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AICAR
Performance

AICAR

Ativador da AMPK que mimetiza os efeitos do exercício físico.

Classificação
Análogo nucleosídeo de adenosina
Meia-Vida
~3-4 horas
Pré-clínicoReconstituição: Moderada
Apresentações
50mg Vial
Também conhecido como: Acadesine, AICA-Riboside, 5-Aminoimidazole-4-carboxamide ribonucleoside
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O Que É AICAR

O AICAR (5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofuranosida), também conhecido como Acadesina ou AICA-Riboside, é um análogo nucleosídeo de adenosina que ocorre naturalmente como intermediário metabólico na via de síntese de novo de purinas. Identificado originalmente na bioquímica de células em cultura na década de 1980, o AICAR ganhou interesse farmacológico ao ser reconhecido como um potente ativador indireto da proteína quinase ativada por AMP (AMPK), uma enzima central na homeostase energética celular. Quando administrado exogenamente, o AICAR é captado pelas células e fosforilado pela adenosina quinase a AICA-ribotídeo (ZMP), um análogo do AMP que se liga ao sítio γ da AMPK e induz sua ativação alostérica — de forma semelhante ao que ocorre durante o exercício físico intenso, quando a proporção AMP/ATP aumenta. Esse mecanismo posiciona o AICAR como um potencial 'mimético do exercício': ativa vias que normalmente requerem contração muscular e esforço metabólico, incluindo captação de glicose independente de insulina, oxidação de ácidos graxos e biogênese mitocondrial. Em 2008, o estudo seminal de Narkar e colaboradores, publicado na Cell, demonstrou que o AICAR aumentou em cerca de 44% a capacidade de corrida de camundongos sedentários sem treinamento físico. O composto também é investigado em cardioproteção (proteção contra danos de isquemia-reperfusão), modulação da inflamação via NF-κB e em condições como síndrome metabólica e diabetes tipo 2. As evidências são predominantemente pré-clínicas; o uso clínico formal ainda é limitado. A tradução clínica do AICAR foi explorada na cardiologia perioperatória pelo ensaio IMAGINE (Mahaffey et al., Lancet, 2008): 4.410 pacientes submetidos a cirurgia de revascularização miocárdica foram randomizados para acadesina (AICAR IV) vs placebo, e embora o desfecho primário composto não tenha sido reduzido, o subgrupo com infarto peri-operatório apresentou redução de mortalidade — sugerindo que a ativação de AMPK em miocárdio sob isquemia confere cardioproteção relevante. No campo de pesquisa metabólica, o estudo fundador de Narkar et al. (Cell, 2008, PMID 18674809) demonstrou que AICAR ativa especificamente as isoformas AMPK-α2/β2/γ3 (fibras de contração rápida) e α1/β1/γ1 (fibras lentas) em músculo esquelético de camundongos, promovendo translocação de GLUT4 à membrana plasmática por via independente de insulina e sem ativação de mTORC2 — característica que distingue o exercício farmacológico do exercício físico real, onde PI3K/Akt e AMPK se ativam concomitantemente. Essa seletividade de isoforma muscular alinha-se com os benefícios de endurance documentados nos modelos pré-clínicos e orienta o design de análogos mais seletivos em pesquisa translacional. A seletividade de isoforma do AICAR na ativação de AMPK foi aprofundada por Biswas D, Espino-Gonzalez E, Ahwazi D et al. (Molecular Metabolism 2026; PMID 41325841) em estudo que dissecou as contribuições distintas das subunidades regulatórias AMPKγ (γ1, γ2, γ3) para a captação de glicose estimulada por ativadores de pequenas moléculas no músculo esquelético. O trabalho demonstrou que o AICAR (via ZMP) ativa preferencialmente isoformas heterotrímeras contendo γ3 — expresso predominantemente em fibras musculares de contração rápida/glicolíticas tipo IIb — para a captação aguda de glicose via TBC1D1, enquanto ativadores sintéticos de nova geração (como MK-8722) utilizam preferencialmente γ1 em fibras lentas. Esta distinção tem implicações de alta relevância translacional: o perfil de ativação γ3 do AICAR reproduz