Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
← Blog·peptideos22 de junho de 2026· 13 min de leitura

Levotiroxina (hipotireoidismo), propiltiouracil, metimazol e iodo radioativo (hipertireoidismo) — farmacologia da tireoide

Levotiroxina é o tratamento padrão do hipotireoidismo — T4 sintético com janela de absorção estreita. Propiltiouracil e metimazol inibem a síntese de hormônios tireoidianos (tionamidas). Iodo radioativo (I-131) e tireoidectomia são ablativas. Betabloqueador para controle sintomático de hipertireoidismo agudo.

B
BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
Compartilhar:

Fisiologia da tireoide e eixo hipotálamo-hipofisário-tireoidiano

Eixo HPT (Hipotálamo-Hipofisário-Tireoidiano):

  • Hipotálamo → TRH (Thyrotropin-Releasing Hormone) → hipófise anterior
  • Hipófise → TSH (Thyroid-Stimulating Hormone / tireotrofina) → tireoide
  • Tireoide → T4 (tiroxina, ~93% da produção) + T3 (tri-iodotironina, ~7%) → feedback negativo sobre hipotálamo e hipófise
  • T4 é pró-hormônio; converte em T3 ativo perifericamente (fígado, rim, músculo) pela deiodinase tipo 1 e 2 (5'-deiodinases); T3 é 3-4x mais potente que T4 no receptor nuclear

Síntese hormonal na tireoide (etapas que as drogas inibem):

  1. Captação de iodeto pelo transportador NIS (Sodium-Iodide Symporter) apical e basolateral → competida por perclorato, tiocianato
  2. Oxidação de I- em I+ pela Tireoperoxidase (TPO) (com H2O2 gerado pela DUOX2) — INIBIDA por tionamidas (MMI, PTU)
  3. Organificação (iodação de tirosinas) na tiroglobulina → MIT (monoiodotirosina) e DIT (diiodotirosina) — inibida por tionamidas e pelo iodo em excesso (efeito Wolff-Chaikoff)
  4. Acoplamento de MIT + DIT → T3 e T4 na tiroglobulina — inibido por tionamidas
  5. Endocitose e proteólise da tiroglobulina → liberação de T3 e T4 → circulação
  6. Ligação a proteínas plasmáticas (TBG, transtiretina, albumina) — 99% ligado; 0.02-0.04% de T4 livre (FT4) e 0.3% de T3 livre (FT3) = formas biologicamente ativas

Receptores de hormônios tireoidianos (TR):

  • TRα e TRβ: fatores de transcrição nucleares; T3 liga o domínio ligante-binding → heterodimeriza com RXR → liga TRE (Thyroid Response Elements) no DNA → transcrição de genes alvos
  • Efeitos metabólicos do T3:

- Metabolismo basal: ↑ consumo de O2 em quase todos os tecidos → termogênese (↑ síntese de Na+/K+-ATPase) - Cardíaco: ↑ FC (cronotropismo+), ↑ força de contração, ↑ sensibilidade a catecolaminas (↑ receptores β-adrenérgicos → taquicardia, hipertensão sistólica) - SNC: essencial para mielinização e desenvolvimento neurológico neonatal; concentração, humor, reflexos (hipotireoidismo = "lentidão mental") - Metabolismo lipídico: T3 ↑ expressão de receptores LDL hepáticos → captação de LDL → hipotireoidismo → hipercolesterolemia - Osso: T3 estimula remodelação óssea (hipotireoidismo = crescimento retardado em crianças; hipertireoidismo = osteopenia/osteoporose) - GH: T3 necessário para secreção de GH e para síntese de IGF-1

Diagnóstico laboratorial:

  • TSH: o melhor teste isolado para avaliar função tireoidiana; valor normal: 0.4-4.0 mIU/L; TSH ↑ = hipotireoidismo primário; TSH ↓ = hipertireoidismo
  • FT4 (T4 livre): 0.8-1.8 ng/dL; confirma hipotireoidismo (TSH ↑ + FT4 ↓) ou hipertireoidismo (TSH ↓ + FT4 ↑)
  • FT3: útil em hipertireoidismo (às vezes T3 eleva antes do T4 — "T3 toxicose"); menos útil para hipotireoidismo
  • Anti-TPO e Anti-Tg (anticorpos antitiroid): positivos em Hashimoto (tireoidite autoimune = causa mais comum de hipotireoidismo) e Graves (hipertireoidismo autoimune)
  • TRAB (anticorpo anti-receptor de TSH = TRAb): positivo na doença de Graves; específico para Graves; confirma diagnóstico

Hipotireoidismo: levotiroxina (T4 sintético)

Hipotireoidismo — causas:

  • Primário (mais comum, 95%): tireoide não produz hormônios suficientes; TSH ↑, FT4 ↓

- Tireoidite de Hashimoto (tireoidite autoimune): causa mais comum em adultos; Anti-TPO ↑; destruição linfocitária gradual da tireoide; pode ter fase de tireoidite (inflamação → liberação de hormônios → tirotoxicose transitória → hipotireoidismo) - Pós-ablação (iodo radioativo I-131 ou tireoidectomia para hipertireoidismo/câncer) - Deficiência de iodo (mais comum globalmente — endemia em regiões sem iodização do sal) - Congênito (agenesia, ectopia — rastreio neonatal obrigatório no Brasil; hipotireoidismo congênito não tratado = cretinismo, retardo mental irreversível)

  • Secundário/Terciário (raro): defeito na hipófise (↓ TSH) ou hipotálamo (↓ TRH) → TSH baixo ou normal inapropriado com FT4 baixo
  • Hipotireoidismo subclínico: TSH ↑ com FT4 normal; tratar se: TSH >10 mIU/L, gravidez ou desejo de gravidez, sintomas ou anticorpos Anti-TPO positivos

Levotiroxina (T4 sintético — Puran T4® / Synthroid® / genérico):

  • Padrão ouro para tratamento do hipotireoidismo; T4 sintético idêntico ao endógeno
  • Dose: calculada por peso corporal (~1.6 μg/kg/dia em adultos com hipotireoidismo completo pós-ablação; iniciar com metade/um terço da dose em idosos, cardiopatas, hipotireoidismo leve ou DM — risco de precipitar angina/arritmia com dose plena imediata) → aumentar a cada 4-6 semanas guiado por TSH
  • Alvo de TSH durante terapia: 0.5-2.5 mIU/L para a maioria dos adultos; 0.5-1.5 em gestantes (ou 0.1-1.5 mIU/L dependendo do trimestre — TSH baixo de primeiro trimestre é fisiológico pela HCG que estimula receptor de TSH); após câncer de tireoide (DTC de alto risco): TSH suprimido < 0.1 mIU/L (supressão para reduzir estimulação tireoglobulina residual)

ADMINISTRAÇÃO — REGRAS CRÍTICAS para absorção:

  • Tomar em JEJUM, 30-60 min ANTES do café da manhã, com copo d'água (acidez gástrica e comida interferem na absorção)
  • Não tomar junto com: sulfato ferroso (suplemento de ferro — quelação → reduz absorção de LT4 em 40-50%); cálcio (mesma interferência → mesmo espaçamento de 2h); antiácidos (hidróxido de alumínio, carbonato de cálcio); colestiramina/colestipol (sequestradores de ácidos biliares — quelam LT4); leite de soja (fitatos → reduzem absorção); omeprazol (↓ acidez gástrica → menor absorção → acloridria = importante causa de necessidade de doses maiores)
  • Formulações líquidas (Tirosint® — cápsula gel ou solução oral) têm absorção mais uniforme e menos influenciada por alimento → preferidas em acloridria, gastrite, gastroparesia

Monitoramento:

