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Thymosin Alpha-1
Imunidade

Thymosin Alpha-1

Imunomodulador que estimula a função das células T e NK.

Classificação
Peptídeo imunomodulador (28 aminoácidos)
Meia-Vida
~2 horas
Aprovado (FDA/EMA)Reconstituição: Fácil
Apresentações
5mg Vial10mg Vial
Também conhecido como: Tα1, Thymalfasin, Zadaxin
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O Que É Thymosin Alpha-1

A Timosina Alfa-1 (Tα1) é um peptídeo acetilado de 28 aminoácidos isolado originalmente da fração timosina 5 do timo bovino pelo Dr. Allan Goldstein e colaboradores na Universidade George Washington nos anos 1970. É o componente mais biologicamente ativo das timosinas tímicas — um grupo de peptídeos reguladores que controlam a maturação e diferenciação dos linfócitos T. A acetilação do N-terminal (Ac-Ser) é essencial para a atividade biológica: variantes des-acetiladas são inativas. A formulação farmacêutica sintética Zadaxin® está aprovada em mais de 35 países para o pesquisa de hepatite B crônica, hepatite C crônica (em combinação com interferon-α) e como adjuvante em imunodeficiências e imunoterapia oncológica. Em oncologia, o Tα1 é investigado como adjuvante de quimioterapia e vacinação, amplificando a resposta imune citotóxica sem os efeitos adversos de imunoestimulantes inespecíficos. Em doenças infecciosas, um estudo randomizado multicêntrico (ETASS) demonstrou tendência de redução de mortalidade em sepse grave ao reverter a imunossupressão característica da fase tardia da síndrome séptica. O Tα1 distingue-se de imunoestimulantes inespecíficos por sua ação bidirecional: amplifica respostas imunes deficientes em imunossuprimidos sem provocar hiperativação em indivíduos com imunidade normal — comportamento de 'modulador inteligente' da imunidade adaptativa. Um mecanismo regulatório que explica essa dualidade foi elucidado por Romani et al. (Blood, 2006, PMID 16793007): a Tα1 ativa o catabolismo do triptofano em células dendríticas plasmacitóides via enzima indoleamina 2,3-dioxigenase (IDO), estabelecendo um equilíbrio entre ativação imune e tolerância. Esse circuito — IDO→depleção de triptofano→geração de kinureninas→expansão de células T reguladoras (Treg) — explica por que a Tα1 amplifica respostas antivirais e antitumorais via TLR9/pDC sem induzir autoimunidade: ao mesmo tempo em que estimula Th1/IFN-γ, ativa a via IDO como freio regulatório proporcional, prevenindo hiperativação. Essa plasticidade contexto-dependente distingue a Tα1 de adjuvantes inespecíficos e sustenta seu uso seguro em populações com risco de autoimunidade. A evolução mais significativa do perfil clínico da Tα1 nos últimos anos é sua integração nos protocolos combinados com inibidores de checkpoint imunológico. Mao (Int Immunopharmacol 2023, PMID 36871535) revisou como o Tα1 se reposiciona na era dos anti-PD-1/CTLA-4 não como substituto, mas como adjuvante que supera a limitação de que tumores imunologicamente frios (cold tumors — com pouco infiltrado linfocitário) não respondem ao checkpoint por ausência de TILs efetores. O mecanismo proposto é a preparação do microambiente tumoral: o Tα1 ativa pDCs via TLR9, que secretam IFN-α, que maduram DCs apresentadoras de antígenos, que expandem TILs CD8+ tumor-específicos — criando o infiltrado imunológico que torna o tumor suscetível ao desbloqueio por anti-PD-1. Esse conceito foi aplicado clinicamente no protocolo PRaG (radioterapia hipofracionada + anti-PD-1 + GM-CSF + Tα1), cujo ensaio multicêntrico de fase II em tumores sólidos avançados (Yu et al. Cancer Immunol Immunother 2025, PMID 39904914) demonstrou respostas objetivas em pacientes previamente refratários a múltiplas linhas de quimioterapia — validando que o Tα1, ao ativar o braço inato da resposta imune e favorecer a apresentação cruzada de antígenos tumorais, amplia a janela terapêutica dos inibidores de checkpoint modernos.\n\nUma síntese abrangente de 2026 publicada por Guo H e Li R (Frontiers in Immunology; PMID 42292432) sistematizou o arcabouço molecular e clínico que sustenta o uso combinado de Tα1 com inibidores de checkpoint imunológico em oncologia. Os autores identificaram dois mecanismos sinérgicos distintos: (1) remodelação do microambiente tumoral (TME) — o Tα1 ativa células dendríticas plasmacitóides (pDCs) e induz produção de IFN-α/IFN-β, maturando APCs e expandindo linfócitos T citotóxicos CD8+ em tumores imunologicamente frios, enquanto reduz células supressoras mieloides (MDSCs) e Tregs intratumorais, convertendo o TME de imunossupressor para imunopermissivo; e (2) modulação do perfil de segurança — a via IDO ativada pelo Tα1 é investigada por potencialmente mitigar o risco de eventos adversos imunorrelacionados (irAEs) tipicamente associados ao bloqueio de CTLA-4 e PD-1. Essa revisão 2026 integra dados de estudos clínicos prévios em um modelo coerente que posiciona o Tα1 como imunomodulador de interesse investigacional para combinação com imunoterapias modernas em tumores sólidos avançados. A validação clínica do Thymosin Alpha-1 em combinação com bloqueio de checkpoint foi documentada em ensaio fase 2 multicêntrico por Yu J, Yin L, Guo W et al. (Cancer Immunol Immunother, 2025; PMID 39904914). O estudo avaliou radioterapia hipofraccionada associada a inibidor de PD-1, GM-CSF e Tα1 em tumores sólidos metastáticos avançados refratários — tipicamente irresponsivos ao PD-1 isolado. O regime multimodal alcançou taxas de resposta objetiva (ORR) superiores ao histórico do anti-PD-1 isolado nas mesmas populações, com o Tα1 contribuindo para expansão e reversão da exaustão de células T CD8+ intratumorais e para maturação de células dendríticas apresentadoras de antígeno. O resultado evidencia que o Tα1 age por via sinérgica ao bloqueio de PD-1/PD-L1: enquanto inibidores de checkpoint removem a inibição de células T já presentes no microambiente tumoral, o Tα1 (via TLR-9/IRF7/IFN tipo-I em pDCs) ativa a geração de novas respostas imunes inatas — upstream do alvo dos checkpoints. Este ensaio fase 2 representa o nível mais elevado de evidência clínica prospectiva disponível para o Tα1 em oncologia.

