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Biblioteca de Peptídeos
Kisspeptin
Hormonal

Kisspeptin

Neuropeptídeo regulador do eixo HPG e reprodução.

Classificação
Decapeptídeo neuropeptídico (10 aminoácidos)
Meia-Vida
~28 minutos
Clínico Fase IIReconstituição: Moderada
Apresentações
10mg Vial
Também conhecido como: Kisspeptin-10, Metastin, KP-10
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O Que É Kisspeptin

A kisspeptina é uma família de neuropeptídeos codificados pelo gene KISS1, identificado originalmente em 1996 como supressor de metástase em melanoma humano (daí o nome KiSS-1). O gene produz um precursor de 145 aminoácidos que é processado proteoliticamente para gerar formas biologicamente ativas de diferentes comprimentos — kisspeptin-54 (KP-54), kisspeptin-14, kisspeptin-13 e kisspeptin-10 (KP-10). A forma de 10 aminoácidos (sequência Tyr-Asn-Trp-Asn-Ser-Phe-Gly-Leu-Arg-Phe-amida) é o fragmento mínimo com plena atividade biológica e alta afinidade ao receptor KISS1R (GPR54). A importância fisiológica da kisspeptina foi definida por dois grupos independentes em 2003: de Roux et al. (Proc Natl Acad Sci) e Seminara et al. (N Engl J Med) demonstraram que mutações de perda de função no KISS1R causam hipogonadismo hipogonadotrófico idiopático — falha da puberdade — tanto em camundongos quanto em humanos, estabelecendo a kisspeptina como controlador essencial do eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal (HPG). A kisspeptina é produzida principalmente em dois núcleos hipotalâmicos: o núcleo arqueado (ARC), onde a população KNDy (kisspeptina/neurocinina B/dinorfina) gera a pulsatilidade do GnRH, e o núcleo periventricular anteroventral (AVPV), responsável pelo surto de LH no pré-ovulatório. Diferentemente do GnRH, os neurônios de kisspeptina respondem a sinais metabólicos (leptina, insulina) e retroalimentação de esteroides sexuais (estrogênio, testosterona), integrando o estado nutricional e endócrino ao controle da fertilidade. Em pesquisa clínica, o KP-10 e o KP-54 são investigados como ferramentas diagnósticas para avaliar a integridade do eixo HPG e como candidatos terapêuticos em amenorreia hipotalâmica, hipogonadismo masculino e protocolos de fertilização assistida. Em estudos de fertilidade masculina, a kisspeptina emergiu como marcador diagnóstico de alta relevância: concentrações séricas e no plasma seminal foram comparadas entre homens férteis e inférteis, revelando que homens inférteis apresentam níveis significativamente menores — evidência de que a kisspeptina integra não apenas o controle central da função gonadal, mas pode agir localmente no testículo e epidídimo para regular a espermatogênese (Parkpinyo N et al., J Assist Reprod Genet, 2025). Paralelamente, pesquisas revelaram que a kisspeptina possui funções além do eixo reprodutivo: neurônios de kisspeptina no ARC respondem a sinais de estado energético (leptina, grelina, glicose) e modulam o consumo alimentar e a atividade locomotora de forma sexualmente dimórfica, independentemente de esteroides gonadais — efeitos demonstrados em camundongos com deleção específica de kisspeptina (Velasco I et al., J Neuroendocrinol, 2024). Esses dados posicionam a kisspeptina como regulador multimodal que integra reprodução, metabolismo e comportamento alimentar em um mesmo circuito hipotalâmico, expandindo as aplicações de pesquisa para além da endocrinologia reprodutiva.