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Selank
Nootrópicos

Selank

Peptídeo ansiolítico que modula a expressão gênica de neurotransmissores.

Classificação
Heptapeptídeo sintético (análogo de Tuftsin)
Meia-Vida
~5-10 minutos (intranasal; efeitos prolongados)
Clínico Fase IIIReconstituição: Fácil
Apresentações
5mg Vial10mg Vial
Também conhecido como: TP-7, Selanc, Análogo de Tuftsin
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O Que É Selank

O Selank (TP-7) é um heptapeptídeo sintético desenvolvido no Instituto de Química Molecular da Academia de Ciências da Rússia na década de 1990, derivado estruturalmente do Tuftsin — um tetrapeptídeo (Thr-Lys-Pro-Arg) produzido naturalmente no baço durante a digestão de IgG. O Tuftsin possui efeitos imunomodulatórios e neuroexcitatórios moderados, mas meia-vida plasmática extremamente curta. Para superar essa limitação, os pesquisadores russos acrescentaram ao Tuftsin a sequência tripeptídica Pro-Gly-Pro (derivada do colágeno), criando a sequência Thr-Lys-Pro-Arg-Pro-Gly-Pro — o Selank. Essa modificação protege o Tuftsin da degradação por peptidases plasmáticas e potencializa suas propriedades ansiolíticas e nootrópicas. O Selank recebeu aprovação clínica na Rússia e Ucrânia para transtornos de ansiedade generalizada e neuroastenias, sendo administrado predominantemente por via intranasal para acesso direto ao sistema nervoso central via mucosa olfatória. Mecanisticamente, o Selank exerce ação modulatória sobre o sistema GABAérgico — comparável funcionalmente a benzodiazepínicos em baixas doses, mas sem sedação nem dependência — e eleva os níveis cerebrais de BDNF, serotonina, dopamina e norepinefrina. Sua porção derivada do Tuftsin confere atividade imunomoduladora via receptores de macrófagos e células NK. Diferente dos ansiolíticos clássicos, o Selank não produz tolerância, dependência física ou amnésia anterógrada nos estudos pré-clínicos e clínicos disponíveis. É investigado ainda por seus efeitos cognitivos — incluindo melhora de memória de trabalho, atenção e velocidade de processamento — que o distinguem de ansiolíticos puramente GABAérgicos. A base imunológica do Selank remonta ao estudo fundador de Najjar & Nishioka (Nature, 1970, PMID 5484793), que identificou o Tuftsin (Thr-Lys-Pro-Arg) como tetrapeptídeo natural do baço — produzido durante a clivagem da fração IgG — com potente atividade estimulante de fagócitos. Esse artigo fundador estabeleceu que a imunidade inata poderia ser modulada por um curto sinal peptídico endógeno, abrindo caminho para o design do Selank: ao adicionar a extensão Pro-Gly-Pro ao Tuftsin, os pesquisadores russos preservaram o sinal imunomodulador (via Mac-1/CD11b em macrófagos e NK) e acrescentaram propriedades ansiolíticas GABAérgicas e nootrópicas — criando um composto híbrido cujo pedigree farmacológico cruza imunologia, neuropeptídeos e psicofarmacologia. A revisão farmacológica de Doyno CR & White CM (Journal of Clinical Pharmacology, 2021 — PMID 34396551) forneceu a primeira sistematização abrangente em língua inglesa dos mecanismos do Selank como agente GABAérgico atípico: posicionando-o na classe de compostos que modulam receptores GABA-A com seletividade de subunidades (α2/α3 ansiolíticas, sem recrutamento de α1 sedativo/amnésico), distinguindo-o