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← Blog·Oncologia de Precisão20 de junho de 2026

Pazopanibe, Sorafenibe e Lenvatinibe: Anti-VEGFR Multi-Tumor — CCR, Hepatocarcinoma e Carcinoma de Tireoide Diferenciado

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Sorafenibe: o pioneiro multi-kinase em CHC e tireoide

Sorafenibe (Nexavar®) — mecanismo: Sorafenibe é um inibidor de serina-treonina e tirosina quinase com perfil multi-alvo:

  • RAF-1 (CRAF) e B-RAF: inibe a via MAPK (relevante em tireoide, melanoma)
  • VEGFR1/2/3: anti-angiogênico
  • PDGFR-β: anti-pericitos
  • c-KIT, FLT3: atividade adicional

Sorafenibe no CHC (hepatocarcinoma): SHARP (Llovet et al., NEJM 2008): 602 pacientes com CHC avançado Child-Pugh A. Sorafenibe 400 mg BID vs. placebo. SG: 10,7 vs. 7,9 meses (HR 0,69; P<0,001). SLP: 5,5 vs. 2,8 meses.

Aprovação FDA: novembro 2007 — primeiro systemic treatment aprovado para CHC. Revolucionou o CHC (antes era principalmente paliação). Padrão por ~10 anos até 2018 (lenvatinibe) e 2020 (atezolizumabe+bevacizumabe).

Sorafenibe no carcinoma diferenciado da tireoide (CDT) refratário: Carcinoma papilífero e folicular da tireoide refratário a iodo radioativo. DECISION (Brose et al., NEJM 2014): sorafenibe vs. placebo. SLP: 10,8 vs. 5,8 meses (HR 0,59; P<0,001). Aprovação FDA 2013.

Toxicidades características do sorafenibe:

  • Síndrome mão-pé (eritema palmo-plantar, calo, dor): 30-40%, o mais debilitante
  • Diarreia: 55%
  • Hipertensão: 30%
  • Fadiga: 40%
  • Rash/descamação: 40%
  • Hipocalcemia: relevante em CDT (antagoniza efeito de cálcio)
  • Hipotireoidismo: frequente em CDT (sorafenibe reduz conversão T4→T3)

Lenvatinibe: maior potência em CHC e tireoide, parceiro do pembrolizumabe

Lenvatinibe (Lenvima®) — mecanismo diferencial: Lenvatinibe inibe VEGFR1/2/3 com alta potência, FGFR1/2/3/4 (diferencial importante — FGFR não é bloqueado por sorafenibe/sunitinibe), RET, KIT e PDGFR-β. A inibição de FGFR explica parcialmente a maior potência em tumores que usam FGF como fator de crescimento.

REFLECT (Kudo et al., Lancet 2018) — lenvatinibe vs. sorafenibe em CHC: 954 pacientes com CHC avançado (Child-Pugh A). Lenvatinibe 12 mg/kg QD vs. sorafenibe 400 mg BID. SG: 13,6 vs. 12,3 meses (não-inferioridade confirmada, HR 0,92). SLP: 7,4 vs. 3,7 meses (HR 0,66; P<0,0001). ORR: 24% vs. 9%.

Aprovação FDA: agosto 2018 para CHC não-ressecável Child-Pugh A. Não-inferior a sorafenibe em SG mas melhor em SLP e ORR — mais respostas tumorais.

SELECT (Schlumberger et al., NEJM 2015) — lenvatinibe em CDT refratário: 392 pacientes com CDT refratário a iodo radioativo. Lenvatinibe 24 mg QD vs. placebo. SLP: 18,3 vs. 3,6 meses (HR 0,21; P<0,001). ORR: 64,8% vs. 1,5%. Atividade impressionante. Aprovação FDA: fevereiro 2015. Superior ao sorafenibe em SLP no CDT.

Lenvatinibe+pembrolizumabe (KEYNOTE-775/Study 309) — endométrio: 827 pacientes com carcinoma de endométrio avançado, pMSS (microsatellite stable) pré-tratado. Lenvatinibe 20 mg QD + pembrolizumabe 200 mg q3w vs. quimio. SLP: 6,6 vs. 3,8 meses (HR 0,60; P<0,001). SG: 17,4 vs. 12,0 meses (HR 0,68; P<0,001). Aprovação FDA: julho 2021 para endométrio avançado pMMR/MSS pós-quimio. Primeiro regime aprovado especificamente para endométrio pMMR.

