Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
← Blog·peptideos26 de julho de 2026· 11 min de leitura

EGFR-inibidores no câncer de pulmão não-pequenas células — gefitinibe, erlotinibe, afatinibe e osimertinibe (Tagrisso®): mutações e T790M

EGFR (receptor do fator de crescimento epidérmico) está mutado em ~15% dos adenocarcinomas de pulmão em caucasianos e ~40-50% em asiáticos. Mutações ativadoras (deleções no exon 19, L858R) conferem sensibilidade a TKIs. Osimertinibe (Tagrisso®) é TKI de 3ª geração que cobre a mutação de resistência T790M e penetra no SNC — FLAURA demonstrou SLP superior. Teste molecular (NGS/PCR) é mandatório antes de iniciar tratamento.

B
BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
Compartilhar:

EGFR no câncer de pulmão — base molecular e epidemiologia das mutações

CÂNCER DE PULMÃO NÃO-PEQUENAS CÉLULAS (CPNPC):

  • ~85% dos cânceres de pulmão são CPNPC; 3 subtipos principais: adenocarcinoma (40%), carcinoma epidermoide (30%), carcinoma de grandes células (10%)
  • Adenocarcinoma: historicamente subtype de "não fumante" (embora fumantes também desenvolvam) com mutações ativadoras específicas e, PORTANTO, mais druggável por terapias alvo

EGFR (Epidermal Growth Factor Receptor / HER1 / ErbB1):

  • Receptor tirosina-quinase transmembrana; da mesma família de HER2 (ErbB2), HER3, HER4
  • Ligantes: EGF, TGF-α, anfirregulina, epiregulina, betacelulina
  • Cascatas de sinalização downstream: RAS/MAPK (proliferação), PI3K/AKT/mTOR (sobrevivência), STAT3 (proliferação + anti-apoptose)

MUTAÇÕES ATIVADORAS DE EGFR no CPNPC:

  • Frequência: ~15% em caucasianos/hispânicos; ~40-50% em asiáticos do leste (chineses, japoneses, coreanos); mulheres > homens; não fumantes ou fumantes leves > tabagistas pesados
  • Localização: principalmente nos exons 18-21 do domínio quinase de EGFR
  • Mutações clássicas/sensibilizadoras (sensitivity mutations) — respondem bem a EGFR-TKIs de 1ª e 2ª geração:

- Deleções no exon 19 (ex19del): ~45% das mutações de EGFR; deleção de aminoácidos ao redor do resíduo L747 no laço ELREA → a quinase fica constitutivamente ativa; melhor resposta aos TKIs - Substituição L858R no exon 21: ~40% das mutações de EGFR; leucina→arginina no codon 858 → estabiliza a conformação ativa → quinase superativa; boa resposta mas ligeiramente inferior ao ex19del - Outras raras: L861Q, G719X (exon 18), S768I

  • Mutações de exon 20 insertion: em ~4-9% dos tumores EGFR-mutados; RESISTENTES aos TKIs de 1ª-3ª geração; agentes específicos: amivantamabe (bispecífico EGFR+MET) + mobocertinibe; janela terapêutica diferente

DIAGNÓSTICO MOLECULAR:

  • MANDATÓRIO antes de iniciar tratamento em CPNPC avançado/metastático
  • Tecido ou biópsia líquida (ctDNA no plasma)
  • NGS (next-generation sequencing) preferível → detecta EGFR + ALK + ROS1 + KRAS + BRAF + MET + HER2 + RET + NTRK e outros em uma análise só
  • PCR específico: cobras por EGFR sensibilizadoras, T790M (cobas EGFR v2)
  • Importância: TKI de EGFR NÃO beneficia pacientes sem mutação de EGFR — selecionar corretamente é essencial

Gefitinibe, erlotinibe, afatinibe (1ª/2ª geração) e osimertinibe (3ª geração)

GEFITINIBE (Iressa® — AstraZeneca) e ERLOTINIBE (Tarceva® — Roche/OSI):

  • EGFR-TKIs de 1ª geração: inibidores reversíveis que competem com ATP pelo sítio quinase do EGFR; reversível = se dissociam e se associam repetidamente ao receptor
  • Gefitinibe: 250 mg oral 1x/dia; aprovado pela FDA para CPNPC avançado com mutação de EGFR
  • Erlotinibe: 150 mg oral 1x/dia; aprovado para CPNPC + carcinoma de pâncreas (combinado com gemcitabina — modesto benefício)
  • IPASS trial (2009, NEJM): gefitinibe vs carboplatina-paclitaxel em adenocarcinoma CPNPC asiático; em EGFR-mutados, gefitinibe superior (SLP de 9.5 vs 6.3 meses); em EGFR-não-mutados, quimioterapia superior → confirmou a importância do marcador molecular preditivo
  • EA dos TKIs de EGFR (classe): Rash acneiforme (80-90%): foliculite pápulo-pustular em face, tronco, couro cabeludo → paradoxalmente associado a MELHOR resposta ao TKI (rash = sinal de inibição de EGFR na pele); manejo: antibióticos tópicos/orais (minociclina/doxiciclina), filtro solar; Diarreia (50%): manejo sintomático; Elevação de transaminases (7-10%): monitorar; Pneumonite intersticial (rara, 0.3-3%, mais comum em japoneses com erlotinibe — "japoneses e TKIs"): grave, pode ser fatal; TC e suspensão imediata se sintomático; Mucosa oral (paronyquia — inflamação ao redor das unhas — característico)

