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Biblioteca de Peptídeos
Vilon
Imunidade

Vilon

Dipeptídeo biorregulador do sistema imunológico.

Classificação
Dipeptídeo biorregulador sintético
Meia-Vida
Curta (minutos); efeitos prolongados
Pré-clínicoReconstituição: Fácil
Apresentações
20mg Vial
Também conhecido como: Lys-Glu, KE Dipeptide, Vilon dipeptídeo
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O Que É Vilon

O Vilon é um dipeptídeo biorregulador sintético com a sequência Lys-Glu (KE), desenvolvido pelo Prof. Vladimir Khavinson e pelo grupo do Instituto de Biogerontologia de São Petersburgo a partir de extratos de tecido tímico bovino. É um dos menores peptídeos bioativos conhecidos — apenas dois aminoácidos — e um dos mais estudados da série de citomédinos imunológicos de Khavinson. Apesar de sua estrutura mínima, o Vilon demonstrou atividade biológica mensurável em modelos de imunosenescência, atuando principalmente na restauração de funções tímicas e no suporte à resposta imune adaptativa. O timo é o órgão central da imunidade adaptativa, responsável pela maturação de linfócitos T a partir de precursores derivados da medula óssea. Com o envelhecimento — processo denominado involução tímica —, o parênquima tímico é progressivamente substituído por tecido adiposo, com redução dramática da exportação diária de linfócitos T naive: de aproximadamente 2×10⁸ células/dia na infância para valores muito menores em adultos idosos. Essa involução é considerada uma das causas centrais da imunosenescência: redução da diversidade do repertório de células T, diminuição da resposta a vacinas, e aumento da susceptibilidade a infecções e neoplasias. O Vilon foi desenvolvido especificamente para abordar esse declínio, sendo investigado como geroprôtor imunológico capaz de modular a expressão de genes relacionados à timogênese e à maturação de células T. Estudos longitudinais do grupo de Khavinson em populações geriátricas russas reportaram associações entre o uso de biorreguladores tímicos e melhora de parâmetros imunológicos, com o Vilon como um dos compostos-chave investigados. O Vilon representa o caso extremo de minimalismo molecular dos biorreguladores de Khavinson: com apenas dois aminoácidos, é o menor peptídeo biologicamente ativo da série — o que paradoxalmente favorece sua biodisponibilidade nuclear, pois moléculas tão pequenas cruzam a membrana plasmática e o envoltório nuclear com menor dependência de sistemas transportadores especializados. O trabalho seminal de Khavinson & Malinin (Gerontology, 2005; PMID 15802901) demonstrou por titulação espectrofluorimétrica que oligopeptídeos de 2-5 aminoácidos — portanto incluindo dipeptídeos como o KE — ligam-se ao sulco menor do DNA com Ka de 10⁵-10⁶ M⁻¹ em leucócitos senescentes. No caso do Vilon, o resíduo N-terminal Lys (ε-NH₃⁺, pKa ~10,5) oferece interação eletrostática com o fosfato do esqueleto da dupla fita, enquanto o resíduo C-terminal Glu (γ-carboxilato, pKa ~4,3 → negativo em pH fisiológico) pode interagir ionicamente com lisinas/argininas de histonas H2A e H2B expostas na cromatina parcialmente descompactada — sugerindo que o KE atua como agente de remodeling nuclearl atuando simultaneamente no DNA e nas caudas de histonas, ambos alvos relevantes para restaurar a acessibilidade de promotores silenciados em linfócitos tímicos envelhecidos. Santamaria JC e Irla M (Science Advances, 2026; PMID 41686895) publicaram uma revisão de referência sobre os mecanismos moleculares da involução tímica relacionada à idade e abordagens de rejuvenescimento convergentes. Os autores descrevem com precisão os três mecanismos centrais do declínio tímico: (1) queda progressiva de FOXN1 nos células epiteliais tímicas (TEC), o fator de transcrição mestre que