Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
← Blog·peptideos30 de julho de 2026· 11 min de leitura

Nintedanibe e pirfenidona — fibrose pulmonar idiopática (FPI): mecanismo antifibrótico, INPULSIS/ASCEND e diagnóstico por TCAR

Fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença intersticial progressiva e fatal com mediana de sobrevida de 2-5 anos sem tratamento. Nintedanibe (Ofev®) é inibidor de tirosina-quinase (FGFR, VEGFR, PDGFR) que reduz a ativação de fibroblastos. Pirfenidona (Esbriet®) tem múltiplas ações antifibróticas via TGF-β e PDGF. Ambos reduzem o declínio da CVF em ~50%. Transplante pulmonar é a única opção curativa.

B
BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
Compartilhar:

Fibrose pulmonar idiopática — patobiologia, diagnóstico e prognóstico

FIBROSE PULMONAR IDIOPÁTICA (FPI / IPF) — definição e epidemiologia:

  • Pneumopatia intersticial fibrosante crônica, progressiva e de causa desconhecida ("idiopática")
  • Incidência: 3-9 por 100.000/ano; prevalência crescente (melhor reconhecimento + população envelhecida)
  • Predomínio: homens > mulheres; diagnóstico > 60 anos tipicamente; tabagismo = fator de risco importante
  • Prognóstico sombrio: mediana de sobrevida 2-5 anos após diagnóstico (sem tratamento); piora implacável da função pulmonar; agudizações agudas (acute exacerbations) = deterioração abrupta com mortalidade hospitalar de 50-80%

PADRÃO PATOLÓGICO — UIP (Usual Interstitial Pneumonia):

  • A FPI = causa mais comum do padrão histológico UIP
  • UIP: fibrose pulmonar com heterogeneidade temporal e espacial — áreas de fibrose densa (honeycombing — faveolamento), fibroblastic foci (focos de fibroblastos ativos — o sinal de atividade), e áreas de pulmão relativamente preservado
  • Outros padrões de pneumonia intersticial: NSIP (não-específica — mais em conectivopatias), COP (criptogênica), DIP, RB-ILD

FISIOPATOLOGIA:

  • Hipótese atual: microlesão repetitiva do epitélio alveolar → ativação aberrante de pneumócitos tipo II → secreção de fatores de crescimento pró-fibróticos: TGF-β1 (TGF-beta 1) é o mais importante → ativa miofibroblastos (fibroblastos + células mesenquimais que se diferenciam em miofibroblastos) → síntese excessiva de colágeno tipo I, III + matriz extracelular → progressão da fibrose
  • Outros mediadores: PDGF (platelet-derived growth factor), FGF (fibroblast growth factor), VEGF, IL-13, ET-1
  • O processo é auto-amplificador: fibrose → mais estresse mecânico nas células → mais TGF-β → mais fibrose

DIAGNÓSTICO DE FPI (ATS/ERS/JRS/ALAT 2022):

  1. Exclusão de causas conhecidas de DPI (pneumonite de hipersensibilidade, conectivopatias — LES, esclerodermia, miosite, doença reumatoide, drogas, asbestose, outras pneumoconioses)
  2. TCAR de alta resolução (HRCT): padrão UIP típico (faveolamento basal/periférico ± bronquiectasias de tração → diagnóstico de FPI SEM biópsia necessária); padrão UIP provável (bronquiectasias/bronquioloectasias de tração sem faveolamento); padrão indeterminado; padrão alternativo
  3. Biópsia pulmonar cirúrgica (VATS): se TCAR não-diagnóstico; confirma padrão UIP
  4. BAL (lavado broncoalveolar): útil para excluir infecção e outras causas; eosinófilos altos sugerem EEP; linfocitose alta sugere PH
  5. Biomarcadores emergentes: KL-6 (mucina — elevado na FPI), SP-D (surfactante proteína D), MUC5B (polimorfismo promotor associado a FPI)

MONITORAMENTO DA PROGRESSÃO:

  • CVF (Capacidade Vital Forçada): o principal parâmetro funcional; declínio > 10% em 6-12 meses = progressão clínicamente significativa → piora de prognóstico
  • DLco (difusão de monóxido de carbono): precocemente reduzida; mais sensível que CVF mas mais variabilidade
  • TC seriada: piora do faveolamento, aumento das bronquiectasias de tração

Nintedanibe, pirfenidona e manejo da FPI

NINTEDANIBE (Ofev® — Boehringer Ingelheim):

Mecanismo: inibidor de tirosina-quinase triplo:

  • FGFR 1, 2, 3 (receptores do FGF — Fibroblast Growth Factor): FGF estimula proliferação e migração de fibroblastos; bloqueio → menos ativação fibroblástica
  • VEGFR 1, 2, 3 (receptores do VEGF): papel na angiogênese fibrótica
  • PDGFRα e β (receptores do PDGF): PDGF é potente mitógeno de fibroblastos; bloqueio → menos proliferação
  • Ao bloquear esses três receptores, o nintedanibe interfere nos principais sinais que ativam fibroblastos → menos miofibroblastos → menos síntese de colágeno

