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← Blog·peptideos23 de junho de 2026· 11 min de leitura

Nitroglicerina, isossorbida e nitroprussiato de sódio — nitratos orgânicos e vasodilatadores na angina e IC aguda

Nitroglicerina (GTN) doa óxido nítrico (NO) → relaxa músculo liso vascular → vasodilatação venosa e coronariana. Isossorbida mono/dinitrato são nitratos de ação prolongada. Nitroprussiato de sódio é vasodilatador arterial e venoso potente para crises hipertensivas e IC aguda grave. Bases do mecanismo NO/cGMP, tolerância a nitratos e uso clínico.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Óxido nítrico (NO), cGMP e a via de vasodilatação dos nitratos

Descoberta do NO em farmacologia: a nitroglicerina foi introduzida na clínica por Brunton em 1867 para angina — décadas antes de se entender que seu mecanismo era a liberação de óxido nítrico. Robert Furchgott, Ferid Murad e Louis Ignarro ganharam o Nobel de Medicina em 1998 por elucidar o papel do NO como segundo mensageiro vascular.

Via NO/cGMP no músculo liso vascular:

  1. Fontes de NO: (a) Nitratos exógenos (nitroglicerina, isossorbida) → biotransformados em NO; (b) NO endógeno: gerado pela enzima eNOS (NOS-III, endotelial) a partir de L-arginina → NO + L-citrulina; eNOS é ativada pelo shear stress, estrogênio, VEGF, bradicinina
  2. NO → difunde para músculo liso → ativa guanilato ciclase solúvel (sGC) → ↑cGMP (GMPc) → ativa PKG (proteína quinase G) → fosforila: (a) canais de K+ → hiperpolarização → relaxamento; (b) miosina fosfatase → desfosforilação de miosina → relaxamento; (c) SERCA → ↑captação de Ca²+ para retículo endoplasmático → ↓Ca²+ citosólico → relaxamento
  3. cGMP é degradado pela PDE5 (fosfodiesterase tipo 5 — alvo do sildenafila/tadalafila) — por isso sildenafila + nitratos orgânicos = CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA (soma de efeitos NO/cGMP → hipotensão grave potencialmente fatal)

Efeitos hemodinâmicos dos nitratos:

  • Vasodilatação venosa (efeito dominante em doses baixas): capacitância venosa aumenta → menos retorno venoso → ↓pré-carga → ↓volume diastólico do VE → ↓consumo de O2 miocárdico → alívio da angina
  • Vasodilatação coronariana (especialmente coronárias epicárdicas grandes e colaterais): redistribui fluxo para zonas isquêmicas
  • Vasodilatação arteriolar (em doses altas): ↓pós-carga → ↓resistência à ejeção → útil na IC aguda
  • Efeito na pressão (via taquicardia reflexa): a queda de PA provoca reflexo barorreceptor → ↑FC → compensa parcialmente; cefaleia = vasodilatação das artérias meníngeas

Nitroglicerina sublingual, IV e adesivo — usos na angina e IC aguda

Nitroglicerina (GTN — Trinitrina®, Nitronal®, Nitrodisc®; genérico):

Biotransformação em NO: nitroglicerina → metabolizada por mitocôndrias e enzimas (aldeído-desidrogenase mitocondrial = ALDH2 → principal enzima para conversão de GTN em 1,2-glycerol dinitrato e NO); o mecanismo exato da biotransformação ainda tem detalhes sendo elucidados

Formas farmacêuticas e doses:

  • Sublingual (comprimido 0.5 mg ou spray 0.4 mg/dose): absorção mucosa direta → início 1-3 min; pico 4-8 min; duração 20-30 min; para crises de angina aguda ou profilaxia pré-esforço

- Uso em angina: 0.4-0.5 mg sublingual a cada 5 min até 3 doses; se sem alívio após 3 doses ou em repouso = chamar emergência (sugestivo de SCA) - Meia-vida curta (1-4 min) pelo metabolismo de 1ª passagem hepático intenso → via oral convencional INEFICAZ

