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← Blog·peptideos21 de junho de 2026· 13 min de leitura

Testosterona, análogos de GnRH (leuprolida, goserrelina), bicalutamida, enzalutamida e abiraterona — próstata e hipogonadismo masculino

Andrógenos (testosterona, DHT) regulam o desenvolvimento e função masculina. Análogos de GnRH (leuprolida, goserrelina) suprimem testosterona em câncer de próstata — privação androgênica (ADT). Bicalutamida, enzalutamida e apalutamida bloqueiam o receptor de andrógeno. Abiraterona inibe CYP17A1. Reposição de testosterona (TRT) para hipogonadismo.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Eixo HPG masculino, testosterona e ação dos andrógenos

Eixo HPG masculino:

  • Hipotálamo: GnRH pulsátil (pulsos de 2-4h) → hipófise anterior → LH + FSH → testículos
  • LH → células de Leydig → testosterona (produção de 5-7 mg/dia)
  • FSH + testosterona local → células de Sertoli → espermatogênese
  • Testosterona → feedback negativo em hipotálamo e hipófise → reduz GnRH e LH/FSH

Testosterona e DHT:

  • Testosterona total normal em homens adultos: 300-1000 ng/dL (10.4-34.7 nmol/L); testosterona livre: 5-30 ng/dL
  • 5α-redutase (tipo 1: fígado, pele; tipo 2: próstata, vesícula seminal, pele genital) → converte testosterona em DHT (di-hidrotestosterona) → 2-3x mais potente que testosterona no receptor de andrógeno (AR)
  • Aromatase → converte testosterona em estradiol → efeitos na densidade óssea, libido, SNC; essencial em homens também

Receptor de Andrógeno (AR):

  • NR3C4 (Nuclear Receptor superfamily); ligante-ativado; 8 exons
  • Testosterona/DHT → liga AR no citoplasma → dissociação de heat shock proteins → translocação ao núcleo → homodimerização → liga elementos de resposta a andrógeno (ARE) → transcrição de genes como KLK3 (PSA), TMPRSS2, SLC45A3
  • Amplificação/mutação de AR: mecanismo de resistência à terapia de privação androgênica no câncer de próstata resistente à castração (CRPC)

Funções dos andrógenos:

  • Desenvolvimento sexual masculino (pré-natal: virilização, genitália externa; puberal: espermatogênese, caracteres sexuais secundários)
  • Massa muscular e força (testosterona é anabolizante): ↑ síntese proteica muscular, ↑ IGF-1 local, ↑ células satélite musculares
  • Densidade óssea: ↑ formação, ↓ reabsorção (via AR em osteoblastos e via conversão em E2)
  • Hematopoiese: testosterona → EPO renal e direta → eritropoiese → ↑ hematócrito (razão por que homens têm hematócrito mais alto que mulheres)
  • Libido e função erétil: DHT principalmente
  • Cognição e humor: testosterona correlaciona com bem-estar, concentração, motivação (relação complexa, não-linear)

PSA (Prostate-Specific Antigen = KLK3):

  • Serina protease produzida pelas células epiteliais prostáticas; estimulada pelo AR → gene alvo direto dos andrógenos
  • PSA sérico normal: <4 ng/mL (ajuste por idade); zona cinza 4-10 ng/mL; >10 ng/mL: alta probabilidade de câncer
  • Elevado em: câncer de próstata, HBP (hiperplasia benigna prostática), prostatite, após biópsia/RT prostática
  • PSA é suprimido por ADT (privação androgênica) → resposta ao tratamento monitorada por PSA

Terapia de privação androgênica (ADT) para câncer de próstata: análogos de GnRH e antagonistas

Câncer de Próstata — dependência androgênica:

  • 80-90% dos cânceres de próstata são andrógeno-dependentes no início → privação de testosterona (<50 ng/dL = "castração") → regressão tumoral
  • Huggins & Hodges (Nobel 1966): orquidectomia bilateral (castração cirúrgica) → resposta em câncer de próstata → base da ADT

Análogos de GnRH (Agonistas de LHRH) — castração química:

Leuprolida (Lupron® — AbbVie) e Goserrelina (Zoladex® — AstraZeneca), Triptorelina:

  • GnRH análogos agonistas de longa ação → administração contínua (não pulsátil) → saturação e downregulação dos receptores de GnRH → depois de flare inicial, supressão profunda de LH e FSH → testosterona cai para níveis de castração em 2-4 semanas
  • Flare inicial (semana 1-2): agonismo inicial causa pico de LH → pico transitório de testosterona → pode exacerbar sintomas tumorais (dor óssea, obstrução urinária, compressão medular em metástases densas) → antiandrogênio periférico (bicalutamida) deve ser iniciado 2-4 semanas ANTES do análogo de GnRH para bloquear o flare
  • Formulações depot: Lupron® 1m (7.5 mg), 3m (22.5 mg), 4m (30 mg), 6m (45 mg) IM; Zoladex® subcutâneo q4 ou q12 semanas
  • Castração mantida enquanto droga administrada; testosterona sobe se interrompida → ADT intermitente pode ser usada para reduzir efeitos adversos em resposta estável

Antagonistas de GnRH (sem flare) — supressão imediata:

  • Degarelix (Firmagon® — Ferring): bloqueia receptores de GnRH sem agonismo inicial → sem flare → testosterona cai em 3 dias; SC 240 mg loading → 80 mg q4 semanas; reações no sítio de injeção (70%)
  • Relugolix (Orgovyx® — Myovant): oral! 120 mg/dia → primeira ADT oral; CS50: relugolix superior à leuprolida em manter castração (96.7% vs 88.8%) com menores eventos cardiovasculares (MACE 2.9% vs 6.2%); preferido em pacientes com alto risco cardiovascular

Efeitos adversos da ADT (de classe):

  • Sintomas vasomotores (fogachos/hot flashes): 50-80%; semelhante à menopausa; tratamento: venlafaxina ou desvenlafaxina, medroxiprogesterona 5 mg/dia
  • Disfunção erétil e perda de libido: virtual em ADT prolongada; inibidores de PDE5 ajudam na DE
  • Ginecomastia e sensibilidade mamária: pelo desequilíbrio E:T após castração; prevenção: RT mamária prophylactic ou tamoxifeno 20 mg/dia
  • Perda de massa muscular e ganho de gordura (sarcopenia): testosterona é essencial para músculo; ADT → sarcopenia + aumento de gordura visceral → exercício resistido muito importante
  • Perda de densidade óssea (osteoporose): testosterona (convertida em E2) protege o osso; ADT → perda de 2-3% de DMO/ano → risco de fratura → bifosfonatos (zoledronato) ou denosumabe preventivos; suplementar Ca + vitamina D obrigatoriamente
  • Risco cardiovascular aumentado: MetS, dislipidemia, hiperglicemia, DM2 → monitorar glicemia, lipídeos; relugolix com menor risco CV que agonistas de GnRH
  • Efeitos cognitivos: possível declínio de memória de trabalho, concentração; reversível (parcialmente) com reintrodução de testosterona ou descontinuação de ADT

Antiandrogênios periféricos (AR antagonistas):

Bicalutamida (Casodex® — AstraZeneca / genérico): antiandrogênio não-esteroidal de 1ª geração; 50 mg/dia (em combinação com LHRH) ou 150 mg/dia (monodoterapia para localizado — menos eficaz que ADT em metastático); bloqueia AR competitivamente sem reduzir testosterona (mantém testosterona → menos fogachos, menos disfunção sexual, melhor qualidade de vida em monoterapia para localizado); hepatotoxicidade: monitorar TFH; ginecomastia (pelo desequilíbrio E:T sem supressão periférica de E)

Enzalutamida (Xtandi® — Astellas/Pfizer): antiandrogênio de 2ª geração; 160 mg/dia oral; sem interação entre ligando e AR → AR não transloca ao núcleo; também bloqueia o co-ativador recrutamento e a transativação genômica; sem antagonismo parcial; AFFIRM trial (CRPC pós-docetaxel): OS 18.4 vs 13.6 meses; PREVAIL trial (CRPC pré-quimio): OS 32.4 vs 30.2 meses; ARCHES/ENZAMET: mCSPC (castration-sensitive, hormonossensível) + ADT → redução de progressão e OS; efeitos adversos: convulsões (<1%, mas Black Box), fadiga, hipertensão, diarreia