Estudos INPULSIS (1 e 2) (2014, NEJM):

  • 1.066 pacientes com FPI diagnosticada; nintedanibe 150 mg 2x/dia vs placebo; 52 semanas
  • Desfecho primário: taxa anual de declínio da CVF
  • Nintedanibe: -113.6 mL/ano vs placebo: -223.5 mL/ano → redução no declínio de ~52% (p<0.001)
  • Tempo até agudização aguda: maior com nintedanibe em INPULSIS-2 (mas não atingiu significância em INPULSIS-1)
  • APROVAÇÃO FDA (2014) e ANVISA

Além da FPI — Nintedanibe em outras fibrose sistêmicas:

  • SENSCIS trial (2019, NEJM): nintedanibe na esclerose sistêmica com DPI (SSc-ILD) → redução no declínio de CVF; aprovado
  • INBUILD trial (2019, NEJM): nintedanibe em outras doenças intersticiais progressivas (excluindo FPI) — incluindo NSIP não-SSc, PH fibrótica, DPI em LES/AR → redução no declínio de CVF

Posologia: 150 mg oral 2x/dia com alimentos (reduz EA GI); cápsula de 100 mg disponível para dose reduzida

EA do nintedanibe:

  • Diarreia (60-70%): o EA mais comum e causa mais frequente de dose redução ou descontinuação; manejo: loperamida, hidratação, redução de dose para 100 mg 2x/dia; geralmente melhora com o tempo
  • Náusea e vômito (25-30%)
  • Elevação de transaminases (5-10%) — monitorar TGO/TGP a cada 3 meses; suspender se > 5x LSN
  • Perda de peso
  • Hepatotóxico: CONTRAINDICADO em insuficiência hepática moderada-grave (Child-Pugh B/C)
  • Teratogênico: contraindicado na gestação; contracepção eficaz obrigatória
  • Interações: inibidores de Pgp (ciclosporina, ritonavir → mais nintedanibe) e indutores de Pgp (rifampicina → menos nintedanibe)

PIRFENIDONA (Esbriet® — Roche/Genentech; Pirfeni® — genérico):

Mecanismo: menos definido que o nintedanibe, mas demonstrado:

  • Anti-TGF-β: reduz a expressão e ativação de TGF-β1 nos fibroblastos e macrófagos → menos ativação de miofibroblastos
  • Anti-PDGF: reduz sinalização de PDGF
  • Anti-oxidante: reduz espécies reativas de oxigênio produzidas por fibroblastos e macrófagos
  • Antiproliferativo: inibe a proliferação de fibroblastos diretamente

Estudo ASCEND (2014, NEJM): 555 pacientes com FPI; pirfenidona 2403 mg/dia em 3 doses vs placebo; 52 semanas:

  • Declínio de ≥10% na CVF: 16.5% (pirfenidona) vs 31.8% (placebo) — redução de 48%
  • Taxa de declínio de CVF: reduzida em 47.9% vs placebo
  • SLD de 6 minutos, capacidade de exercício: benefício da pirfenidona
  • Sem diferença em mortalidade (estudo não dimensionado para este desfecho)

Posologia: 267 mg (1 cápsula) 3 vezes/dia com alimentos → aumentar gradualmente ao longo de 14 dias → dose-alvo: 801 mg 3x/dia (2403 mg/dia)

EA da pirfenidona:

  • Fotossensibilidade cutânea (rash, queimadura ao sol): muito característico; PROTETOR SOLAR OBRIGATÓRIO (FPS ≥50) e roupas protetoras; evitar exposição solar prolongada; pode manifestar como rash maculopapular nas áreas expostas
  • Náusea, dispepsia (50%): mitigado com refeições; redução de dose transitória ajuda
  • Tontura, fadiga
  • Elevação de transaminases (3-5%)

COMPARAÇÃO NINTEDANIBE vs PIRFENIDONA:

  • Ambos reduzem o declínio da CVF em ~50% vs placebo
  • Sem comparação head-to-head com desfecho definitivo (mortalidade ou transplante)
  • Combinação (ambos juntos): estudado no ensaio INSTAGE (nintedanibe + pirfenidona vs nintedanibe + placebo) → sem benefício adicional na CVF + mais EA GI → combinação NÃO recomendada rotineiramente
  • Escolha clínica: perfil de tolerabilidade (diarreia com nintedanibe vs fotossensibilidade com pirfenidona), custo, disponibilidade, comorbidades

TRANSPLANTE PULMONAR: única terapia curativa em FPI; candidatos: < 65-70 anos, sem comorbidades graves, em progressão com antifibrótico; bilaterais preferencialmente; 5 anos de sobrevida pós-transplante: ~50-60%

