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IGF-1: o que é, valores de referência por idade e o que altera o resultado

Marcador do eixo do hormônio do crescimento: faixas por idade em adultos brasileiros, método do laboratório e o que muda o resultado.

Conteúdo informativo: não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde.

Em resumo

  • O IGF-1 é produzido principalmente no fígado sob ação do hormônio do crescimento (GH) e é usado por endocrinologistas para avaliar e acompanhar distúrbios desse eixo.
  • Não existe faixa única: em 1.000 adultos brasileiros de 21 a 70 anos, o intervalo (percentis 2,5 a 97,5) foi de 111 a 334 µg/L aos 21 a 25 anos e de 65 a 185 µg/L aos 66 a 70 anos, no método usado; outros métodos têm outras faixas.
  • Desnutrição, doença hepática, diabetes mal controlado, doença renal e consumo habitual de álcool estão entre os fatores associados a valores menores.

O que o exame mede

O IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina 1, antigamente chamado de somatomedina C) é uma proteína produzida principalmente no fígado em resposta ao hormônio do crescimento (GH). Segundo a MedlinePlus, ele medeia os efeitos do GH no organismo e, ao contrário do GH, cujos níveis oscilam ao longo do dia conforme a alimentação e a atividade física, tem valores mais estáveis.

Por isso o IGF-1 é um dos marcadores centrais no diagnóstico e no acompanhamento de doenças relacionadas ao GH (Bidlingmaier e colaboradores, 2014).

Como o exame é usado nas diretrizes

O consenso de padronização dos ensaios de GH e IGF-1 (Clemmons, 2011) lista os usos das medidas: diagnóstico de distúrbios da secreção de GH, avaliação de crianças com baixa estatura, manejo de condições que levam a insuficiência nutricional ou catabolismo e monitoramento da reposição de GH e de IGF-1.

Em consensos de acromegalia, o IGF-1 é um dos marcadores bioquímicos do diagnóstico e da avaliação de remissão, interpretado em relação ao limite superior da normalidade para a idade e dentro do contexto clínico (Giustina e colaboradores, 2024). A MedlinePlus acrescenta que, em adultos, um valor baixo pode refletir a queda normal com a idade ou outras condições.

Valores de referência

O IGF-1 não tem faixa de referência única: os intervalos são construídos para um método, uma idade e, em alguns estudos, um sexo. A primeira tabela traz as faixas de um estudo com adultos brasileiros saudáveis, feito com um ensaio específico (Immulite 2000); a segunda descreve o padrão ao longo da vida de um estudo multicêntrico. O laudo traz o intervalo do método do próprio laboratório, ajustado para a idade e o sexo.

IGF-1 em adultos brasileiros saudáveis de 21 a 70 anos, por faixa etária (ensaio Immulite 2000)
Faixa etáriaPercentil 2,5MedianaPercentil 97,5
21 a 25 anos111 µg/L197 µg/L334 µg/L
26 a 30 anos109 µg/L190 µg/L310 µg/L
31 a 35 anos106 µg/L178 µg/L287 µg/L
36 a 40 anos102 µg/L169 µg/L265 µg/L
41 a 45 anos95 µg/L163 µg/L250 µg/L
46 a 50 anos87 µg/L145 µg/L240 µg/L
51 a 55 anos81 µg/L137 µg/L220 µg/L
56 a 60 anos75 µg/L127 µg/L207 µg/L
61 a 65 anos68 µg/L121 µg/L197 µg/L
66 a 70 anos65 µg/L110 µg/L185 µg/L

Fonte: Rosario, 2010 (Tabela 2 do artigo; 10 grupos de 100 voluntários saudáveis, 50 homens e 50 mulheres cada; sem diferença significativa entre os sexos em nenhuma faixa etária, por isso os valores não são separados por sexo; 1 µg/L equivale a 1 ng/mL). Os valores valem para o ensaio Immulite 2000 com separação funcional das proteínas ligadoras; outros métodos dão outras faixas. As faixas variam por laboratório e método; use a do seu laudo.

