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← Blog·Oncologia de Precisão21 de junho de 2026

Pembrolizumabe em Câncer Gástrico e Esofágico: KEYNOTE-590, KEYNOTE-811 e a Revolução Combinada com HER2 e Quimioterapia

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Biologia molecular de câncer gástrico: subtipos TCGA e marcadores preditivos de IO

Subtipagem molecular TCGA (2014): O Atlas do Genoma do Câncer (TCGA) classificou adenocarcinoma gástrico em 4 subtipos moleculares com implicações terapêuticas:

EBV-positivo (~9%): Hipermetilação de promotor (CIMP), amplificação JAK2, amplificação CD274 (PD-L1), amplificação PDCD1LG2 (PD-L2). Altas taxas de resposta a IO (PD-L1 muito elevado). Melhor prognóstico dos 4 subtipos.

MSI-H (microsatellite instability-high, ~22%): Alta TMB (carga mutacional tumoral), muitos neoantigênios. MMR-deficiente por metilação de MLH1 (adquirida, não germinativa como Lynch). Localização: antro/corpo. Excelente resposta a PD-1/PD-L1: pembrolizumabe aprovado por TMB-H e MSI-H tumor-agnóstico.

CIN (chromosomal instability, ~50%): Aneuploide, frequente amplificação de EGFR, HER2, VEGFA, FGFR2. Predomina na junção gastroesofágica (GEJ)/fundo. HER2+ mais frequente nesse subtipo (~20-25% dos CIN vs. 8-10% globais). TP53 mutado em >70%.

GS (genomic stable, ~20%): RHOA mutado, fusões de CLDN18-ARHGAP6/26, CDH1 mutado. Tipo histológico difuso de Lauren. Pior prognóstico dos 4.

Marcadores preditivos de IO em gástrico/esofágico:

  • PD-L1 CPS (Combined Positive Score): células tumorais + imunes. CPS≥1 e CPS≥5 são pontos de corte diferentes para indicações diferentes
  • MSI-H: melhor preditor único — pembrolizumabe independente de CPS
  • TMB-H (≥10 mut/Mb): aprovação tumor-agnóstica FDA (KEYNOTE-158)
  • HER2+ + PD-L1 CPS≥1: indicação específica KEYNOTE-811

KEYNOTE-590: padrão em adenocarcinoma esofágico e escamoso com PD-L1 elevado

KEYNOTE-590 (Sun et al., Lancet 2021): 749 pacientes com carcinoma esofágico localmente avançado/metastático não-tratados: histologia escamosa (75%) e adenocarcinoma de esôfago/GEJ (25%). Randomizados para pembrolizumabe+cisplatina+5FU vs. placebo+quimioterapia.

Resultados (análise hierárquica):

  1. CEC esofágico + CPS≥10: SG 13,9 vs. 8,8m (HR 0,57; P<0,001)
  2. PD-L1 CPS≥10 (qualquer histologia): SG 13,5 vs. 9,4m (HR 0,62; P<0,001)
  3. All comer (ITT): SG 12,4 vs. 9,8m (HR 0,73; P<0,001)
  4. Adenocarcinoma de esôfago/GEJ com CPS≥10: maior benefício numérico mas não análise primária

ORR: 45% vs. 29% (CPS≥10); 35% vs. 20% (ITT). SLP: 6,3 vs. 5,8m (HR 0,65; CPS≥10).

Aprovação FDA: agosto 2021 para carcinoma esofágico (adenocarcinoma ou escamoso) — localmente avançado/metastático em pacientes que não receberam quimioterapia prévia.

Esôfago vs. GEJ — distinção importante:

  • Carcinoma de esôfago: predominância de CEC (células escamosas, >90% nos países do Leste Asiático; fumantes/etilistas)
  • GEJ (Siewert tipo I/II): predominantemente adenocarcinoma, comportamento similar ao gástrico
  • KEYNOTE-590 incluiu ambos os tipos histológicos mas analisou CEC e adeno separadamente

Nivolumabe em esofágico — CheckMate 648: Concorrente: nivolumabe+quimioterapia e nivolumabe+ipilimumabe vs. quimioterapia em CEC esofágico. Aprovação FDA jan 2022 para nivo+quimio e nivo+ipi em CEC esofágico CPS≥5. Escolha entre pembrolizumabe vs. nivolumabe depende de disponibilidade/custo (sem comparação direta).

KEYNOTE-811: tripla combinação em gástrico HER2+ com PD-L1 CPS≥1

Fundamento biológico da combinação: HER2+ ocorre em ~15-20% dos gástricos/GEJ. Trastuzumabe+quimioterapia (ToGA trial, Bang 2010) foi o padrão por mais de 10 anos. A lógica de adicionar PD-1: HER2 amplificado aumenta PD-L1 na superfície tumoral (via sinalização PI3K/AKT → NF-κB → CD274 promoter). Trastuzumabe ativa ADCC (antibody-dependent cellular cytotoxicity) → expõe antígenos tumorais → aumenta inflamação → potencialmente sinérgico com PD-1.