AFATINIBE (Giotrif® — Boehringer Ingelheim):

  • EGFR-TKI de 2ª geração: inibidor IRREVERSÍVEL (covalente) de EGFR, HER2 e HER4 (pan-ErbB)
  • Liga-se covalentemente a Cys797 do EGFR via ação de Michael → não se dissocia
  • Maior inibição de EGFR e HER2 que 1ª geração → eficaz em algumas mutações raras (G719X, L861Q, S768I) não cobertas pela 1ª geração
  • LUX-Lung 7: afatinibe vs gefitinibe → afatinibe superior em SLP (11 vs 10.9 meses — muito similar); LUX-Lung 3 e 6: afatinibe vs quimioterapia em ex19del e L858R → SLP superior
  • EA: maior diarreia e mucosites que 1ª geração (panErbB)
  • Dacomitinibe (Vizimpro® — Pfizer): 2ª geração similar ao afatinibe; ARCHER 1050: dacomitinibe vs gefitinibe → SLP 14.7 vs 9.2 meses; SG 34.1 vs 26.8 meses — um dos primeiros a mostrar SG

RESISTÊNCIA DE 1ª E 2ª GERAÇÃO: A maioria dos pacientes que respondem ao TKI de 1ª/2ª geração desenvolvem resistência após mediana de 10-14 meses. O mecanismo mais comum:

  • Mutação T790M no exon 20 do EGFR: troca de treonina → metionina no resíduo "gatekeeper" 790 → resíduo maior → estericamente impede a ligação dos TKIs de 1ª/2ª geração (também aumenta a afinidade pelo ATP) — presente em ~50-60% das resistências
  • Amplificação de MET, HER2; mutação em PIK3CA; transformação para SCLC — outros mecanismos menos frequentes
  • Biópsia de resis­tência (tecido ou ctDNA) ao progredir: OBRIGATÓRIO para detectar T790M e orientar próximo tratamento

OSIMERTINIBE (Tagrisso® — AstraZeneca) — o paradigma do 3ª geração:

  • EGFR-TKI de 3ª geração: inibidor irreversível seletivo para EGFR com mutações ativadoras E T790M, mas com menor atividade no EGFR selvagem → MENOS rash/diarreia que 1ª e 2ª geração
  • Mecanismo: liga-se covalentemente a Cys797, mas o design molecular o acomoda no sítio quinase mesmo com a mutação T790M; inibe ex19del, L858R, T790M (+ C797S raro com resistência ao osimertinibe)
  • PENETRAÇÃO NO SNC: lipofílico → excelente penetração da barreira hematoencefálica → eficaz em metástases cerebrais (prevalentes no adenocarcinoma EGFR-mutado) → reduz recorrência cerebral
  • AURA3 trial (2017, NEJM): osimertinibe vs quimioterapia (carboplatina-pemetrexed) em CPNPC EGFR-mutado com T790M após progressão a 1ª/2ª geração → SLP: 10.1 vs 4.4 meses (HR 0.30!); RCNs (respostas em SNC): 70% vs 31% → aprovado em 2ª linha
  • FLAURA trial (1ª linha): osimertinibe vs gefitinibe ou erlotinibe em CPNPC avançado com mutação de EGFR sensibilizadora, 1ª linha → SLP: 18.9 vs 10.2 meses (HR 0.46); SG: 38.6 vs 31.8 meses (HR 0.80, p=0.046 — significativa!) → osimertinibe tornou-se o PADRÃO DE CUIDADO em 1ª linha para CPNPC EGFR-mutado
  • EA do osimertinibe: rash e diarreia (menores que 1ª/2ª geração); QTc prolongação (monitorar ECG); cardiomiopatia (rara — <1-3%); pneumonite (3%); anemia
  • Resistência ao osimertinibe: amplificação de MET (mais comum — ≥20%); mutação C797S; mutação KRAS; conversão para SCLC; transformação epitelial-mesenquimal

AMIVANTAMABE (Rybrevant® — J&J/Janssen):

  • Anticorpo bispecífico anti-EGFR e anti-MET
  • Indicação: CPNPC com inserções no exon 20 de EGFR (resistentes aos TKIs de 1ª-3ª geração)
  • CHRYSALIS trial: amivantamabe em inserções ex20 → ORR 40%, DOR 11.1 meses

