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GHRP-6
GH / Secretagogos

GHRP-6

Secretagogo de GH que estimula fortemente o apetite.

Classificação
Hexapeptídeo secretagogo de GH (GHRP)
Meia-Vida
~15-20 minutos
Clínico Fase IIReconstituição: Fácil
Apresentações
2mg Vial5mg Vial10mg Vial
Também conhecido como: Growth Hormone Releasing Peptide 6, GHRP-6, SKF-110679
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O Que É GHRP-6

O GHRP-6 (Growth Hormone Releasing Peptide 6; DCI: Examorelin; código SKF-110679) é um hexapeptídeo sintético de primeira geração entre os secretagogos de GH (GHRPs — Growth Hormone Releasing Peptides). Foi sintetizado e descrito por Cyril Bowers e colaboradores da Universidade Tulane em pesquisas publicadas entre 1980 e 1991, tornando-se o protótipo dos secretagogos peptídicos de GH. Estruturalmente, consiste na sequência His-D-Trp-Ala-Trp-D-Phe-Lys-NH2, com resíduos D-aminoácidos em posições-chave que conferem maior resistência à degradação proteolítica in vivo e afinidade otimizada pelo receptor. O GHRP-6 atua como agonista do receptor de secretagogos de GH tipo 1a (GHS-R1a), o mesmo receptor endógeno da grelina (o 'hormônio da fome'). Essa identidade de receptor explica a principal característica que distingue o GHRP-6 de GHRPs de gerações posteriores: o potente estímulo ao apetite mediado por neurônios NPY/AgRP do hipotálamo lateral e do núcleo arqueado. Diferentemente do GHRH (que age exclusivamente na hipófise via Gαs/AMPc), o GHRP-6 promove liberação de GH tanto diretamente em células somatotrofas quanto via hipotálamo — aumentando GHRH endógeno e suprimindo somatostatina (SRIF). Em pesquisa clínica, foi amplamente estudado como ferramenta diagnóstica para avaliação do eixo GH/IGF-1 em testes de estimulação (Fase II). Além dos efeitos hipofisários, o GHRP-6 é investigado por efeitos citoprotetores gastrointestinais análogos ao BPC-157, proteção miocárdica contra isquemia-reperfusão (via ativação de GHS-R1a cardíaco), ação anti-inflamatória via supressão de NF-kB e aceleração de cicatrização de feridas em modelos animais — efeitos mediados pelo GHS-R1a expresso em tecidos periféricos além da hipófise. A evidência mais recente sobre os efeitos cardíacos periféricos do GHRP-6 provém de um estudo publicado na revista Pharmaceuticals em 2026 (Wang, Rodriguez-Ulloa, Berlanga-Acosta et al., PMID 41901314), que investigou o GHRP-6 em modelo de ligação coronária permanente em ratos — um modelo de infarto do miocárdio sem reperfusão. O trabalho demonstrou que o GHRP-6 atenuou o remodelamento ventricular pós-infarto (redução da expansão da zona de infarto e da dilatação do ventrículo esquerdo) e preservou a função sistólica (fração de ejeção e fração de encurtamento), com mecanismo atribuído à ativação do GHS-R1a cardíaco e suas vias anti-apoptóticas PI3K/Akt/Bcl-2. Crucialmente, os efeitos cardioprotetores foram observados de forma independente de aumento de GH ou IGF-1 sistêmico — confirmando que o GHS-R1a cardíaco medeia proteção miocárdica diretamente, sem depender do eixo hipofisário. Essa dissociação entre os efeitos hipofisários (estimulação de GH) e os efeitos cardioprotetores periféricos (via GHS-R1a local) é mecanisticamente importante: o GHRP-6 é investigado como candidato a cardioprotetor com base em seu receptor periférico de forma independente de sua propriedade secretagoga original. Uma aplicação terapêutica emergente do GHRP-6 foi descrita por Zhao X et al. (Journal of Nanobiotechnology 2025, PMID 41327290) com o desenvolvimento de um hidrogel carregado com GHRP-6 para pesquisa de lesão renal aguda via regulação metabólica: o sistema de entrega libera o peptídeo de forma sustentada no parênquima renal, onde o GHS-R1a expresso em células tubulares proximais medeia proteção contra lesão isquêmica e tóxica via PI3K/Akt e supressão de apoptose e piroptose tubular. O estudo revelou que o GHRP-6 reduz o estresse oxidativo intratubular e preserva a função mitocondrial renal independentemente de seu efeito secretagogo de GH — expandindo o espectro citoprotetor periférico do GHS-R1a para o néfron, além do miocárdio, pulmão e trato gastrointestinal previamente documentados, e configurando coração-pulmão-intestino-rim como o espectro completo de órgãos com GHS-R1a citoprotetor periférico identificado para o GHRP-6. O nível mais elevado de evidência clínica para o GHRP-6 na neuroproteção foi alcançado em 2026 com o estudo de Fase III de Hernández-Bernal F, Subirós-Martínez N, Gutiérrez-Ronquillo JH et al. (Journal of Clinical Neuroscience, 2026; PMID 42462342): ensaio clínico de fase 3 aberto, randomizado, avaliando a combinação de Fator de Crescimento Epidérmico (EGF) e GHRP-6 em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo. A combinação EGF+GHRP-6 demonstrou benefícios neurológicos funcionais além do pesquisa convencional, com mecanismo proposto envolvendo a ativação sinérgica do GHS-R1a neuronal e do receptor EGF (EGFR) em neurônios peri-infarto — promovendo sobrevivência celular via PI3K/Akt/Bcl-2 e neuroproliferação via ERK1/2/MAPK nas margens da zona de penumbra isquêmica. O estudo de Fase III representa o marco clínico mais avançado para o GHRP-6 no campo da neuroproteção, elevando o perfil de evidência do peptídeo de pré-clínico e Fase II — documentados nos estudos cardiovasculares (PMID 41901314), pulmonares (PMID 41534456) e cognitivos (PMID 42399524) — para ensaio clínico controlado randomizado de Fase III em patologia neurológica humana, e consolidando o GHS-R1a como alvo de neuroproteção com o nível de evidência mais robusto da classe.