especificamente o padrão de recrutamento de AMPK do exercício intenso de alta intensidade (que mobiliza fibras IIb), diferente dos ativadores sintéticos que mimetizam o exercício aeróbico de baixa intensidade. Para aplicações em sarcopenia — caracterizada pela perda desproporcional de fibras tipo IIb rápidas com o envelhecimento — a seletividade γ3 do AICAR é mecanisticamente superior à de compostos γ1-biased, orientando o AICAR como candidato específico para investigação em perda muscular de fibras rápidas relacionada à idade. Um domínio emergente da pesquisa com AICAR é a interseção entre ativação de AMPK e saúde mental. Takahashi K, Kurokawa K, Kawaguchi R et al. (Neurochemistry International, 2026; PMID 41932583) investigaram os efeitos do AICAR em modelo murino de perturbação de microbiota intestinal — contexto em que a disbiose induzida gerou comportamentos depressivos e déficits de neuroplasticidade hipocampal. O AICAR melhorou significativamente esses comportamentos e foi associado à ativação de AMPK hipocampal, modulação da neurogênese adulta e atenuação da neuroinflamação local. Esse resultado expande o espectro de relevância investigacional do AICAR para além do metabolismo periférico e da cardioproteção, apontando para o eixo AMPK-neuroplasticidade hipocampal como mecanismo pelo qual a ativação energética celular pode ser transladada para benefícios no eixo intestino-cérebro em contextos de disbiose. O envelhecimento muscular representa uma dimensão translacional crescente da pesquisa com AICAR. Wilcox SH et al. (FASEB BioAdvances, 2025; PMID 40060947) demonstraram que o pesquisa crônico de camundongos envelhecidos com AICAR reverteu alterações relacionadas ao envelhecimento na performance de exercício e no perfil de expressão gênica do músculo esquelético — incluindo a normalização de genes anabólicos e metabólicos que haviam declinado com a senescência. O achado consolida que a ativação sustentada de AMPK pelo AICAR não apenas mimetiza o exercício agudo, mas pode reverter reprogramações transcriptômicas estabelecidas pelo envelhecimento no músculo esquelético, em particular nas fibras de contração rápida (tipo IIb) que se perdem desproporcionalmente na sarcopenia e nas quais o AICAR exibe seletividade de isoforma γ3 documentada por Biswas et al. A convergência entre a seletividade isoformas-γ do AICAR e sua capacidade de reverter marcadores moleculares do envelhecimento muscular posiciona o composto como ferramenta de pesquisa com especificidade mecanística para a perda de fibras rápidas associada à idade, distinguindo-o de ativadores de AMPK sintéticos com perfil γ1-biased que replicam o padrão do exercício aeróbico de baixa intensidade em vez do exercício de alta intensidade que preserva o tipo IIb. Uma aplicação terapêutica emergente do AICAR foi investigada no contexto da lesão renal aguda por isquemia-reperfusão (LRA-IR) — uma das principais causas de insuficiência renal aguda em contexto hospitalar, com mecanismo patogênico envolvendo colapso energético celular e ativação do inflamassoma NLRP3. Gan L, Li W, Zhang Y et al. (Cellular and Molecular Life Sciences, 2026; PMID 41644729) demonstraram que o AICAR atenua a LRA-IR em modelo animal pela modulação da via AMPK-TXNIP-NLRP3: a ativação de AMPK reduz os níveis de TXNIP (thioredoxin-interacting protein), que em condições de estresse metabólico ativa o inflamassoma NLRP3 com consequente processamento de IL-1β e IL-18 e morte celular piroptótica dos túbulos renais proximais. O AICAR também restaurou o metabolismo energético renal comprometido pela isquemia, elevando os níveis de ATP e a fosforilação oxidativa mitocondrial em tubulócitos sobreviventes. Esses dados ampliam o espectro investigado do AICAR além do contexto metabólico-muscular para o domínio da nefroproteção aguda, posicionando o ativador de AMPK como candidato a estudos em lesões renais perioperatórias e transplante renal — onde a lesão de isquemia-reperfusão é causa central de função retardada do enxerto.

