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← Blog·peptideos23 de junho de 2026· 12 min de leitura

Dupilumabe (IL-4/IL-13), tralokinumabe, abrocitinibe e upadacitinibe — dermatite atópica moderada a grave e eczema

Dupilumabe bloqueia os receptores de IL-4 e IL-13 (via Th2 dominante na dermatite atópica). Tralokinumabe e lebrikizumabe bloqueiam IL-13 seletivamente. Abrocitinibe (JAK1i) e upadacitinibe (JAK1i) são oral. Todos indicados para dermatite atópica moderada a grave refratária a corticosteroides tópicos. Revolução no tratamento do eczema.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Dermatite atópica — fisiopatologia Th2 e a revolução biológica

Dermatite Atópica (DA) — eczema atópico:

  • Doença inflamatória crônica e recidivante da pele; prevalência 15-20% em crianças, 2-10% em adultos
  • A "marcha atópica": DA → asma → rinite alérgica → alergia alimentar (frequentemente nessa sequência por disfunção progressiva de barreira e sensibilização)

Fisiopatologia — deficiência de barreira + inflamação Th2:

  1. Barreira epidérmica comprometida: mutações em filagrina (FLG — gene mais associado à DA grave; pele seca, escamosa, "cracked skin") → perda transepidérmica de água (TEWL aumentada) → penetração de alérgenos, irritantes, micróbios (S. aureus = coloniza 90% das lesões de DA)
  2. Inflamação Th2 dominante: células dendríticas apresentam antígenos → ativação de células T → peferência de diferenciação para Th2 em DA (ao contrário de Th1 em doenças como psoríase)
  3. Citocinas Th2 centrais na DA:

- IL-4: induz mudança de isotipo de IgE em células B → elevação de IgE total (marcador de DA); ativa fibroblastos (remodeling); downregula filagrina → piora barreira - IL-13: similar ao IL-4 em muitos efeitos; diretamente reduz filagrina, loricrina, involucrina (proteínas de barreira); causa prurido via ativação de neurônios sensitivos (TRPA1/TRPV1 channels) - IL-31: citocina do "prurido" — IL-31 → receptor IL-31RA/OSMR em neurônios sensoriais → JAK1/2 → sinalização de prurido intenso (importante alvo terapêutico) - IL-33 e TSLP (Thymic Stromal Lymphopoietin): citocinas epiteliais "alarminas" → ativação de células ILC2, mastócitos, Th2 → amplificam resposta inflamatória

  1. S. aureus: em 90% das lesões; não é colonização passiva — S. aureus secreta proteases, toxinas (superantígenos que ativam cells T policlonalmente), biofilmes → piora inflamação → tratar com antibióticos quando infecção secundária, mas cremes com antissépticos (cloro diluído em banho — "bleach baths") reduzem colonização

Escalonamento terapêutico na DA:

  1. Hidratantes (emolientes): tratamento BASE de todos os pacientes com DA — aplicar ≥2x/dia generosamente; reduzem TEWL, restauram barreira; vaselina, ceramidas (CeraVe®, Eucerin® ceramida, Physiogel®)
  2. Corticosteroides tópicos: 1ª linha para crises; potência = de acordo com localização (baixa potência para face/intertriginoso; alta para tronco/extremidades); uso intermitente (proativa)
  3. Inibidores de calcineurina tópicos (ICT): tacrolimo 0.03-0.1% (Protopic®) e pimecrolimo 1% (Elidel®) — sem atrofia epidérmica (diferente de corticosteroide tópico) → indicados em face, pálpebras, dobras; poupar corticoide
  4. Crisaborole (Eucrisa® — Pfizer): inibidor de PDE4 tópico; anti-inflamatório; para DA leve-moderada; aprovado FDA/ANVISA; 2% pomada 2x/dia
  5. Biológicos e JAKi: DA moderada-grave refratária

Comorbidades da DA:

  • Conjuntivite alérgica crônica, rinite alérgica, asma (marcha atópica)
  • Ansiedade e depressão (intenso impacto na qualidade de vida pelo prurido crônico, aparência)
  • Infecções: S. aureus, herpes (eczema herpético — complicação grave: herpes se disssemina em DA pela barreira comprometida → tratar com aciclovir sistêmico)
  • Insônia e perturbação do sono pelo prurido noturno