  • Checar TSH após 6-8 semanas de cada ajuste de dose (TSH tem meia-vida biológica longa de 2 semanas → equilíbrio em 6 semanas)
  • Após dose estável: checar TSH a cada 6-12 meses
  • Na gravidez: hipotireoidismo não controlado → aborto, pré-eclâmpsia, RCIU, déficit cognitivo do feto → checar TSH trimestral ou mais frequentemente; dose de levotiroxina geralmente aumenta 30-50% na gestação (a tireoide fetal não produz T4 até a 20ª semana → depende da mãe nos primeiros dois trimestres) → aumentar dose imediatamente ao confirmar gravidez

Efeitos adversos da levotiroxina:

  • Em doses corretas: praticamente sem efeitos adversos (é reposição fisiológica)
  • Em superdosagem (TSH suprimido abaixo de 0.1): taquicardia, palpitações, FA (especialmente em idosos), insônia, ansiedade, tremor, diarreia, osteoporose acelerada (T3 em excesso estimula reabsorção óssea — risco especialmente em mulheres pós-menopáusicas com supressão prolongada de TSH para câncer)
  • Troca de marca: bioequivalência de genéricos não é idêntica à referência para LT4 — mudança de formulação pode alterar TSH; preferir manter a mesma marca; se trocar, checar TSH em 6 semanas

T3 (liotironina, L-T3 — Cytomel®) + T4 combinado?

  • Debate: ~10-15% dos pacientes em LT4 com TSH normalizado continuam sintomáticos ("T4-only failure") — hipótese: conversão de T4 → T3 é insuficiente em alguns pacientes (polimorfismos de deiodinase tipo 2 — Deo2 variante Thr92Ala → menor conversão periférica)
  • Terapia combinada T4 + T3 (T4:T3 ~4:1) pode melhorar bem-estar em subgrupo com polimorfismo de deiodinase — RCTs têm resultados mistos; ATA e ETA não recomendam rotineiramente; pode tentar em casos selecionados com sintomas persistentes apesar de TSH normal

Hipertireoidismo: tionamidas (propiltiouracil, metimazol), betabloqueadores e iodo radioativo

Hipertireoidismo — excesso de hormônios tireoidianos:

  • Doença de Graves (causa mais comum em adultos jovens, 70-80%): autoimune; TRAb (anticorpos anti-TSH receptor) estimulam receptor de TSH → produção autônoma e excessiva de T3/T4; bócio difuso, exoftalmia (orbitopatia de Graves), pré-tibia mixedema (menos frequente)
  • Bócio multinodular tóxico (BMNT): múltiplos nódulos autônomos; idosos; iodo radioativo é preferido
  • Adenoma tóxico (Plummer): nódulo único hiperfuncionante; tireoidectomia ou I-131
  • Tireoidite subaguda (De Quervain): destrutiva transitória; inflamação libera T3/T4 armazenados; fase tirotóxica seguida de hipotireoidismo transitório e normalização; tratamento: AINEs/prednisona para inflamação; betabloqueador para tireotoxicose; NÃO usar tionamidas (não há hipersíntese)

Sintomas de hipertireoidismo: taquicardia/palpitações/FA, perda de peso (aumento de metabolismo basal), sudorese, intolerância ao calor, tremor fino, diarreia, ansiedade, insônia, fraqueza muscular proximal, amenorreia, exoftalmia (Graves)

Propiltiouracil (PTU — Propiltiouracil genérico) e Metimazol (MMI — Tapazol® / Metibasol® genérico):

