempestade tireoidiana (Thyroid Storm):

  1. PTU 600 mg de ataque VO/SNG → PTU 200 mg a cada 4h (bloqueia síntese e conversão T4→T3)
  2. Após 1h do PTU: Lugol (solução de iodo a 2-5%) 5-10 gotas 3x/dia → iodo em altas doses inibe sua própria organificação (Efeito Wolff-Chaikoff) e inibe secreção de T3/T4 armazenado; deve ser dado APÓS as tionamidas (para não servir de substrato para mais síntese)
  3. Propranolol 60-120 mg a cada 4-6h VO ou 0.5-1 mg IV lento → controla taquicardia, tremor, e bloqueia conversão T4→T3 nos tecidos
  4. Hidrocortisona 100 mg IV a cada 8h → reduz conversão T4→T3 + cobre possível insuficiência adrenal relativa no estresse
  5. Tratar a causa precipitante (infecção → antibiótico; etc.)
  6. UTI, suporte hemodinâmico, sedação, anticoagulação se FA

Iodo radioativo (¹³¹I — radioiodo):

  • Captado pelo NIS tireoidiano → emite partícula β (raio de ação 1-2 mm) → ablação seletiva do tecido tireoidiano → hipotireoidismo em 6-12 meses (em 50-80% dos pacientes → levar à necessidade de levotiroxina a longo prazo)
  • Indicações: Graves em adultos (não grávidas), bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico
  • Contraindicações: gravidez (absoluta — ¹³¹I cruza a placenta e destrói a tireoide fetal), amamentação; oftalmopatia de Graves ativa grave (pode piorar a oftalmopatia)
  • Pré-tratamento: normalizar função tireoidiana com tionamidas antes de radioiodo (para evitar tempestade tireoidiana por liberação de hormônio do tecido destruído); suspender tionamida 5-7 dias antes do radioiodo (iodo competiria com ¹³¹I pelo NIS)

β-bloqueadores no hipertireoidismo: propranolol e atenolol bloqueiam os efeitos simpáticos periféricos do excesso de T3 (taquicardia, palpitações, tremor, ansiedade) enquanto o tratamento definitivo (tionamidas/radioiodo/cirurgia) reduz os níveis hormonais; propranolol também inibe conversão T4→T3; usados desde o diagnóstico até normalização da função tireoidiana

Perguntas frequentes sobre tireoide e seus medicamentos

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Levotiroxina engorda ou emagrece? Qual o efeito correto esperado?+

Levotiroxina é a reposição do hormônio T4 que está deficiente no hipotireoidismo — ela restaura o metabolismo ao normal, não causa emagrecer além do esperado nem engorda. O que acontece corretamente: em pacientes com hipotireoidismo não tratado, o metabolismo basal é lento → há ganho de peso, retenção de líquidos e desaceleração de todas as funções metabólicas; quando a levotiroxina é iniciada em dose correta (TSH normalizado), o metabolismo retorna ao normal para aquela pessoa → perda do peso adquirido no hipotireoidismo (tipicamente 3-10 kg de fluido/tecido adiposo acumulado), não emagrecer além do peso normal. Levotiroxina NÃO é um medicamento para emagrecer em pessoas com tireoide normal: usar levotiroxina em doses suprafisiológicas (TSH suprimido) para emagrecer é perigoso — causa taquicardia, arritmias, osteoporose, hipertensão. Algumas pessoas ficam insatisfeitas pois esperam emagrecer muito com a levotiroxina mas, se o hipotireoidismo era leve, o ganho de peso não era totalmente atribuível à tireoide. Outras causas de peso que não respondem à levotiroxina devem ser investigadas e tratadas independentemente.