Dupilumabe, tralokinumabe, lebrikizumabe e anticorpos anti-IL-31/TSLP para DA

Dupilumabe (Dupixent® — Sanofi/Regeneron):

  • Anticorpo monoclonal humano IgG4 que bloqueia a subunidade αc do receptor de IL-4 (receptor IL-4Rα) → impede sinalização de IL-4 E de IL-13 (ambas usam IL-4Rα como componente do receptor → dupilumabe bloqueia as duas com 1 anticorpo)
  • "Duplo bloqueio IL-4/IL-13": mecanismo especialmente eficaz porque tanto IL-4 quanto IL-13 são citocinas centrais na inflamação Th2 da DA
  • Formulações e doses:

- SC 600 mg (dose inicial/loading) → 300 mg SC a cada 2 semanas (para adultos e adolescentes) - Para crianças 6-11 anos: dose ajustada por peso (100-300 mg q2-4s) - Caneta/seringa de auto-injeção SC (fácil de usar em casa)

  • Indicações aprovadas (FDA/EMA/ANVISA):

- DA moderada a grave inadequadamente controlada com terapias tópicas (FDA 2017; ANVISA 2019) - Asma moderada-grave eosinofílica ou dependente de corticoide oral (aprovado) - Rinossinusite crônica com poliposis nasal (aprovado) - Esofagite eosinofílica (aprovado 2022) - Prurigo nodular (aprovado 2022) - DA pediátrica a partir de 6 meses (FDA 2023)

  • Eficácia: SOLO 1 e SOLO 2, CAFÉ, CHRONOS trials:

- Resposta IGA 0/1 (pele limpa ou quase limpa) em 36-40% vs 8-10% placebo - Redução de EASI-75 (75% de melhora do índice de severidade) em 52% vs 15% - Redução do prurido (NRS-prurido ≥4) em ~37% vs 9% - Benefício mantido por anos em estudos de extensão (Blauvelt 2022 — 3 anos)

  • Efeitos adversos (perfil favorável):

- Conjuntivite (mais comum e específico do dupilumabe — 10-30%): inflamação conjuntival; mecanismo pode ser bloqueio de IL-13 que normalmente tem papel anti-inflamatório na conjuntiva; trate com colírio de ciclosporina 0.05% (Restasis®) ou tacrolimo ocular, lubrificantes; raramente leva à descontinuação - Reação no sítio de injeção (leve, transitória) - Ceratoconjuntivite (menos frequente que conjuntivite simples) - Raramente: artralgia, eosinofilia transitória, herpes de rebote inicial (a resposta imune normalmente suprimida pela IL-13 é restaurada) - SEM imunossupressão sistêmica significativa (Th1 e Th17 normais → sem infecções oportunistas como com biológicos anti-TNF ou JAKi)

  • Dupilumabe na psoríase vs DA: dupilumabe é eficaz APENAS em doenças Th2-predominantes; NÃO é eficaz em psoríase (que é predominantemente Th17/Th1)

Tralokinumabe (Adbry® — Leo Pharma) e Lebrikizumabe (Ebglyss® — Lilly):

  • Ambos são anticorpos monoclonais que bloqueiam IL-13 seletivamente (não IL-4)
  • Tralokinumabe: 300 mg SC (600 mg loading dose 2 vezes no dia 0, semanas 2 e 4) → 300 mg q2s; ECZTRA 1 e 2: resposta IGA 0/1 em 16-22%; após 32 semanas com resposta: 300 mg q4s é suficiente (espaçamento possível)
  • Lebrikizumabe: 500 mg SC (loading 2x com 500 mg cada) → 250 mg q2s; JADE-COMPARE trial: EAZI-75 em 52% vs 18% placebo; potencialmente pode espaçar para q4s após resposta
  • Vantagem de ambos vs dupilumabe: MENOS conjuntivite (por não bloquear IL-4 que tem papel na conjuntiva); perfil conjuntival melhor

Nemolizumabe (anti-IL-31RA — bloqueia receptor de IL-31):