Perguntas frequentes sobre EGFR-TKIs no câncer de pulmão

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Meu câncer de pulmão tem mutação EGFR — devo tomar osimertinibe ou fazer quimioterapia?+

Para a grande maioria dos pacientes com adenocarcinoma de pulmão avançado/metastático e mutação ativadora de EGFR (deleção no exon 19 ou L858R), o osimertinibe (Tagrisso®) é o tratamento padrão de 1ª linha recomendado pelas principais diretrizes internacionais (ASCO, ESMO, NCCN). O estudo FLAURA demonstrou que osimertinibe é superior ao gefitinibe ou erlotinibe em sobrevida livre de progressão (18.9 vs 10.2 meses) E em sobrevida global (38.6 vs 31.8 meses). A quimioterapia (carboplatina-pemetrexed) não é mais o tratamento de escolha quando há mutação de EGFR — ela é reservada para quando o paciente não tem mutações acionáveis OU após progressão às terapias alvo. Algumas considerações importantes: O teste molecular é obrigatório antes de iniciar qualquer tratamento — peça ao seu oncologista para fazer NGS ou PCR em sua amostra. Se você tem metástases cerebrais, o osimertinibe é ainda mais preferível por penetrar bem na barreira hematoencefálica. O osimertinibe é tomado por via oral (1 comprimido por dia) e, em geral, é bem tolerado, com menos rash e diarreia que os TKIs mais antigos. Após eventual progressão ao osimertinibe, uma nova biópsia (tecido ou sangue — ctDNA) é importante para identificar o mecanismo de resistência e guiar o próximo tratamento.

O que é o rash cutâneo dos EGFR-inibidores e como tratar?+

O rash acneiforme (ou papulo-pustular) é o efeito adverso mais comum e mais visível dos EGFR-inibidores (gefitinibe, erlotinibe, afatinibe) — afeta 80-90% dos pacientes. É diferente da acne comum: não tem comedões (cravos), aparece principalmente em áreas sebáceas (face, couro cabeludo, tronco superior) e pode ser muito pruriginoso. Paradoxalmente, estudos mostram que pacientes que desenvolvem rash mais intenso têm MELHOR resposta ao TKI (o rash indica que o medicamento está bloqueando EGFR na pele, o que correlaciona com bloqueio tumoral). O manejo inclui: (1) Prevenção: protetor solar FPS ≥ 30, hidratante sem fragrância, evitar exposição ao sol; (2) Rash leve-moderado: creme de hidrocortisona 1% nas lesões + antibiótico oral profilático (minociclina 100 mg/dia ou doxiciclina 100 mg 2x/dia por 6-8 semanas); (3) Rash grave (grau 3+): pausa do TKI + corticosteroide oral + avaliação por dermatologista. Com o osimertinibe (3ª geração), o rash é geralmente menos intenso porque o medicamento tem maior seletividade para o EGFR mutante vs EGFR selvagem da pele. Na maioria dos casos, o rash melhora com o tempo mesmo sem parar o medicamento.

Referências Científicas

  1. Soria JC, Ohe Y, Vansteenkiste J, et al. (FLAURA — osimertinib vs 1G EGFR-TKI — N Engl J Med) Osimertinib in Untreated EGFR-Mutated Advanced Non-Small-Cell Lung Cancer. N Engl J Med, 2018.
  2. Mok TS, Wu YL, Thongprasert S, et al. (IPASS — gefitinib vs chemotherapy in East Asian NSCLC — N Engl J Med) Gefitinib or Carboplatin-Paclitaxel in Pulmonary Adenocarcinoma. N Engl J Med, 2009.
  3. Mok T, Cheng Y, Zhou X, et al. (FLAURA OS data — osimertinib overall survival — J Clin Oncol) Improvement in Overall Survival in a Randomized Study That Compared Dacomitinib With Gefitinib in Patients With Advanced Non-Small-Cell Lung Cancer and EGFR-Activating Mutations. J Clin Oncol, 2018.
  4. Mok TS, Wu YL, Ahn MJ, et al. (AURA3 — osimertinib vs chemotherapy in T790M — N Engl J Med) Osimertinib or Platinum-Pemetrexed in EGFR T790M-Positive Lung Cancer. N Engl J Med, 2017.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

#EGFR#osimertinibe#gefitinibe#erlotinibe#adenocarcinoma de pulmão#CPNPC#T790M#exon 19#L858R#TKI

Avalie este conteúdo

Seja o primeiro a avaliar

Comentários

Faça login para deixar um comentário.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro.

Pronto para começar?

Explore nosso catálogo de peptídeos com qualidade farmacêutica e COA.

Ver Catálogo →
EGFR-inibidores no câncer de pulmão não-pequenas células — gefitinibe, erlotinibe, afatinibe e osimertinibe (Tagrisso®): mutações e T790M | Peptídeos Bio