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← Blog·peptideos13 de julho de 2026· 12 min de leitura

Anestésicos locais — lidocaína, bupivacaína e ropivacaína: canais de sódio, bloqueio nervoso diferencial, toxicidade sistêmica e intralipídeo

Anestésicos locais bloqueiam os canais de Na⁺ dependentes de voltagem nos neurônios periféricos — impedem a propagação do potencial de ação → analgesia regional. Lidocaína tem ação rápida e média duração. Bupivacaína tem longa duração mas alta cardiotoxicidade. Ropivacaína é menos cardiotóxica. Toxicidade sistêmica grave (convulsões, colapso cardiovascular) é tratada com emulsão lipídica IV (Intralipídeo). Bloqueio diferencial: fibras C (dor) < Aδ < Aβ < Aα.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Mecanismo dos anestésicos locais — canais de Na⁺ e bloqueio diferencial de fibras

ANESTÉSICOS LOCAIS (AL) — bloqueadores de canais de sódio voltagem-dependentes (Nav):

Potencial de ação no nervo periférico — fisiologia:

  • Em repouso: membrana neuronal polarizada (-70 mV); canais Nav fechados (estado de repouso)
  • Estímulo → despolarização → canais Nav abrem (estado aberto) → influxo de Na⁺ → spike de potencial de ação → mais despolarização ao longo do axônio (propagação)
  • Rapidamente (ms) → canais Nav inativam (estado inativado — fechados mas não disponíveis para reabrir) → repolarização por saída de K⁺
  • Repolarização → canais Nav voltam ao estado de repouso

Mecanismo dos anestésicos locais:

  1. Os AL são bases fracas (pKa tipicamente 7.5-9) → em pH fisiológico (7.4), equilíbrio entre forma ionizada (BH⁺) e forma neutra (B) → a forma neutra (lipofílica) atravessa a membrana lipídica → dentro da célula, em pH levemente mais ácido: se protonam (BH⁺ ionizado)
  2. A forma ionizada BH⁺ entra no canal Nav pelo lado intracelular (durante estado aberto ou inativado) → ocupa o sítio de ligação na porção interna do canal → impede a repolarização e o retorno ao estado de repouso → bloqueio
  3. Uso-dependência: os AL bloqueiam mais eficientemente os neurônios que estão disparando em alta frequência (neurônios de dor ativamente disparando) → mais oportunidades para o AL entrar no canal durante os estados aberto/inativado; neurônios em repouso têm menos chance de acesso

Por que os AL NÃO funcionam em tecido inflamado/infectado?

  • Tecidos inflamados/abscedados têm pH ácido (pH 5.5-6.5 nas infecções) → protonação do AL (forma BH⁺ predomina) → menos forma neutra para atravessar a membrana celular → dificulta a penetração no nervo → menos bloqueio
  • Uso prático: AL funciona mal em abscesso dentário inflamado agudo → considerar bloqueio regional à distância do foco inflamatório

Bloqueio diferencial de fibras nervosas:

  • As fibras nervosas diferem em diâmetro, mielinização e frequência de disparo → sensibilidade diferente aos AL:

- Fibras C (amielínicas, diâmetro 0.2-1.5 μm, transmitem dor lenta/queimante, temperatura): MAIS sensíveis → bloqueadas primeiro com dose baixa de AL - Fibras Aδ (levemente mielinizadas, 1-5 μm, dor aguda/fria, temperatura fria): sensíveis → bloqueadas cedo - Fibras Aβ (mielinizadas, 6-12 μm, tato, pressão, propriocepção): sensibilidade intermediária → bloqueadas em doses moderadas - Fibras Aα (muito mielinizadas, 12-20 μm, motricidade/propriocepção): MENOS sensíveis → bloqueadas por último, em doses altas

  • Implicação clínica (bloqueio diferencial/seletivo): concentrações baixas de AL → bloqueiam C e Aδ (analgesia sem bloqueio motor) → usado em analgesia de parto (epidural com ropivacaína ou levobupivacaína diluída → dor bloqueada, a mulher mantém força para fazer força/empurrar); concentrações altas → bloqueio motor completo (cirurgia)

Estrutura química dos AL:

  • Todos compartilham: porção lipofílica aromática — cadeia intermediária (éster ou amida) — porção hidrofílica aminada
  • Tipo ÉSTER (cocaína, procaína, benzocaína, tetracaína): hidrolisados no plasma por pseudocolinesterase (colinesterase plasmática) → produzem ácido para-aminobenzóico (PABA) → alergia ao PABA (mais frequente que aos amidas); menor duração; EVITAR em déficit de pseudocolinesterase (butiriltransferase def — raro)
  • Tipo AMIDA (lidocaína, bupivacaína, ropivacaína, mepivacaína, prilocaína): metabolizados no fígado por CYP1A2 e CYP3A4 → alergia verdadeira MUITO rara (< 1% das reações referidas como alergia a AL são de verdade alergia — a maioria é reação vagal ou epinefrina no anestésico); mais estáveis e mais usados na prática atual

Lidocaína, bupivacaína, ropivacaína, toxicidade sistêmica e aplicações clínicas

LIDOCAÍNA — Xylocaína® (AstraZeneca); Xylestesin® (Cristália); genérico; o anestésico local mais versátil:

Propriedades: início de ação RÁPIDO (2-5 min); duração MÉDIA (60-120 min sem epinefrina; 120-360 min com epinefrina); pKa 7.9 (próximo ao pH fisiológico → equilíbrio razoável entre formas → boa penetração)

Formas e concentrações:

  • 0.5%: infiltração de baixo risco, bloqueio de campo
  • 1%: infiltração, bloqueio de nervos periféricos (dentário, intercostal), espinhal/raquidiana
  • 2%: bloqueio de nervos maiores, espinhal, tópico (gel uretral — Lidocaína gel 2% para sondagem vesical, endoscopia)
  • Tópica 4-10%: spray laríngeo para intubação acordada, anestesia de mucosas
  • Lidocaína IV (antiarrítmico Classe IB): 1-1.5 mg/kg IV bolus + infusão 1-4 mg/min → para arritmias ventriculares (TV, FV após cardioversão) → bloqueia canais Nav cardíacos em estado inativado durante taquiarritmias

Dose máxima: 3-4.5 mg/kg SEM epinefrina (adultos, aproximadamente 200-300 mg); 7 mg/kg COM epinefrina (até 500 mg); em crianças: reduzir proporcional ao peso; SEMPRE aspirar antes de injetar (descarte intravascular)

Com EPINEFRINA (adrenalina): vasoconstrição local → prolonga duração do bloqueio (reduz clearance do AL da região), reduz absorção sistêmica, reduz sangramento, aumenta dose máxima segura; NÃO usar com epinefrina em: extremidades terminais (dedo, pênis, ponta do nariz, lóbulo de orelha) → vasoconstrição → isquemia necrose; neuropatia periférica grave

BUPIVACAÍNA (Marcaína® — AstraZeneca; genérico):

Propriedades: início LENTO (10-20 min); duração LONGA (3-8h); alta potência e lipofilia; alta cardiotoxicidade

Cardiotoxicidade — o grande perigo da bupivacaína:

  • Bupivacaína tem alta afinidade pelos canais Nav cardíacos + se dissocia LENTAMENTE (unbinding cinético lento) → acumula nos canais cardíacos durante taquicardia → prolongamento do PR, QRS, QTc → torsades de pointes, TV, FV → parada cardíaca refratária (a ressuscitação com adrenalina raramente funciona em parada por bupivacaína pois os canais permanecem bloqueados)
  • Dose máxima: 2 mg/kg SEM epinefrina (até 150 mg); 2.5 mg/kg COM epinefrina (até 175 mg)
  • NUNCA injetar bupivacaína IV (ao contrário da lidocaína IV que é medicamento antiarrítmico) — injeção IV acidental de bupivacaína → cardiotoxicidade grave imediata
  • Monitoramento obrigatório: ECG e vigilância durante todo o bloqueio com bupivacaína

Concentrações: 0.25% (raquidiana — baixa dose), 0.5% (bloqueios periféricos, epidural), 0.75% (bupivacaína isobárica ou hiperbárica para raquidiana com maior extensão — usada em cirurgia de MMII e abdome) → 0.75% CONTRAINDICADA para epidural (alto risco de cardiotoxicidade se injeção acidental IV)

Indicações preferenciais: procedimentos que requerem bloqueio longo (cirurgia de quadril, coluna, mastectomia, analgesia pós-operatória contínua), raquidiana em obstétrica

ROPIVACAÍNA (Naropin® — AstraZeneca; genérico):

  • Estruturalmente similar à bupivacaína mas é o enantiômero S puro → MENOR cardiotoxicidade (bupivacaína é mistura racêmica; o enantiômero R é mais cardiotóxico)
  • Início levemente mais lento que bupivacaína; duração similar; MENOS lipossolúvel → menos acúmulo em tecido cardíaco
  • Preferida quando longa duração é necessária mas risco de cardiotoxicidade é preocupação: bloqueio de plexo braquial, epidural peridural, bloqueio perineural peri-operatório
  • Dose máxima: 3 mg/kg (até 200-225 mg); com epinefrina: 4 mg/kg