  • Classe tionamidas; inibem a tireoperoxidase (TPO) → bloqueiam as etapas 2-4 da síntese de hormônios tireoidianos (oxidação de iodeto, organificação e acoplamento)
  • PTU adicionalmente: inibe a deiodinase periférica tipo 1 → bloqueia conversão de T4 em T3 perifericamente → onset mais rápido de redução de T3 circulante → preferido em crise tirotóxica/tempestade tiróidea
  • MMI (metimazol): 5-40 mg/dia em 1-3 tomadas (meia-vida mais longa que PTU → pode ser dose única diária); mais potente por mg; PREFERIDO para uso geral (pelo perfil de efeitos adversos mais favorável e comodidade posológica)
  • PTU: 100-600 mg/dia em 3 tomadas (meia-vida 1-2h → doses múltiplas obrigatórias); PREFERIDO no 1º trimestre da gravidez (MMI é associado a embriopatia — aplasia cútis, atresia de cóanas/esofágica no 1º trimestre → evitar no 1º trimestre; PTU tem maior ligação proteica e menor passagem placentária, além de não estar associado a embriopatia; TROCA para MMI no 2º trimestre pois PTU tem maior risco de hepatotoxicidade grave)
  • Efeitos adversos COMUNS (10%): rash pruriginoso (pode cruzar entre MMI e PTU em 50%; se leve, tentativa de troca; se grave, parar), artralgia, febre, urticária
  • Efeitos adversos GRAVES (raros):

- Agranulocitose (0.2-0.5%) — emergência médica! Início abrupto de febre alta + faringite → hemograma IMEDIATAMENTE → NF <500: internar, antibióticos de amplo espectro, G-CSF (filgrastim), JAMAIS reintroduzir a tionamida - PTU: hepatotoxicidade grave (hepatite fulminante — FDA Black Box 2009; estimativa de 1:10.000 casos; fatais reportados; monitorar TFH periodicamente; parar se TFH > 3x ULN + sintomas) - MMI: aplasia cútis congênita, atresia de cóanas (1º trimestre) - ANCA-associado vasculitis (PTU mais que MMI — PTU pode induzir p-ANCA e vasculite cutânea/sistêmica)

Monitoramento em tionamidas:

  • TSH + FT4 após 4-6 semanas do início
  • Hemograma ANTES de iniciar (linha de base de leucócitos); orientar paciente sobre agranulocitose: "se tiver febre e dor de garganta, VÁ IMEDIATAMENTE à emergência com o resultado do hemograma"
  • TFH (para PTU) basal e durante terapia
  • TRAb após 12-18 meses de tionamida em Graves → se TRAb negativo = remissão possível → tentativa de suspender (Graves tem remissão espontânea em 30-50% após 1-2 anos de tionamida); se positivo → manter ou optar por ablação

Betabloqueador no hipertireoidismo:

  • Controle sintomático RÁPIDO enquanto as tionamidas fazem efeito (2-6 semanas para normalizar FT4)
  • Propranolol (20-40 mg 3-4x/dia): não-seletivo; também inibe conversão periférica de T4→T3 (DIO1) → reduz T3 mais rapidamente; lida com taquicardia, tremor, ansiedade, sudorese
  • Atenolol (25-100 mg/dia) ou metoprolol: seletivos β1; úteis em asmáticos (menos broncoespasmo que propranolol)
  • Parar quando eutireoidismo for atingido com tionamida

Iodo radioativo (I-131 — Iodeto de sódio radioativo):

  • Mecanismo: I-131 é captado pelo NIS da tireoide (como iodo normal) → emite radiação β (elétrons de alta energia, alcance 0.5-2 mm) → destrói células foliculares → hipotireoidismo (esperado e desejado como endpoint) → substituir com levotiroxina
  • Dose: 10-15 mCi para Graves moderado; doses maiores para BMNT e adenoma
  • Vantagem: tratamento definitivo em dose única oral; mais barato e conveniente que cirurgia; sem risco cirúrgico
  • Contraindicações: gravidez (ABSOLUTA — pode destruir tireoide fetal e causar cretinismo); amamentação; crianças muito pequenas (prudência); orbitopatia de Graves ativa moderada-grave (I-131 pode piorar a orbitopatia — prednisolona profilaticamente se I-131 usado em Graves com orbitopatia)
  • Pós-I-131: evitar contato próximo prolongado com grávidas e crianças por 1-3 semanas (emite radiação γ além do β); radiação à tireoide é local, sem risco sistêmico significativo; excretado na urina por dias
  • Hipotireoidismo pós-I-131: virtualmente todos os pacientes tornam-se hipotireoideos em 6-12 meses → manutenção com levotiroxina pelo resto da vida