KEYNOTE-811 (Janjigian et al., Nature 2022; ASCO 2024): 698 pacientes com gástrico/GEJ HER2+ metastático, não-tratados. Pembrolizumabe+trastuzumabe+quimioterapia (FP ou XELOX) vs. placebo+trastuzumabe+quimioterapia.

ORR interim (aprovação acelerada, 2021): 74% vs. 52% (CR+PR; N=264). Aprovação FDA maio 2021 acelerada para gástrico/GEJ HER2+.

Confirmação de SG (atualização ASCO 2024): SG (análise final de PD-L1 CPS≥1): 20,0 vs. 16,8 meses (HR 0,79; P=0,027). SLP: 10,0 vs. 8,1 meses (HR 0,73). ORR: 73% vs. 58%. Conversão de aprovação acelerada para regular FDA: outubro 2024 (com restrição CPS≥1).

Estratégia de sequência pós-progressão em HER2+: Após progressão em pembrolizumabe+trastuzumabe+quimio:

  • T-DXd (trastuzumabe deruxtecano) em HER2+ IHC 3+ ou IHC 2+/FISH+: DESTINY-Gastric01/02 — SG 12,5 vs. 8,4m (HR 0,59)
  • Ramucirumabe+paclitaxel (RAINBOW): opção HER2-independente em segunda linha
  • MSI-H: pembrolizumabe (se não usou) ou outro IO

Perda de HER2 na progressão: 30-50% dos tumores HER2+ primários perdem HER2 na progressão (heterogeneidade tumoral, pressão seletiva do trastuzumabe). Re-biopsia para reconfirmar status HER2 antes de T-DXd.

Nivolumabe em gástrico — CheckMate 649: o rival de KEYNOTE-590 que definiu CPS≥5

CheckMate 649 (Janjigian et al., Nature 2021): 1.581 pacientes com adenocarcinoma gástrico, GEJ ou esofágico (adeno), metastático, não-tratados. Nivolumabe+quimioterapia (XELOX ou FOLFOX) vs. quimioterapia ± ipilimumabe.

Resultados em CPS≥5: SG: 14,4 vs. 11,1 meses (HR 0,71; P<0,001). SLP: 7,7 vs. 6,0 meses. ORR: 60% vs. 45%.

Resultados all comer (ITT): SG: 13,8 vs. 11,6 meses (HR 0,80; P=0,0002). Benefício presente mas menor que CPS≥5.

Aprovação FDA: abril 2021 para gástrico/GEJ/esofágico adeno, metastático, CPS≥5.

PD-L1 CPS em gástrico — a controvérsia do ponto de corte:

  • KEYNOTE-811 usa CPS≥1 (gástrico HER2+)
  • CheckMate 649 usa CPS≥5 (gástrico/GEJ adeno HER2-)
  • KEYNOTE-590 usa CPS≥10 para maior benefício (esofágico)

O CPS mede a PROPORÇÃO de células PD-L1+ (tumor + imunes) em 100 células tumorais. CPS≥1 é muito inclusivo (~70% dos tumores); CPS≥5 é moderado (~55%); CPS≥10 é seletivo (~40%). A lógica: maior CPS = mais inflamação = mais "Hot tumor" = mais responsivo a IO.

Na prática — gástrico HER2- primeira linha: CPS≥5: nivolumabe+XELOX ou pembrolizumabe+FOLFOX (KEYNOTE-859 aprovação 2023). CPS<5: quimioterapia padrão. MSI-H: pembrolizumabe mesmo com CPS baixo.

KEYNOTE-859 (2023): pembrolizumabe+quimio vs. quimio em gástrico adeno CPS≥1. SG: 12,9 vs. 11,5m (HR 0,78). Aprovação FDA gástrico adeno/GEJ HER2- CPS≥1. Amplia indicação de pembro também em CPS≥1 HER2-.

Fluxo decisório em câncer gástrico/esofágico 2025: HER2, MSI-H, PD-L1

Algoritmo de decisão atual (2025):

Passo 1 — Testar SEMPRE:

  • HER2 IHC + FISH (em todos os gástricos/GEJ adeno)
  • PD-L1 CPS (22C3 pharmDx para pembrolizumabe; 28-8 para nivolumabe)
  • MSI/MMR (IHC ou PCR ou NGS)
  • (Opcional) TMB-H (NGS)
  • EBV (ISH)

Gástrico/GEJ adeno HER2+: → CPS≥1: pembrolizumabe+trastuzumabe+FP/XELOX (KEYNOTE-811) → CPS<1: trastuzumabe+quimio (ToGA padrão)

