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Tesamorelin
GH / Secretagogos

Tesamorelin

Análogo de GHRH aprovado pela FDA para lipodistrofia.

Classificação
Análogo sintético de GHRH (44 aminoácidos + ácido hexenóico)
Meia-Vida
~26-38 minutos
Aprovado (FDA/EMA)Reconstituição: Moderada
Apresentações
5mg Vial10mg Vial20mg Vial
Também conhecido como: Egrifta, TH9507, Trans-3-hexenoic acid GHRH(1-44)
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O Que É Tesamorelin

A Tesamorelin é um análogo sintético de GHRH (hormônio liberador de GH) humano de 44 aminoácidos, com a modificação química de um grupo trans-3-hexenóico ligado covalentemente ao aminoácido N-terminal, conferindo maior resistência à degradação pela DPP-IV (dipeptidil peptidase IV) e estabilidade plasmática. Desenvolvida pela Theratechnologies no Canadá, recebeu aprovação do FDA em 2010 (Egrifta®) para o pesquisa de lipodistrofia associada ao HIV — condição caracterizada por acúmulo anormal de gordura visceral em pacientes em uso de antirretrovirais. É o único secretagogo de GH aprovado pelo FDA atualmente em uso clínico para uma indicação metabolicamente definida. Diferentemente do GH exógeno — que suprime a produção endógena e eleva riscos de diabetes e acromegalia — a Tesamorelin atua exclusivamente por meio do receptor de GHRH na hipófise, estimulando a secreção pulsátil e fisiologicamente regulada de GH sem contornar os mecanismos de feedback do eixo hipotalâmico-hipofisário-hepático. Os ensaios clínicos de fase III (Falutz et al., 2007/2010) demonstraram reduções de 18-20% no tecido adiposo visceral após 26 semanas, com melhora do perfil lipídico e de marcadores de resistência insulínica. O composto também é investigado em cognição em idosos: ensaios randomizados indicaram preservação de memória visuoespacial associada ao aumento de IGF-1 — levantando hipóteses sobre o papel do eixo GH-IGF-1 na saúde neuronal no envelhecimento. A meia-vida plasmática de 26-38 minutos — significativamente maior que os ~7 minutos do GHRH nativo — viabiliza a administração uma vez ao dia. Um eixo de pesquisa relevante foi aberto por Baker et al. (Arch Neurol, 2012, PMID 22869065): a administração de análogos de GHRH por 20 semanas melhorou função executiva e memória verbal em adultos com comprometimento cognitivo leve e em idosos saudáveis, associada a elevação de IGF-1 sistêmico e redução de biomarcadores de progressão de Alzheimer. O mecanismo proposto envolve ação do IGF-1 elevado em receptores abundantes no hipocampo e córtex pré-frontal — regiões com expressão alta de IGF-1R — promovendo neuroplasticidade, sinaptos e supressão de neuroinflamação via IGF-1R→PI3K→Akt→NF-κB. Esses achados colocam a Tesamorelin na interseção entre endocrinologia metabólica e neurociência do envelhecimento, expandindo seu perfil muito além da lipodistrofia HIV para a qual foi originalmente aprovada. A evidência clínica para a Tesamorelin foi consolidada e ampliada por estudos recentes. Uma meta-análise de 2026 (Badran et al., Obesity Research & Clinical Practice, PMID 41545261), reunindo 11 ensaios clínicos randomizados, confirmou que a Tesamorelin reduz significativamente gordura visceral (diferença média: −2,4 cm de área transversal), gordura hepática e triglicerídeos, com manutenção da massa magra — perfil distinto de estatinas ou dieta isolada. Um aspecto crítico para a prática clínica moderna é a compatibilidade com inibidores de integrase (INSTI), a classe de antirretrovirais atualmente de primeira linha: um estudo de 2024 (Russo et al., AIDS, PMID 38905488) demonstrou eficácia e segurança comparáveis às populações dos ensaios originais (que usavam inibidores de protease/NRTI), confirmando que a Tesamorelin mantém benefícios metabólicos nos regimes antirretrovirais modernos. Juntos, esses dados reforçam a Tesamorelin como o padrão-ouro investigacional para disfunção metabólica associada ao HIV e como plataforma para secretagogos de GH de próxima geração.\n\nA emergência da MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, anteriormente NAFLD) como comorbidade prevalente em pessoas com HIV sob terapia antirretroviral eficaz introduziu uma nova dimensão clínica para a Tesamorelin. Gattu AK e Fourman LT (Current Opinion in HIV and AIDS, 2025; PMID 40397552) revisaram as estratégias terapêuticas para MASLD em HIV, posicionando a Tesamorelin como intervenção com mecanismo direto sobre a fisiopatologia esteatótica hepática no contexto HIV: o GH estimulado ativa a sinalização GHR→JAK2/STAT5b, que suprime SREBP-1c (regulador-mestre da lipogênese de novo) e eleva a beta-oxidação hepática via PGC-1α/PPARα — mecanismo anti-lipogênico e pró-oxidativo duplo que reduz o acúmulo de gordura hepatocitária por vias complementares à restrição calórica. Este mecanismo distingue a Tesamorelin de abordagens disponíveis para MASLD em HIV que atuam principalmente via redução de peso, posicionando-a como candidata investigacional de interesse específico em populações com lipotoxicidade hepática associada a antirretrovirais como TAF e inibidores de integrase, que induzem esteatose hepática por vias parcialmente independentes do excesso calórico. Ditta AM et al. (Journal of the International Association of Providers of AIDS Care, 2026; PMID 42538058) conduziram a revisão sistemática e meta-análise mais abrangente sobre a Tesamorelin em pessoas com HIV com lipodistrofia, consolidando evidências de múltiplos ensaios: reduções significativas de gordura visceral, triglicerídeos e gordura hepática com perfil de segurança favorável sustentado. Um achado clinicamente relevante é o padrão de retorno da gordura visceral após descontinuação — observado em 6-8 semanas —, o que orienta o debate sobre estratégias de manutenção e ciclagem em protocolos de pesquisa prolongados. Paralelamente, Beach R et al. (Clinical Infectious Diseases, 2026; PMID 42139091) publicaram dois casos clínicos que ilustram apresentações distintas de excesso de gordura visceral em pessoas com HIV — um com perfil responsivo à Tesamorelin e outro com predominância de fisiopatologia independente de GH e mais adequado a agonistas GLP-1R —, demonstrando que a estratificação clínica individualizada pode otimizar a seleção entre as duas abordagens terapêuticas atualmente disponíveis para disfunção metabólica relacionada ao HIV.