Crise tirotóxica (Tempestade Tiróidea) — emergência endócrina:

  • Precipitantes: infecção, cirurgia, estresse agudo, parto, AVC em paciente com hipertireoidismo
  • Critérios de Burch-Wartofsky (score >45 = crise tirotóxica)
  • Tratamento simultâneo de TODOS os mecanismos:

1. PTU 200-250 mg q4h VO/SNG (inibe síntese E conversão periférica) 2. Lugol (solução de iodo + iodeto) ou iodeto de potássio → APÓS PTU (nunca antes; o iodo em excesso=substrato → 1h após PTU → efeito Wolff-Chaikoff bloqueia a organificação → reduz rápida de T4/T3) 3. Propranolol 60-80 mg q4h VO ou 1-5 mg IV 4. Hidrocortisona 300 mg IV bolus → 100 mg q8h (reduz conversão T4→T3 e previne insuficiência adrenal relativa) 5. Tratar fator precipitante; suporte em UTI; colestiramina (sequestra T4/T3 no intestino)

Perguntas frequentes sobre doenças da tireoide e tratamentos

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Preciso tomar levotiroxina para sempre? E se parar?+

Depende da causa do hipotireoidismo. Na maioria dos casos, sim — a levotiroxina é para toda a vida, porque a causa (Hashimoto, ablação tireoidiana, tireoidectomia) é permanente. Se parar sem indicação médica: os sintomas do hipotireoidismo voltam progressivamente ao longo de semanas a meses — fadiga, ganho de peso, lentidão, constipação, intolerância ao frio, queda de cabelo, depressão, aumento de LDL; em gestantes: risco de aborto, pré-eclâmpsia e déficit cognitivo do feto se hipotireoidismo não tratado. O hipotireoidismo transitório pode ocorrer em: tireoidite pós-parto (normalmente resolve em 6-12 meses — avaliar com TSH serial e tentar retirar a levotiroxina após o período), tireoidite subaguda (De Quervain — fase hipotireoidiana transitória), hipotireoidismo subclínico medicamentoso (amiodarona, lítio — quando essas drogas são suspensas, a função tireoidiana pode normalizar). Em hipotireoidismo subclínico (TSH 4-10 mIU/L, FT4 normal) sem sintomas em mulheres não-grávidas e sem intenção de gravidez: discutir com o endocrinologista se é necessário iniciar a levotiroxina ou monitorar.

Doença de Graves — tratar com tionamida, iodo radioativo ou cirurgia?+

Não existe uma resposta única — as três abordagens são válidas e a escolha depende do contexto individual. Critérios que influenciam a escolha: (1) TIONAMIDA (metimazol ou PTU) por 12-18 meses: preferida quando: desejo de tentativa de remissão (30-50% de remissão espontânea após 1-2 anos de tionamida, especialmente em Graves leve, bócio pequeno, TRAb baixo); gravidez (única opção farmacológica; PTU no 1º tri, MMI depois); jovens (<20 anos) onde ablação permanente cedo pode ter desvantagens; risco de não-aderência ao acompanhamento pós-ablação. (2) IODO RADIOATIVO (I-131): preferido quando: paciente adulto sem planos de gravidez nos próximos 6 meses; BMNT ou adenoma tóxico (nodulares raramente entram em remissão espontânea → ablação é mais adequada); falha de tionamida; recidiva após suspensão de tionamida. Desvantagem: piora de orbitopatia de Graves. (3) TIREOIDECTOMIA: preferida quando: bócio muito grande com compressão; orbitopatia de Graves grave (I-131 piora orbitopatia; cirurgia é ablativa sem esse risco); paciente que deseja resolução rápida; suspeita de malignidade nodular; contraindicação ao I-131 e tionamidas. O endocrinologista e o paciente decidem juntos com base nesses fatores.