Sequência no CHC pós-sorafenibe e pós-lenvatinibe

A revolução do CHC com atezolizumabe+bevacizumabe (IMbrave150, 2020): Atezolizumabe+bevacizumabe superou sorafenibe em CHC de primeira linha (SG 19,2 vs. 13,4 meses, HR 0,66), tornando-se o NOVO padrão de primeira linha. Sorafenibe e lenvatinibe são agora opções de primeira linha alternativas (onde atezo+bev é contraindicado: varizes esofágicas, risco de sangramento).

Sequência CHC pós-atezo+bev → qual TKI: 2ª linha após atezo+bev: sorafenibe ou lenvatinibe (se não usados em 1ª linha). Ou ensaios clínicos.

Regorafenibe (Stivarga®) — pós-sorafenibe: RESORCE (Bruix et al., Lancet 2017): regorafenibe vs. placebo em CHC tolerante a sorafenibe (sem progressão severa). SG: 10,6 vs. 7,8 meses (HR 0,63; P<0,001). Aprovação FDA 2017. Regorafenibe é TKI similar ao sorafenibe mas com mais alvos (VEGFR, TIE2, FGFR1, BRAF, RAF-1, KIT).

Cabozantinibe em CHC (CELESTIAL): CELESTIAL (Abou-Alfa et al., NEJM 2018): cabozantinibe vs. placebo pós-sorafenibe. SG: 10,2 vs. 8,0 meses (HR 0,76; P=0,005). Aprovação 2019.

Ramucirumabe (REACH-2) — AFP alto: Ramucirumabe (anti-VEGFR2 anticorpo, não TKI) em CHC pós-sorafenibe com AFP ≥400 ng/mL. SG: 8,5 vs. 7,3 meses (HR 0,71; P=0,019). Aprovação 2019 para CHC pós-sorafenibe+AFP elevado. Único biomarcador (AFP) usado para seleção em CHC.

Nivolumabe/pembrolizumabe em CHC: CheckMate 040: nivolumabe como segunda linha após sorafenibe — ORR 20% (acelerada, depois não confirmada formalmente vs. sorafenibe). KEYNOTE-394/KEYNOTE-240: pembrolizumabe não atingiu SG primária vs. placebo em CHC pós-sorafenibe.

Pazopanibe: sarcoma de partes moles e tumores raros

Pazopanibe (Votrient®) — mecanismo: Inibidor de VEGFR1/2/3, PDGFR-α/β, FGFR1/3, c-KIT, itk. Dose: 800 mg QD contínuo. Aprovado 2009 para CCR (não-inferior a sunitinibe em COMPARZ).

PALETTE — sarcoma de partes moles: Estudo pivotal (van der Graaf et al., Lancet 2012): 369 pacientes com sarcoma de partes moles avançado (liossarcoma excluído) pré-tratados. Pazopanibe 800 mg QD vs. placebo. SLP: 4,6 vs. 1,6 meses (HR 0,31; P<0,001). SG: 12,5 vs. 10,7 meses (NS mas tendência). ORR: 6% vs. 0% (baixo mas consistente com SPS — respostas em sarcoma são raras).

Aprovação FDA: abril 2012 para sarcoma de partes moles avançado não-adipocítico (excluindo GIST e adipocítico) pré-tratado.

Por que excluir lipossarcoma: Lipossarcoma bem diferenciado/desdiferenciado tem características moleculares diferentes (amplificação MDM2, CDK4) e não respondem a pazopanibe. GIST: usa imatinibe (c-KIT/PDGFR).

Pazopanibe no ovário: MITO-11: pazopanibe+medroxiprogesterona vs. medroxiprogesterona em carcinoma de ovário recidivado resistente a platina. SLP: 6,0 vs. 3,6 meses (HR 0,42). Aprovação não FDA mas usado off-label em alguns países.

Hepatotoxicidade do pazopanibe: A mais importante toxicidade de classe. ALT elevação em 53% (qualquer grau), grau 3+ em 10-12%. Monitorar ALT/AST a cada 4 semanas × 4 meses, depois por suspeita. Se ALT >3× LSN: suspender. Interação com CYP3A4 — evitar cetoconazol (aumenta pazopanibe dramatically).

Manejo de toxicidades de TKI anti-VEGFR na prática clínica

Síndrome mão-pé (PPE — Palmar-Plantar Erythrodysesthesia): Presente em 30-50% com sorafenibe, cabozantinibe, regorafenibe. Menos com sunitinibe, lenvatinibe. Manifestações: eritema, edema, hipercalosa e formação de calo nas palmas e plantas, que pode virar bolhas, fissuras, ulcerações, dor intensa (dificuldade de andar). Grading: Grau 1 (eritema sem dor) → continuar TKI, hidratante intenso (urea 10-20%, vaselina), meias macias, cuidar das queratoses. Grau 2 (dor, compromete atividades): reduzir dose. Grau 3 (úlceras, impossível andar): suspender até grau ≤1. Prevenção: hidratação contínua, palmilhas de silicone (distribuem pressão), meias de algodão, evitar sapatos apertados.

