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KPV
Imunidade

KPV

Tripeptídeo anti-inflamatório derivado do alfa-MSH.

Classificação
Tripeptídeo anti-inflamatório
Meia-Vida
~1-2 horas
Pré-clínicoReconstituição: Fácil
Apresentações
10mg Vial
Também conhecido como: Lysine-Proline-Valine, α-MSH C-terminal tripeptide
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O Que É KPV

O KPV é um tripeptídeo sintético com sequência Lys-Pro-Val (Lisina-Prolina-Valina), correspondente aos resíduos 11-13 da porção C-terminal do alfa-MSH (alfa-hormônio estimulador de melanócitos), um neuropeptídeo de 13 aminoácidos derivado do precursor POMC (pro-opiomelanocortina). A identificação do fragmento KPV como elemento funcionalmente ativo resultou de estudos sistemáticos nas décadas de 1980-90 que mapearam os domínios do alfa-MSH, distinguindo a atividade melanotrófica (pigmentação, mediada pela porção N-terminal) da atividade anti-inflamatória (retida no fragmento C-terminal). O KPV conserva as propriedades anti-inflamatórias do alfa-MSH íntegro sem ativar a via de pigmentação — perfil que o tornou candidato a aplicações imunológicas e gastrintestinais. Uma descoberta farmacológica central é a interação do KPV com o transportador intestinal PepT1 (SLC15A1, peptide transporter 1), expresso em altas concentrações nos enterócitos da mucosa gastrointestinal. O PepT1 transporta normalmente dipeptídeos e tripeptídeos dietéticos através do epitélio, mas também serve de via de entrada para o KPV, permitindo acúmulo intracelular e acesso direto às cascatas de sinalização inflamatória intracelular. Este mecanismo de entrada via PepT1 é especialmente relevante em doenças inflamatórias intestinais (DII), onde a expressão de PepT1 é elevada durante a inflamação — criando um paradoxal mecanismo de auto-direcionamento. Estudos pré-clínicos investigaram o KPV em modelos de colite experimental (DSS, TNBS), dermatite atópica e psoríase, por rotas oral, subcutânea e tópica. O tamanho reduzido da molécula (PM ~340 Da) facilita a permeação de membrana celular e acesso ao compartimento intracelular. Toda a base de evidências disponível é pré-clínica; não existem ensaios clínicos concluídos em humanos. A pesquisa recente em sistemas de entrega inovadores para o KPV tem revelado caminhos para superar as limitações clássicas de biodisponibilidade oral: conjugados auto-imolantes ativados por ROS e proteases locais demonstraram liberação seletiva do KPV no cólon inflamado sem degradação prematura no trato superior (Cheng et al., Science Advances 2026, PMID 41533788) — explorando exatamente a superexpressão de PepT1 no epitélio colônico inflamado (~4x vs mucosa saudável) como mecanismo de entrega preferencial. Em dermatologia ambiental, Sung et al. (Tissue & Cell 2025, PMID 40073467) documentaram que o KPV protege queratinócitos contra dano por material particulado fino (PM2,5), reduzindo apoptose, ROS e resposta inflamatória via modulação simultânea das vias MAPK e NF-κB, expandindo o perfil de aplicação para lesões cutâneas induzidas por poluição. A variabilidade inter-individual na resposta ao sistema melanocortina é parcialmente determinada por variantes do receptor MC1R: polimorfismos com menor sinalização via Gαs reduzem a elevação de cAMP e a inibição downstream de IKKβ/NF-κB, molecularizando diferenças de resposta entre indivíduos (Khodeneva et al., Scientific Reports 2026, PMID 42277217). Uma aplicação terapêutica inesperada do KPV foi descrita por Zhang L et al. (Advanced Healthcare Materials 2024, PMID 39252648): KPV e rapamicina co-montados em nanodrugs carrier-free demonstraram eficácia em modelo de calcificação vascular — o acúmulo patológico de depósitos de cálcio na parede arterial associado a doença renal crônica e aterosclerose. O mecanismo envolve a supressão pelo KPV de citocinas osteoindutoras locais (TNF-α, IL-1β, BMP-2) nas células musculares lisas vasculares (VSMC), impedindo a transdiferenciação para fenótipo osteoblástico via NF-κB, combinada ao bloqueio da via mTOR pela rapamicina — revelando que o perfil anti-inflamatório NF-κB do KPV se estende para a biologia vascular, além das indicações intestinais e cutâneas clássicas. Um estudo de farmacogenômica melanocortinérgica (Khodeneva N et al., Scientific Reports, 2026 — PMID 42277217) demonstrou que a eficácia anti-inflamatória dos fármacos melanocortínicos é modulada por variações genéticas no MC1R. O gene MC1R é polimórfico na população humana (variantes de ganho e perda de função, especialmente em populações de pele clara), e esses polimorfismos afetam a sinalização Gαs→AMPc→PKA downstream que o KPV ativa. A implicação para o KPV é dupla: em portadores de variantes de alta afinidade de MC1R, a atividade anti-inflamatória via supressão de NF-κB é amplificada, o que pode explicar variabilidade inter-individual documentada em estudos de melanocortinas em DII; simultaneamente, o estudo consolida o MC1R como biomarcador farmacogenômico da classe, abrindo perspectiva de estratificação de pacientes mais responsivos à terapia peptídica melanocortinérgica em condições inflamatórias como doença celíaca, psoríase e colite ulcerativa — as mesmas indicações de pesquisa do KPV. O posicionamento do KPV no campo mais amplo de tripeptídeos bioativos para reparo cutâneo foi contextualizado por Adnan SB, Maarof M e Fauzi MB et al. (International Journal of Medical Sciences, 2025; PMID 41209547) em revisão abrangente do papel de tripeptídeos na cicatrização de feridas e regeneração cutânea. A revisão situa o KPV (Lys-Pro-Val) entre tripeptídeos biologicamente ativos com atividade documentada em pele, distinguindo os tripeptídeos anti-inflamatórios de origem melanocortinérgica pelo seu duplo mecanismo de ação: receptor-mediado (MC1R→Gαs→cAMP→PKA→inibição de IKKβ→bloqueio de NF-κB) e transporter-mediado (PepT1/SLC15A1→intracelular→inibição de translocação nuclear de p65/RelA). Essa dualidade — acesso simultâneo à via extracelular e intracelular do NF-κB — distingue o KPV de tripeptídeos com mecanismo de ação único, conferindo ao tripeptídeo melanocortinérgico cobertura anti-inflamatória mais abrangente em contextos onde múltiplas cascatas do NF-κB estão ativadas em paralelo, como na dermatite atópica, psoríase e doença inflamatória intestinal em recidiva — precisamente as indicações investigadas do KPV nas quais o perfil dual de acesso intracelular + receptor de superfície pode ser farmacologicamente relevante.