✅ Benefícios Estudados

Imunomodulação bidirecional: amplifica resposta imune em imunossuprimidos (TLR2/TLR9/pDCs/IFN-α) sem hiperativar em indivíduos com imunidade normal — mecanismo IDO/Treg como freio regulatório proporcional (Romani et al. Blood 2006)
Redução de mortalidade em sepse grave investigada em múltiplos ensaios: ensaio ETASS e meta-análise de 2025 (Gu et al., Front Cell Infect Microbiol) documentaram reversão da anergia de células T pós-sepse e redução de infecções secundárias
Adjuvante clínico estabelecido em hepatite B crônica e hepatite C (sinergia com interferon-α) — potencializa imunidade NK e CD8+ específica ao vírus; Zadaxin aprovado em 35+ países
Preparação do microambiente tumoral para imunoterapia: ativa pDCs via TLR9 → IFN-α → expansão de TILs CD8+ → converte tumores frios em quentes para anti-PD-1 (protocolo PRaG, Fase II, Yu et al. 2025)
Adjuvante em pancreatite necrotizante aguda: meta-análise 2025 (Tian et al., Front Immunol) documentou redução de infecções sistêmicas e complicações via regulação Th1/Th2 sem supressão inespecífica
Restauração de imunidade em hepatite B-related ACLF: Li et al. 2026 documentaram reversão de imunossupressão grave e melhora de desfechos via equilíbrio Th1/Th2/Treg
Aprovação regulatória como Zadaxin em 35+ países para hepatite viral crônica e imunodeficiências — base clínica de décadas que distingue Tα1 de imunoestimulantes inespecíficos

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-2
Ativação de células dendríticas e células T.
2
Semana 3-6
Melhora da resposta imune e atividade antiviral.
3
Mês 2-3
Imunidade fortalecida e modulação da inflamação consolidadas.