Hipertensão: Monitor de PA em casa 2× semana no primeiro mês. Reduzir sal na dieta. IECA/BRA são preferidos (também protegem contra proteinúria de bevacizumabe). Anlodipino é uma alternativa. Meta: PA <140/90 mmHg. NÃO usar diltiazem (inibidor de CYP3A4 — aumenta nível dos TKIs). Se HAS grau 3 (>180/110): suspender TKI até controle.

Hipotireoidismo: Monitorar TSH a cada 4-6 semanas (especialmente com sunitinibe, lenvatinibe). Hipotireoidismo ocorre em 30-50% com sunitinibe — causa fadiga e ganho de peso (frequentemente atribuídas erroneamente ao TKI). Tratar com levotiroxina desde o início do hipotireoidismo.

Diarreia: Loperamida profilática não é padrão, mas ensinamento: loperamida 2 mg após cada episódio (máx 8 mg/dia). BRAT diet (bananas, arroz, torrada). Se grau 3 refratária: budesonida oral (anti-inflamatório intestinal), hidratação IV, suspensão do TKI.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Sorafenibe ainda é usado para câncer de fígado (hepatocarcinoma)?+

Sorafenibe foi o padrão por ~10 anos, mas atualmente foi substituído como primeira escolha pelo regime atezolizumabe+bevacizumabe (Tecentriq+Avastin), que mostrou ser superior ao sorafenibe em sobrevida (IMbrave150). Sorafenibe ainda é uma opção de primeira linha alternativa quando atezolizumabe+bevacizumabe é contraindicado (por exemplo, em pacientes com risco de sangramento, varizes esofágicas grandes, ou uso recente de anticoagulantes). Na segunda linha após atezolizumabe+bevacizumabe, sorafenibe ou lenvatinibe podem ser usados se não foram a primeira linha.

Lenvatinibe no câncer de tireoide — funciona em todos os tipos?+

Lenvatinibe está aprovado especificamente para carcinoma diferenciado da tireoide (CDT) — tipos papilífero e folicular — quando são resistentes ou refratários ao iodo radioativo. A taxa de resposta é impressionante (65%). Não está aprovado para carcinoma medular da tireoide (CMT — que usa vandetanibe ou cabozantinibe) nem para carcinoma anaplásico da tireoide (CAT — que usa dabrafenibe+trametinibe se BRAF-V600E). O tipo histológico e o status de iodo radioativo determinam a escolha.

Pazopanibe é a única opção para sarcoma de partes moles?+

Não — há várias opções para sarcoma de partes moles, dependendo do tipo histológico específico. Pazopanibe é aprovado para sarcomas não-adipocíticos após quimio. Trabectedina é aprovada para lipossarcoma e leiomiossarcoma. Imatinibe para GIST (tumor do estroma gastrointestinal). Doxorrubicina permanece a quimio de escolha para primeira linha. Para sarcomas específicos: sirolimo/everolimo para PEComa, nintedanibe para miofibroblastoma inflamatório, etc. A classificação histológica molecular do sarcoma é crucial antes de escolher.

A síndrome mão-pé do sorafenibe é reversível?+

Sim — a síndrome mão-pé pelo sorafenibe ou outros TKIs é reversível após suspensão do medicamento, geralmente melhorando em 1-2 semanas. Com redução de dose, também há melhora. A prevenção é mais importante que o tratamento: hidratação intensiva das mãos e pés desde antes do início do TKI, palmilhas de silicone, meias de algodão, e evitar traumas nas palmas. Se a síndrome for grave (grau 3 — impossível andar, lesões que não cicatrizam), o medicamento é suspenso até melhora para grau ≤1, e reiniciado em dose menor.

Posso usar sorafenibe e lenvatinibe juntos para maior efeito?+

Não — combinar dois TKIs anti-VEGFR não aumenta a eficácia e resulta em toxicidade proibitiva (hipertensão grave, síndrome mão-pé bilateral, diarreia intensa). Os ensaios clínicos mostram que a sequência (um TKI, depois outro) é mais tolerável e mantém atividade. A combinação aprovada é TKI + imunoterapia (como lenvatinibe+pembrolizumabe), não dois TKIs simultâneos. Se o primeiro TKI falhou, o oncologista escolhe outro com mecanismo ligeiramente diferente ou troca para imunoterapia.

Referências Científicas

  1. . , .
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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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