funcionalmente dos benzodiazepínicos clássicos. Estudos de neuroimagem funcional (Panikratova YR et al., Doklady Biological Sciences, 2020 — PMID 32342318) mapearam os correlatos de conectividade cerebral dos efeitos do Selank: o peptídeo modifica padrões funcionais em redes frontoparietal e no default mode network, fornecendo substrato neuroimagiológico para os efeitos ansiolíticos e nootrópicos e diferenciando a assinatura de conectividade do Selank da de ansiolíticos puramente gabaérgicos. A dimensão transcriptômica do córtex pré-frontal medial (mPFC) no controle da resiliência ao estresse foi caracterizada por Shao M et al. (Molecular Psychiatry, 2025; PMID 39550415), que identificaram as assinaturas de expressão gênica do mPFC associadas ao controle GABAérgico da resiliência ao estresse crônico em camundongos. Animais resilientes exibiam upregulation coordenada de subunidades GABA-A α2 e α3 em neurônios piramidais do mPFC — exatamente as isoformas seletivamente moduladas pelo Selank — acompanhada de downregulation de subunidades α1 (associadas a sedação e amnésia anterógrada). Esse perfil transcriptômico de resiliência — alto α2/α3, baixo α1 — corresponde funcionalmente ao estado que o Selank induz farmacologicamente: potenciação da corrente inibitória GABAérgica nas redes emocionais pré-frontais sem comprometimento das redes de vigilância dependentes de α1. O estudo também identificou que a resiliência GABAérgica no mPFC correlaciona positivamente com a densidade de espinhas dendríticas em interneurônios parvalbumina (PV), cujas sinapses perisomal-inibitórias em neurônios piramidais da Camada V do mPFC controlam a excitabilidade do circuito límbico-pré-frontal — o mesmo circuito no qual a neuroimagem funcional do Selank (Panikratova et al. 2020, ref 6) documentou modulação de conectividade, fornecendo substrato celular-transcriptômico para os efeitos de conectividade funcional observados. Uma extensão investigacional do Selank para o domínio das dependências foi documentada por Kolik LG et al. (Bulletin of Experimental Biology and Medicine, 2022; PMID 36322304): o Selank, na qualidade de análogo peptídico da Tuftsin, atenuou os sinais comportamentais da síndrome de abstinência da morfina em ratos — reduzindo contorções, lacrimejamento, piloereção e outros comportamentos aversivos característicos do período de retirada opioide. O mecanismo investigado envolve a interação do Selank com o sistema opioide endógeno via inibição de DPP-IV e encefalinases, elevando a disponibilidade de met-encefalina e leu-encefalina nos terminais espinais e supraspinais e modulando a reatividade dos receptores µ e δ durante a dessensibilização opioide que acompanha a abstinência. Esse achado conecta o perfil ansiolítico-GABAérgico do Selank à farmacologia opioide: a síndrome de abstinência da morfina tem componentes hipernoradrenérgico (arousal, ansiedade, hiperalgesia) e GABAérgico (desequilíbrio inibitório-excitatório nos circuitos do locus coeruleus e periaquedutal) — exatamente os sistemas sobre os quais o Selank demonstra atividade modulatória via GABA-A α2/α3 e sistema encefalinérgico endógeno. O estudo amplia o espectro investigacional do heptapeptídeo para além dos transtornos de ansiedade e cognição para contextos de regulação do circuito opioide endógeno.