Apalutamida (Erleada® — Janssen) e Darolutamida (Nubeqa® — Bayer): antiandrogênios de 2ª geração; M0CRPC (sem metástases) → SPARTAN: apalutamida + ADT → MFS 40.5 vs 16.2 meses; darolutamida (menos penetração no SNC → menos convulsões/fadiga que enzalutamida)

Abiraterona (Zytiga® — Janssen / genérico): inibidor de CYP17A1 (17α-hidroxilase/17,20-liase) → bloqueia síntese de andrógenos nos testículos, adrenais e tumor prostático; com prednisona 5 mg 2x/dia (pois supressão adrenal causa ↑ ACTH → hiperaldosteronismo → hipertensão, hipocalemia → prednisona bloqueia o feedback); 1000 mg/dia em jejum (absorção muito reduzida com alimento — única droga importante onde alimento aumenta exposição imprevisível 5-10x → tomar 1h antes ou 2h após comer); COU-AA-302 (CRPC pré-quimio) e COU-AA-301 (pós-docetaxel): OS melhora; combinado com ADT em câncer de próstata localmente avançado (LATITUDE, STAMPEDE: benefício de sobrevida significativo) — padrão de 1ª linha em mCSPC de alto risco

Reposição de testosterona (TRT) no hipogonadismo masculino

Hipogonadismo Masculino — testosterona total < 300 ng/dL (com sintomas):

Hipogonadismo primário (hipergonadotrófico — LH/FSH elevados, testículo não responde):

  • Síndrome de Klinefelter (47,XXY), orquite, orquidectomia, criptorquidia, quimioterapia/RT prévia

Hipogonadismo secundário (hipogonadotrófico — LH/FSH baixos, testículo normal mas não estimulado):

  • Hipopituitarismo, macroprolactinoma, Síndrome de Kallmann (ausência de GnRH por hipoplasia de bulbo olfatório + anosmia), uso crônico de opioides (opioid-induced androgen deficiency), obesidade (aromatase no tecido adiposo converte testosterona em E2 → feedback negativo), anabolizantes exógenos (suppressão eixo HPG)

Sintomas do hipogonadismo: libido reduzida, disfunção erétil, fadiga, depressão, redução de massa muscular, ganho de gordura visceral, diminuição de pelos, anemia normocítica, osteoporose, subfertilidade

TRT (Testosterone Replacement Therapy) — formulações:

  • Gel transdérmico (Testogel® 1%, AndroBel® 2%, Axiron®): 25-100 mg/dia aplicado em ombros/abdome/axilas; absorção variável; transferência a parceiras/crianças se contato com pele não lavada (cubrir ou lavar); fácil ajuste de dose; preferido por muitos
  • Patch transdérmico (Testoderm®, Androderm®): 2.5-7.5 mg/24h; prático; pode causar irritação cutânea local
  • Injeção de esterato de testosterona IM (Durateston®, Deposteron® = cipionato OU enantato OU mistura de ésteres): 100-250 mg IM q2-4 semanas; picos e vales pronunciados ("peak-and-trough"); econômico; durações variam por formulação
  • Cipionato de testosterona (genérico): 200 mg IM q2 semanas; muito usada nos EUA; pico após 2-4 dias, vale antes da próxima dose
  • Undecanoato de testosterona IM (Nebido® — Bayer): 1000 mg IM q10-14 semanas (após 2 injeções de loading); meia-vida muito longa → nível estável; preferido para adesão; injeção a cada 3 meses
  • Pellets subdérmicos: implante SC de testosterona cristalina; libera testosterona por 3-6 meses; procedimento cirúrgico mínimo
  • Oral (undecanoato oral — Andriol®): absorção com alimento lipídico; biodisponibilidade muito variável; menos usado
  • Bucal (Striant®): mucoadesivo gengival 30 mg q12h; gosto amargo, irritação gengival

Monitoramento da TRT:

  • Antes de iniciar: testosterona total (manhã, 8-10h), LH/FSH, hemograma, hematócrito, PSA, toque retal, lipídeos, TFH, exame de sono (se suspeita de apneia)
  • Após 3-6 meses: testosterona sérica (timing depende da formulação — colher no meio do intervalo para IM), hematócrito, PSA
  • Meta de testosterona: 400-700 ng/dL (meio da faixa normal)
  • Contraindicações absolutas: câncer de mama ou de próstata (conhecidos — testosterona alimenta tumores AR+), policitemia (hematócrito >54%), TEV não-tratado, IC descompensada, síndrome metabólica grave com obesidade extrema não-tratada
  • Hematócrito elevado (>52-54%): principal efeito adverso em TRT → risco de tromboembolismo; reduzir dose ou pausa; flebotomia se necessário
  • PSA e câncer de próstata: TRT não causa câncer de próstata, mas pode estimular tumor já existente → PSA baseline + exame urológico prévio obrigatório; monitorar PSA a cada 6-12 meses; elevação >1 ng/mL em 1 ano → investigar
  • Apneia do sono: testosterona piora apneia obstrutiva do sono → tratar AOS antes/durante TRT
  • Fertilidade: TRT suprime eixo HPG → azoospermia; para homens que desejam fertilidade → usar gonadotrofinas (hCG + FSH recombinante) em vez de testosterona, ou citrato de clomifeno (agonista parcial do ER → bloqueia feedback negativo E2 → mais GnRH → mais LH/FSH → mais testosterona endógena — off-label mas usado)

Anabolizantes androgênicos (AAS — não-médico):

  • Testosterona e derivados sintéticos (nandrolona, stanozolol, oxandrolona, trembolona) usados por atletas e fisiculturistas para aumento de massa muscular
  • Riscos: supressão eixo HPG (azoospermia, atrofia testicular), policitemia (AVC, TEP), hepatotoxicidade (compostos 17-alfa alquilados — oral), dislipidemia grave (↓ HDL, ↑ LDL), cardiotoxicidade (cardiomiopatia dilatada, morte súbita), acne grave, virilização em mulheres (irreversível), dependência psicológica, agressividade

Perguntas frequentes sobre andrógenos, próstata e reposição de testosterona

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Privação de testosterona (ADT) para câncer de próstata afeta sempre a vida sexual?+

Sim — a privação androgênica (ADT) tem impacto significativo na vida sexual na grande maioria dos homens. Com testosterona suprimida a níveis de castração (<50 ng/dL): libido é drasticamente reduzida ou ausente em >90%; disfunção erétil é a regra (sem testosterona, a via NO/cGMP responsiva ao PDE5i é menos ativa — inibidores de PDE5 como sildenafila têm eficácia reduzida mas podem ajudar parcialmente); orgasmo alterado; atrofia peniana e testicular com ADT prolongada. O impacto na qualidade de vida é substancial e frequentemente subestimado pelos médicos. Estratégias: (1) ADT intermitente em casos selecionados (PSA estável, sem metástases extensas): ciclos de ADT com períodos 'off' onde testosterona recupera parcialmente → restauração temporária de função sexual; (2) Inibidores de PDE5 (sildenafila 50-100 mg, tadalafila 5-20 mg): eficácia menor mas pode ajudar; (3) Discussão de expectativas com o paciente antes de iniciar ADT; (4) Envolver o parceiro(a) no processo de aconselhamento; (5) Relugolix oral (antagonista de GnRH) — estudos mostram recuperação de testosterona mais rápida quando ADT é suspensa, o que pode ser relevante para ADT intermitente.

Testosterona baixa em homens jovens — qual a causa mais comum?+

Em homens jovens (20-40 anos), as causas mais comuns de testosterona baixa são: (1) Obesidade: a aromatase no tecido adiposo converte testosterona em estrógeno → feedback negativo no HPG → LH/FSH baixos → menos estimulação testicular; perda de peso frequentemente normaliza testosterona sem necessidade de TRT; (2) Uso de opioides (OIAD — opioid-induced androgen deficiency): opioides suprimem GnRH pulsátil → hipogonadismo hipogonadotrófico em 40-70% dos usuários crônicos de opioides; (3) Uso prévio de anabolizantes: supressão do eixo HPG pode durar meses a anos após suspensão; hCG + clomifeno podem ajudar a recuperar o eixo; (4) Hiperprolactinemia: prolactinoma ou medicamentos elevam prolactina → inibe GnRH; dosar prolactina em todo hipogonadismo hipogonadotrófico; (5) Apneia obstrutiva do sono: testosterona cai 10-30% com AOS grave; CPAP melhora os níveis; (6) Síndrome de Klinefelter (47,XXY): não raro — 1:600 homens; hipogonadismo primário; azoospermia; antes do diagnóstico tarda em média até os 30s. O workup: testosterona (2 medidas matinais), LH, FSH, prolactina, TSH, E2, SHBG, cariótipo se suspeita de Klinefelter.

