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HbA1c (hemoglobina glicada): o que é e valores de referência

Média da glicose dos últimos três meses: faixas da SBD, glicemia média estimada e o que distorce o resultado.

Conteúdo informativo: não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde.

Em resumo

  • A HbA1c é a porcentagem da hemoglobina ligada à glicose e reflete a glicemia média de cerca de três meses.
  • Nos critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes, abaixo de 5,7% é a faixa normal, de 5,7% a 6,4% é pré-diabetes e 6,5% ou mais é a faixa de diabetes.
  • Anemias, variantes da hemoglobina, transfusões, gestação e doença renal crônica estão entre as situações que tornam o resultado inconsistente.

O que o exame mede

A hemoglobina glicada (HbA1c, também escrita A1c) é a porcentagem da hemoglobina dos glóbulos vermelhos que está ligada à glicose. Como essa ligação é gradual e duradoura, o valor reflete a glicemia média de cerca de três meses, e não a de um instante, como acontece na glicemia de jejum.

No estudo que descreveu a relação entre os dois números, 507 participantes (268 com diabetes tipo 1, 159 com tipo 2 e 80 sem diabetes) tiveram a HbA1c medida ao fim de três meses e comparada com a glicemia média dos três meses anteriores. A relação obtida foi glicemia média (mg/dL) = 28,7 × HbA1c − 46,7, com R² de 0,84. É por essa equação que a HbA1c pode ser expressa como glicemia média estimada, na mesma unidade da glicemia capilar.

Como o exame é usado nas diretrizes

A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) usa a HbA1c, junto com a glicemia de jejum e o teste de tolerância à glicose, nos critérios de diagnóstico de diabetes e de pré-diabetes. A mesma diretriz registra que a análise precisa ser feita por método com validação certificada pelo NGSP (National Glycohemoglobin Standardization Program).

As recomendações de laboratório de 2023 (Sacks e colaboradores) descrevem que o diabetes pode ser diagnosticado pelo aumento da glicose no plasma venoso ou da HbA1c, e que o controle glicêmico é acompanhado pela medida de glicose feita pela própria pessoa ou por sensores e pela HbA1c de laboratório.

Nathan e colaboradores descrevem a HbA1c como a medida de glicemia crônica mais usada para avaliar o controle glicêmico de quem tem diabetes; a equação com a glicemia média foi construída para traduzir esse número na unidade da glicemia do dia a dia.

Valores de referência

A tabela abaixo reproduz a faixa de HbA1c da Tabela 1 da diretriz da SBD. São categorias diagnósticas de uma diretriz, não uma faixa pessoal de normalidade.

HbA1c nos critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes
HbA1cCategoria
Abaixo de 5,7%Normal
5,7% a 6,4%Pré-diabetes
6,5% ou maisFaixa de diabetes

Fonte: diretriz da SBD, Tabela 1 (revisão de 09/07/2024). As faixas variam por laboratório e método; use a do seu laudo.

HbA1c e glicemia média estimada (equação de Nathan et al., 2008)
HbA1cGlicemia média estimada
5,0%cerca de 97 mg/dL
5,7%cerca de 117 mg/dL
6,5%cerca de 140 mg/dL
7,0%cerca de 154 mg/dL
8,0%cerca de 183 mg/dL
9,0%cerca de 212 mg/dL

Valores calculados aqui com a equação 28,7 × HbA1c − 46,7 e arredondados. É uma estimativa populacional (R² = 0,84): a glicemia média de uma pessoa pode ficar acima ou abaixo.

Segundo a diretriz da SBD, quando só um exame está alterado ele deve ser repetido para confirmação, e glicemia de jejum e HbA1c alteradas na mesma coleta estabelecem o diagnóstico. A decisão de diagnóstico é sempre do médico.

A HbA1c varia pouco na mesma pessoa: em 685 participantes sem diabetes diagnosticado, medidos duas vezes com cerca de duas semanas de intervalo, o coeficiente de variação dentro da pessoa foi de 3,6% para a HbA1c, de 5,7% para a glicemia de jejum e de 16,7% para a glicose de 2 horas (Selvin e colaboradores, 2007).

Em um estudo transversal com 714 pessoas de uma população semiurbana brasileira, o ponto de corte ótimo da HbA1c foi de 6,8% ou mais para diabetes e de 6,0% ou mais para pré-diabetes, com área sob a curva de 0,85 (IC 95%: 0,80 a 0,90) para diabetes e de 0,61 (0,55 a 0,67) para pré-diabetes, e os autores não apoiam o uso da HbA1c para diagnosticar pré-diabetes (do Vale Moreira e colaboradores, 2019). São resultados de um estudo, que não substituem os critérios da diretriz.

O que pode alterar o resultado

A diretriz da SBD lista, no Quadro 3, situações em que a HbA1c pode ser inconsistente com a glicemia real. A revisão de Radin (2014) trata do mesmo tema: como identificar quando o resultado engana e quais outros marcadores existem.

