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← Blog·peptideos24 de junho de 2026· 13 min de leitura

Adalimumabe, ustequinumabe, secuquinumabe, ixequizumabe e risanquizumabe — biológicos para psoríase: anti-TNF, anti-IL-23, anti-IL-17 e o papel da via Th17

A psoríase é mediada pela via Th17 (IL-17/IL-23) — diferente da dermatite atópica (Th2). Biológicos anti-TNF (adalimumabe, etanercepte) foram os primeiros aprovados. Anti-IL-12/23 (ustequinumabe), anti-IL-17A (secuquinumabe, ixequizumabe, bimequizumabe), e anti-IL-23 seletivos (risanquizumabe, guselcumabe) são mais eficazes e mais seletivos. Eficácia comparada por PASI 90/100.

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Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Preciso fazer triagem para tuberculose antes de biológico para psoríase?+

Sim — a triagem para tuberculose latente (LTBI) é obrigatória antes de iniciar qualquer biológico anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, infliximabe) e recomendada para anti-IL-17 e anti-IL-23, embora o risco seja menor nesses últimos. O motivo para anti-TNF é especialmente importante: o TNF-α é crítico para a formação e manutenção de granulomas que contém o M. tuberculosis nas pessoas com LTBI. Bloquear TNF → granulomas se desintegram → reativação de tuberculose latente. O risco de reativação de TB com biológicos anti-TNF é 4-10x maior que na população geral. Triagem antes de biológico anti-TNF: (1) IGRA (QuantiFERON-TB Gold ou T-SPOT.TB) — preferível; teste de liberação de interferon-gama específico para tuberculose; ou (2) PPD/Mantoux (menos específico — pode ser falso-positivo por BCG); (3) Radiografia de tórax (busca calcificações, sequelas de TB antiga); (4) Investigar histórico de contato e sintomas de TB ativa. Se LTBI identificada: tratamento com isoniazida (INH) 9 meses → PODE iniciar o biológico após 1-2 meses de INH (não precisa terminar INH antes de começar anti-TNF). Se TB ativa: tratar TB completamente (6 meses padrão) antes de considerar biológico. Para anti-IL-17 e anti-IL-23: o risco de reativação de TB é menor (não bloqueiam TNF), mas a triagem é recomendada como boa prática antes de imunossupressão.

Anti-IL-17 versus anti-IL-23 para psoríase — qual é mais eficaz?+

Nos estudos de rede (network meta-analyses) e head-to-head disponíveis até 2024, a hierarquia de eficácia em PASI 90 e PASI 100 em psoríase em placas moderada-grave é aproximadamente: Anti-IL-17A+F (bimequizumabe) ≥ Anti-IL-23 p19 (risanquizumabe, guselcumabe) > Anti-IL-17A (secuquinumabe, ixequizumabe) > Anti-IL-12/23 (ustequinumabe) > Anti-TNF (adalimumabe). Em termos práticos: qualquer anti-IL-17 ou anti-IL-23 moderno é superior aos anti-TNF em psoríase de pele; a diferença entre anti-IL-17 e anti-IL-23 é pequena — a escolha depende de comorbidades. Vantagens anti-IL-17: ação mais rápida (resposta percebida mais precocemente nas semanas iniciais); muito eficaz em artrite psoriásica e espondilite anquilosante concomitantes. Vantagens anti-IL-23 (risanquizumabe/guselcumabe): perfil de segurança mais favorável (sem risco de candidíase mucocutânea); segurança em IBD (doença de Crohn/RCU — anti-IL-17 piora IBD → contraindicado; anti-IL-23 pode até melhorar Crohn); espaçamento mais conveniente (a cada 12 semanas para risanquizumabe — 4 injeções/ano); sem risco de desmielinização. Em artrite psoriásica: anti-IL-17 tem evidência mais robusta em espondilite e artrite periférica; em espondiloartrite axial pura: anti-IL-17 (secuquinumabe, ixequizumabe) têm indicação; anti-IL-23 (risanquizumabe) não mostrou eficácia em espondiloartrite axial. Portanto: para psoríase isolada de pele → anti-IL-23; para psoríase com artrite/espondilite → anti-IL-17 ou combo decision com reumatologista.