Enzalutamida ou abiraterona — qual é melhor para câncer de próstata resistente à castração?+

Ambas melhoram a sobrevida no CRPC (câncer de próstata resistente à castração) e são consideradas opções de primeira linha — não há evidência clara de superioridade de uma sobre a outra em estudos head-to-head (STRIVE comparou enzalutamida vs bicalutamida, não abiraterona). Os estudos LATITUDE (abiraterona + prednisona + ADT) e ARCHES/ENZAMET (enzalutamida + ADT) mostram benefícios similares no contexto de doença hormonossensível metastática (mCSPC), e COUGAR (abiraterona) e AFFIRM/PREVAIL (enzalutamida) no contexto de CRPC estabelecido. Diferenças práticas que guiam a escolha: (1) Abiraterona requer prednisona concomitante (para prevenir excesso de ACTH/aldosterona) — contraindica em diabetes descompensado ou condições que contraindicam corticoide; (2) Enzalutamida: risco de convulsões (Black Box — evitar em histórico de crises); mais fadiga e some cognitive effects; sem necessidade de corticoide; (3) Abiraterona em jejum estrito (absorção errática com alimento — 5-10x variação); (4) Custo e disponibilidade genérica (abiraterona genérica disponível); (5) Darolutamida (Nubeqa®) é alternativa de enzalutamida com menos penetração de SNC → menos convulsões/fadiga. A escolha deve ser individualizada pelo oncologista/urologista considerando comorbidades e preferências.

TRT aumenta o risco de câncer de próstata?+

Esta é uma das grandes controvérsias históricas da medicina e a resposta evoluiu significativamente. O medo histórico (baseado na hipótese de Huggins de 1941 — castração curava o câncer de próstata → portanto testosterona aumentaria) deu lugar a uma visão mais nuançada: a hipótese do 'ponto de saturação' (proposta por Morgentaler). O receptor de andrógeno (AR) da próstata satura em níveis de testosterona relativamente baixos (~150-200 ng/dL) — acima disso, mais testosterona não estimula mais a próstata proporcionalmente. Evidências atuais: estudos de coorte de homens em TRT não mostram aumento de incidência de câncer de próstata. Meta-análises de ensaios clínicos randomizados de TRT: sem aumento significativo de PSA ou de diagnóstico de câncer de próstata vs placebo. A grande exceção: TRT em paciente com câncer de próstata CONHECIDO e ativo (AR+ na grande maioria) pode estimular progressão → contraindicação absoluta em doença ativa. Em pacientes TRATADOS de câncer de próstata localizado com cura (prostatectomia radical, RT) e em remissão: TRT tem sido estudada em casos selecionados de alto risco de testosterona baixa — resultados preliminares não mostram aumento de recidiva, mas o nível de evidência ainda é limitado → decisão individualizada com urologista.

Referências Científicas

  1. Ryan CJ, Smith MR, de Bono JS, et al. (COU-AA-302 — abiraterone pre-chemo CRPC) Abiraterone in Metastatic Prostate Cancer without Previous Chemotherapy (COU-AA-302). N Engl J Med, 2013.
  2. Beer TM, Armstrong AJ, Rathkopf DE, et al. (PREVAIL — enzalutamide pre-chemo CRPC) Enzalutamide in Metastatic Prostate Cancer before Chemotherapy (PREVAIL). N Engl J Med, 2014.
  3. Shore ND, Saad F, Cookson MS, et al. (HERO — relugolix vs leuprolide) Oral Relugolix for Androgen-Deprivation Therapy in Advanced Prostate Cancer (HERO). N Engl J Med, 2020.
  4. Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, et al. Testosterone Therapy in Men with Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018.
  5. Morgentaler A, Khera M, Maggi M, Zitzmann M. Commentary: Who Is a Candidate for Testosterone Therapy? A Synthesis of International Expert Opinions (saturation model review). J Sex Med, 2021.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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