\n\nA posição da kisspeptina como elo entre metabolismo e reprodução foi sistematizada por Sliwowska JH, Woods NE, Alzahrani AR et al. (Journal of Diabetes, 2024; PMID 38599822), que a revisaram como alvo terapêutico em condições de disfunção metabólica e reprodutiva simultâneas. Os autores documentaram que os neurônios KNDy do núcleo arqueado que expressam kisspeptina recebem aferências de leptina e insulina — integrando o estado energético ao eixo HPG —, e que em estados de resistência leptínica e insulínica (como os observados em obesidade), a sinalização kisspeptínica hipotalâmica é comprometida, com supressão pulsátil do GnRH independentemente de feedback esteroidal. Em modelos de síndrome metabólica, a reposição de kisspeptina exógena (KP-10 ou KP-54) é investigada quanto à capacidade de restabelecer pulsatilidade do GnRH e, concomitantemente, melhorar parâmetros de sensibilidade insulínica central — sugerindo que a via kisspeptina/KISS1R opera como integrador bidirecional entre metabolismo e reprodução. Essa dualidade reposiciona o KP-10 e análogos como compostos de interesse investigacional especialmente em condições como a síndrome dos ovários policísticos (PCOS), onde hipersecreção de kisspeptina e resistência insulínica co-existem, e em amenorreia hipotalâmica relacionada ao estado metabólico. A aplicação da kisspeptina em medicina reprodutiva assistida foi sistematizada por Baldini GM et al. (International Journal of Molecular Sciences, 2025; PMID 41465388) numa revisão que mapeia as vias moleculares e implicações clínicas dos diferentes triggers de ovulação nos ciclos de FIV. Os autores posicionam o KP-10 e o KP-54 como candidatos investigados para indução do surto de LH pré-ovulatório em substituição ao hCG — que eleva o risco de síndrome de hiperestimulação ovariana (OHSS) — e ao análogo agonista de GnRH. O KP-10 administrado IV ou SC produz surto de LH fisiológico ao ativar os neurônios GnRH do AVPV via KISS1R/Gαq/PLCβ1/Ca²⁺, com pico de LH análogo ao surto endógeno pré-ovulatório mas com meia-vida plasmática curta (~28 min) que limita a janela de surto e reduz o risco de OHSS pela ausência de atividade LH residual prolongada — ao contrário do hCG, com meia-vida de ~24h. Estudos de fase II em centros europeus demonstraram taxas de ovulação de 90-95% e taxas de gestação comparáveis às do trigger com hCG em doadoras de ovócitos e em ciclos de pacientes com risco baixo-moderado de OHSS, abrindo perspectiva do KP-10 como trigger fisiológico de primeira linha especialmente em síndrome dos ovários policísticos — onde o risco de OHSS com hCG é particularmente elevado.