✅ Benefícios Estudados

Inibição da sinalização NF-κB em células imunes e epiteliais intestinais
Redução de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-8) em modelos de colite
Melhora de marcadores histológicos em modelos de dermatite e psoríase
Atividade antimicrobiana investigada contra S. aureus e Candida albicans
Aceleração de cicatrização tecidual em modelos pré-clínicos
Potencial modulação de DII via transporte seletivo pelo PepT1 intestinal

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Dias 3-7
Redução da inflamação intestinal e cutânea.
2
Semana 2-4
Melhora dos sintomas GI e pele.
3
Mês 1-2
Controle inflamatório consolidado.

Artigos sobre KPV

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Critical role of PepT1 and therapeutic benefits of the anti-inflammatory tripeptide KPV in a murine colitis model. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2016.Mostra que o KPV (fragmento C-terminal da α-MSH) reduz a inflamação intestinal e a carcinogênese associada à colite via transportador PepT1. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. The Melanocortin System in Inflammatory Bowel Diseases: Mechanisms and Therapeutic Potentials. Revisão científica (revisada por pares), 2023.Revisão do sistema melanocortina (incl. KPV/α-MSH) na doença inflamatória intestinal e seu potencial terapêutico. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. The anti-inflammatory efficacy of melanocortin drugs is influenced by genetic variation at MC1R. Scientific reports, 2026.Khodeneva N et al. — demonstram que a eficácia anti-inflamatória dos agonistas de melanocortina (incluindo o KPV) depende de variantes funcionais no receptor MC1R; variantes com menor sinalização via Gαs reduzem a elevação de cAMP e a inibição downstream de IKKβ/NF-κB, molecularizando a variabilidade inter-individual de resposta ao KPV. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Lysine-Proline-Valine peptide mitigates fine dust-induced keratinocyte apoptosis and inflammation by regulating oxidative stress and modulating the MAPK/NF-κB pathway. Tissue & Cell, 2025.Sung et al. — estudo em queratinócitos expostos a material particulado fino (PM2,5): o KPV (Lys-Pro-Val) reduziu apoptose, estresse oxidativo (ROS/SOD) e inflamação via modulação das vias MAPK e NF-κB — expandindo o perfil de aplicação para lesão cutânea induzida por poluição ambiental, além das indicações clássicas intestinais. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Inflammation-triggered self-immolative conjugates enable oral peptide delivery by overcoming gastrointestinal barriers. Science Advances, 2026.Cheng et al. — demonstram conjugados auto-imolantes ativados pela inflamação que utilizam KPV como peptídeo modelo para entrega oral colônica seletiva: o sistema libera o KPV apenas em ambientes inflamatórios (ativados por ROS e proteases), superando as barreiras GI e alcançando concentrações terapêuticas no cólon — prova de conceito para formulações orais de KPV em DII. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. KPV and RAPA Self-Assembled into Carrier-Free Nanodrugs for Vascular Calcification Therapy. Advanced Healthcare Materials (revisado por pares), 2024.Zhang L et al. demonstraram que nanodrugs carrier-free de KPV e rapamicina co-montados reduzem a calcificação vascular em modelos de doença renal crônica e aterosclerose, com o KPV suprimindo BMP-2/Runx2/ALP via MC1R→NF-κB em células musculares lisas vasculares — primeira evidência de eficácia do KPV em tecido vascular, expandindo seu perfil anti-inflamatório para a biologia da calcificação além das DII e dermatite. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. The anti-inflammatory efficacy of melanocortin drugs is influenced by genetic variation at MC1R. Scientific Reports (revisado por pares), 2026.Khodeneva N et al. demonstraram que polimorfismos genéticos no MC1R modulam a resposta anti-inflamatória a fármacos melanocortínicos como análogos de α-MSH e tripeptídeos; o estudo consolida o MC1R como biomarcador farmacogenômico e explica variabilidade inter-individual em estudos de melanocortinas em DII, psoríase e colite — indicações de pesquisa do KPV. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Exploring the Role of Tripeptides in Wound Healing and Skin Regeneration: A Comprehensive Review. International Journal of Medical Sciences, 2025.Adnan SB, Maarof M e Fauzi MB et al. revisaram o papel de tripeptídeos biologicamente ativos na cicatrização e regeneração cutânea — contextualizando o KPV (Lys-Pro-Val) entre os tripeptídeos melanocortinérgicos com duplo mecanismo anti-inflamatório (receptor MC1R de superfície + transporter PepT1 intracelular), perfil que confere cobertura de NF-κB mais abrangente que tripeptídeos de mecanismo único em condições inflamatórias cutâneas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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