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Semax
Nootrópicos

Semax

Neuropeptídeo sintético derivado do ACTH com propriedades nootrópicas.

Classificação
Heptapeptídeo sintético (análogo de ACTH 4-10)
Meia-Vida
~3-5 minutos (intranasal; efeitos 20-24h)
Clínico Fase IIIReconstituição: Fácil
Apresentações
5mg Vial10mg Vial
Também conhecido como: MEHFPGP, Análogo ACTH(4-10)
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O Que É Semax

O Semax (sequência Met-Glu-His-Phe-Pro-Gly-Pro) é um heptapeptídeo sintético desenvolvido no Instituto de Química Molecular de Moscou nos anos 1980, derivado dos aminoácidos 4-10 do hormônio adrenocorticotrópico (ACTH). Diferente do ACTH completo, o Semax não possui atividade endócrina — não estimula as adrenais nem eleva o cortisol — mas conserva as propriedades neuroprotetoras e neurotrópicas do fragmento ACTH(4-10). Aprovado em 1995 pela agência reguladora russa para uso clínico, é indicado para sequelas cognitivas de AVC, trauma cranioencefálico e transtornos de atenção e memória. Em pesquisa, o Semax demonstra propriedades nootrópicas robustas: melhora da memória de curto e longo prazo, aumento da velocidade de processamento de informações e aprimoramento do foco e da concentração. Seu principal mecanismo investigado envolve a regulação positiva da expressão de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) no hipocampo e córtex pré-frontal, bem como modulação dos sistemas dopaminérgico e serotoninérgico. A via intranasal é o padrão de administração: permite entrega direta ao liquor via transporte pelos nervos olfatórios, contornando parcialmente a barreira hematoencefálica. Uma dose intranasal produz efeitos cognitivos que persistem por 20-24 horas — muito além da meia-vida plasmática de 3-5 minutos — sugerindo que o Semax desencadeia cascatas de sinalização downstream duradouras, especialmente via upregulação sustentada de BDNF. Em 2009, Dolotov e colaboradores publicaram evidências de que o Semax e o tripeptídeo Pro-Gly-Pro ativam a transcrição de genes de neurotrofinas — incluindo BDNF, NGF e seus receptores TrkA/TrkB — em tecido cerebral de ratos após isquemia transitória, fornecendo a base molecular para o uso clínico russo em AVC. A formulação N-acetilada (N-Acetil Semax, NA-Semax) incorpora um grupo acetil no N-terminal, conferindo maior resistência a aminopeptidases e perfil de penetrância na barreira hematoencefálica potencialmente superior, sendo investigada em pesquisa contemporânea como alternativa de ação mais prolongada e estável. Duas linhas de pesquisa recentes expandiram o entendimento mecanístico do Semax: Inozemtseva LS et al. (Eur J Pharmacol 2024; PMID 39442746) documentaram efeitos antidepressivos e antistresse do Semax em modelo de estresse crônico imprevisível em ratos, com redução de cortisol plasmático e restauração do BDNF hipocampal — ampliando o perfil do Semax da neuroproteção isquêmica para a modulação do eixo HPA em condições de estresse crônico. Kolbaev SN et al. (Bull Exp Biol Med 2025; PMID 41171324) revelaram uma dinâmica de Ca²⁺ região-específica no hipocampo: no CA1, o Semax atenua a entrada de Ca²⁺ via NMDA (efeito antiexcitotóxico), enquanto no CA3 favorece a entrada controlada de Ca²⁺ (efeito pró-plástico) — a mesma molécula exerce papéis opostos em sub-regiões hipocampais distintas, explicando como o Semax pode ser simultaneamente neuroprotetor e pró-cognitivo sem os efeitos adversos de agonistas NMDA puros. Uma expansão do perfil neurológico do Semax para doenças neurodegenerativas foi documentada por Radchenko AI, Kuzubova EV et al. (Acta Naturae, 2025; PMID 41479572): em modelo animal de doença de Alzheimer, o Semax e seu derivado demonstraram potencial para corrigir comprometimentos patológicos — incluindo disfunção cognitiva, déficits de memória e alterações neuroquímicas — associados ao processo neurodegenerativo. Essa evidência posiciona o Semax além de seu uso clínico estabelecido em AVC e trauma cranioencefálico, conectando-o a uma linha de pesquisa emergente sobre peptídeos nootrópicos em contextos de neurodegeneração. O mecanismo investigado envolve a restauração de neurotrofinas hipocampais em animais com déficits amilóide-induzidos — convergindo com o mecanismo central do Semax (upregulação de BDNF via CREB) e sugerindo que o mesmo caminho nootrópico que protege neurônios na isquemia pode ser relevante no contexto da perda neuronal progressiva. O potencial anti-inflamatório do Semax em modelos de lesão da medula espinal foi documentado por Asadullah A, Bajamal AH e Parenrengi MA et al. (F1000Research, 2023; PMID 41179234), que investigaram o efeito do ACTH4-10Pro8-Gly9-Pro10 — designação química do Semax — sobre a expressão de citocinas anti-inflamatórias (IL-4, IL-10 e IL-13) em modelos de lesão aguda de medula espinal em ratos Sprague Dawley machos. O estudo evidenciou que o peptídeo elevou a expressão dessas citocinas reguladoras na região medular lesionada durante a fase aguda — favorecendo a polarização de macrófagos residentes para o fenótipo anti-inflamatório M2 e suprimindo a produção de TNF-α e IL-1β pró-inflamatórios. Esse achado acrescenta uma dimensão imunológica ao mecanismo neuroprotetor do Semax na medula espinal, complementando o eixo de desubiquitinação/MOR documentado por Liu R et al. (2025, PMID 40692165) e consistente com o padrão de restauração transcriptômica identificado em modelos de isquemia cerebral. O conjunto dessas evidências — neuroproteção via MOR, restauração transcriptômica pós-isquemia e modulação de citocinas anti-inflamatórias na lesão medular — consolida o Semax como peptídeo com ação neuroprotetora de espectro amplo em patologias do SNC e SNP, com múltiplos mecanismos moleculares documentados na lesão aguda.