sustenta a identidade e função das TEC corticais e medulares responsáveis pela seleção positiva e negativa de timócitos; (2) substituição do parênquima tímico funcional por adipócitos Ly6C+ a partir da quinta década de vida, comprometendo estruturalmente os nichos de diferenciação de células T; e (3) redução da produção tímica de IL-7 e FGF7 (KGF), fatores de sobrevivência essenciais para progenitores linfoídes nos compartimentos cortical e medular. No contexto dessas descobertas, biorreguladores como o Vilon (KE) — que modulam a expressão de SIRT1 e a acessibilidade de cromatina em células tímicas envelhecidas — são investigados como abordagens que atuam a montante da cascata de involução, potencialmente preservando a expressão de FOXN1 e retardando a transição adipogênica do estroma tímico. A convergência entre os mecanismos epigenéticos do KE e as vias moleculares centrais da involução tímica descritas por Santamaria e Irla contextualiza o Vilon dentro de uma linha de pesquisa de rejuvenescimento imunológico de base mecanística. O fundamento clínico para a modulação tímica pelo Vilon foi fortalecido por dados humanos sobre a heterogeneidade da exportação tímica em idosos. Sandhar B et al. (JCI Insight, 2025; PMID 40591412) mediram a produção tímica de células T naïvas via quantificação de TRECs (T-cell Receptor Excision Circles) em coorte de idosos e demonstraram heterogeneidade marcante: mesmo em indivíduos da mesma faixa etária, a exportação tímica variou em vários log entre os extremos da distribuição. Dois determinantes significativos foram identificados: sexo (mulheres mantiveram exportação tímica substancialmente superior a homens da mesma idade, possivelmente mediada por estrógenos que preservam a expressão de FOXN1 e IL-7 nas TECs corticais) e tabagismo (redutor independente da exportação tímica por mecanismos de apoptose de timócitos e supressão de células-tronco linfoídes). A relevância para o Vilon (KE) é direta: se a exportação tímica é heterogênea e modulável por fatores externos mesmo em idades avançadas, isso valida a premissa de que biorreguladores tímicos — como o dipeptídeo KE, que modula cromatina em TECs e timócitos via interação com sulco menor do DNA — possam amplificar o componente modulável da exportação tímica residual, em vez de apenas retardar uma queda uniforme inexorável. A variabilidade documentada implica que o tecido tímico adulto retém plasticidade funcional que agentes como o Vilon são investigados para explorar. A prova de conceito mais direta de que a função tímica pode ser farmacologicamente restaurada em animais envelhecidos foi fornecida por Santamaria JC, Chevallier J, Dutour L et al. (Science Translational Medicine, 2024; PMID 39630886): pesquisa com RANKL (receptor activator of NF-κB ligand) em camundongos idosos restaurou a função tímica estrutural e funcional, com recuperação da exportação de células T naive, reversão parcial da substituição adipogênica do parênquima tímico e melhora mensurável da resposta imune adaptativa a antígenos. O RANKL atua ativando células epiteliais tímicas via RANK→NF-κB→FOXN1 — o mesmo fator de transcrição mestre do desenvolvimento tímico cujo declínio com a involução foi descrito na revisão de referência (PMID 41686895). Para o Vilon (KE), essa evidência confirma dois pontos: (1) a involução tímica relacionada à idade não é irreversível — o tecido tímico adulto mantém plasticidade estrutural e celular suficiente para responder a intervenções farmacológicas; (2) FOXN1 é identificado como nó crítico da restauração tímica, sustentando a hipótese de que biorreguladores como o KE — que regulam SIRT1 em células tímicas envelhecidas — possam contribuir à restauração funcional por via molecular complementar à sinalização direta do RANK.