✅ Benefícios Estudados

Forte liberação pulsátil de GH pela hipófise anterior (investigada em estudos clínicos Fase II)
Estímulo potente ao apetite via neurônios NPY/AgRP do núcleo arqueado — útil em estados hipercatabólicos investigados
Recuperação muscular e tecidual acelerada via eixo GH/IGF-1/mTORC1
Efeitos citoprotetores gastrointestinais investigados em modelos de úlcera e lesão intestinal (análogos ao BPC-157)
Cardioproteção contra isquemia-reperfusão miocárdica investigada em modelos animais (via GHS-R1a cardíaco)
Melhora da densidade mineral óssea via eixo GH/IGF-1/Runx2 (documentada em estudos de GHD)
Sinergia com GHRH (CJC-1295/Sermorelin): combinação amplifica pico de GH em 3-5x vs. monoterapia

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-2
Aumento do apetite e melhora da qualidade do sono.
2
Semana 3-4
Ganho de massa muscular inicial e melhora da recuperação.
3
Mês 2-3
Melhora da composição corporal e densidade óssea.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. GH secretagogues and GHRPs act as orthosteric super-agonists for activation of the ghrelin receptor. Estudo de farmacologia (revisado por pares), 2009.Descreve o mecanismo dos GHRPs (incl. GHRP-6) como agonistas do receptor de ghrelina (GHS-R), distinto do GHRH. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. On the actions of the growth hormone-releasing hexapeptide, GHRP. Endocrinology (estudo original, Bowers et al.), 1991.Estudo seminal de Bowers et al. descrevendo as ações in vivo e in vitro do GHRP-6 (SKF-110679) — primeiro hexapeptídeo sintético a liberar GH especificamente da hipófise via GHS-R. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Ghrelin and growth hormone secretagogues, physiological and pharmacological aspect. Current Pharmaceutical Design (revisão), 2004.Revisão abrangente do sistema grelina/GHS-R1a e o papel dos secretagogos sintéticos (incluindo GHRP-6) na regulação do eixo GH/IGF-1 e efeitos periféricos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Growth Hormone-Releasing Peptide-6 (GHRP-6) Ameliorates Post-Infarct Ventricular Remodeling and Systolic Dysfunction in a Model of Permanent Coronary Ligation. Pharmaceuticals (Basel) — estudo experimental, 2026.Wang L, Rodriguez-Ulloa A, Berlanga-Acosta J et al. demonstraram que o GHRP-6 atenua remodelamento ventricular pós-infarto e preserva fração de ejeção em modelo de ligação coronária permanente, com mecanismo via GHS-R1a cardíaco/PI3K/Akt/Bcl-2, independente de aumento de GH ou IGF-1 sistêmico. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Growth hormone releasing peptide-6 (GHRP-6) ameliorates acute lung injury and its subsequent evolvement to interstitial fibrosis. International Immunopharmacology (revisado por pares), 2026.Wang L, Berlanga-Acosta J et al. demonstraram que o GHRP-6 atenua lesão pulmonar aguda e previne sua progressão para fibrose intersticial em modelos pré-clínicos via GHS-R1a pulmonar, inibição de NF-κB/NLRP3 e bloqueio da via TGF-β1/Smad2/3 em fibroblastos — expandindo o espectro citoprotetor periférico do peptídeo para o parênquima pulmonar, além do miocárdio e trato gastrointestinal. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. EGF and GHRP6 Co-Administration Attenuates Cognitive Decline in Preclinical Models: Behavioral and Molecular Evidences. Neurotoxicity Research (revisado por pares), 2026.Risco-Acevedo D et al. documentaram que a co-administração de EGF e GHRP-6 atenua declínio cognitivo em modelos pré-clínicos com evidências comportamentais e moleculares de neuroproteção — posicionando o GHS-R1a como alvo de neuroproteção cognitiva e suporte de reparo neural, além das funções hipofisárias e cardiometabólicas clássicas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Growth hormone-releasing peptide 6 (GHRP-6) hydrogel for acute kidney injury therapy via metabolic regulation. Journal of Nanobiotechnology (revisado por pares), 2025.Zhao X et al. desenvolveram hidrogel carregado com GHRP-6 para tratamento de lesão renal aguda: o GHS-R1a em células tubulares proximais medeia proteção via PI3K/Akt→Bcl-2/Bcl-xL e supressão NLRP3→caspase-1, com preservação de função mitocondrial tubular independente de GH/IGF-1 — expandindo o espectro citoprotetor periférico do GHRP-6 para o néfron e consolidando coração-pulmão-intestino-rim como órgãos com GHS-R1a citoprotetor documentado. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Phase III Open-Label, Randomized Clinical Trial of Epidermal Growth Factor and Growth Hormone Releasing Hexapeptide in Acute Ischemic Stroke. Journal of Clinical Neuroscience (ensaio clínico Fase III, revisado por pares), 2026.Hernández-Bernal F, Subirós-Martínez N et al. — ensaio de Fase III com EGF + GHRP-6 em AVC isquêmico agudo demonstrou benefícios neurológicos funcionais via GHS-R1a neuronal e EGFR em neurônios peri-infarto (PI3K/Akt/Bcl-2 e ERK1/2/MAPK na penumbra isquêmica), elevando o GHRP-6 ao nível de evidência clínica mais robusto da classe de secretagogos para neuroproteção. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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