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← Blog·Oncologia de Precisão22 de junho de 2026

Selpercatinibe e Pralsetinibe: Inibidores Seletivos de RET em CPNPC RET-fusão e Carcinoma Medular de Tireoide

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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RET: biologia e alterações oncogênicas em pulmão, tireoide e outras neoplasias

RET (REarranged during Transfection): RET é um RTK expresso em células da crista neural (neurônios, células C da tireoide, células parafoliculares) e em tecidos embrionários. Em condições normais, ativado pelos ligantes GDNF (glial cell line-derived neurotrophic factor) → regula desenvolvimento do sistema nervoso entérico e rim.

Dois mecanismos de ativação oncogênica distintos:

1. Fusões gênicas (RET fusions): Ocorrem quando quebras cromossômicas unem a porção 3' de RET (com o domínio quinase) a um gene parceiro 5' — constitutivamente ativo sem precisar de ligante. Parceiros comuns: KIF5B (mais comum em CPNPC), CCDC6, NCOA4 (mais comum em tireoide papilar), PRKAR1A.

Frequência:

  • CPNPC: ~1-2% (CPNPC adenocarcinoma principalmente; raramente em CEC)
  • Carcinoma papilar de tireoide: ~10-20% (fusões post-irradiação mais comuns)
  • Outros: raro em colon, pâncreas, leucemia

2. Mutações pontuais (RET point mutations): No carcinoma medular de tireoide (CMT): RET é o gene driver central.

  • Germinativo (MEN2A, MEN2B, CMT familiar): M918T (mais agressivo, MEN2B), C634F/Y/R/S (MEN2A), outros
  • Somático (CMT esporádico): M918T em ~40-60% dos CMT esporádicos

MEN2 (Multiple Endocrine Neoplasia type 2): síndrome autossômica dominante. MEN2A: CMT + feocromocitoma + hiperparatireoidismo. MEN2B: CMT (muito agressivo) + feocromocitoma + neuromas de mucosa + marfanoide.

Inibição prévia (não-seletiva): Vandetanibe e cabozantinibe inibem RET entre outros alvos (VEGFR, EGFR, MET, FLT3). Eficazes no CMT (aprovados) mas com mais toxicidade off-target. Selpercatinibe e pralsetinibe são ultra-seletivos para RET.

LIBRETTO-001: selpercatinibe em CPNPC RET-fusão e CMT

Selpercatinibe (LOXO-292, Retevmo®) — mecanismo: IC₅₀ para RET WT: 0.92 nM. RET C634W: 0.7 nM. RET M918T: 1.5 nM. Seletividade >220× sobre VEGFR2 (diferença fundamental vs. vandetanibe). Mínima atividade em off-targets. Excelente penetração CNS (AUC CNS/plasma >40%).

LIBRETTO-001 (Drilon et al., NEJM 2020) — fase I/II: Análise pooled de 3 coortes:

Coorte 1 — CPNPC RET-fusão pós-platina: 105 pacientes. ORR: 64%. CR: 2%. PR: 62%. SLP mediana: 17,5 meses. Metástases CNS: ORR intracraniano 91%.

Coorte 2 — CPNPC RET-fusão sem tratamento prévio: 39 pacientes. ORR: 85%. CR: 5%. Impressionante em 1ª linha.

Coorte 3 — CMT RET-mutado pós-vandetanibe/cabozantinibe: 55 pacientes. ORR: 69%. CR: 2%. SLP mediana: 28,9 meses.

CMT virgem de TKI-RET: 88 pacientes. ORR: 73% (germinativo RET), 70% (somático). Dados de CMT muito superiores a vandetanibe/cabozantinibe históricos.

Aprovações FDA:

  • Maio 2020: CPNPC metastático RET-fusão + CMT avançado RET-mutado
  • Março 2022: CMT avançado RET-mutado (pediatria ≥12 anos) — primeira aprovação para criança/adolescente com CMT

Atualização LIBRETTO-001 (2023): Análise de 702 pacientes com múltiplas coortes: ORR CPNPC: 67-85% (virgem vs. pré-tratado). CMT: ORR 70-82%. SG mediana CPNPC: >42 meses em 1ª linha. Excepcional.