  • Variantes da hemoglobina e hemoglobinopatias.
  • Anemias e transfusões de sangue.
  • Gestação e puerpério.
  • Doença renal crônica e uso de eritropoetina recombinante.
  • Uso de antirretrovirais, também citado no quadro da diretriz.
  • A própria diretriz observa que a HbA1c não leva em conta a variabilidade individual da glicação das proteínas e tem sensibilidade diagnóstica menor que os outros métodos, além de custo maior.
  • O método do laboratório: a validação precisa ser certificada pelo NGSP para que o valor seja comparável ao dos estudos e das diretrizes.

Quando procurar um médico

A HbA1c é interpretada pelo médico, junto com a glicemia, o histórico e as condições que a distorcem. Segundo as fontes citadas, a avaliação médica é o caminho nestas situações:

  • Resultado de 5,7% ou mais: a diretriz da SBD descreve a faixa de 5,7% a 6,4% como pré-diabetes e a de 6,5% ou mais como a faixa de diabetes e registra que, quando só um exame está alterado, ele deve ser repetido; a MedlinePlus acrescenta que o médico costuma usar mais de um exame, como outra HbA1c, a glicemia de jejum ou o teste oral de tolerância à glicose.
  • Sintomas que a MedlinePlus associa ao diabetes: muita sede, urinar muito, queda do peso corporal sem intenção, muita fome, visão turva, formigamento ou dormência nas mãos e nos pés, cansaço, pele seca, feridas que cicatrizam devagar e mais infecções que o habitual.
  • Condições que distorcem a HbA1c: o Quadro 3 da SBD lista anemias, variantes da hemoglobina, transfusões, gestação e doença renal crônica, e nesses casos cabe ao médico escolher como interpretar o exame.
  • Fatores de risco: a MedlinePlus, citando o CDC, indica a HbA1c para pessoas acima de 45 anos e, em mais jovens, para quem tem pré-diabetes, sobrepeso ou obesidade, parente com diabetes tipo 2, pressão alta ou colesterol alto, entre outros fatores.

Perguntas frequentes

HbA1c de 5,7% é diabetes?

Nos critérios da SBD, de 5,7% a 6,4% corresponde à faixa de pré-diabetes e 6,5% ou mais à faixa de diabetes. O diagnóstico depende de confirmação e do conjunto de exames avaliado pelo médico, não de um número isolado.

Qual a diferença entre a HbA1c e a glicemia de jejum?

A glicemia de jejum mede a glicose de um momento e pode ser afetada por condições agudas. A HbA1c reflete cerca de três meses, mas custa mais e pode ser alterada por condições do sangue, como anemias e variantes da hemoglobina.

Por que a HbA1c do laudo pode não bater com a glicemia média do dia a dia?

A equação que liga os dois números tem R² de 0,84, ou seja, explica a maior parte da variação, mas não toda. Além disso, as condições listadas no Quadro 3 da SBD, como anemias e transfusões, podem deslocar a HbA1c sem mudar a glicemia.

Referências

  1. Nathan DM, Kuenen J, Borg R, et al. Translating the A1C assay into estimated average glucose values. Diabetes Care. 2008;31(8):1473-1478. doi:10.2337/dc08-0545 PubMed 18540046
  2. Radin MS. Pitfalls in hemoglobin A1c measurement: when results may be misleading. J Gen Intern Med. 2014;29(2):388-394. doi:10.1007/s11606-013-2595-x PubMed 24002631
  3. Sacks DB, Arnold M, Bakris GL, et al. Guidelines and Recommendations for Laboratory Analysis in the Diagnosis and Management of Diabetes Mellitus. Diabetes Care. 2023;46(10):e151-e199. doi:10.2337/dci23-0036 PubMed 37471273
  4. Selvin E, Crainiceanu CM, Brancati FL, Coresh J. Short-term variability in measures of glycemia and implications for the classification of diabetes. Arch Intern Med. 2007;167(14):1545-1551. doi:10.1001/archinte.167.14.1545 PubMed 17646610
  5. do Vale Moreira NC, Montenegro RM Jr, Meyer HE, et al. Glycated Hemoglobin in the Diagnosis of Diabetes Mellitus in a Semi-Urban Brazilian Population. Int J Environ Res Public Health. 2019;16(19):3598. doi:10.3390/ijerph16193598 PubMed 31561434

Fontes oficiais consultadas

  • Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da SBD: Diagnóstico de diabetes mellitus (última revisão do capítulo em 09/07/2024; edição 2026). Abrir a fonte (lida em 26/10/2026).
  • MedlinePlus (NIH/NLM). Hemoglobin A1C (HbA1c) Test (atualizada em 20/05/2025). Abrir a fonte (lida em 26/10/2026).

Outros exames

Conteúdo informativo, elaborado a partir das diretrizes e dos artigos científicos citados. Não é laudo, diagnóstico nem orientação de conduta. As faixas de referência variam por laboratório, método, idade e sexo: use sempre a faixa impressa no seu laudo. Quem interpreta o resultado é o médico que conhece o seu histórico. Não use este texto para iniciar, suspender ou ajustar tratamentos.

Texto elaborado pela equipe editorial a partir das fontes citadas, que foram conferidas em 26/10/2026; revisão clínica por profissional: pendente. Próxima revisão editorial prevista: 24/04/2027. Encontrou um erro? Use o link "Contato e correções" abaixo.