✅ Benefícios Estudados

Redução da ansiedade sem sedação, amnésia ou dependência física
Melhora do humor, estabilidade emocional e resiliência ao estresse
Efeitos nootrópicos investigados: memória de trabalho, atenção e velocidade de processamento
Propriedades imunomoduladoras via porção Tuftsin (NK, macrófagos)
Aumento de BDNF e neuroplasticidade hipocampal com inserção de receptores AMPA e potencialização de LTP
Modulação de serotonina, dopamina e norepinefrina sem perfil estimulante
Inibição de DPP-IV com amplificação indireta de GLP-1, SDF-1α/CXCL12 e NPY — mecanismo pleiotropico investigado em modelos de déficit cognitivo e ansiedade

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Minutos 15-30
Efeito ansiolítico agudo após dose intranasal.
2
Dias 1-7
Redução progressiva da ansiedade e melhora do humor.
3
Semana 2-4+
Estabilidade emocional e efeitos cognitivos consolidados.

Artigos sobre Selank

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Peptide-based Anxiolytics: The Molecular Aspects of Heptapeptide Selank Biological Activity. Revisão científica (revisada por pares), 2018.Revisão dos mecanismos ansiolíticos do Selank (análogo da tuftsina): modulação GABAérgica e via BDNF, com efeito comparável a benzodiazepínicos em modelos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. Peptide Selank Enhances the Effect of Diazepam in Reducing Anxiety in Unpredictable Chronic Mild Stress Conditions in Rats. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2017.Mostra que o Selank potencializa o efeito ansiolítico do diazepam em modelo de estresse crônico moderado em ratos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. 'Tuftsin': a natural phagocytosis stimulating peptide. Nature, 1970.Najjar & Nishioka identificaram o Tuftsin (Thr-Lys-Pro-Arg) como tetrapeptídeo do baço com potente ação estimulante de fagócitos — base molecular da porção imunomoduladora do Selank. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Selank, Peptide Analogue of Tuftsin, Protects Against Ethanol-Induced Memory Impairment by Regulating of BDNF Content in the Hippocampus and Prefrontal Cortex in Rats. Bulletin of Experimental Biology and Medicine (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2019.Kolik LG et al. demonstraram que o Selank reverte o comprometimento de memória induzido por etanol crônico em ratos com restauração dos níveis de BDNF no hipocampo e córtex pré-frontal — confirmando que o mecanismo BDNF-mediado é ativo em condições de déficit cognitivo real, além de estados basais de ansiedade. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Sedative-Hypnotic Agents That Impact Gamma-Aminobutyric Acid Receptors: Focus on Flunitrazepam, Gamma-Hydroxybutyric Acid, Phenibut, and Selank. Journal of Clinical Pharmacology (revisão, revisada por pares), 2021.Doyno CR & White CM revisam os mecanismos GABAérgicos do Selank em comparação com outros agentes sedativos-hipnóticos: o heptapeptídeo modula seletivamente subunidades GABA-A (α2/α3 ansiolíticas) sem os efeitos de sedação/amnésia mediados por α1, posicionando-o como ansiolítico de espectro GABAérgico mais seletivo — primeira revisão abrangente em língua inglesa sobre o mecanismo farmacológico do Selank. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Functional Connectomic Approach to Studying Selank and Semax Effects. Doklady Biological Sciences (revisado por pares), 2020.Panikratova YR et al. aplicaram ressonância magnética funcional de conectividade para mapear os efeitos do Selank em redes cerebrais humanas: o peptídeo modifica padrões de conectividade funcional em redes frontoparietal e no default mode network — fornecendo substrato neuroimagiológico para os efeitos ansiolíticos e nootrópicos observados clinicamente. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Transcriptome signatures of the medial prefrontal cortex underlying GABAergic control of resilience to chronic stress exposure. Molecular Psychiatry (estudo, revisado por pares), 2025.Shao M et al. identificaram que animais resilientes ao estresse crônico exibem upregulation coordenada de subunidades GABA-A α2 e α3 no mPFC — exatamente as isoformas moduladas seletivamente pelo Selank — com downregulation de α1 (sedação/amnésia) em neurônios piramidais do mPFC; confirmando que o perfil de subunidades GABA-A associado à resiliência ao estresse corresponde ao estado farmacológico induzido pelo Selank e fornecendo substrato transcriptômico para os efeitos de conectividade mPFC-límbica documentados por neuroimagem funcional. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Selank, a Peptide Analog of Tuftsin, Attenuates Aversive Signs of Morphine Withdrawal in Rats. Bulletin of Experimental Biology and Medicine (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2022.Kolik LG et al. demonstraram que o Selank atenua sinais comportamentais da síndrome de abstinência da morfina em ratos (contorções, lacrimejamento, piloereção), conectando o perfil ansiolítico-GABAérgico e encefalinérgico do heptapeptídeo à farmacologia opioide — os sistemas GABA-A α2/α3 e encefalinérgico modulados pelo Selank são os mesmos implicados no desequilíbrio inibitório-excitatório da abstinência opioide, ampliando o espectro investigacional do Selank para além dos transtornos de ansiedade e cognição. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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