Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
← Blog·peptideos19 de junho de 2026· 12 min de leitura

Testosterona, DHT e receptor androgênico (AR): finasterida, dutasterida e enzalutamida em próstata e alopecia

Testosterona e DHT (dihidrotestosterona) ativam o receptor androgênico (AR) nuclear, controlando desenvolvimento sexual, músculo e próstata. Finasterida/dutasterida inibem 5α-redutase; enzalutamida/abiraterona bloqueiam AR no câncer de próstata resistente à castração.

B
BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
Compartilhar:

Eixo hipotálamo-hipófise-gônadas e síntese de testosterona

Eixo HPG (Hipotálamo-Pituitária-Gônadas) — controle da síntese de andrógenos:

  1. GnRH (Gonadotropin-Releasing Hormone): liberado de forma pulsátil pelo hipotálamo → pituitária anterior (receptores GnRH-R)
  2. LH (Luteinizing Hormone) e FSH: glicoproteínas secretadas pela pituitária anterior → gônadas

- LH → células de Leydig (testículo) → síntese de testosterona; em mulheres → teca ovariana → andrógenos → aromatizados → estrogênios - FSH → células de Sertoli (testículo) → espermatogênese + inibina B; em mulheres → células da granulosa → estrogênio

  1. Testosterona: feedback negativo sobre hipotálamo (GnRH) e pituitária (LH, FSH)

Síntese de testosterona (células de Leydig):

  • Colesterol → Pregnenolona → DHEA → Androstenediona → Testosterona (via 17β-HSD3)
  • Enzimas-chave: P450scc/CYP11A1, 3β-HSD2, CYP17A1 (17-hydroxilase/lyase — alvo da abiraterona)

Metabolismo da testosterona:

  • 5α-redutase tipo 1 (pele, fígado): T → DHT (5-10x mais potente que T, alta afinidade para AR)
  • 5α-redutase tipo 2 (próstata, folículos capilares, órgãos genitais): T → DHT (predominante nos tecidos alvos de interesse clínico)
  • Aromatase (CYP19A1) (tecido adiposo, osso, cérebro): T → Estradiol (E2) — importante para saúde óssea masculina e função sexual/libido

Valores de referência (homens adultos):

  • Testosterona total: 300-1000 ng/dL (10.4-34.7 nmol/L)
  • Testosterona livre: 4.5-25 ng/dL (fracção não ligada a SHBG e albumina)
  • DHT: 30-85 ng/dL
  • SHBG (Sex Hormone-Binding Globulin) liga 40-60% da T → aumentado por estrogênios/hepatopatia, reduzido por obesidade/insulina

Receptor androgênico (AR): estrutura, mecanismo e paper central no câncer de próstata

Receptor Androgênico (AR / NR3C4) — membro da superfamília de receptores nucleares (Classe I — homodímero):

Domínios estruturais:

  • NTD (N-terminal domain): AF-1 (activation function 1) — importante para interação com coativadores
  • DBD (DNA-binding domain): dedos de zinco → liga a AREs (Androgen Response Elements — IR3 de 5'-TGTTCT-3')
  • Hinge region: sinal de localização nuclear
  • LBD (Ligand-Binding Domain): AF-2 → liga T, DHT (DHT maior afinidade e dissociação mais lenta → resposta mais sustentada)

Mecanismo de ação:

  1. No citoplasma: AR inativo ligado a HSP90, HSP70, p23 (complexo chaperona) → conformação inativa
  2. T/DHT entra na célula → liga-se ao AR → dissociação de HSPs → AR homodimeriza
  3. AR:AR → transloca para núcleo → liga ARE → recruta coativadores (SRC-1, CBP/p300, TRAP220)
  4. Ativação de transcrição de genes androgênio-responsivos

Genes-alvo do AR:

  • Próstata: KLK3/PSA (Prostate-Specific Antigen — marcador de atividade do AR), FKBP5, NKX3-1, TMPRSS2
  • Músculo: síntese proteica → hipertrofia, IGF-1 → sinalização anabólica
  • Osso: manutenção da densidade mineral, diferenciação de osteoblastos
  • Eritropoiese: EPO e receptores de EPO → ↑ massa eritrocitária (daí policitemia em TRT)
  • Órgãos genitais: desenvolvimento (feto masculino: DHT essencial para virilização genital externa)

AR no câncer de próstata:

  • Adenocarcinoma de próstata: dependente do AR em ~95% dos casos
  • Progressão: hormônio-sensível → castração-resistente (CRPC) via amplificação do AR, mutações no LBD (que permitem ativação por ligantes alternativos), variantes de splice do AR (AR-V7 — falta LBD → constitutivamente ativo independente de ligante)
  • AR-V7 = resistência a enzalutamida e abiraterona