  • IV (Nitronal® 5 mg/mL para infusão): para IC aguda com congestão, angina instável hospitalar, emergência hipertensiva com sintomas isquêmicos; dose 5-200 mcg/min titulado
  • Adesivo transdérmico (Nitrodisc® 5-15 mg/24h): liberação contínua; para angina estável crônica; aplicar pela manhã e REMOVER à noite (intervalo sem nitrato = essencial para prevenir tolerância)
  • Creme ou pomada transdérmica (Nitrobid® 2% — aplicação 2-3x/dia com régua medidora) — menos usado

TOLERÂNCIA AOS NITRATOS — fenômeno crítico:

  • Uso contínuo de nitratos → progressiva perda de eficácia
  • Mecanismo: (1) esgotamento de grupos tiól (–SH) necessários para biotransformação de GTN em NO; (2) ALDH2 se oxida com uso contínuo; (3) ativação compensatória do SRAA e sistema simpático (contrapressores endógenos)
  • Intervalo sem nitrato de 8-12h/dia é OBRIGATÓRIO para evitar tolerância: adesivo remove à noite; isossorbida dinitrato 2x/dia (manhã e tarde — não à noite); isossorbida mononitrato liberação prolongada = única formulação que não requer intervalo (a farmacocinética natural já cria o intervalo)

Indicações da nitroglicerina:

  • Angina estável: sublingual como resgate + profilaxia antes de esforço
  • Angina instável / NSTEMI hospitalar: infusão IV contínua
  • IC aguda descompensada com congestão: nitroglicerina IV reduz pré-carga → alivia congestão pulmonar (combinada com furosemida IV)
  • Edema agudo de pulmão (EAP) hipertensivo: nitroglicerina IV é a principal intervenção farmacológica imediata
  • Pós-IAM com IC ou angina persistente: nitrato IV

Efeitos adversos:

  • Cefaleia (muito comum): vasodilatação meníngea → cefaleia pulsátil nas primeiras doses; atenua com uso continuado (mas pode representar tolerância)
  • Hipotensão ortostática: especialmente após a 1ª dose em pacientes não-acostumados; orientar sentar/deitar após sublingual
  • Taquicardia reflexa
  • Sincope (por hipotensão + bradicardia vagal paradoxal = síndrome de Bezold-Jarisch em IAM inferior com uso de nitrato)
  • Flush
  • CONTRAINDICAÇÕES: hipovolemia (vai piorar hipotensão gravemente); IAM de VD (ventrículo direito depende de pré-carga elevada — nitrato pode causar colapso); uso de inibidores de PDE5 (sildenafila, vardenafila, tadalafila) nas últimas 24-48h → hipotensão grave; glaucoma de ângulo fechado (nitroglicerina pode aumentar PIO)

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Isossorbida dinitrato (Isordil® — Wyeth; genérico) e Isossorbida mononitrato (Monoket® / Imdur® — Pfizer; genérico):

  • Nitratos de ação prolongada para prevenção de angina e IC crônica
  • Isossorbida dinitrato (ISDN): pró-fármaco biotransformado nos hepatócitos em isossorbida-2-mononitrato e isossorbida-5-mononitrato (ativo); dose 5-40 mg 3x/dia (manhã, meio-dia, tarde — evitar noite); início 30-60 min, duração 4-6h
  • Isossorbida mononitrato (ISMN): metabólito ativo direto, sem metabolismo de 1ª passagem hepático significativo → maior biodisponibilidade; formulação ISMN liberação prolongada (Imdur® 60-120 mg 1x/dia de manhã): cria perfil farmacocinético com intervalo noturno sem nitrato de 8-12h naturalmente
  • Na IC: Combinação hidralazina + ISDN (BiDil® nos EUA) é aprovada em população afro-americana com IC que não tolera iECA/ARA (AHEFT trial: redução de mortalidade em 43%); mecanismo: vasodilatação arteriolar (hidralazina) + venosa (ISDN) → reduz pré e pós-carga

Nitroprussiato de sódio — vasodilatador de emergência para IC grave e crise hipertensiva

Nitroprussiato de Sódio (Nitropruss® — Cristália; Nipride® — Roche; genérico):