✅ Benefícios Estudados

Redução de 18-20% do tecido adiposo visceral em ensaios clínicos de fase III (lipodistrofia HIV)
Aumento dos níveis naturais de GH e IGF-1 de forma pulsátil e fisiologicamente regulada
Melhora do perfil lipídico (redução de triglicerídeos) e de marcadores de resistência insulínica
Investigado para preservação cognitiva em idosos via eixo GH-IGF-1
Aprovação FDA: perfil de segurança estabelecido em múltiplos ensaios clínicos
Não suprime eixo GH-IGF-1 endógeno — feedback negativo preservado

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-4
Aumento de GH e IGF-1 e início da lipólise visceral.
2
Mês 2-3
Redução significativa da gordura abdominal visceral.
3
Mês 4-6
Melhora da cognição e composição corporal consolidadas.

Artigos sobre Tesamorelin

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Effects of tesamorelin in HIV-infected patients with abdominal fat accumulation: randomized placebo-controlled trial with safety extension. Ensaio clínico de fase 3 (revisado por pares), 2010.Ensaio de fase 3 (Falutz et al.): tesamorelina reduziu significativamente a gordura visceral em pacientes com HIV e acúmulo de gordura abdominal. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. Effect of Tesamorelin on Liver Fat and Visceral Fat in HIV-Infected Patients With Abdominal Fat Accumulation: A Randomized Clinical Trial. JAMA, 2014.Ensaio clínico randomizado: tesamorelina reduziu gordura hepática e visceral, com melhora do perfil metabólico. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Effects of growth hormone-releasing hormone on cognitive function in adults with mild cognitive impairment and healthy older adults. Archives of Neurology, 2012.Baker et al.: análogos de GHRH melhoraram função executiva e memória verbal em idosos e pacientes com comprometimento cognitivo leve — abrindo a interface entre Tesamorelin e neurociência do envelhecimento via eixo GH/IGF-1 cerebral. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Body composition, hepatic fat, metabolic, and safety outcomes of Tesamorelin, a GHRH analogue, in HIV-associated lipodystrophy: A meta-analysis of randomized controlled trials. Obesity Research & Clinical Practice, 2026.Badran et al. — meta-análise de 11 RCTs: Tesamorelin reduziu significativamente gordura visceral (−2,4 cm²), gordura hepática e triglicerídeos, com preservação da massa magra em pacientes HIV com lipodistrofia — consolidando o benefício composicional através de regimes antirretrovirais distintos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Efficacy and safety of tesamorelin in people with HIV on integrase inhibitors. AIDS (London), 2024.Russo et al. — primeiro estudo prospectivo em pacientes HIV em uso de inibidores de integrase (INSTI), a classe antirretroviral de primeira linha atual: Tesamorelin manteve eficácia e segurança comparáveis aos ensaios originais com inibidores de protease/NRTI, validando o composto nos regimes modernos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. The effect of growth hormone-releasing hormone on cognition and brain connectivity in adults with cognition ranging from normal to mild cognitive impairment. eNeurologicalSci (ensaio clínico, revisado por pares), 2026.Stewart CE et al. demonstraram que análogo de GHRH melhora conectividade cerebral em redes de modo padrão (default mode network) em adultos com cognição normal a comprometimento cognitivo leve, com correlação ao aumento de IGF-1 sistêmico — fornecendo suporte de neuroimagem funcional para a hipótese de neuroproteção via eixo GH-IGF-1 na Tesamorelin. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease in people with HIV. Current Opinion in HIV and AIDS (revisão, revisado por pares), 2025.Gattu AK e Fourman LT revisaram as estratégias terapêuticas para MASLD em HIV, posicionando a Tesamorelin como intervenção com mecanismo direto sobre a fisiopatologia esteatótica hepática (supressão SREBP-1c/lipogênese de novo + elevação beta-oxidação PGC-1α/PPARα) — candidata investigacional de interesse específico em populações com lipotoxicidade hepática associada a antirretrovirais como TAF e inibidores de integrase. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Efficacy and Safety of Tesamorelin in People Living With HIV With Lipodystrophy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of the International Association of Providers of AIDS Care (revisão sistemática e meta-análise), 2026.Ditta AM et al. — meta-análise mais abrangente sobre Tesamorelin em HIV com lipodistrofia: confirmou reduções significativas de gordura visceral, triglicerídeos e gordura hepática com perfil de segurança favorável; caracterizou retorno da gordura visceral em 6-8 semanas pós-descontinuação, orientando debate sobre estratégias de manutenção. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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