Padrão do IGF-1 ao longo da vida (estudo multicêntrico com 15.014 pessoas de 0 a 94 anos)
Fase da vidaPadrão observado
Logo após o nascimentoQueda
Infância até a puberdadeAumento até o pico puberal, aos 15 anos
Vida adultaRedução contínua com a idade
SexoEfeito pequeno; as mulheres têm, em média, valores um pouco menores ao longo da vida

Fonte: Bidlingmaier e colaboradores, 2014 (intervalos específicos do método usado no estudo). As faixas variam por laboratório e método; use a do seu laudo.

No estudo brasileiro, a correlação entre a idade e o IGF-1 foi negativa (r = −0,61 na amostra toda), e uma segunda medida feita 12 semanas depois variou 20% ou menos em 99% dos casos, 15% ou menos em 96% e 10% ou menos em 75% (Rosario, 2010). Os valores do fabricante do ensaio, citados no mesmo artigo, ficaram um pouco acima dos encontrados no estudo.

A literatura também expressa o IGF-1 como escore de desvio-padrão (SDS) para a idade e o sexo. O consenso de 2011 recomendou que os dados normativos considerem faixas etárias, o estádio puberal (Tanner) e o efeito do índice de massa corporal.

O que pode alterar o resultado

O IGF-1 depende da idade, do sexo, do método e de vários fatores fisiológicos. O que a literatura registra:

  • Método do laboratório: o consenso de 2011 conclui que são necessárias melhorias importantes no desempenho e na comparabilidade dos ensaios e destaca as condições pré-analíticas, os padrões internacionais de referência e a interferência das proteínas ligadoras (Clemmons, 2011). Os intervalos do estudo multicêntrico foram construídos com um ensaio insensível às seis proteínas ligadoras de alta afinidade (Bidlingmaier e colaboradores, 2014).
  • Índice de massa corporal e estado nutricional: o consenso recomenda considerar o efeito do IMC nos dados normativos, e a desnutrição está entre as condições em que o IGF-1 circulante fica reduzido (Clemmons, 2011; Matsumoto e colaboradores, 2018).
  • Fígado: a maior parte do IGF-1 circulante vem do fígado e os níveis estão reduzidos em condições como a cirrose. Em 428 pessoas em check-up, albumina, bilirrubina total, cálcio e HOMA-IR correlacionaram-se positivamente com o IGF-1, enquanto as transaminases e o consumo habitual de álcool acima de 20 g por dia se correlacionaram negativamente; a esteatose hepática associou-se a IGF-1 menor após ajuste (Matsumoto e colaboradores, 2018).
  • Outras condições: diabetes mal controlado e insuficiência renal também estão entre as situações em que o IGF-1 circulante fica reduzido (Matsumoto e colaboradores, 2018).
  • Idade: depois do pico da puberdade os valores diminuem de forma contínua, por isso a faixa de referência é específica para a idade (Bidlingmaier e colaboradores, 2014).
  • Preparo: a MedlinePlus informa que o exame não exige preparo especial.

Quando procurar um médico

O IGF-1 é lido pelo médico, que o interpreta com a idade, o sexo, o método do laboratório e o quadro clínico. Segundo as fontes citadas, a avaliação médica é o caminho nestas situações:

  • Resultado fora do intervalo do laudo: a MedlinePlus informa que valores abaixo do esperado em crianças levam a investigar deficiência ou insensibilidade ao hormônio do crescimento e que valores acima do esperado podem estar associados a gigantismo na infância e a acromegalia em adultos; em adultos, um valor baixo também pode refletir a queda normal com a idade.
  • Acompanhamento de doenças do eixo do hormônio do crescimento: o IGF-1 é um dos marcadores centrais no diagnóstico e no acompanhamento dessas doenças, sempre interpretado no contexto clínico (Bidlingmaier e colaboradores, 2014; Giustina e colaboradores, 2024).
  • Condições que reduzem o IGF-1: a literatura cita doença do fígado, diabetes mal controlado, insuficiência renal e desnutrição (Matsumoto e colaboradores, 2018), e o médico avalia se o valor reflete uma dessas condições.
  • Resultado que muda entre exames: no estudo brasileiro, 99% das segundas medidas, feitas 12 semanas depois, variaram 20% ou menos, e os autores concluíram que variações maiores que 20% nesse intervalo não podem ser atribuídas apenas à variação do ensaio (Rosario, 2010); o método de cada laboratório também influencia o número (Clemmons, 2011).