Mecanismo (diferente dos nitratos orgânicos):

  • Nitroprussiato = complexo de ferro + NO + cianeto [Fe(CN)₅NO]²⁻
  • Espontaneamente libera NO (não requer biotransformação enzimática) → via sGC → ↑cGMP → vasodilatação
  • Também libera cianeto (CN⁻) como subproduto → CN⁻ é metabolizado pelo fígado via rodanase a tiocianato (SCN⁻) → excretado pelos rins; em uso prolongado ou em IR/IH grave → CN⁻ se acumula → toxicidade por cianeto

Perfil hemodinâmico: vasodilatador ARTERIAL E VENOSO equilibrado → ↓pré-carga + ↓pós-carga + ↓PAM; ao contrário da nitroglicerina que é predominantemente venosa (em doses baixas)

Usos clínicos:

  • IC grave/choque cardiogênico com pós-carga elevada: reduz a resistência vascular sistêmica → facilita ejeção do VE → ↑DC; especialmente em valvopatia aórtica grave ou IC com PA alta
  • Emergência hipertensiva com encefalopatia, EAP, dissecção de aorta: agente preferido pela titulabilidade precisa e início de ação <1 min
  • Dissecção de aorta tipo A/B aguda (em combinação com betabloqueador): controle rigoroso da PA (<120 mmHg sistólica)
  • Cirurgia cardíaca (hipotensão controlada, proteção de enxertos)

Doses: infusão IV contínua apenas: 0.3-10 mcg/kg/min; titular PA de 1 em 1 min (início/término de ação praticamente imediatos); NÃO bolus

Monitoramento obrigatório: PA invasiva (cateter arterial) para titulação precisa; duração máxima recomendada: 10 min com dose máxima ou uso >24-48h em qualquer dose → risco de cianeto

TOXICIDADE POR CIANETO — a principal preocupação:

  • Ocorre com: uso prolongado (>48-72h), doses altas (>4 mcg/kg/min), IR ou IH grave (prejudica conversão de CN⁻ a SCN⁻)
  • Manifestações: taquicardia, confusão, acidose láctica (CN⁻ inibe citocromo C oxidase mitocondrial → células não usam O₂ → lactato aumenta), convulsões
  • Diagnóstico: lactato elevado + CN⁻ sérico elevado + SCN⁻ sérico > 10 mg/dL (em uso prolongado)
  • Antídoto de cianeto: (1) Hidroxicobalamina (Cyanokit® — 5g IV em 15 min — liga CN⁻ e forma cianocobalamina excretável); (2) Nitrito de sódio + tiossulfato de sódio (nitrito gera metemoglobina que liga CN⁻; tiossulfato fornece substrato para rodanase)
  • TOXICIDADE POR TIOCIANATO: em IR grave com uso prolongado; SCN⁻ acumula → confusão, psicose, convulsões; tratamento: diálise

Alternativas mais seguras para emergência hipertensiva (quando tolerabilidade do cianeto é preocupante):

  • Clevidipina (Cleviprex®): bloqueador de canal de Ca²+ (dihidropiridina de ultracurta ação; IV); sem toxicidade de cianeto; metabolizado por esterases plasmáticas; início 2-4 min; mais disponível nos EUA
  • Labetalol IV (alfa + betabloqueador): emergência hipertensiva com taquicardia ou em grávidas (pré-eclâmpsia)
  • Nicardipina IV: bloqueador de Ca²+ de curta ação IV; bom para AVC hemorrágico
  • Fenoldopam: agonista D1 seletivo → vasodilatação renal + sistêmica; possível néfroprotecção em emergência hipertensiva com IR (raro uso)

Comparação nitroglicerina × nitroprussiato: | | Nitroglicerina IV | Nitroprussiato | |---|---|---| | Vasodilatação | Predominante venosa | Arteriolar e venosa | | ↓Pré-carga | +++ | +++ | | ↓Pós-carga | + (baixas doses) | +++ | | Início | 1-2 min | <1 min | | IC com congestão | 1ª escolha | Se PA muito alta | | Dissecção de aorta | Inadequado | Melhor | | Toxicidade | Cefaleia, hipotensão | Cianeto (prolongado) | | Tolerância | Sim (uso contínuo) | Não |