Doença de Graves pode ser curada com medicamentos ou é para sempre?+

A doença de Graves tem três opções de tratamento, cada uma com prognósticos diferentes: (1) Tionamidas (metimazol/PTU): tratamento médico por 12-18 meses → remissão espontânea em 30-50% dos pacientes (anticorpos TRAb podem diminuir ao longo do tempo com a doença em repouso); porém recaída ocorre em 50-60% após descontinuação das tionamidas — pior prognóstico de remissão se: bócio grande, TRAb muito altos, tabagismo (tabaco piora o Graves), jovens. (2) Radioiodo (¹³¹I): ablação definitiva da tireoide → hipotireoidismo em 50-80% dos pacientes = necessidade de levotiroxina para sempre; é considerada cura do hipertireoidismo mesmo que cause hipotireoidismo (que é facilmente tratado com levotiroxina). (3) Tireoidectomia total: cirurgia definitiva → hipotireoidismo pós-operatório imediato = levotiroxina para sempre; cura cirúrgica do Graves, mas com riscos cirúrgicos (lesão do nervo laríngeo recorrente → rouquidão; hipoparatireoidismo → hipocalcemia). Para escolha: pacientes jovens com Graves leve → tionamidas por 18 meses para tentar remissão; se recaída ou Graves grave → radioiodo ou cirurgia; grávidas → tionamidas na dose mínima eficaz durante a gravidez; oftalmopatia grave → cirurgia preferida (radioiodo pode piorar a oftalmopatia). Não existe cura com medicamentos em sentido estrito, pois as tionamidas controlam mas não eliminam a doença autoimune subjacente.

O que é TSH e como interpretá-lo no diagnóstico de doenças da tireoide?+

TSH (Thyroid Stimulating Hormone — Hormônio Estimulador da Tireoide) é produzido pela hipófise anterior sob controle do TRH hipotalâmico. É o exame mais sensível e de primeira escolha para avaliar a função tireoidiana. Como interpretar: TSH normal (0.4-4.0 mIU/L na maioria dos laboratórios): função tireoidiana normal na maioria dos casos (ressalvas: hipotireoidismo central/hipofisário tem TSH normal ou baixo com T4 baixo; 1º trimestre de gravidez: TSH normal é abaixo de 2.5). TSH elevado (> 4.0): hipotireoidismo — a hipófise está tentando estimular mais a tireoide pois os níveis de T3/T4 estão baixos (TSH é sensibilíssimo — 10x mais sensível que T4 livre para detectar hipotireoidismo subclínico); causa mais comum: Hashimoto. TSH suprimido (< 0.1): hipertireoidismo — excesso de T3/T4 está suprimindo a hipófise; causas: Graves, bócio multinodular tóxico, excesso de levotiroxina; em pré-menopausa pode ser fator de risco para osteoporose e FA. Armadilha clínica: síndrome do T3 baixo (sick euthyroid syndrome): durante doenças graves não-tireoideas, o organismo reduz conversão T4→T3 como mecanismo adaptativo → T3 total cai + TSH geralmente normal-baixo + T4 pode ser baixo; NÃO é hipotireoidismo verdadeiro → NÃO tratar com levotiroxina (piora o prognóstico); aguardar recuperação da doença de base.

Referências Científicas

  1. Ross DS, Burch HB, Cooper DS, et al. (ATA 2016 guidelines for hyperthyroidism and other causes of thyrotoxicosis) 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid, 2016.
  2. Jonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. (ATA 2014 guidelines — hypothyroidism treatment with levothyroxine) Guidelines for the Treatment of Hypothyroidism: Prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid, 2014.
  3. Bartalena L, Baldeschi L, Boboridis K, et al. (EUGOGO 2016 guidelines — Graves orbitopathy management) The 2016 European Thyroid Association/European Group on Graves Orbitopathy Guidelines for the Management of Graves Orbitopathy. Eur Thyroid J, 2016.
  4. Idrees T, Palmer S, Donangelo I. (Thyroid storm — pathophysiology and management) Severe Thyrotoxicosis: Pathophysiology and Evidence-Based Management. Endocrinol Metab Clin North Am, 2022.
  5. Sgarbi JA, Maciel RM. (Diretrizes brasileiras para hipotireoidismo — SBEM/SBD 2013) Pathogenesis of autoimmune thyroid diseases. Arq Bras Endocrinol Metabol, 2009.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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