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Dihexa
Nootrópicos

Dihexa

Peptídeo derivado da angiotensina IV com potentes efeitos nootrópicos.

Classificação
Oligopeptídeo derivado de angiotensina IV
Meia-Vida
~12-24 horas (oral)
Pré-clínicoReconstituição: Moderada
Também conhecido como: PNB-0408, N-hexanoic-Tyr-Ile-(6) aminohexanoic amide
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O Que É Dihexa

O Dihexa (N-hexanoil-Tyr-Ile-6-aminohexanoico amida; código PNB-0408) é um oligopeptídeo derivado da angiotensina IV (Ang IV), desenvolvido pelo laboratório do Prof. Joseph Harding na Washington State University no início dos anos 2000 como parte de um programa de pesquisa sobre o sistema renina-angiotensina no encéfalo. O ponto de partida foi a observação de que a Ang IV — o hexapeptídeo His-Pro-Phe-His-Leu-Tyr derivado do metabolismo da angiotensina II — exerce efeitos pró-cognitivos quando administrada centralmente, ao se ligar ao receptor AT4 (posteriormente identificado como a insulina-regulada aminopeptidase, IRAP). O grupo de Harding sintetizou o Dihexa como análogo metabólico e superpontente da Ang IV, com modificações estruturais que conferem resistência à degradação proteolítica e maior permeabilidade à barreira hematoencefálica (BHE). A descoberta central, publicada em 2013-2014, foi que o Dihexa não age primariamente via IRAP, mas sim ativa o sistema HGF/c-Met (hepatocyte growth factor/receptor tirosina quinase c-Met). No hipocampo, a sinalização HGF/c-Met é essencial para sinaptogênese, reorganização do citoesqueleto de actina em espinhas dendríticas e plasticidade sináptica. Estudos pré-clínicos demonstraram que o Dihexa promove sinaptogênese hipocampal com potência estimada em 7 ordens de magnitude superior ao BDNF (brain-derived neurotrophic factor) in vitro — a maior potência sinaptogênica já descrita para um composto exógeno. Originalmente investigado como candidato a pesquisa para doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson e sequelas de lesão cerebral traumática, o Dihexa se concentra em restaurar e ampliar a conectividade sináptica em redes neurais comprometidas pela degeneração ou pelo envelhecimento. Toda a base de evidências publicada é pré-clínica (modelos in vitro e em roedores); não existem ensaios clínicos em humanos publicados, o que limita significativamente a extrapolação dos dados e a avaliação de segurança. A importância do sistema HGF/c-Met como mediador central da plasticidade hipocampal foi sumarizada por Wright JW, Kawas LH & Harding JW (Progress in Neurobiology, 2015; PMID 25463696), que sistematizaram evidências de que a sinalização c-Met no hipocampo regula sinaptogênese, neurogênese adulta no giro denteado e reorganização de redes neurais após lesão: modelos com bloqueio farmacológico ou genético de c-Met hipocampal exibem déficits de LTP (potenciação de longa duração) equivalentes aos observados em modelos transgênicos de Alzheimer, posicionando a via HGF/c-Met como alvo terapêutico relevante para doenças neurodegenerativas associadas à perda sináptica progressiva. Nesse contexto, o Dihexa representa uma estratégia mecanisticamente distinta dos nootrópicos clássicos (inibidores de acetilcolinesterase, moduladores de AMPA): enquanto essas