✅ Benefícios Estudados

Melhora da memória e velocidade de processamento
Neuroproteção contra danos isquêmicos
Aumento do BDNF cerebral
Melhora do foco e atenção
Sem efeitos hormonais (não eleva cortisol)

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Minutos 15-30
Aumento imediato do foco após dose intranasal.
2
Dias 1-7
Melhora progressiva de memória e processamento.
3
Semana 2-4+
Neuroproteção e ganhos cognitivos consolidados.

Artigos sobre Semax

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Semax and Pro-Gly-Pro activate the transcription of neurotrophins and their receptor genes after cerebral ischemia. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2009.Mostra que o Semax (análogo de ACTH 4-7) e o PGP ativam a transcrição de neurotrofinas (incl. BDNF) e seus receptores após isquemia cerebral. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. The efficacy of semax in the treatment of patients at different stages of ischemic stroke. Estudo clínico (revisado por pares), 2018.Avalia o uso clínico do Semax em diferentes estágios do AVC isquêmico, com efeitos neuroprotetores e na recuperação funcional. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Semax, an ACTH(4-10) analogue with nootropic properties, activates dopaminergic and serotoninergic brain systems in rodents. Neurochemical Research (revisado por pares), 2005.Eremin KO et al. demonstraram que o Semax eleva a disponibilidade sináptica de dopamina e serotonina em sistemas mesolímbicos e mesocortical de roedores, fundamentando os efeitos de foco, motivação e estabilidade de humor observados em estudos cognitivos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Antidepressant-like and antistress effects of the ACTH(4-10) synthetic analogs Semax and Melanotan II on male rats in a model of chronic unpredictable stress. European Journal of Pharmacology (revisado por pares), 2024.Inozemtseva LS et al. documentaram efeitos antidepressivos e antistresse do Semax em ratos submetidos a estresse crônico imprevisível: redução de cortisol plasmático, restauração de BDNF hipocampal e melhora de comportamentos de tipo-ansiosos — estendendo o perfil do Semax além da cognição para modulação do eixo HPA em contextos de estresse. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. The Effect of Peptide Semax, an ACTH(4-10) Analogue, on Intracellular Calcium Dynamics in Rat Brain Neurons. Bulletin of Experimental Biology and Medicine (revisado por pares), 2025.Kolbaev SN et al. elucidaram a dinâmica de Ca²⁺ específica por região cerebral induzida pelo Semax: no CA1 hipocampal o peptídeo atenua a excitotoxicidade mediada por Ca²⁺ (efeito neuroprotetor), enquanto no CA3 favorece a entrada controlada de Ca²⁺ via NMDA (plasticidade pró-cognitiva) — a mesma molécula exerce efeitos opostos em sub-regiões hipocampais distintas, elucidando a base biofísica de seus efeitos dual antiexcitotóxico-pró-plástico. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Semax peptide targets the μ opioid receptor gene Oprm1 to promote deubiquitination and functional recovery after spinal cord injury in female mice. British Journal of Pharmacology (revisado por pares), 2025.Liu R et al. revelaram que o Semax aumenta a expressão de MOR (receptor μ opioide) via desubiquitinase USP14 — prevenindo degradação proteossômica do MOR e amplificando o sistema opioide endógeno; em lesão medular por compressão em camundongas, produziu 40% mais recuperação motora vs. controle, mecanismo sinérgico com a via BDNF/TrkB estabelecida. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. The Potential of the Peptide Drug Semax and Its Derivative for Correcting Pathological Impairments in the Animal Model of Alzheimer's Disease. Acta Naturae (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2025.Radchenko AI, Kuzubova EV et al. demonstraram que o Semax e seu derivado corrigem comprometimentos cognitivos e neuroquímicos em modelo animal de doença de Alzheimer — expandindo o perfil investigativo do composto da neuroproteção isquêmica para o contexto de neurodegeneração amilóide, com mecanismo proposto via restauração de neurotrofinas hipocampais. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Effect of ACTH4-10Pro8-Gly9-Pro10 on anti-inflammatory cytokine (IL-4, IL-10, IL-13) expression in acute spinal cord injury models (male Sprague Dawley rats). F1000Research (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2023.Asadullah A, Bajamal AH, Parenrengi MA et al. investigaram o efeito do ACTH4-10Pro8-Gly9-Pro10 (Semax) na expressão de citocinas anti-inflamatórias (IL-4, IL-10, IL-13) em modelo agudo de lesão medular — documentando modulação do perfil imune local em direção ao fenótipo M2 anti-inflamatório, acrescentando uma dimensão imunológica ao mecanismo neuroprotetor do Semax na medula espinal além das vias neurotrófica (BDNF) e opioide (MOR/USP14) previamente documentadas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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