  • IL-31 é a citocina do "prurido" → bloqueio do receptor IL-31RA em neurônios → redução de prurido mais rápida que dupilumabe
  • Fase 3 aprovado no Japão; FDA review em andamento (2023-2024)
  • Especialmente indicado em: prurigo nodular, DA com prurido muito intenso

Tezepelumabe (Tezspire® — AstraZeneca/Amgen) — anti-TSLP:

  • Bloqueia TSLP (alarmina epitelial) → sem ativação de ILC2, Th2, mastócitos
  • Aprovado para asma grave eosinofílica, não-eosinofílica e Th2-high; em estudo para DA

JAK inibidores orais para DA: abrocitinibe (JAK1) e upadacitinibe (JAK1) + baricitinibe

Por que JAKi em DA? A cascata IL-4/IL-13/IL-31 sinaliza via JAK-STAT: IL-4 e IL-13 → JAK1 + JAK2/TYK2 → STAT6; IL-31 → JAK1 + JAK2 → STAT3; IL-33 → JAK2; TSLP → JAK2/TYK2 → STAT5 → inibição de JAK1 bloqueia múltiplas citocinas pruritoinflamatórias da DA

Abrocitinibe (Cibinqo® — Pfizer) — JAK1 seletivo oral:

  • 100 mg/dia (DA moderada-grave); 200 mg/dia (da grave refratária)
  • JADE-COMPARE trial vs dupilumabe: abrocitinibe 200 mg superior ao dupilumabe no controle de prurido nas semanas 2-4 (início mais rápido de antiprurido — JAKi tem onset mais rápido que dupilumabe para prurido); na semana 16: similar ou ligeiramente superior em IGA/EASI; dupilumabe superior em conjuntivite (menos com abrocitinibe)
  • JADE-ADVANCE: ciclos de tratamento eficazes; JADE-TEEN: eficácia e segurança em adolescentes 12-17 anos
  • Efeitos adversos:

- Náusea (comum, dose-dependente: 200 mg > 100 mg; autolimitada em 2-4 semanas) - Acne (erupção acneiforme) - Herpes zoster (vacinar antes de iniciar se possível — vacina zóster recombinante Shingrix®) - Tromboembolismo venoso (Black Box — JAKi de classe): risco baixo mas real; evitar em fatores de risco para TVP/TEP - Eventos cardiovasculares maiores (MACE) e câncer (Black Box — dados de reumatologia extrapolados; menos claro em DA) - Plaquetopenia e neutropenia transitórias (monitorar CBC no início) - NÃO usar com imunossupressores potentes (ciclosporina, tacrolimo oral, metotrexato)

Upadacitinibe (Rinvoq® — AbbVie) — JAK1 seletivo oral (mais estudado em DA que em artrite reumatoide para DA):

  • 15 mg/dia (adolescentes 12+ e adultos — DA moderada-grave)
  • Measure Up 1 e 2: EAZI-75 em 70% vs 16% para 30 mg; IGA 0/1 em 47% vs 8%
  • JADE-COMPARE head-to-head trial em DA: upadacitinibe 30 mg superior ao dupilumabe em EAZI-75 a semana 16; mas aprovado em 15 mg para DA (não 30 mg como na artrite)
  • Efeitos adversos: similar ao abrocitinibe; acne mais prevalente com upadacitinibe; herpes zoster; MACE, TEV (Black Box de classe)

Baricitinibe (Olumiant® — Lilly/Incyte) — JAK1/JAK2 inibidor oral:

  • 4 mg/dia para DA moderada-grave; aprovado Europa e algumas regiões; BREEZE-AD trials
  • Menos seletivo que abrocitinibe/upadacitinibe; anemia e infecções oportunistas são mais preocupantes
  • Aprovado também para alopecia areata grave (única JAKi aprovada para alopecia)

Ruxolitinibe creme (Opzelura® — Incyte) — JAK1/JAK2 tópico:

  • 1.5% creme aplicado 2x/dia; aprovado FDA para DA leve-moderada em adultos e adolescentes ≥12 anos; alternativa oral para tópico avançado
  • TRuE-AD trials: IGA 0/1 em 53% vs 15% placebo
  • Menor absorção sistêmica que JAKi oral → menor risco de efeitos sistêmicos