ARROW: pralsetinibe em CPNPC RET-fusão e CMT RET-mutado

Pralsetinibe (BLU-667, Gavreto®): IC₅₀ RET WT: 0.4 nM. RET M918T: 0.3 nM. Excelente potência. Maior inibição de VEGFR2 (IC₅₀ ~100 nM) que selpercatinibe → mais hipertensão. Similar atividade CNS.

ARROW (Gainor et al., Lancet Oncol 2021):

CPNPC RET-fusão pós-platina: 87 pacientes. ORR: 61%. CR: 6%. SLP: 17,1 meses.

CPNPC RET-fusão 1ª linha: 26 pacientes. ORR: 70%. SLP mediana NR.

CMT RET-mutado pós-vandetanibe/cabozantinibe: 55 pacientes. ORR: 60%.

CMT RET-mutado virgem de TKI: 77 pacientes. ORR: 71%.

Aprovação FDA: setembro 2020 para CPNPC RET-fusão e CMT RET-mutado.

Diferenças entre selpercatinibe e pralsetinibe: Eficácia: comparáveis (sem comparação direta). Selpercatinibe: ORR ligeiramente mais alto em algumas coortes, melhor perfil CNS documentado (maior AUC CNS). Pralsetinibe: mais hipertensão, mais neutropenia, mais pneumonite. Selpercatinibe: mais hepatotoxicidade (AST/ALT elevadas). Ambos: QTc prolongação (monitorar ECG).

Penetração CNS: Metástases cerebrais em CPNPC RET+ são comuns (~25-30%). Selpercatinibe: ORR CNS 91% em lesões mensuráveis. Pralsetinibe: ORR CNS ~56%. Selpercatinibe potencialmente preferido em doença CNS.

Carcinoma medular de tireoide: rastreamento genético e cirurgia profilática

CMT — biologia e particularidades: CMT origina-se das células C parafoliculares produtoras de calcitonina. Calcitonina é marcador sérico de resposta ao tratamento e vigilância. CEA (antígeno carcinoembriogênico): também elevado, correlaciona com agressividade.

Hereditário vs. esporádico:

  • ~25% dos CMT são hereditários (MEN2A, MEN2B, CMT familiar isolado — todos com mutações germinativas de RET)
  • ~75% são esporádicos (mutações somáticas de RET em ~50-60%, sem mutação em ~40%)

Triagem genética obrigatória: NCCN/ATA recomendam: todo paciente com CMT deve fazer teste germinativo para mutações de RET. Se positivo → rastreamento de familiares (filhos, irmãos).

Tireoidecomia profilática guiada por genótipo RET: Crianças com mutações de alto risco (M918T = MEN2B) → tireoidecomia nos primeiros meses de vida. Mutações de risco moderado (C634, outros MEN2A) → tireoidecomia antes dos 5 anos. Mutações de risco baixo → monitorar calcitonina basal até decisão.

Vandetanibe vs. cabozantinibe vs. selpercatinibe — sequência: Historicamente: vandetanibe (ZETA trial) e cabozantinibe (EXAM) eram padrão em CMT avançado. Com dados de LIBRETTO-001 e ARROW mostrando ORR 60-73% vs. ORR 28-45% dos antigos, selpercatinibe/pralsetinibe tornam-se preferidos em qualquer linha para CMT RET-mutado. Vandetanibe/cabozantinibe ficam como opções para CMT RET-wt (sem mutação identificada).

Resistência a inibidores seletivos de RET e perspectivas futuras

Mecanismos de resistência a selpercatinibe/pralsetinibe:

Mutações solvent front de RET:

  • G810R (RET gatekeeper): análogo ao T790M do EGFR. Mais frequente. Bloqueia binding de selpercatinibe.
  • V804L/M: mutação mais comum pré-selpercatinibe (gerada por TKIs antigos como vandetanibe) — e curiosamente ainda sensível a selpercatinibe (IC₅₀ baixo).
  • G810S, G810C, G810D: variantes do solvent front com resistência variável.

Bypass de RET:

  • Amplificação de KRAS, mutação de RAS: ativa MAPK independente de RET
  • MET amplificação: ativa sinalização paralela

Segunda geração:

  • LOXO-260, HM06: em desenvolvimento para solvent front de RET
  • Combinações MEK+RET: investigacionais para bypass KRAS/RAS

RET em tumores raros: Fusões de RET são encontradas esporadicamente em cólon, mama, pâncreas, gástrico. ORR de selpercatinibe nesses tumores (análise de LIBRETTO-001 de tumores não-pulmão, não-tireoide): ORR 44% em análise pooled de 41 pacientes. Aprovação tumor-agnóstica pode vir.

