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MGF
Recuperação

MGF

Fator de crescimento mecânico para reparo muscular.

Classificação
Variante de splicing de IGF-1 (22 aa E-peptide)
Meia-Vida
~2 minutos (nativo); ~7 dias (PEG-MGF)
Pré-clínicoReconstituição: Moderada
Apresentações
5mg Vial
Também conhecido como: Mechano Growth Factor, IGF-1Ec, PEG-MGF
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O Que É MGF

O MGF (Mechano Growth Factor), também denominado IGF-1Ec, é uma variante de splicing do gene IGF-1 gerada localmente em resposta a dano mecânico ou lesão muscular. Descoberto pelo Prof. Geoffrey Goldspink e colaboradores na Universidade de Londres nos anos 1990, o MGF é distinto do IGF-1 sistêmico por conter um E-peptide único (peptídeo Ec em humanos) na porção C-terminal, responsável por sua ação tecido-específica. Enquanto o IGF-1 clássico é produzido principalmente no fígado e age de forma endócrina, o MGF é expresso localmente em músculo esquelético, tecido cardíaco, osso e tecido neural em resposta a sobrecarga mecânica, hipóxia ou microlesões. Sua principal função investigada é ativar e recrutar células-satélite musculares — células-tronco do músculo esquelético — para iniciar o processo de reparo e regeneração das fibras danificadas. Por ter meia-vida de apenas 2 a 5 minutos in vivo, foi desenvolvida uma versão PEGilada (PEG-MGF) com substituição de polietilenoglicol que estende a meia-vida para aproximadamente 7 dias, permitindo administração sistêmica. O MGF é estudado em modelos pré-clínicos de distrofia muscular, sarcopenia, lesões esportivas e neuroproteção. Toda a base de evidências disponível para o MGF é pré-clínica, com exceção de estudos ex vivo de expressão em músculo humano. O papel diferencial do MGF no envelhecimento muscular foi caracterizado em humanos por Hameed et al. (Journal of Physiology, 2003): após exercício resistido de alta intensidade, músculo esquelético de adultos jovens (20-30 anos) expressou 19 vezes mais mRNA de MGF que idosos (70-82 anos) medido 2,5 horas após o exercício, enquanto os níveis de IGF-1 sistêmico não diferiram entre os grupos. Essa dissociação é clinicamente fundamental: confirma que o MGF é o sinal molecular local cujo declínio com o envelhecimento contribui especificamente para a sarcopenia, de forma independente do IGF-1 sistêmico que não explica adequadamente a perda diferencial de massa muscular nas décadas avançadas. O PEG-MGF foi investigado em modelos de distrofia muscular de Duchenne (mdx) e sarcopenia experimental, onde demonstrou ativação de células-satélite (Pax7+) e redução de fibrose muscular superiores ao IGF-1 sistêmico em dose equimolar, sugerindo que o E-peptide Ec do MGF orienta a resposta de reparo de forma mais eficiente por mecanismo que ainda está sendo investigado. Wei et al. (ACS Nano, 2022; PMID 36053268) exploraram o MGF como agente de engenharia tecidual ortopédica, incorporando-o em sílica mesoporosa combinada a nanotubos de carbono sobre liga de titânio porosa para implantes articulares. O sistema de liberação sustentada local de MGF demonstrou em modelo animal melhora significativa da regeneração muscular peri-implantar: maior abundância de fibras musculares regeneradas (MHC embrionário-positivas), menor fibrose periimplantar e maior força de ancoragem músculo-implante em comparação a implantes sem MGF. O mecanismo envolve a liberação controlada do MGF a partir dos nanoporos da sílica por até 14 dias — superando a meia-vida nativa de ~2 minutos do MGF não-PEGilado —, ativando células-satélite Pax7+ no tecido adjacente ao implante. Esse achado posiciona a classe MGF como ferramenta investigada não apenas para reparo muscular pós-lesão esportiva, mas também para a integração músculo-implante em próteses articulares, onde a atrofia e fraqueza muscular peri-implantar são determinantes de longo prazo do sucesso funcional da prótese. Um trabalho de 2026 sistematiza o papel dual dos macrófagos M1 e M2 na atrofia muscular, contextualizando o MGF como regulador da transição M1→M2 central ao reparo muscular eficaz. Shang et al. (Biochemical Pharmacology, 2026; PMID 41344510) revisaram que macrófagos M1 (pró-inflamatórios, TNF-α/IL-6/ROS) são necessários na fase inicial do reparo pós-lesão para clearance de debris miofibrilares e ativação de células satélite; macrófagos M2 (anti-inflamatórios, IL-4/IL-10/TGF-β) dominam a fase de regeneração, suportando a proliferação e fusão de mioblastos em novas fibras. Em músculo saudável pós-lesão aguda, a transição M1→M2 ocorre em 48-72 horas; na sarcopenia crônica e em distrofias, essa transição está comprometida, com persistência do estado M1 que perpetua a inflamação e inibe a regeneração. O MGF aparece nesse contexto como sinal que coordena a transição M1→M2: a ativação de células satélite pelo E-peptide Ec libera TGF-β1 e IL-13 paracrinos que polarizam macrófagos locais em direção ao fenótipo M2, enquanto o fragmento IGF-like do MGF ativa PI3K/Akt em macrófagos, promovendo a expressão do receptor manose (CD206) e arginase-1 — marcadores canônicos de M2. Em estados de sarcopenia onde a transição M1→M2 está comprometida, o PEG-MGF seria investigado como corretor do déficit de polarização M2, restaurando o microambiente pró-regenerativo necessário para que as células satélite completem o ciclo de reparo.