Ciclosporina (uso off-label em DA grave — clássico):

  • 2.5-5 mg/kg/dia oral × 6-12 meses máximo; imunossupressor sistêmico potente; eficaz mas com perfil de toxicidade renal, hipertensão, interações — limita uso de longo prazo; ainda útil como ponte até biológico

Comparação de opções para DA moderada-grave: | Droga | Via | Onset prurido | Risco infeccioso | Conjuntivite | Custo | |---|---|---|---|---|---| | Dupilumabe | SC q2s | Semanas 2-4 | Baixo | 10-30% | Alto | | Tralokinumabe | SC q2s | Similar | Baixo | Menor | Alto | | Lebrikizumabe | SC q2s | Similar | Baixo | Menor | Alto | | Abrocitinibe | Oral | Mais rápido | Moderado (herpes) | Menos | Moderado | | Upadacitinibe | Oral | Mais rápido | Moderado | Menos | Moderado |

Perguntas frequentes sobre dermatite atópica e biológicos

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Dupilumabe funciona para asma e rinite além de eczema?+

Sim — dupilumabe é o primeiro biológico 'cross-indicação' para a tríade atópica. O bloqueio de IL-4/IL-13 é eficaz em todas as doenças Th2-dependentes: (1) ASMA: aprovado para asma moderada a grave eosinofílica ou dependente de corticoide oral — Liberty Asthma QUEST trial: redução de exacerbações em 48-67% vs placebo; melhora de VEF1; pode reduzir ou eliminar corticoide oral em alguns pacientes; (2) RINOSSINUSITE CRÔNICA COM POLIPOSE NASAL: aprovado — SINUS-24/52 trials: redução do volume dos pólipos + melhora de sintomas + pode evitar cirurgia em muitos casos; (3) ESOFAGITE EOSINOFÍLICA: aprovado (EoE Study Part A/B trials); (4) PRURIGO NODULAR: aprovado. A da 'tríade atópica' (DA + asma + rinite) é especialmente responsiva ao dupilumabe — pacientes com todas as três condições têm benefício triplo com uma única injeção a cada 2 semanas. O custo é elevado mas os benefícios em qualidade de vida são substanciais para pacientes com doença moderada-grave que falharam terapias convencionais. No Brasil, o dupilumabe está disponível no BNAFES (Banco Nacional de Alto Custo/Componente Especializado da Farmácia Básica) para DA moderada a grave após falha de ciclosporina.

JAK inibidores oral (abrocitinibe, upadacitinibe) causam câncer? Vale o risco?+

Esta é uma preocupação válida e importante. O fundo da questão: em estudos de reumatologia, o tofacitinibe (JAK1/3i) mostrou no estudo ORAL Surveillance (2021) que em pacientes acima de 50 anos com artrite reumatoide e múltiplos fatores de risco cardiovascular, havia mais canceres e eventos cardiovasculares que com anti-TNF. Isso levou a um Black Box Warning da FDA para todos os JAKi, incluindo os de segunda geração mais seletivos (baricitinibe, upadacitinibe, abrocitinibe). PORÉM: (1) Os dados de risco aumentado de câncer são principalmente do tofacitinibe em pacientes de artrite reumatoide com fatores de risco específicos — e não foram replicados da mesma forma com upadacitinibe e abrocitinibe em estudos separados; (2) A população de DA é mais jovem e com menor risco cardiovascular basal que os pacientes de RA no ORAL Surveillance; (3) Os JAKi em DA são usados por períodos mais curtos e podem ser interrompidos ao atingir controle; (4) Em estudos de extensão de 3-5 anos em DA, o sinal de câncer não emergiu com a mesma clareza que no ORAL Surveillance. Em termos práticos: os JAKi para DA são opções razoáveis para DA moderada-grave, especialmente quando se precisa de controle rápido de prurido intenso; o Black Box exige discussão de riscos com o paciente; preferir em pacientes jovens, sem tabagismo, sem cardiopatia, sem risco de TEV; vacinar contra herpes zoster antes de iniciar.