Perguntas frequentes

O que significa IGF-1 alto ou baixo?

Segundo a MedlinePlus, valores abaixo do esperado em crianças levam a investigar deficiência ou insensibilidade ao GH, e valores acima do esperado podem estar associados a gigantismo na infância e a acromegalia em adultos. Em adultos, um valor baixo também pode refletir a queda normal com a idade. Só o médico interpreta o resultado junto com o quadro clínico.

Por que não existe um valor único de referência para o IGF-1?

Porque o IGF-1 varia com a idade (queda após o nascimento, pico na puberdade e redução contínua na vida adulta), com o sexo e com o método do laboratório. Em adultos brasileiros saudáveis medidos com um ensaio específico, o percentil 2,5 caiu de 111 µg/L aos 21 a 25 anos para 65 µg/L aos 66 a 70 anos e o percentil 97,5, de 334 para 185 µg/L (Rosario, 2010); outros métodos têm outras faixas.

O IGF-1 precisa de preparo para o exame?

Segundo a MedlinePlus, não é necessário preparo especial. O consenso de padronização cita as condições pré-analíticas entre as variáveis que afetam a interpretação do ensaio, por isso o resultado deve ser lido com o intervalo do laboratório que fez o exame.

Referências

  1. Rosario PW. Normal values of serum IGF-1 in adults: results from a Brazilian population. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2010;54(5):477-481. doi:10.1590/s0004-27302010000500008 PubMed 20694409
  2. Bidlingmaier M, Friedrich N, Emeny RT, et al. Reference intervals for insulin-like growth factor-1 (IGF-I) from birth to senescence: results from a multicenter study using a new automated chemiluminescence IGF-I immunoassay conforming to recent international recommendations. J Clin Endocrinol Metab. 2014;99(5):1712-1721. doi:10.1210/jc.2013-3059 PubMed 24606072
  3. Clemmons DR. Consensus statement on the standardization and evaluation of growth hormone and insulin-like growth factor assays. Clin Chem. 2011;57(4):555-559. doi:10.1373/clinchem.2010.150631 PubMed 21285256
  4. Matsumoto R, Koga M, Kasayama S, et al. Factors correlated with serum insulin-like growth factor-I levels in health check-up subjects. Growth Horm IGF Res. 2018;40:55-60. doi:10.1016/j.ghir.2018.01.003 PubMed 29395967
  5. Giustina A, Biermasz N, Casanueva FF, et al. Consensus on criteria for acromegaly diagnosis and remission. Pituitary. 2024;27(1):7-22. doi:10.1007/s11102-023-01360-1 PubMed 37923946

Fontes oficiais consultadas

  • MedlinePlus (NIH/NLM). IGF-1 (Insulin-like Growth Factor 1) Test (atualizada em 24/09/2024). Abrir a fonte (lida em 26/10/2026).

Outros exames

Conteúdo informativo, elaborado a partir das diretrizes e dos artigos científicos citados. Não é laudo, diagnóstico nem orientação de conduta. As faixas de referência variam por laboratório, método, idade e sexo: use sempre a faixa impressa no seu laudo. Quem interpreta o resultado é o médico que conhece o seu histórico. Não use este texto para iniciar, suspender ou ajustar tratamentos.

Texto elaborado pela equipe editorial a partir das fontes citadas, que foram conferidas em 26/10/2026; revisão clínica por profissional: pendente. Próxima revisão editorial prevista: 24/04/2027. Encontrou um erro? Use o link "Contato e correções" abaixo.