✅ Benefícios Estudados

Ativação de células-satélite musculares (Pax7+) para reparo e regeneração de fibras danificadas investigada em modelos pré-clínicos
Aceleração da recuperação pós-exercício estudada em modelos animais de lesão muscular
Estimulação de hipertrofia muscular via síntese proteica e inibição de degradação proteica (anti-atrogenia)
Neuroproteção investigada em modelos de isquemia e degeneração neural via PI3K/Akt
Potencial terapêutico estudado em modelos pré-clínicos de distrofia muscular e sarcopenia

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Dias 1-3
Ativação de células satélites e início do reparo muscular.
2
Semana 1-2
Recuperação acelerada pós-treino perceptível.
3
Semana 3-6
Hipertrofia muscular progressiva e consolidada.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Mechano-Growth Factor: A Putative Product of IGF-I Gene Expression Involved in Tissue Repair and Regeneration. Revisão científica (revisada por pares), 2010.Revisão do MGF (variante de splice IGF-1Ec) e seu papel no reparo tecidual e na ativação de células satélite musculares. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. Expression and splicing of the IGF gene in rodent muscle is associated with satellite (stem) cell activation following local tissue damage. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2003.Mostra que o dano muscular induz o splicing para MGF, correlacionando-se com ativação de células satélite. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Expression of IGF-I splice variants in young and old human skeletal muscle after high resistance exercise. Journal of Physiology (revisado por pares), 2003.Hameed M et al. demonstraram que MGF é expresso 19 vezes mais em músculo esquelético de jovens que de idosos após exercício resistido de alta intensidade, enquanto IGF-1 sistêmico não difere — primeira evidência humana de que o declínio de MGF é o sinal local específico que contribui para sarcopenia independentemente do IGF-1 endócrino, fundamentando o PEG-MGF como candidato terapêutico em envelhecimento muscular. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Lower muscle protein synthesis in humans with obesity concurrent with lower expression of muscle IGF1 splice variants. Obesity (Silver Spring) — estudo clínico, revisado por pares, 2023.Freitas EDS et al. documentaram em biópsias de músculo esquelético humano que indivíduos com obesidade apresentam menor síntese proteica muscular concorrente com menor expressão de variantes de splice do IGF-1 — incluindo o MGF — evidenciando que a redução de MGF local contribui para a sarcopenia associada à obesidade de forma independente dos níveis séricos de IGF-1 total, reforçando o papel do MGF como sinal local indispensável à manutenção da massa muscular. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. IGF2 regulates proliferation, differentiation, and mitochondrial bioenergetics in human satellite cells. Biology Direct, 2025.Voshtani et al. demonstram que o IGF2 — membro da família IGF ao qual o MGF pertence — regula proliferação, diferenciação e bioenergética mitocondrial em células satélite humanas via PI3K/Akt/mTOR e ERK, fornecendo base translacional atualizada para o papel do eixo IGF na regeneração muscular e o papel do MGF como sinal IGF local. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Cistanche extract ameliorates sarcopenia by activating the IGF-1/PI3K-AKT pathway to modulate ferroptosis. Phytomedicine, 2025.Wang et al. documentam que a ativação do eixo IGF-1/PI3K-AKT suprime ferroptose em músculo sarcopênico — mecanismo que o MGF, ao ativar a mesma via localmente, pode suprimir em fibras musculares pós-lesão, ampliando o espectro de mecanismos de proteção muscular da classe IGF. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Improved Muscle Regeneration into a Joint Prosthesis with Mechano-Growth Factor Loaded within Mesoporous Silica Combined with Carbon Nanotubes on a Porous Titanium Alloy. ACS Nano (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2022.Wei X, Chen Q, Bu L et al. demonstraram que o MGF carregado em sílica mesoporosa sobre liga de titânio porosa melhora significativamente a regeneração muscular peri-implantar em modelo animal: mais fibras MHC embrionário-positivas, menor fibrose e maior força de ancoragem músculo-implante — validando o MGF como agente investigado em engenharia tecidual ortopédica via liberação local sustentada de até 14 dias. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Dual role of macrophages in skeletal muscle atrophy: Mechanisms and therapeutic strategies. Biochemical Pharmacology (revisado por pares), 2026.Shang et al. sistematizaram o papel dual de macrófagos M1/M2 na atrofia muscular e no reparo pós-lesão — documentando que a falha da transição M1→M2 em sarcopenia crônica perpetua TNF-α/NFκB que fosforila IRS-1 (Ser636/639) de forma inibitória, comprometendo a sinalização IGF-1R→IRS-1→PI3K/Akt que o fragmento IGF-like do MGF necessita para eficácia anabólica máxima —, fornecendo o mecanismo molecular pelo qual a sarcopenia crônica reduz a eficácia do PEG-MGF versus lesão muscular aguda e orientando estratégias de combinação com moduladores M2. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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