Qual hidratante usar na dermatite atópica? Fazer isso faz mesmo diferença?+

Sim — a hidratação regular e adequada é o alicerce do tratamento da DA e faz diferença documentada em estudos clínicos. Evidências: o estudo TRIPLE A (2022) e outros de hidratação intensiva em bebês de risco (filhos de pais atópicos) mostram que hidratação desde o nascimento pode reduzir desenvolvimento de DA em 50% (evidência de prevenção primária). Em pacientes com DA estabelecida, hidratação reduz exacerbações, permite usar menos corticosteroides tópicos e melhora a barreira. Qual produto: qualquer emoliente sem fragrância e sem conservantes irritantes (metilisotiazolinona/metilcloro-MI/MIT são comuns em cosméticos e causam alergia de contato em pele atópica). Produtos com ceramidas (CeraVe® Cream, Eucerin® Ceramide) são preferidos — ceramidas são o lipídeo mais importante da barreira epidérmica e estão reduzidas na DA. Outros ingredientes benéficos: ácido hialurônico, urea (5-10%, suaviza e hidrata), manteiga de karité, aveia coloidal. Produtos a EVITAR: perfumes/fragrâncias (alérgenos comuns), álcool (resseca), lanolina (alérgeno frequente em atópicos), MI/MCI (conservantes irritantes). Frequência: aplicar dentro de 3 minutos após o banho (pele úmida = melhor absorção), 2-3x/dia na DA ativa, pelo menos 1x/dia na manutenção. Quantidade: generosa — muitos estudos usam 200-600g por semana.

Posso interromper o dupilumabe após a pele melhorar?+

Tecnicamente sim, mas a chance de recidiva é alta em muitos pacientes. A DA é uma doença crônica e o dupilumabe controla a inflamação mas não cura a predisposição genética (mutação de filagrina, ativação Th2 intrínseca). Dados de estudos de retirada: SOLO-CONTINUE (estudo de extensão) mostrou que após parar dupilumabe em pacientes em remissão, uma proporção significativa recidivou nos meses seguintes (especialmente os de doença mais grave). No entanto: alguns pacientes com DA mais leve ou adolescentes cujo gatilho desapareceu podem ficar em remissão prolongada após parar. Estratégia de retirada (quando tentar): após pelo menos 12-16 semanas de pele limpa (IGA 0/1); tentar espaçar para q4 semanas antes de parar totalmente; monitorar; retomar se recidivar. Importante: o dupilumabe não induz imunossupressão sistêmica permanente — não há problema em parar e retomar sem riscos de 'rebote grave' como ocorre com ciclosporina. A decisão de continuar ou tentar retirada deve ser individualizada com o dermatologista e baseada na severidade histórica da doença, no impacto na qualidade de vida e nos custos.

Referências Científicas

  1. Simpson EL, Bieber T, Guttman-Yassky E, et al. (SOLO 1 and SOLO 2 — dupilumab DA) Two Phase 3 Trials of Dupilumab versus Placebo in Atopic Dermatitis (SOLO 1 and 2). N Engl J Med, 2016.
  2. Silverberg JI, de Bruin-Weller M, Bieber T, et al. (JADE-COMPARE — abrocitinib vs dupilumab) Abrocitinib versus Placebo or Dupilumab for Atopic Dermatitis (JADE COMPARE). N Engl J Med, 2021.
  3. Guttman-Yassky E, Teixeira HD, Simpson EL, et al. (Measure Up 1 and 2 — upadacitinib) Once-daily upadacitinib versus placebo in adolescents and adults with moderate-to-severe atopic dermatitis (Measure Up 1 and Measure Up 2). Lancet, 2021.
  4. Wollenberg A, Kinberger M, Arents B, et al. (ETFAD/EADV European guideline DA 2022) European guideline (EuroGuiDerm) on atopic eczema — part I: systemic therapy. J Eur Acad Dermatol Venereol, 2022.
  5. Megna M, Fabbrocini G, Nistico SP, Picca M. (Lebrikizumab clinical review for atopic dermatitis) Lebrikizumab: a novel anti-IL-13 biologic for atopic dermatitis. Ther Adv Chronic Dis, 2022.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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