Perguntas frequentes sobre nitratos e vasodilatadores cardíacos

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Posso tomar sildenafila (Viagra) se uso nitrato para angina?+

Não — a combinação sildenafila (ou qualquer inibidor de PDE5: vardenafila, tadalafila, avanafila) com nitratos orgânicos (nitroglicerina, isossorbida) é uma CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA, potencialmente fatal. O mecanismo explica o perigo: ambos amplificam a via NO/cGMP → vasodilatação intensa e profunda → queda abrupta e grave da pressão arterial → síncope, isquemia cerebral, IAM, morte. Estudo clássico (Webb et al. 1999): voluntários saudáveis que tomaram sildenafila e depois nitroglicerina sublingual tiveram queda de PA sistólica de >85 mmHg em vários casos. A FDA e todas as agências reguladoras emitem alerta de contraindicação absoluta. O período de segurança varia: sildenafila e vardenafila (meia-vida ~4h): aguardar pelo menos 24h após a última dose antes de usar nitrato; tadalafila (meia-vida ~17h, efeito dura até 36-48h): aguardar pelo menos 48h; nitroglicerina sublingual de emergência: se necessidade absoluta em urgência cardiológica após uso de iPDE5, a nitroglicerina pode ser necessária mesmo com risco — mas em ambiente com monitoramento. O que fazer se o paciente usa nitrato para angina e quer tratar disfunção erétil: conversar com cardiologista sobre a segurança cardiovascular; opções incluem substituir o nitrato por outra classe (ranolazina, betabloqueador, amlodipina para angina) caso seja possível, e depois usar iPDE5 com segurança.

Por que a nitroglicerina sublingual causa tanta dor de cabeça?+

A cefaleia da nitroglicerina é um dos efeitos adversos mais previsíveis e frequentes — virtualmente todo paciente que usa a primeira dose sublingual experimenta algum grau de cefaleia pulsátil. O mecanismo é direto: NO liberado pela nitroglicerina → vasodilatação das artérias meníngeas (as artérias da dura-máter e do escalpe) → distensão das paredes vasculares → ativação das fibras trigêmino-vasculares na meninge → dor de cabeça pulsátil na têmpora e occipital. Na verdade, esse modelo de cefaleia induzida por nitroglicerina é um dos modelos farmacológicos mais utilizados para estudar enxaqueca — pacientes com enxaqueca são muito mais sensíveis ao efeito cefaleico do NO. Com uso continuado (angina crônica): a cefaleia tende a diminuir progressivamente em intensidade (tolerância parcial ao efeito cefaléico), embora persista em muitos. Nos estudos clínicos da história da nitroglicerina no século XIX, Alfred Nobel (o criador do prêmio Nobel, que trabalhava com dinamite contendo nitroglicerina) escreveu para um amigo que a nitroglicerina que os médicos prescreviam para angina causava-lhe cefaleia insuportável — uma das ironias históricas da farmacologia. O manejo: paracetamol ou ibuprofeno para a cefaleia; tentar com a menor dose eficaz de nitrato; formular spray em vez de comprimido (spray pode ter absorção mais previsível); nos adesivos, remover à noite também reduz a exposição total.