✅ Benefícios Estudados

Investigado para restauração da função tímica em contexto de involução relacionada à idade
Modulação da maturação e exportação de linfócitos T naive a partir do timo
Potencial redução de marcadores de imunosenescência (expansão de células T CD28⁻, inversão CD4:CD8)
Melhora da resposta proliferativa de linfócitos T a mitógenos em estudos in vitro
Regulação de citocinas timo-específicas (IL-7, CCL25, CXCL12) no microambiente tímico
Investigado em estudos longitudinais de geroprotecção imune em populações idosas

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-2
Ativação inicial da regeneração tímica.
2
Semana 3-6
Melhora da função de células T e resposta imune.
3
Mês 2-3
Redução da imunosenescência consolidada.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Peptides tissue-specifically stimulate cell differentiation during their aging. Estudo (revisado por pares) — bioreguladores de Khavinson, 2012.Vilon (Lys-Glu) é um dipeptídeo bioregulador (linha Khavinson) com efeitos imuno/geroprotetores; a classe estimula diferenciação celular tecido-específica. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. Peptide regulation of aging: 35-year research experience. Revisão (revisada por pares) — bioreguladores de Khavinson, 2009.Síntese das pesquisas sobre bioreguladores peptídicos curtos e longevidade. Evidências majoritariamente de grupos russos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Gerontological aspects of genome peptide regulation: peptide binding to chromatin in leucocytes of old people. Gerontology, 2005.Khavinson & Malinin demonstram por espectrofluorimetria que oligopeptídeos de 2-5 aminoácidos — incluindo dipeptídeos como o KE do Vilon — ligam-se ao sulco menor do DNA com Ka 10⁵-10⁶ M⁻¹ em leucócitos senescentes, estabelecendo a base molecular para o efeito de remodelação de cromatina em células imunes envelhecidas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. KE peptide regulates SIRT1, PARP1, PARP2 gene expression and protein synthesis in human mesenchymal stem cells aging. Advances in Gerontology (Uspekhi Gerontologii), 2023.Khavinson et al. demonstram diretamente que o dipeptídeo KE (Vilon) regula a expressão de SIRT1, PARP1 e PARP2 em células-tronco mesenquimais humanas envelhecidas — evidência molecular direta de ação do Vilon sobre deacetilação de cromatina e reparo de DNA. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Clinical rationale for thymic restoration in adult immunosenescence. Immunity & Ageing, 2026.Sewell & Jensen revisam a justificativa clínica para restauração tímica em adultos — resposta vacinal, diversidade de células T naïvas e vigilância tumoral — posicionando o timo como alvo de intervenções geroprotoras como o Vilon. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Age-related thymic involution: Mechanistic insights and rejuvenating approaches to restore immune function. Science Advances (revisão, revisado por pares), 2026.Santamaria JC & Irla M descrevem os mecanismos moleculares centrais da involução tímica — declínio de FOXN1, substituição adipogênica por Ly6C+, redução de IL-7/FGF7 — e abordagens de rejuvenescimento convergentes com biorreguladores como o Vilon (KE). Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Heterogeneity of thymic output in the elderly and its association with sex and smoking. JCI Insight (revisado por pares), 2025.Sandhar B et al. mediram exportação tímica (TRECs) em coorte de idosos e demonstraram heterogeneidade marcante por faixa etária — mulheres mantêm output superior a homens e tabagismo reduz independentemente o output —, confirmando que a exportação tímica é modulável em adultos e validando a premissa de que biorreguladores como o Vilon (KE) possam amplificar o componente plástico da exportação tímica residual. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. RANKL treatment restores thymic function and improves T cell-mediated immune responses in aged mice. Science Translational Medicine (estudo experimental, revisado por pares), 2024.Santamaria JC, Chevallier J, Dutour L et al. demonstraram que tratamento com RANKL em camundongos idosos restaurou a função tímica estrutural e funcional — recuperação de exportação de células T naive, reversão parcial da adipogênese tímica e melhora da resposta imune adaptativa — confirmando que a involução tímica é reversível e identificando FOXN1 (ativado via RANK→NF-κB) como nó crítico da restauração tímica, via molecular complementar ao efeito do Vilon (KE) sobre SIRT1 em células tímicas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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