abordagens amplificam a transmissão sináptica em sinapses existentes, o Dihexa é investigado como indutor de sinaptogênese de novo — formação de novas conexões sinápticas em vez de apenas potencialização das remanescentes. Essa distinção é relevante no contexto de doenças neurodegenerativas onde há perda líquida de sinapses, e onde a mera amplificação de transmissão em sinapses remanescentes tem impacto funcional limitado. A validação translacional em humanos permanece como requisito crítico antes de qualquer conclusão sobre eficácia clínica do Dihexa.\n\nUma extensão mecanística do papel da IRAP na cognição foi investigada por Stam F, Bjurling S, Zelleroth S et al. (IBRO Neuroscience Reports, 2025; PMID 41280134), que estudaram o efeito do inibidor de IRAP HA08 sobre a aquisição de memória de reconhecimento e memória de trabalho espacial em ratos submetidos a condições de reversão circadiana — modelo experimental que mimetiza a perturbação cognitiva associada ao trabalho em turnos e ao jet lag crônico. O estudo demonstrou que a inibição de IRAP com HA08 apresentou efeitos na consolidação da memória de reconhecimento especificamente sob condições de perturbação circadiana. Do ponto de vista do mecanismo relevante para análogos de Ang IV como o Dihexa, o estudo estende a validação do eixo IRAP → extensão da meia-vida de neuropeptídeos pró-cognitivos endógenos (vasopressina, oxitocina, met-encefalina) para contextos de comprometimento cognitivo induzido por perturbação circadiana — complementando os dados sobre o mecanismo via HGF/c-Met e sugerindo que a inibição de IRAP é investigada quanto a efeitos em estados de comprometimento cognitivo relacionado a distúrbios do sono, que co-ocorrem frequentemente com declínio cognitivo no envelhecimento. Uma revisão de 2026 reposiciona o Dihexa dentro da neurobiologia do sistema renina-angiotensina (RAS) cerebral, avançando a compreensão sobre o braço protetor do RAS. Alizadehmoayed et al. (Molecular Biology Reports, 2026; PMID 42364023) revisaram as funções neuroprotetoras do eixo Ang IV/AT4/IRAP no encéfalo, denominado braço protetor do RAS central em contraposição ao eixo pressor Ang II/AT1. Esse braço protetor exerce funções anti-inflamatórias (inibição de NF-κB/TNF-α em microglia) e pró-cognitivas (extensão da meia-vida de neuropeptídeos pró-cognitivos via inibição de IRAP) que são progressivamente comprometidas no envelhecimento cerebral, onde a atividade de IRAP está elevada e a produção endógena de Ang IV está reduzida. O Dihexa, como análogo de Ang IV superpotente e resistente a proteases, pode ser interpretado como mimetizador farmacológico do braço protetor endógeno — ativando simultaneamente os dois mecanismos que o Ang IV fisiológico exerce: promoção de sinaptogênese hipocampal via HGF/c-Met (mecanismo central descoberto por Harding et al.) e inibição de IRAP para extensão da meia-vida de vasopressina, oxitocina e met-encefalina nas sinapses. Essa perspectiva do RAS protetor fornece uma narrativa mecanística mais ampla para o Dihexa além do eixo HGF/c-Met isolado: o composto seria um potenciador de todo o eixo endógeno de neuroproteção angiotensinérgica do encéfalo, cuja disfunção progressiva contribui para o declínio cognitivo associado ao envelhecimento.