LOXO-292 pediátrico: Crianças com CMT RET-mutado ≥12 anos: aprovado. Crianças <12 anos: ensaios em andamento. MEN2B com M918T identificados no recém-nascido: selpercatinibe pode ser alternativa antes da cirurgia ou em CMT inoperável.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é o gene RET e por que é importante no câncer de tireoide?+

RET é um gene que codifica uma proteína na superfície das células de certas glândulas, especialmente as células C da tireoide. Em condições normais, ativa e desativa controladamente. Em mutações de RET (herdadas ou adquiridas), a proteína fica permanentemente 'ligada', fazendo as células C crescerem sem controle — causando carcinoma medular de tireoide. Mais de 80% dos casos de CMT hereditário e ~50% dos esporádicos têm mutações de RET. Selpercatinibe e pralsetinibe bloqueiam especificamente essa proteína anormal, com taxas de resposta muito melhores que os tratamentos mais antigos (vandetanibe/cabozantinibe), que atingiam RET mas também vários outros alvos causando mais efeitos colaterais.

Meu familiar tem carcinoma medular de tireoide — devo me testar?+

Sim — é fortemente recomendado. O CMT hereditário é causado por mutações germinativas (herdadas) no gene RET, presentes em ~25% de todos os CMT. Se um familiar de 1° grau (pai, mãe, irmão, filho) teve CMT, você deve fazer teste genético para mutações de RET no sangue. Se a mutação for encontrada, o risco de desenvolver CMT ao longo da vida é muito alto (>90% em algumas mutações), e a tireoidecomia profilática em idade jovem pode prevenir o câncer completamente. Consulte um endocrinologista ou geneticista — o rastreamento familiar muda o prognóstico dramaticamente.

Câncer de pulmão com RET — qual é o tratamento?+

Fusões de RET ocorrem em ~1-2% dos cânceres de pulmão (principalmente adenocarcinoma) e são identificadas por NGS. Selpercatinibe é o tratamento de escolha — aprovado para CPNPC RET-fusão avançado com ORR de 85% em 1ª linha e 64% em pré-tratados. Pralsetinibe é alternativa similar. Em comparação com quimioterapia (ORR ~30-40%), os inibidores seletivos de RET são muito superiores, incluindo atividade em metástases cerebrais. Todos os pacientes com CPNPC avançado devem ter NGS completo para identificar RET entre outros alvos acionáveis (EGFR, ALK, ROS1, MET, BRAF, KRAS, NTRK).

Selpercatinibe tem efeitos colaterais graves?+

Selpercatinibe é geralmente bem tolerado comparado a quimioterapia. Efeitos mais comuns: boca seca (~39%), diarreia (~37%), hipertensão (~35%), fadiga (~29%), edema (~29%), constipação (~25%), náusea (~25%). Efeitos graves: elevação de transaminases hepáticas (grau 3-4 em ~8%) — monitorar fígado regularmente; prolongamento de QTc (intervalo do ECG) — ECG antes e durante tratamento; pneumonite rara (<5%). A maioria dos efeitos colaterais é manejável com ajuste de dose. Diferente de vandetanibe (que também bloqueava VEGFR e causava diarreias e hipertensão mais intensas), selpercatinibe tem perfil mais favorável.

O que é MEN2 e como o RET está envolvido?+

MEN2 (Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2) é uma síndrome hereditária causada por mutações germinativas de RET. Existem dois subtipos: MEN2A (carcinoma medular de tireoide + feocromocitoma + hiperparatireoidismo) e MEN2B (CMT muito agressivo desde a infância + feocromocitoma + neuromas de mucosa + biótipo marfanoide). MEN2B com M918T é a mutação mais agressiva — bebês podem desenvolver CMT nos primeiros anos de vida. Por isso, o diagnóstico genético precoce de MEN2B leva à tireoidecomia nos primeiros 6 meses de vida. Com a disponibilidade de selpercatinibe/pralsetinibe, pacientes com CMT irressecável ou metastático têm agora tratamento muito mais eficaz do que no passado.

Referências Científicas

  1. . , .
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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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