Inibidores de 5α-redutase: finasterida e dutasterida

5α-Redutase (5αR) — enzima que converte T → DHT (mais potente, affinidade 10x maior para AR):

Isoformas:

  • 5αR tipo 1: pele (incluindo couro cabeludo), fígado, glândulas sebáceas
  • 5αR tipo 2: próstata, vesícula seminal, epidídimo, folículos capilares (na papila dérmica)
  • 5αR tipo 3: SNC, vários tecidos

Finasterida (Propecia® 1 mg / Proscar® 5 mg — Merck):

  • Inibidor seletivo de 5αR tipo 2 (competitivo irreversível — inibidor mecanismo-dependente)
  • ↓ DHT sérica ~70%, DHT prostática ~90%
  • 1 mg/dia: aprovada para alopecia androgenética masculina (AGA) — reduz DHT no couro cabeludo → menos miniaturização folicular → estabiliza/regride queda de cabelo em 60-83% dos homens
  • 5 mg/dia: aprovada para hiperplasia prostática benigna (HPB) — reduz volume da próstata 20-25%, alivia sintomas do trato urinário inferior
  • Efeitos adversos: disfunção erétil (1.8%), diminuição de libido (1.8%), ejaculação reduzida — reversíveis na maioria ao parar; síndrome pós-finasterida (controversa): persistência de disfunção sexual e cognitiva após suspensão — mecanismo não elucidado, investigado (neurosteroides: DHT → alopregnanolona)
  • PSA: finasterida ↓ PSA ~50% → ajustar rastreamento (duplicar PSA medido durante uso para comparação)
  • Teratogênica: mulheres grávidas não devem tocar comprimidos partidos (DHT essencial para masculinização genital fetal)

Dutasterida (Avodart® — GSK):

  • Inibidor dual de 5αR tipo 1 e tipo 2
  • ↓ DHT sérica ~95% (mais que finasterida)
  • 0.5 mg/dia: aprovada para HPB; off-label para AGA (estudos mostram eficácia superior à finasterida na AGA, especialmente em vértice)
  • Meia-vida muito longa (~5 semanas) → detecção urinária por meses
  • Combinação com tamsulosina (COMBODART®) para HPB com sintomas obstrutivos

Alopecia androgenética (AGA):

  • Miniaturização progressiva dos folículos capilares mediada por DHT → transição de cabelo terminal → velo
  • Geneticamente determinada: polimorfismos no gene do AR (repetições CAG e GGC) e em SRD5A2 (5αR2)
  • Tratamentos aprovados: finasterida (H), dutasterida (off-label H), minoxidil tópico/oral (mecanismo distinto — KATP opener, não antiandrogênico), células tronco capilares, PRP

Antagonistas do AR no câncer de próstata: bicalutamida, enzalutamida e abiraterona

Bloqueio androgênico total (ADT — Androgen Deprivation Therapy):

  • Padrão no câncer de próstata hormônio-sensível metastático
  • Análogos/antagonistas de GnRH (suprimem LH → testosterona sérica a nível de castração <50 ng/dL):

- Agonistas GnRH: leuprolida, goserelina — estimulação inicial seguida de down-regulation do GnRH-R → efeito de castração química; "flare" inicial (aumento transitório de T) → bloquear com antiandrógeno por 2-4 semanas - Antagonistas GnRH: degarelix, relugolix (oral) — bloqueio imediato sem flare, preferidos em casos com metástases sintomáticas

Antiandrógenos de 1ª geração:

  • Bicalutamida (Casodex®): antagonista AR competitivo (não-esteroidal); não suprime gonadotropinas → testosterona sérica normal/aumentada; menos efeitos de castração (menos osteoporose, fogachos, impotência) mas menos eficaz que ADT em monoterapia
  • Flutamida, Nilutamida: menos usados (mais toxicidade)

Antiandrógenos de 2ª geração (ARSI — Androgen Receptor Signaling Inhibitors):

  • Enzalutamida (Xtandi® — Astellas/Pfizer): antagonista AR de alta afinidade (8x maior que bicalutamida) — bloqueia ligação de andrógenos ao AR, impede translocação nuclear, impede ligação ao DNA; eficaz mesmo em AR amplificado; ARCHES trial (2019) + PROSPER trial: ↓ progressão e mortalidade em CRPC e mCRPC
  • Apalutamida (Erleada®) e Darolutamida (Nubeqa®): antagonistas AR de 2ª geração com perfil similar; darolutamida tem menor penetração no SNC (menos convulsões)

Inibidor de CYP17A1:

  • Abiraterona (Zytiga®, com prednisona): bloqueia CYP17A1 → inibe síntese adrenal e intratumoral de T/DHT → supressão androgênica mais completa

- LATITUDE trial: abiraterona + ADT → redução de mortalidade em câncer de próstata hormônio-sensível metastático de alto risco - Abiraterona acetato + metilprednisolona (Yonsa®): nova formulação com biodisp. melhorada, pode ser tomada com alimento

  • Prednisona co-administrada para compensar o acúmulo de mineralocorticoides (↑ deoxicorticosterona → hipertensão, hipocalemia) causado pelo bloqueio de CYP17

Veja compostos peptídicos e moduladores hormonais em nosso catálogo.