Por que anti-IL-17 não pode ser usado em psoríase com doença de Crohn?+

IL-17A desempenha papéis diferentes em diferentes tecidos. Na pele: é patológica na psoríase (em excesso → inflamação). No intestino: é protetora — IL-17 contribui para a barreira mucosa intestinal e para a defesa contra bactérias entéricas. Bloquear IL-17 no intestino pode romper essa barreira e agravar a inflamação intestinal em pessoas geneticamente predispostas à IBD. Evidência clínica: estudos com secuquinumabe (MEASURE e outros) e ixequizumabe em pacientes com doença de Crohn mostraram que não só não eram eficazes para o Crohn como alguns pacientes com Crohn latente tiveram exacerbação ou novos casos de IBD sob anti-IL-17. FDA e EMA contraindicam formalmente o uso de anti-IL-17 (secuquinumabe, ixequizumabe) em pacientes com IBD ativa. Em contraste: anti-IL-23 (risanquizumabe, guselcumabe) são estudados até como tratamento do Crohn — risanquizumabe foi aprovado para Crohn moderado-grave (indicação separada) e na retocolite ulcerativa (FORTIFY trial). Portanto: paciente com psoríase + Crohn → anti-IL-23 (risanquizumabe) é a escolha ideal (trata ambas as condições ou pelo menos não piora o Crohn); anti-TNF (adalimumabe, infliximabe) também eficazes em Crohn → opção quando disponível; jamais usar anti-IL-17 nessa combinação.

Biológico para psoríase pode causar câncer?+

Esta é uma preocupação legítima — imunossupressão pode reduzir a vigilância imune contra tumores. A evidência disponível em 2024 é tranquilizadora, especialmente para biológicos mais modernos. Anti-TNF em longo prazo: dados de mais de 15 anos em AR e psoríase — o risco global de câncer sólido não aparece significativamente aumentado em relação à população geral (revisões Cochrane e registros europeus como BIOBADADERM, PSOLAR); o risco de linfoma pode estar marginalmente aumentado mas é difícil separar do risco da doença inflamatória subjacente; os dados mais robustos são para anti-TNF (adalimumabe, etanercepte). Anti-IL-12/23, anti-IL-17, anti-IL-23: biológicos mais recentes; menos anos de dados de segurança pós-mercado, mas os trials de extensão (5-10 anos) não mostram sinal de câncer aumentado; os registros estão acompanhando prospectivamente. Contexto importante: a psoríase grave não tratada já está associada a risco cardiovascular e possivelmente aumentado de linfoma (independente do tratamento) — o risco da doença não controlada pode superar o risco do tratamento. Prática clínica: biológico é contraindicado em câncer ativo recente (geralmente <5 anos da remissão onológica); após câncer em remissão, a decisão é individualizada entre dermatologista e oncologista. Rastreamento oncológico rotineiro (mamografia, colonoscopia, etc.) segue as recomendações da idade — não há rastreamento adicional específico para usuários de biológicos exceto atenção a linfomas.

Referências Científicas

  1. Blauvelt A, Reich K, Tsai TF, et al. (CLEAR trial — secukinumab vs ustekinumab head-to-head in psoriasis) Secukinumab is superior to ustekinumab in clearing skin of subjects with moderate-to-severe plaque psoriasis up to 1 year (CLEAR). J Am Acad Dermatol, 2017.
  2. Gordon KB, Strober B, Lebwohl M, et al. (ULTIMMA 1/2 — risankizumab vs ustekinumab and adalimumab in psoriasis) Efficacy and safety of risankizumab in moderate-to-severe plaque psoriasis (UltIMMa-1 and UltIMMa-2). Lancet, 2018.
  3. Reich K, Armstrong AW, Langley RG, et al. (ECLIPSE trial — guselkumab vs secukinumab in psoriasis) Guselkumab versus secukinumab for the treatment of moderate-to-severe plaque psoriasis (ECLIPSE). Lancet, 2019.
  4. Warren RB, Blauvelt A, Bagel J, et al. (BE VIVID/BE READY/BE SURE — bimekizumab in psoriasis) Bimekizumab versus Adalimumab in Plaque Psoriasis (BE SURE trial). N Engl J Med, 2021.
  5. Hawkes JE, Chan TC, Krueger JG. (Psoriasis pathogenesis review — Th17/IL-23 axis) Psoriasis pathogenesis and the development of novel targeted immune therapies. J Allergy Clin Immunol, 2017.
  6. Zhou W, Xu Z, Yu H et al. Efficacy differences of biologic agents targeting different pathways in obese patients with psoriasis: a systematic review and meta-analysis. The Journal of dermatological treatment, 2026.A revisão sistemática comparou a eficácia de biológicos com alvos moleculares distintos (incluindo anti-IL-17 e anti-IL-23) em pacientes obesos com psoríase, contextualizando as diferenças entre as vias terapêuticas discutidas no artigo.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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