✅ Benefícios Estudados

Melhora da resistência aeróbica e capacidade de corrida investigada em modelos murinos (aumento de ~44% com AICAR isolado — seminal Narkar et al., Cell 2008)
Ativação de biogênese mitocondrial via AMPK/PGC-1α investigada em músculo esquelético, coração e tecido adiposo marrom
Melhora da sensibilidade à insulina e captação de glicose GLUT4-dependente independente de insulina em modelos de resistência à insulina
Prevenção e reversão de neuropatia periférica diabética (DPN) via regulação de mitofagia AMPK/ULK1 — investigada em modelos murinos de DPN (Chandrasekaran et al., 2024)
Cardioproteção contra isquemia-reperfusão via ativação do canal mKATP mitocondrial e redução de ROS (dados pré-clínicos + coorte cirúrgica IMAGINE)
Redução de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6) via inibição de IKKβ/NF-κB e ativação de SIRT1/deacetilação de p65 em estados de inflammaging
Inibição de enzimas gliconeogênicas (PEPCK, G6Pase) no fígado via AMPK/CRTC2 — mecanismo de controle glicêmico não-insulínico relevante em DM2 avançado

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-2
Aumento da resistência e melhora do metabolismo energético.
2
Semana 3-6
Melhora da composição corporal e captação de glicose.
3
Mês 2-3
Adaptações metabólicas consistentes e resistência física elevada.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. AMPK and PPARδ agonists are exercise mimetics. Cell, 2008.Estudo seminal (Narkar et al.): AICAR (ativador de AMPK) aumentou a resistência em ~44% em camundongos sedentários — base do conceito de 'exercício em pílula'. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. Exercise-mimetic AICAR transiently benefits brain function. Estudo pré-clínico (revisado por pares), 2015.Mostra benefícios (transitórios) do AICAR na função cerebral, com ressalva de que não substitui integralmente o exercício. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. AMPK: a nutrient and energy sensor that maintains energy homeostasis. Nature Reviews Molecular Cell Biology (revisado por pares), 2012.Hardie DG, Ross FA e Hawley SA revisaram o mecanismo molecular completo da AMPK — sensoriamento de AMP/ADP/ATP, regulação alostérica e covalente, isoformas α1/α2, substratoma e conexão com exercício físico e AICAR — estabelecendo o framework mecanístico que embasa o conceito de miméticos do exercício por ativação farmacológica de AMPK. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Administration of AICAR, an AMPK Activator, Prevents and Reverses Diabetic Polyneuropathy (DPN) by Regulating Mitophagy. International Journal of Molecular Sciences (revisado por pares), 2024.Chandrasekaran K et al. demonstraram que o AICAR previne e reverte neuropatia periférica diabética em modelos murinos via regulação da mitofagia (AMPK/ULK1/Beclin-1) — primeiro estudo a vincular a ativação do AICAR à depuração de mitocôndrias disfuncionais em neurônios sensoriais das DRG como mecanismo neuroprotetor em DPN. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Targeting AMPK Networks for Male Reproductive Health: Mechanisms and Emerging Therapies. Cells (revisado por pares), 2026.Rahman MA et al. mapearam o papel das redes AMPK — ativáveis farmacologicamente pelo AICAR — na espermatogênese, função de células de Sertoli e qualidade espermática, expandindo o espectro de tecidos-alvo do AICAR para o compartimento reprodutivo masculino. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Common and distinct roles of AMPKγ isoforms in small-molecule activator-stimulated glucose uptake in mouse skeletal muscle. Molecular Metabolism (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2026.Biswas D, Espino-Gonzalez E, Ahwazi D et al. dissecaram as contribuições de AMPKγ1, γ2 e γ3 para a captação de glicose estimulada por ativadores de pequenas moléculas (incluindo AICAR via ZMP): γ3 medeia captação preferencial em fibras rápidas tipo IIb, enquanto γ1 atua em fibras lentas — estabelecendo que o AICAR replica o perfil isoformas-γ do exercício de alta intensidade e orientando seu uso em sarcopenia de fibras tipo II. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. AICAR improves depression-like behaviors and is associated with hippocampal AMPK activation and modulation of neurogenesis and neuroinflammation in a microbiota disruption model. Neurochemistry International (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2026.Takahashi K, Kurokawa K, Kawaguchi R et al. investigaram os efeitos do AICAR em modelo murino de perturbação de microbiota intestinal — contexto em que a disbiose induzida gerou comportamentos depressivos e déficits de neuroplasticidade hipocampal. O AICAR melhorou comportamentos depressivos e foi associado à ativação de AMPK hipocampal, modulação da neurogênese adulta e atenuação da neuroinflamação — expandindo o espectro investigacional do AICAR para o eixo AMPK-neuroplasticidade hipocampal e a interface intestino-cérebro. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Chronic treatment of old mice with AICAR reverses age-related changes in exercise performance and skeletal muscle gene expression. FASEB BioAdvances, 2025.Wilcox SH et al. demonstraram que o tratamento crônico de camundongos envelhecidos com AICAR reverteu alterações relacionadas à idade na performance de exercício e no perfil de expressão gênica do músculo esquelético — consolidando que a ativação farmacológica sustentada de AMPK pode reverter reprogramações transcriptômicas do envelhecimento muscular, com relevância específica para fibras de contração rápida tipo IIb (perfil de ativação γ3 do AICAR em sarcopenia). Acessar estudo (PubMed/PMC)
  9. AICAR attenuates ischemia-reperfusion-induced AKI by modulating AMPK-TXNIP-NLRP3 pathway and energy metabolism. Cellular and Molecular Life Sciences (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2026.Gan L et al. demonstraram que o AICAR atenua lesão renal aguda por isquemia-reperfusão via ativação de AMPK que reduz TXNIP e suprime o inflamassoma NLRP3, diminuindo piroptose de tubulócitos e restaurando o metabolismo energético renal — expandindo o espectro nefroprotetor do ativador de AMPK. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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