Quando usar nitroprussiato versus nitroglicerina na UTI? São intercambiáveis?+

Não são intercambiáveis — têm perfis hemodinâmicos diferentes que os tornam adequados para situações distintas. A diferença fundamental: nitroglicerina em doses baixas-moderadas é predominantemente venosa (reduz pré-carga), com efeito arteriolar mínimo; nitroprussiato é arterial e venoso equilibrado (reduz pré-carga E pós-carga com potência similar). Quando preferir nitroglicerina IV: IC aguda com congestão pulmonar e PA moderada (PAM 70-110): reduz pré-carga, alivia dispneia; SCA com angina persistente: a nitroglicerina tem efeito coronariano específico (vasodilatação coronariana epicárdica, redistribuição de fluxo); edema pulmonar por estenose aórtica grave: NÃO usar nitroprussiato (que reduz pós-carga e pode causar colapso em estenose aórtica); pacientes onde se quer efeito predominantemente venoso. Quando preferir nitroprussiato: emergência hipertensiva com PA muito elevada (>180/120 mmHg): onset mais rápido e titulação mais precisa; IC grave com pós-carga muito elevada e PA alta (como crise hipertensiva + edema pulmonar): redução de pós-carga potente é necessária; dissecção de aorta (+ betabloqueador): controle rigoroso de PA; cirurgia cardíaca (hipotensão controlada). A titulabilidade do nitroprussiato é superior (início/término <1 min), mas requer monitoramento invasivo de PA e vigilância de toxicidade por cianeto. Em prática, muitas UTIs preferem nitroglicerina IV sempre que possível pelo perfil de segurança mais favorável, reservando nitroprussiato para casos onde a redução de pós-carga arteriolar é essencial ou onde a titulação extremamente fina é necessária.

O que é angina de Prinzmetal e por que nitratos são importantes nessa forma?+

A angina variante de Prinzmetal (também chamada angina vasospástica) é uma forma incomum de angina caracterizada por espasmo coronariano — contração súbita de uma artéria coronária epicárdica normal ou com aterosclerose leve, levando a isquemia grave. Diferenças da angina estável típica: angina estável = placa aterosclerótica que limita fluxo no esforço; angina de Prinzmetal = artéria se fecha em espasmo, geralmente em repouso e na madrugada/manhã; pode ocorrer em pacientes jovens sem fatores de risco tradicionais; ECG durante o espasmo mostra elevação de ST (ao contrário da depressão em angina estável). Gatilhos: hiperventilação, cocaína, tabagismo, frio, estresse emocional, acetilcolina. Fisiopatologia: hiperreatividade vascular coronariana, possivelmente por disfunção endotelial (menos NO produzido localmente) ou hipercontratilidade de musculatura lisa. Tratamento: nitratos + bloqueadores de canal de cálcio (diltiazem, verapamil, amlodipina) — são as únicas duas classes com eficácia comprovada; os betabloqueadores são CONTRAINDICADOS em angina vasospástica (bloqueio beta → alfa desimpedido → vasoconstrição coronariana piorada); AAS e estatinas têm papel menor. Importância dos nitratos: vasodilatam as coronárias epicárdicas → revertem o espasmo agudamente (nitroglicerina sublingual = primeira intervenção na crise) e previnem episódios com uso contínuo; a resposta ao nitrato é tão característica da angina vasospástica que pode ser usado como teste diagnóstico durante cateterismo cardíaco (provocação com acetilcolina ou ergonovina → espasmo → nitroglicerina reverte).

Referências Científicas

  1. Ignarro LJ, Buga GM, Wood KS, et al. (Nobel Prize — NO as endogenous vasodilatator) Endothelium-derived relaxing factor produced and released from artery and vein is nitric oxide. Proc Natl Acad Sci USA, 1987.
  2. Taylor AL, Ziesche S, Yancy C, et al. (A-HeFT trial — hydralazine+isosorbide in Black HF) Combination of Isosorbide Dinitrate and Hydralazine in Blacks with Heart Failure (A-HeFT). N Engl J Med, 2004.
  3. Webb DJ, Freestone S, Allen MJ, Muirhead GJ. (sildenafil + nitrate — hemodynamic interaction) Sildenafil citrate and blood-pressure-lowering drugs: results of drug interaction studies with an organic nitrate and a calcium antagonist. Am J Cardiol, 1999.
  4. Cohn JN, Franciosa JA. (nitroprusside in heart failure — pioneering work) Vasodilator therapy of cardiac failure. N Engl J Med, 1977.
  5. Nabel EG, Selwyn AP, Ganz P. (vasospasm and nitrates — coronary artery) Large coronary arteries in humans are responsive to changing blood flow: an endothelium-dependent mechanism that fails in patients with atherosclerosis. J Am Coll Cardiol, 1990.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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