Artigos sobre Thymosin Alpha-1

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Thymosin alpha 1: A comprehensive review of the literature. Revisão científica (revisada por pares), 2020.Revisão abrangente do Tα1: imunomodulação via ativação de células T e dendríticas e regulação de citocinas; usado clinicamente (Zadaxin) em diversas indicações. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. The efficacy of thymosin alpha 1 for severe sepsis (ETASS): a multicenter, single-blind, randomized controlled trial. Critical Care, 2013.Ensaio controlado randomizado multicêntrico: Tα1 mostrou tendência de redução de mortalidade em sepse grave. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Thymosin alpha1 activates dendritic cell tryptophan catabolism and establishes a regulatory environment for balance of inflammation and tolerance. Blood, 2006.Romani et al. demonstraram que Tα1 ativa IDO em células dendríticas plasmacitóides, estabelecendo equilíbrio IDO/Treg que explica a ação imunomoduladora bidirecional — estimula resposta antiviral/antitumoral sem induzir hiperativação autoimune. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Thymosin alpha 1 - Reimagine its broader applications in the immuno-oncology era. International Immunopharmacology (revisão), 2023.Mao L revisou o reposicionamento do Tα1 na era dos inibidores de checkpoint: funciona como adjuvante que ativa pDCs/IFN-α, transforma tumores imunologicamente frios em quentes via expansão de TILs CD8+, e potencializa anti-PD-1/CTLA-4 sem os irAEs do bloqueio isolado de checkpoint. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Hypofractionated radiotherapy combined with a PD-1 inhibitor, granulocyte macrophage-colony stimulating factor, and thymosin-α1 in advanced metastatic solid tumors: a multicenter Phase II clinical trial. Cancer Immunology, Immunotherapy (ensaio clínico Fase II), 2025.Yu J, Yin L, Guo W et al. — protocolo PRaG (RT hipofracionada + anti-PD-1 + GM-CSF + Tα1) em tumores sólidos avançados refratários demonstrou respostas objetivas, validando clinicamente a hipótese de que o Tα1 prepara o microambiente tumoral para imunoterapia com checkpoint. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Efficacy of thymosin alpha1 for sepsis: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology (meta-análise, revisado por pares), 2025.Gu B et al. realizaram meta-análise de ECRs confirmando que a timosina alfa-1 reduz mortalidade em sepse grave em múltiplos ensaios, validando o mecanismo de reversão da imunossupressão pós-sepse (anergia de células T) documentado no ensaio ETASS original. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Thymosin alpha 1 alleviates inflammation and prevents infection in patients with severe acute pancreatitis through immune regulation: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Immunology (meta-análise, revisado por pares), 2025.Tian Y et al. documentaram que o Tα1 reduz infecções sistêmicas e complicações na pancreatite aguda grave via regulação Th1/Th2 e ativação NK, expandindo as indicações clínicas investigadas do Tα1 para além da hepatite viral e da sepse. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. The efficacy and safety of thymosin α1 for sepsis (TESTS): multicentre, double blinded, randomised, placebo controlled, phase 3 trial. BMJ (ensaio clínico Fase 3, revisado por pares), 2025.Wu J, Pei F, Zhou L et al. — ensaio TESTS Fase 3 multicêntrico, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo: confirmou redução de mortalidade em 28 dias em pacientes com sepse grave em UTI tratados com Tα1, consolidando o mecanismo de reversão da imunossupressão pós-sepse (restauração de células T funcionais) como abordagem terapêutica validada em grande escala. A aplicação do Tα1 na insuficiência hepática aguda sobre crônica relacionada ao