LEVOBUPIVACAÍNA (Chirocaine® — AbbVie): enantiômero S da bupivacaína; similar à ropivacaína em perfil de segurança cardíaca; longa duração; alternativa à ropivacaína

TOXICIDADE SISTÊMICA DOS ANESTÉSICOS LOCAIS (LAST — Local Anesthetic Systemic Toxicity):

Mecanismo: injeção intravascular acidental ou absorção rápida de grande quantidade → AL na circulação sistêmica → bloqueio de Nav em neurônios do SNC (excitabilidade excessiva paradoxal por bloqueio preferencial de neurônios inibitórios → convulsões) e depois no miocárdio

Manifestações em progressão:

  1. SNC leve: zumbido, perioral parestesia, sabor metálico, tontura, agitação, borramento visual
  2. SNC moderado: náuseas, confusão, fasciculações
  3. SNC grave: convulsões (grande mal — a mais temível manifestação precoce)
  4. Cardiovascular: hipotensão, arritmias, alargamento de QRS/QT, TV/FV, parada cardíaca (bupivacaína > ropivacaína > lidocaína em cardiotoxicidade)

PREVENÇÃO:

  • Aspirar antes de cada injeção (verificar ausência de sangue no êmbolo)
  • Injetar em pequenas alíquotas (incrementalmente) de 3-5 mL com aspiração entre cada alíquota
  • Dose teste (teste epinefrina): injetar 3 mL com epinefrina 1:200.000 → elevação de FC ≥ 20 bpm em 1 min = marcador de injeção intravascular (a epinefrina na corrente sanguínea causa taquicardia imediata) → não injetar o restante
  • Respeitar doses máximas; reduzir em idosos, crianças, pacientes debilitados

TRATAMENTO DA LAST — EMULSÃO LIPÍDICA IV (Intralipídeo 20%):

  • Sink de lipídeo: a emulsão de triglicérides (Intralipídeo® 20% — Fresenius Kabi) cria um "compartimento lipídico" no sangue que sequestra os AL lipofílicos (especialmente bupivacaína) → retira-os dos tecidos cardíacos → restaura a função do miocárdio
  • Protocolo de Intralipídeo para LAST: bolus 1.5 mL/kg de Intralipídeo 20% IV em 1 min → infusão contínua 0.25 mL/kg/min → se parada cardíaca não revertida → repetir bolus 1.5 mL/kg x2 → aumentar infusão 0.5 mL/kg/min → dose máxima 12 mL/kg
  • Concomitante: controle de vias aéreas, convulsões com midazolam/diazepam (evitar propofol em dose alta — tem formulação lipídica mas propofol em alta dose causa depressão cardiovascular), RCP (massagem cardíaca prolongada — a bupivacaína se dissocia lentamente dos canais cardíacos, a massagem mantém circulação até o AL sair)
  • Se FV refratária: circulação extracorpórea (ECMO) se disponível

APLICAÇÕES CLÍNICAS DOS AL:

  • Raquianestesia (subaracnóidea/espinhal): injeção no espaço subaracnóideo (L3-L4 ou L4-L5) → AL no LCR → bloqueio de raízes nervosas; lidocaína hiperbárica 5% (transient neurological symptoms — síndrome dolorosa pós-raquidiana com lidocaína 5% → preferir bupivacaína 0.5% hiperbárica), bupivacaína 0.5% hiperbárica
  • Epidural: cateter no espaço epidural → infusão contínua (analgesia de parto, pós-operatório); ropivacaína 0.1-0.2% + fentanil 2 μg/mL é combinação padrão
  • Bloqueio de plexo braquial (axilar, infraclavicular, supraclavicular, interescaleno): anestesia de membros superiores; ultrassonografia guiada aumenta precisão e segurança; ropivacaína 0.5% ou bupivacaína 0.25-0.5%
  • Bloqueio femoral/ciático/poplíteo: MMII; ultrassom guiado; ropivacaína
  • Bloqueio de campo/plano (TAP block — transversus abdominis plane, PECS blocks, ESP — erector spinae plane): infiltrações guiadas por ultrassom nos fasciais planes → analgesia multimodal pós-operatória → reduz uso de opioides

Perguntas frequentes sobre anestésicos locais

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Sou alérgico à lidocaína — como fazer procedimentos que precisam de anestesia local?+