Gástrico/GEJ adeno HER2-: → MSI-H: pembrolizumabe mono (aprovação tumor-agnóstica) OU pembrolizumabe+quimio → CPS≥5 MSS: nivolumabe+quimio (CheckMate 649) OU pembrolizumabe+quimio (KEYNOTE-859 se CPS≥1) → CPS<1 MSS: XELOX ou FOLFOX (sem IO comprovado)

Esofágico CEC: → CPS≥10: pembrolizumabe+cisplatina+5FU (KEYNOTE-590) OU nivolumabe+quimio/nivolumabe+ipilimumabe (CheckMate 648) → CPS<10: quimio padrão

Segunda linha:

  • HER2+ mantido: T-DXd (DESTINY-Gastric)
  • HER2- ou HER2 perdido: ramucirumabe+paclitaxel (RAINBOW) ou trifluridina+tipiracil (TAGS)
  • MSI-H que não usou IO: pembrolizumabe
  • EBV+: ensaios com IO

Desafios práticos: Heterogeneidade intra-tumoral do HER2 (causa falsos negativos em biópsia única). PD-L1 CPS pode variar entre tumor primário e metástase. Re-biopsia em progressão é recomendada sempre que possível.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Câncer de estômago pode responder a imunoterapia?+

Sim — mas não todos os casos. A resposta depende principalmente de três fatores: (1) PD-L1 CPS (tumores com mais células positivas respondem melhor), (2) MSI-H/dMMR (instabilidade de microssatélites — quando presente, a resposta é excelente independentemente de outros marcadores) e (3) HER2 (em HER2+, a combinação de pembrolizumabe com trastuzumabe+quimioterapia deu respostas de 74%). Hoje, praticamente todos os pacientes com gástrico avançado fazem biópsia para HER2, PD-L1 e MSI antes de iniciar o tratamento — essas análises determinam qual combinação é mais adequada.

O que é PD-L1 CPS e como isso afeta o tratamento?+

CPS (Combined Positive Score) é uma forma de medir PD-L1 no tumor: conta células tumorais, macrófagos e linfócitos com PD-L1 na membrana, e divide pelo total de células tumorais, multiplicando por 100. CPS≥1 (>1% positivo) é muito comum (~70% dos tumores). CPS≥5 é moderado (~55%). CPS≥10 é mais seletivo (~40%). A maioria dos ensaios clínicos mostrou que quanto mais alto o CPS, maior o benefício da imunoterapia — embora existam respostas mesmo em CPS baixo, especialmente em MSI-H. Cada aprovação de IO em gástrico/esofágico especifica um ponto de corte diferente de CPS.

Câncer de estômago HER2+ — que tratamentos estão disponíveis?+

HER2+ (IHC 3+ ou IHC 2+/FISH positivo) ocorre em cerca de 15-20% dos cânceres gástricos/GEJ. O padrão atual em primeira linha (quando PD-L1 CPS≥1) é pembrolizumabe+trastuzumabe+quimioterapia (KEYNOTE-811), com ORR de 73% e SG de 20 meses. Em progressão, T-DXd (trastuzumabe deruxtecano / Enhertu) é a segunda linha preferida para HER2+ persistente — o estudo DESTINY-Gastric mostrou SG de 12,5 meses vs. 8,4m com quimio convencional. É fundamental re-testar HER2 em progressão, pois até metade dos tumores perde HER2 com o tratamento.

Qual a diferença entre nivolumabe e pembrolizumabe no câncer gástrico?+

Ambos são inibidores de PD-1 com eficácia similar em gástrico/esofágico — não há comparação direta cabeça-a-cabeça. As diferenças são nos pontos de corte de PD-L1 nas aprovações: nivolumabe (CheckMate 649) usa CPS≥5 para adenocarcinoma gástrico/GEJ/esofágico adeno; pembrolizumabe (KEYNOTE-811) usa CPS≥1 para HER2+, e (KEYNOTE-859) usa CPS≥1 para HER2-. Praticamente a diferença na prática é de disponibilidade, custo, e protocolo de administração (nivolumabe IV q2 ou q4 semanas, pembrolizumabe IV q3 ou q6 semanas). Seu oncologista escolherá com base no acesso local e nos seus resultados de biomarcadores específicos.

MSI-H no câncer de estômago — o que muda?+

MSI-H (instabilidade de microssatélites alta) é o melhor marcador preditivo de resposta a imunoterapia no câncer gástrico — presente em ~22% dos casos. Quando MSI-H está presente, pembrolizumabe pode ser usado independentemente do CPS de PD-L1. Em segunda linha ou mais, pembrolizumabe tem aprovação FDA tumor-agnóstica para MSI-H/dMMR (incluindo gástrico). ORR (taxa de resposta objetiva) em gástrico MSI-H com pembrolizumabe chega a 40-60%, muito superior à media de 15-20% nos não-selecionados. MSI-H também tem implicação familiar: pode indicar Síndrome de Lynch — avaliar com geneticista.

Referências Científicas

  1. . , .
  2. . , .
  3. . , .
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  5. . , .

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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