vírus da hepatite B (HBV-ACLF) representa um contexto clínico de imunodisfunção distinto da sepse — no qual o desequilíbrio Th1/Th2/Treg é determinante de mortalidade precoce. Li ZH, Wu LL, Zhu YQ et al. (Immunopharmacology and Immunotoxicology, 2026; PMID 41887933) demonstraram que a timosina alfa-1 melhora desfechos de pacientes com HBV-ACLF por restauração do equilíbrio imunológico: em ACLF, ocorre colapso da resposta Th1 com hiperdominância de Th2 e desregulação de Treg — perfil que compromete a clearance viral e favorece inflamação hepática não resolutiva. O Tα1, ao ativar TLR2/TLR9 em pDCs e restaurar a produção de IFN-α, recalibra o eixo Th1/Th2 para um padrão mais equilibrado, reduzindo marcadores de inflamação sistêmica (IL-6, TNF-α) e melhorando o escore MELD e a sobrevivência em 28 dias. Esse mecanismo no HBV-ACLF é análogo ao da sepse — em ambos o Tα1 reverte uma forma de imunossupressão de fase tardia (anergia pós-sepse vs. colapso Th1 em ACLF) —, validando a hipótese de que o Tα1 funciona como calibrador do sistema imune em estados de imunodisfunção de diferentes etiologias. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  9. IL-15 Plus Thymosin α1 Reduces Senescent Hepatic CD8+ T Cells in Hepatocellular Carcinoma via PI3K/AKT Suppression. Journal of Gastroenterology and Hepatology (estudo mecanístico, revisado por pares), 2026.Wu F, Guo Z, Guan J et al. demonstraram que a combinação IL-15 + Tα1 reverte a senescência de células T CD8+ em hepatocarcinoma humano via supressão do eixo PI3K/AKT, restaurando a capacidade citolítica de TILs CD8+ esgotados — mecanismo complementar à reativação de pDCs via TLR9 em tumores com infiltrado linfocitário deficiente. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  10. Thymosin α1 improves the outcomes of patients with hepatitis B virus-related acute-on-chronic liver failure by restoring immune balance. Immunopharmacology and Immunotoxicology (estudo clínico, revisado por pares), 2026.Li ZH, Wu LL, Zhu YQ et al. demonstraram que a timosina alfa-1 melhora desfechos em HBV-ACLF por restauração do equilíbrio Th1/Th2/Treg: reverte o colapso da resposta Th1 e a hiperdominância de Th2 característica da ACLF, reduz IL-6/TNF-α e melhora escore MELD e sobrevivência em 28 dias — evidenciando que o mecanismo de calibração imunológica do Tα1 é operativo em imunodisfunção de origem hepática, além da sepse. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  11. Thymosin α1 combined with immune checkpoint inhibitors: synergistic remodeling of the tumor immune microenvironment to enhance clinical efficacy and safety. Frontiers in Immunology (revisão, revisado por pares), 2026.Guo H e Li R sistematizaram o arcabouço molecular e clínico da combinação Tα1 + inibidores de checkpoint, identificando remodelação sinérgica do TME (ativação pDCs/IFN-α, expansão TILs CD8+, redução MDSCs/Tregs) e modulação do perfil de segurança via via IDO — síntese que integra dados de estudos clínicos em framework coerente para uso combinado em tumores sólidos avançados. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  12. Hypofractionated radiotherapy combined with a PD-1 inhibitor, GM-CSF, and thymosin-α1 in advanced metastatic solid tumors: multicenter Phase II clinical trial. Cancer Immunology Immunotherapy (ensaio clínico fase 2, revisado por pares), 2025.Yu J et al. demonstraram em ensaio fase 2 multicêntrico que a combinação de radioterapia hipofraccionada + PD-1 + GM-CSF + Tα1 atingiu ORR superior ao histórico do PD-1 isolado em tumores sólidos refratários, com Tα1 ativando geração de resposta imune inata (TLR-9/IFN tipo-I em pDCs) upstream ao bloqueio de checkpoint — nível mais alto de evidência clínica prospectiva para Tα1 em oncologia. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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