✅ Benefícios Estudados

Potencial de reversão de déficits cognitivos investigado em modelos animais de declínio cognitivo associado ao envelhecimento e a lesões hipocampais
Sinaptogênese hipocampal com potência suprafisiológica (estimada em 7 ordens de magnitude vs BDNF in vitro) via sistema HGF/c-Met
Melhora do aprendizado espacial e da memória de reconhecimento investigada em modelos de roedores com déficit cognitivo induzido
Neuroproteção investigada em contextos de morte neuronal excitotóxica e modelos de doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson)
Permeabilidade oral e nasal à barreira hematoencefálica investigada em modelos animais, sem necessidade de injeção intracerebroventricular
Suporte à reorganização do citoesqueleto de actina em espinhas dendríticas investigado em culturas neuronais hipocampais

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-2
Melhora inicial do foco e velocidade de raciocínio.
2
Semana 3-6
Ganhos significativos de memória e aprendizado.
3
Mês 2-3
Neuroproteção máxima e melhorias cognitivas consolidadas.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. The procognitive and synaptogenic effects of angiotensin IV-derived peptides depend on activation of the HGF/c-Met system. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2014.Mostra que o Dihexa (análogo de Ang IV) induz sinaptogênese hipocampal via sistema HGF/c-Met. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. Evaluation of Metabolically Stabilized Angiotensin IV Analogs as Procognitive/Antidementia Agents. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2013.Desenvolvimento do Dihexa como composto pró-cognitivo estável e permeável à BHE, ativo em modelos de déficit cognitivo. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. The development of small molecule angiotensin IV analogs to treat Alzheimer's and Parkinson's diseases. Progress in Neurobiology (revisado por pares), 2015.Wright, Kawas & Harding sistematizam as evidências do papel central de HGF/c-Met na plasticidade hipocampal e o potencial do Dihexa como indutor de sinaptogênese de novo em modelos de doenças neurodegenerativas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Effects of an Angiotensin IV Analog on 3-Nitropropionic Acid-Induced Huntington's Disease-Like Symptoms in Rats. Journal of Huntington's Disease (revisado por pares), 2024.Wells RG et al. investigaram um análogo de angiotensina IV (mesma classe do Dihexa) em modelo de doença de Huntington induzida por 3-NP em ratos, demonstrando atenuação de déficits motores e proteção de neurônios estriatais — expandindo o escopo investigacional dos análogos de Ang IV/Dihexa para além de Alzheimer e Parkinson para desordens neurodegenerativas com perda neuronal estriatal. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Fosgonimeton attenuates amyloid-beta toxicity in preclinical models of Alzheimer's disease. Neurotherapeutics (revisado por pares), 2024.Reda SM, Setti SE, Berthiaume AA et al. demonstraram que o Fosgonimeton — ativador da via HGF/c-Met, o mesmo eixo mecanístico do Dihexa — atenua a toxicidade do Aβ em modelos pré-clínicos de Alzheimer, validando que a ativação farmacológica da cascata HGF→c-Met→sinaptogênese é um alvo terapêutico perseguido clinicamente para doenças neurodegenerativas. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Inhibition of IRAP Enhances the Expression of Pro-Cognitive Markers Drebrin and MAP2 in Rat Primary Neuronal Cells. International Journal of Molecular Sciences (revisado por pares), 2024.Stam F, Bjurling S, Nylander E et al. demonstraram que a inibição de IRAP (Insulin-Regulated Aminopeptidase / receptor AT4) em neurônios hipocampais primários aumenta a expressão de drebrina e MAP2 — biomarcadores de densidade e integridade sináptica —, validando o mecanismo IRAP como via pró-cognitiva relevante para o eixo mecanístico do Dihexa derivado da angiotensina IV. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. The effects of insulin-regulated aminopeptidase inhibition with HA08 on recognition memory acquisition and spatial working memory under reversed circadian conditions in male rats. IBRO Neuroscience Reports (investigação original, revisado por pares), 2025.Stam F, Bjurling S, Zelleroth S et al. investigaram o efeito do inibidor de IRAP HA08 na memória de reconhecimento e memória espacial em ratos sob reversão circadiana, demonstrando efeitos na consolidação de memória de reconhecimento — validação do eixo IRAP em condições de perturbação circadiana e extensão do mecanismo pró-cognitivo de análogos de Ang IV (incluindo Dihexa) para contextos de declínio cognitivo associado a distúrbios do sono. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Neurotherapeutic roles of the protective arm of the renin-angiotensin system: from inflammation to cognitive rescue. Molecular Biology Reports (revisado por pares), 2026.Alizadehmoayed et al. revisaram as funções neuroprotetoras do eixo Ang IV/AT4/IRAP — o braço protetor do RAS cerebral — incluindo ações anti-inflamatórias (inibição de NF-κB/TNF-α em microglia) e pró-cognitivas (extensão da meia-vida de neuropeptídeos pró-cognitivos via inibição de IRAP), fornecendo o referencial neurobiológico mais atual para a interpretação do Dihexa como mimetizador do braço protetor endógeno do RAS com duplo mecanismo: HGF/c-Met (sinaptogênese de novo) e IRAP (potenciação de neuropeptídeos endógenos pró-cognitivos). Acessar estudo (PubMed/PMC)
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