✅ Benefícios Estudados

Estimulação pulsátil de GnRH por agonismo direto nos neurônios GnRH hipotalâmicos
Aumento de LH e FSH investigado em modelos de hipogonadismo hipogonadotrófico
Modulação da fertilidade feminina (surto LH pré-ovulatório via população AVPV)
Integração de sinais metabólicos (leptina) ao controle do eixo HPG
Potencial diagnóstico para avaliar reserva funcional do eixo reprodutivo
Investigado em amenorreia hipotalâmica associada a restrição calórica ou exercício extremo

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Horas 1-6
Aumento agudo de LH circulante.
2
Semana 1-2
Normalização do eixo HPG com uso regular.
3
Mês 1-2
Melhora da função reprodutiva e hormonal.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. The kisspeptin-GnRH pathway in human reproductive health and disease. Revisão científica (revisada por pares), 2014.Revisão de como a kisspeptina age a montante do GnRH para controlar a liberação pulsátil de LH/FSH no eixo reprodutivo humano. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. The Effects of Kisspeptin-10 on Reproductive Hormone Release Show Sexual Dimorphism in Humans. Estudo clínico (revisado por pares), 2011.Mostra a liberação de hormônios reprodutivos induzida por kisspeptina-10 em humanos, com resposta diferente entre sexos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Dynamic modulation of LH secretion by continuous kisspeptin infusion in healthy men. Hormones (Athens) — Estudo clínico (revisado por pares), 2026.Naveed A et al. demonstraram que infusão contínua de kisspeptina em homens saudáveis modula dinamicamente a secreção de LH — confirmando em humanos o paradoxo exposição pulsátil (estimuladora) vs. contínua (dessensibilizante) e estabelecendo base para protocolos de kisspeptina terapêutica pulsátil. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Examining a central mechanism whereby undernutrition inhibits GnRH secretion via KNDy neurons. Journal of Reproduction and Development (revisado por pares), 2026.Nestor CC e Kennedy A identificaram o mecanismo central pelo qual a subnutrição suprime a secreção de GnRH via neurônios KNDy — mostrando que restrição calórica compromete o gerador de pulsos kisspeptina/NKB/dinorfina no ARC, o mesmo circuito que o KP-10 estimula terapeuticamente. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Kisspeptin as a marker for male infertility: a comparative study of serum and seminal plasma kisspeptin between fertile and infertile men. Journal of Assisted Reproduction and Genetics, 2025.Parkpinyo N et al. demonstraram que kisspeptina sérica e seminal está significativamente reduzida em homens inférteis comparados a férteis — estabelecendo a kisspeptina como potencial biomarcador diagnóstico da função gonadal masculina e sugerindo ação local testicular/epididimária. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Kisspeptins centrally modulate food intake and locomotor activity in mice independently of gonadal steroids in a sexually dimorphic manner. Journal of Neuroendocrinology, 2024.Velasco I et al. demonstraram que neurônios de kisspeptina no ARC modulam consumo alimentar e atividade locomotora de forma sexualmente dimórfica e independente de esteroides gonadais — revelando funções metabólicas da kisspeptina além do controle reprodutivo. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Neuroendocrine mechanisms of stress-induced KNDy-GnRH pulse generator suppression: Linking HPA-axis activation to female reproductive dysfunction. Frontiers in Neuroendocrinology (revisão, revisado por pares), 2026.Bo W et al. caracterizaram como o eixo HPA (estresse/glucocorticoides) suprime diretamente os neurônios KNDy no ARC via receptores GR, reduzindo a pulsatilidade de kisspeptina e GnRH — elucidando o mecanismo da amenorreia hipotalâmica por estresse e a racionalidade do KP-10 exógeno para contornar essa supressão. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Stress as a Neuroendocrine Modulator of the Reproductive Axis: Roles of Glucocorticoids, Kisspeptin and Serotonergic Signalling in Animal Models. Neuroendocrinology (revisão, revisado por pares), 2026.Chisupa CO e Manchishi SM revisaram como glucocorticoides e serotonina (5-HT2A/C) co-regulam o circuito KNDy-GnRH — conectando saúde mental, estresse e fertilidade a um substrato molecular compartilhado e contextualizado para aplicação terapêutica de kisspeptina em amenorreia hipotalâmica funcional. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  9. Kisspeptin a potential therapeutic target in treatment of both metabolic and reproductive dysfunction. Journal of Diabetes (revisão, revisado por pares), 2024.Sliwowska JH, Woods NE, Alzahrani AR et al. revisaram a kisspeptina como alvo terapêutico dual — metabólico e reprodutivo — documentando que neurônios KNDy integram sinais de leptina/insulina ao eixo HPG e que resistência leptínica/insulínica suprime a pulsatilidade do GnRH; a reposição de kisspeptina exógena em modelos de síndrome metabólica é investigada por restabelecer fertilidade e melhorar sensibilidade insulínica central simultaneamente. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  10. The Trigger in IVF Cycles: Molecular Pathways and Clinical Implications. International Journal of Molecular Sciences (revisão, revisada por pares), 2025.Baldini GM et al. revisaram os triggers de ovulação em FIV e posicionaram o KP-10/KP-54 como alternativas fisiológicas ao hCG: o KP-10 produz surto de LH via KISS1R/Gαq/PLCβ1 no AVPV com meia-vida curta que reduz o risco de OHSS sem comprometer taxas de ovulação (~90-95%) e gestação, sendo especialmente relevante em pacientes com SOP onde o hCG eleva marcadamente o risco de síndrome de hiperestimulação ovariana. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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