Perguntas frequentes sobre FPI e antifibróticos

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Nintedanibe ou pirfenidona curam a fibrose pulmonar? O que esperar do tratamento?+

Não — nenhum dos dois cura a fibrose pulmonar idiopática. Esta é uma realidade importante que os pacientes e familiares precisam entender claramente. O que os antifibróticos fazem: reduzem a VELOCIDADE de progressão da doença em aproximadamente 50%, comparado a não usar nenhum medicamento. Em termos práticos: sem tratamento, a CVF (capacidade vital forçada — o principal parâmetro de função pulmonar na FPI) declina em média ~200-250 mL por ano. Com nintedanibe ou pirfenidona, esse declínio é reduzido para ~110-130 mL por ano. Isso é clinicamente significativo — preserva mais função pulmonar por mais tempo, mantém melhor qualidade de vida por mais tempo e provavelmente prolonga a sobrevida (embora os estudos individuais não tivessem poder estatístico para demonstrar diferença de mortalidade). O que os antifibróticos NÃO fazem: não revertem a fibrose já existente, não normalizam a função pulmonar, não eliminam os sintomas de dispneia e tosse crônica já presentes. Em resumo: o tratamento com antifibróticos é um 'freio' na progressão, não uma cura. Deve ser iniciado o quanto antes após o diagnóstico confirmado, mesmo em doença leve, pois a progressão ocorre mesmo em casos inicialmente 'estáveis'. O objetivo adicional ao antifibrótico inclui: reabilitação pulmonar, oxigenioterapia quando indicada, prevenção e tratamento de infecções, e, para candidatos selecionados, avaliação precoce para transplante pulmonar.

A diarreia do nintedanibe vai passar? Como manejar?+

A diarreia é o efeito adverso mais comum do nintedanibe (Ofev®), afetando 60-70% dos pacientes em algum grau. A boa notícia é que geralmente é manejável e tende a melhorar com o tempo. Estratégias práticas: (1) Tomar sempre com alimentos (reduz a irritação gastrintestinal); (2) Loperamida (Imosec®) no início: alguns pacientes se beneficiam de loperamida profilática (2 mg com cada dose de nintedanibe) nos primeiros meses até o intestino se adaptar; (3) Dieta: reduzir alimentos gordurosos, condimentados e cafeína temporariamente; (4) Hidratação: manter boa ingestão de líquidos; (5) Se a diarreia for grave (grau 3 ou mais — mais de 7 evacuações/dia ou interferindo com atividades): reduzir a dose para 100 mg 2x/dia (de 150 mg) — o nintedanibe ainda é eficaz em doses reduzidas, apenas ligeiramente menos; (6) Se persistir grave, discutir com o pneumologista a suspensão temporária (1-2 semanas) e reintrodução em dose menor. A maioria dos pacientes que conseguem passar pelo período inicial (primeiros 3-6 meses) apresenta melhora da tolerabilidade. A taxa de descontinuação por diarreia em estudos clínicos foi de 4-5%, mas com manejo ativo muitos pacientes conseguem continuar.

Referências Científicas

  1. Richeldi L, du Bois RM, Raghu G, et al. (INPULSIS trials — nintedanib in IPF — N Engl J Med) Efficacy and Safety of Nintedanib in Idiopathic Pulmonary Fibrosis. N Engl J Med, 2014.
  2. King TE Jr, Bradford WZ, Castro-Bernardini S, et al. (ASCEND — pirfenidone in IPF — N Engl J Med) A Phase 3 Trial of Pirfenidone in Patients with Idiopathic Pulmonary Fibrosis. N Engl J Med, 2014.
  3. Distler O, Highland KB, Gahlemann M, et al. (SENSCIS — nintedanib in SSc-ILD — N Engl J Med) Nintedanib for Systemic Sclerosis-Associated Interstitial Lung Disease. N Engl J Med, 2019.
  4. Flaherty KR, Wells AU, Cottin V, et al. (INBUILD — nintedanib in progressive fibrosing ILD — N Engl J Med) Nintedanib in Progressive Fibrosing Interstitial Lung Diseases. N Engl J Med, 2019.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

#nintedanibe#pirfenidona#fibrose pulmonar idiopática#FPI#antifibrótico#TGF-beta#INPULSIS#ASCEND#doença intersticial#transplante pulmonar

Avalie este conteúdo

Seja o primeiro a avaliar

Comentários

Faça login para deixar um comentário.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro.

Pronto para começar?

Explore nosso catálogo de peptídeos com qualidade farmacêutica e COA.

Ver Catálogo →
Nintedanibe e pirfenidona — fibrose pulmonar idiopática (FPI): mecanismo antifibrótico, INPULSIS/ASCEND e diagnóstico por TCAR | Peptídeos Bio