A verdadeira alergia IgE-mediada à lidocaína e aos demais anestésicos locais do grupo amida (bupivacaína, ropivacaína, mepivacaína) é extremamente rara — estudos mostram que menos de 1% das reações referidas como alergia a AL são verdadeiras alergias IgE-mediadas. A maioria das reações atribuídas a alergia é na realidade: (1) Reação vasovagal (desmaio por medo ou dor — síncope ortostática): tontura, náusea, palidez, sudorese → resolve com decúbito e hidratação; (2) Reação à epinefrina (adrenalina) no anestésico: palpitações, taquicardia, tremores — muito frequente e confundida com alergia; (3) Toxicidade sistêmica por injeção intravascular acidental ou dose alta; (4) Reação de hipersensibilidade ao conservante metilparabeno (encontrado em frascos multidose — pode causar reação em pessoas com hipersensibilidade a sulfa ou PABA); (5) Ansiedade intensa. Abordagem: encaminhar para alergologista/imunologista para teste cutâneo e, se necessário, provocação controlada com o AL suspeito → na grande maioria a alergia é descartada e o AL pode ser usado. Se a alergia for confirmada ao AL tipo amida: (a) tentar outro membro do grupo amida (reatividade cruzada entre amidas é muito rara — uma alergia confirmada a lidocaína não significa alergia a bupivacaína ou mepivacaína); (b) usar AL tipo éster (procaína, cloroprocaína) — sem reatividade cruzada com amidas. Se alergia a todos os AL for confirmada: sedação consciente com benzodiazepínico + opioide; anestesia geral para procedimentos maiores.

Raquianestesia e peridural são a mesma coisa? Qual é mais segura?+

Não — raquianestesia (bloqueio espinhal/subaracnóideo) e peridural (epidural) são técnicas diferentes que atuam em compartimentos anatômicos distintos. Raquianestesia (espinhal, subaracnóidea): a agulha atravessa a dura-máter e o AL é injetado diretamente no espaço subaracnóideo, onde está o LCR e as raízes nervosas. O AL se mistura ao LCR e bloqueia as raízes da medula. Início rápido (1-5 min), dose menor (volume/concentração menor), bloqueio intenso e completo, duração limitada (1-3h com bupivacaína hiperbárica), sem cateter normalmente, não repetível facilmente. Epidural (peridural): a agulha para antes de penetrar a dura-máter, no espaço epidural (preenchido por tecido adiposo e plexo venoso). O AL se difunde pelas raízes nervosas que atravessam o espaço epidural. Início mais lento (15-20 min), dose maior (volume maior), bloqueio gradual, e geralmente se coloca um cateter para permitir redoses ou infusão contínua — pode manter analgesia por horas/dias. Segurança: ambas são seguras quando realizadas por profissional treinado. Diferenças em complicações: raquianestesia pode causar cefaleia pós-punção dural (CPPD) em 1-5% dos casos — cefaleia postural intensa que piora com ortostase e melhora deitado, causada pelo vazamento de LCR → tratamento: repouso, hidratação, cafeína oral; se persistir > 24h sem melhora, blood patch epidural (5-20 mL de sangue autólogo injetado no espaço epidural → tampão o orifício); epidural pode causar hematoma epidural (raro, emergência cirúrgica se sinais de compressão medular), abscesso epidural (raríssimo), falha de bloqueio por distribuição errática do AL. Para parto: epidural de trabalho de parto permite controle contínuo da analgesia, ajuste de dose, e extensão para cesárea se necessária — é a preferida. Para cesárea eletiva: raquianestesia é mais rápida, mais simples e com menor quantidade de AL (menos toxicidade). Para cirurgias longas ou que necessitam de analgesia pós-operatória: cateter epidural é preferido.

Referências Científicas

  1. Neal JM, Barrington MJ, Fettiplace MR, et al. (ASRA checklist for local anesthetic systemic toxicity 2018) The Third American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine Practice Advisory on Local Anesthetic Systemic Toxicity: Executive Summary 2017. Reg Anesth Pain Med, 2018.
  2. Heavner JE. (Local anesthetics — mechanisms, pharmacology, review) Local anesthetics. Curr Opin Anaesthesiol, 2007.
  3. Weinberg GL. (Lipid emulsion infusion — resuscitation from local anesthetic toxicity — review) Treatment of local anesthetic systemic toxicity (LAST). Reg Anesth Pain Med, 2010.
  4. Casati A, Putzu M. (Bupivacaine, levobupivacaine and ropivacaine — are they clinically different? — review) Bupivacaine, levobupivacaine and ropivacaine: are they clinically different?. Best Pract Res Clin Anaesthesiol, 2005.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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