Perguntas frequentes sobre andrógenos e AR

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Finasterida para alopecia masculina — quando esperar resultados?+

Finasterida age lentamente pois precisa inverter o ciclo de miniaturização folicular, que tem duração de meses. Os primeiros 3-6 meses podem mostrar aumento temporário de queda (eflúvio de transição — folículos entrando em nova fase de crescimento). Estabilização da queda ocorre em 6-12 meses; crescimento de cabelo novo (em quem responde) é mais evidente após 12-24 meses. Se não houver resposta alguma em 24 meses de uso consistente, o medicamento provavelmente não será eficaz. A maioria dos homens que para de usar vê a queda retornar ao ritmo anterior em 6-12 meses.

Testosterona alta em mulheres — quais são as causas?+

Hiperandrogenismo feminino tem três causas principais: (1) SOP — a mais comum (70-80%): ovários policísticos produzem excesso de andrógenos via LH aumentado + insulina; clinicamente: acne, hirsutismo, irregularidade menstrual, sobrepeso. (2) Hiperplasia adrenal congênita (HAC) — déficit de 21-hidroxilase → desvio para andrógenos suprarrenais; (3) Tumores secretores de andrógenos — raros (adrenal ou ovariano); testosterona muito alta (>200 ng/dL) com início abrupto sugere tumor. Diagnóstico: testosterona total+livre, DHEAS, 17-OH-Progesterona (HAC), LH/FSH, insulina.

O que é bloqueio androgênico completo (BAC) no câncer de próstata?+

BAC (ou combinação de ADT com antiandrógeno) combina castração química/cirúrgica (que reduz T a <50 ng/dL) com um antiandrogênico para bloquear o DHT/T residual de origem adrenal (~5% do androgênio total). Com antiandrógenos de 1ª geração (bicalutamida) o benefício era marginal; com os de 2ª geração (enzalutamida, apalutamida, darolutamida + ADT), os trials mostram benefício claro em redução de mortalidade — esses são agora o padrão para mCPRC e câncer hormônio-sensível metastático de alto risco.

Deficiência de 5α-redutase tipo 2: o que é a 'síndrome de Jokin'?+

Rara condição autossômica recessiva causada por mutações em SRD5A2. Fetos XY têm testosterona normal mas sem DHT → genitália externa feminina ao nascer (genitais ambíguos ou pseudofemininos), pois DHT é essencial para masculinização externa. Internamente, os órgãos dependentes de T (epidídimo, vesículas seminais, ductos deferentes) desenvolvem-se normalmente. Na puberdade, o grande aumento de T supre parcialmente a falta de DHT → virilização: voz grossa, crescimento do pênis, descida dos testículos, desenvolvimento muscular. Historicamente descrita em comunidades rurais da República Dominicana — crianças criadas como meninas que 'viravam homens' na puberdade.

Referências Científicas

  1. Feldman BJ, Feldman D The development of androgen-independent prostate cancer. Nat Rev Cancer, 2001.
  2. Chi KN, Agarwal N, Bjartell A, et al. Apalutamide for metastatic, castration-sensitive prostate cancer (TITAN). N Engl J Med, 2019.
  3. Imperato-McGinley J, Guerrero L, Gautier T, Peterson RE Steroid 5alpha-reductase deficiency in man: an inherited form of male pseudohermaphroditism. Science, 1974.
  4. Irwig MS Persistent sexual side effects of finasteride: could they be permanent?. J Sex Med, 2012.
  5. Ryan CJ, Smith MR, de Bono JS, et al. Abiraterone in metastatic prostate cancer without previous chemotherapy (COU-AA-302). N Engl J Med, 2013.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

#testosterona#DHT dihidrotestosterona#receptor androgênico AR#finasterida#dutasterida#enzalutamida#abiraterona#câncer de próstata#alopecia

Avalie este conteúdo

Seja o primeiro a avaliar

Comentários

Faça login para deixar um comentário.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro.

Pronto para começar?

Explore nosso catálogo de peptídeos com qualidade farmacêutica e COA.

Ver Catálogo →
Testosterona, DHT e receptor androgênico (AR): finasterida, dutasterida e enzalutamida em próstata e alopecia | Peptídeos Bio