Febre e dor de garganta enquanto tomo propiltiouracil — o que fazer?+

PARE o propiltiouracil imediatamente e vá à emergência hospitalar — não espere até o dia seguinte nem consulte o médico por telefone primeiro. Febre + dor de garganta em uso de tionamida (PTU ou metimazol) pode ser sinal de agranulocitose — uma das complicações mais graves e potencialmente fatais. Agranulocitose = queda abrupta de neutrófilos (NF < 500/mm³) → incapacidade de combater infecções → risco de sepse fatal em horas a dias. O que acontece na emergência: hemograma urgente. Se NF < 500: internação imediata + antibioticoterapia de amplo espectro + G-CSF (filgrastim, para estimular recuperação de neutrófilos) + JAMAIS reintroduzir a tionamida responsável (e cuidado com a tionamida alternativa — alguma reatividade cruzada). Se NF normal: provavelmente uma infecção viral simples, mas o médico decide se mantém a tionamida. Prevalência de agranulocitose: 0.2-0.5% com tionamidas (relativamente rara mas com mortalidade de ~10-20% se não tratada). O timing é crítico — cada hora de atraso aumenta o risco. Essa orientação deve ser dada a TODOS os pacientes ao iniciar tionamida, verbalmente e por escrito.

Iodo radioativo para a tireoide causa câncer em outros órgãos?+

A preocupação é legítima mas a evidência mostra que o risco é muito baixo na dose usada para hipertireoidismo. O I-131 emite partículas beta (alta energia, curto alcance: 0.5-2 mm) que destroem as células foliculares da tireoide; a dose para a glândula é alta (~100-300 Gy), mas a dose sistêmica é baixa porque o iodo se concentra seletivamente na tireoide. Evidências de segurança: estudos de coorte de 10-30 anos de seguimento em pacientes tratados com I-131 para hipertireoidismo (incluindo o estudo com >18.000 pacientes de Franklyn et al. 1999 e revisões subsequentes) não mostram aumento consistente de cânceres sólidos (com exceção de um possível pequeno aumento de cânceres de tireoide residual nos primeiros anos — mas isso reflete o fato de que pacientes com hipertireoidismo têm maior prevalência de nódulos tireoidianos). A pequena dose de radiação que escapa para outros órgãos (estômago, bexiga) é extremamente baixa. A exceção onde o risco é real: filhos de mães que fizeram I-131 durante a gravidez (CONTRAINDICADO na gravidez — destrói a tireoide fetal). Para uso em adultos não-grávidos, o I-131 é considerado seguro com base em décadas de dados.

Referências Científicas

  1. Alexander EK, Pearce EN, Brent GA, et al. (ATA guidelines — thyroid disease in pregnancy 2017) 2017 Guidelines of the American Thyroid Association for the Diagnosis and Management of Thyroid Disease During Pregnancy and the Postpartum Period. Thyroid, 2017.
  2. Ross DS, Burch HB, Cooper DS, et al. (ATA guidelines — hyperthyroidism 2016) 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid, 2016.
  3. Biondi B, Cappola AR, Cooper DS. (Hypothyroidism review — JAMA 2019) Hypothyroidism: A Review. JAMA, 2019.
  4. Franklyn JA, Maisonneuve P, Sheppard MC, et al. (I-131 treatment and cancer risk — longterm cohort) Cancer incidence and mortality after radioiodine treatment for hyperthyroidism: a population-based cohort study. Lancet, 1999.
  5. Cooper DS. (antithyroid drugs — clinical review) Antithyroid Drugs. N Engl J Med, 2005.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

#levotiroxina#propiltiouracil#metimazol#iodo radioativo#hipotireoidismo#hipertireoidismo#Graves#tireoidite#tireoide#TSH

Avalie este conteúdo

Seja o primeiro a avaliar

Comentários

Faça login para deixar um comentário.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro.

Pronto para começar?

Explore nosso catálogo de peptídeos com qualidade farmacêutica e COA.

Ver Catálogo →
Levotiroxina (hipotireoidismo), propiltiouracil, metimazol e iodo radioativo (hipertireoidismo) — farmacologia da tireoide | Peptídeos Bio