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← Blog·peptideos21 de junho de 2026· 14 min de leitura

Biológicos em doenças autoimunes: adalimumabe/infliximabe (TNF-α), secuquinumabe (IL-17), ustekinumabe (IL-12/23) e tocilizumabe (IL-6)

Agentes biológicos revolucionaram o tratamento de artrite reumatoide, psoríase, espondilite anquilosante e IBD. Anti-TNF (adalimumabe, infliximabe, etanercept) bloqueiam TNF-alfa. Anti-IL-17 (secuquinumabe, ixekizumabe) para psoríase e espondilite. Anti-IL-12/23 (ustekinumabe). Anti-IL-6R (tocilizumabe, sarilumabe). Riscos de infecções, TB e reativação.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Citocinas pró-inflamatórias como alvos terapêuticos em doenças autoimunes

Doenças imunomediadas — patologia por citocinas desreguladas:

As principais doenças autoimunes são mediadas por vias inflamatórias específicas que podem ser bloqueadas com anticorpos monoclonais e proteínas de fusão altamente específicos (biológicos):

TNF-α (Tumor Necrosis Factor-alpha):

  • Produzido por macrófagos, células T, DCs, sinoviócitos → ativa NF-κB → IL-1, IL-6, MMP (proteases) → inflamação, destruição de cartilagem e osso → artrite reumatoide, espondilite anquilosante, psoríase, IBD
  • Doenças onde TNF é central: AR, espondilite anquilosante (EpA/EA), artrite psoriásica (APs), psoríase em placa, doença de Crohn, colite ulcerativa, uveíte

IL-17A (Interleucina-17A):

  • Produzida por células Th17; atua em queratinócitos, fibroblastos, condrócitos → recrutamento de neutrófilos, produção de IL-8, CXCL1, G-CSF → inflamação de pele e articulações
  • Central em: psoríase em placa, espondilite anquilosante, artrite psoriásica; menos papel na AR e IBD (paradoxo: anti-IL-17 piora IBD)

IL-12/23 (p40 compartilhado):

  • IL-12 (p35/p40): diferenciação de Th1; IFN-γ
  • IL-23 (p19/p40): manutenção de células Th17 → IL-17
  • Central em: psoríase, APs, EA (IL-23/Th17 eixo), doença de Crohn (IL-12/Th1 eixo)

IL-6:

  • Produzida por macrófagos, sinoviócitos, DCs → JAK1/2-STAT3 → síntese hepática de proteínas de fase aguda (PCR, fibrinogênio), hematopoiese, febre, diferenciação de células B → anticorpos
  • Central em: AR (sinoviócitos secretam IL-6 em grande quantidade), artite sistêmica juvenil (AIJ), síndrome de liberação de citocinas (CRS) pós-CAR-T/bispecific antibodies, doença de Castleman multicêntrica

Vias JAK-STAT como alvos dos JAK-inibidores (JAKi — tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe, filgotinibe):

  • Múltiplas citocinas (IL-2, IL-4, IL-6, IL-12, IL-23, IFNs) sinalizam via receptores JAK → STAT ativado → transcrição de genes inflamatórios; JAKi moléculas pequenas orais inibem esta via

Anti-TNF: adalimumabe, infliximabe, etanercept e riscos de infecções/TB

Anti-TNF — a classe mais prescrita de biológicos:

Adalimumabe (Humira® — AbbVie / biossimilares: Hadlima, Cyltezo, Hyrimoz):

  • IgG1 humano anti-TNF-α; 40 mg SC q2 semanas (AR, psoríase); 40 mg SC q2 semanas com ou sem metotrexato (AR — ARMADA trial: 63% vs 14% ACR20 em 24 sem vs placebo)
  • Espectro de indicações: AR, EA, APs, psoríase em placa, doença de Crohn, colite ulcerativa, uveíte, AIJ, hidradenite supurativa
  • O biológico mais vendido globalmente (2012-2022); biossimilares reduziram custo significativamente após 2023
  • Pré-medicação: teste de tuberculina (PPD) ou IGRA (QuantiFERON) antes de iniciar → se LTBI (latente): tratar com isoniazida 6-9 meses antes de iniciar anti-TNF
  • Rastreamento pré-biológico: sorologias HBV, HCV (HBV pode reativar com anti-TNF — profilaxia se HBsAg+), hemograma, TFH, raio-X de tórax

Infliximabe (Remicade® — Janssen / biossimilares: Inflectra, Renflexis):

  • IgG1 quimérico (humano + murino); IV infusão (NÃO SC); 3 mg/kg (AR) ou 5 mg/kg (IBD, EA) nas semanas 0, 2, 6 → q8 semanas
  • Anticorpos anti-infliximabe (ADA — anti-drug antibodies) são mais frequentes que com adalimumabe por ser quimérico; reduzem eficácia; metotrexato concomitante reduz formação de ADAs → combinação metotrexato + infliximabe padrão em AR
  • IBD: infliximabe = 1ª anti-TNF aprovada para Crohn (1998) e colite ulcerativa grave/moderada
  • Reações infusionais: febre, calafrios, urticária, hipotensão durante ou após infusão → pré-medicar com difenidramina + hidrocortisona ± paracetamol; reações tardias (5-7 dias): artralgia, febre, urticária (hipersensibilidade tipo doença do soro)

Etanercept (Enbrel® — Amgen/Pfizer / biossimilares: Erelzi, Eticovo):

  • Proteína de fusão TNFR2 extracelular + Fc IgG1 (não anticorpo monoclonal) → captura TNF-α solúvel E linfotoxina-α
  • 50 mg SC 1x/semana ou 25 mg 2x/semana
  • Indicações: AR, APs, EA (espondiloartrites), psoríase em placa
  • Crohn/IBD: NÃO eficaz (importante distinção — etanercept não funciona em IBD por razões não completamente esclarecidas; usar adalimumabe ou infliximabe para IBD)
  • Menor risco de reativação de TB que mAbs anti-TNF (TNFR2 solúvel capture de TNF tem mecanismo ligeiramente diferente dos mAbs no granuloma tuberculoso)

Certolizumabe pegol (Cimzia® — UCB):

  • Fragmento Fab peguilado anti-TNF (sem Fc) → sem ADCC/CDC; PEG = meia-vida longa (2 semanas); SC
  • Atravessa menos a placenta (sem Fc) → mais seguro na gestação (dados favoráveis de exposição durante gestação para AR/IBD ativas — uso pode ser considerado)
  • IBD: Crohn e colite ulcerativa; AR, EA, APs, psoríase

Golimumabe (Simponi® — Janssen):

  • Humano anti-TNF; 50-100 mg SC/mês ou IV q8 semanas; AR, EA, APs, colite ulcerativa

Risco de tuberculose com anti-TNF — o efeito adverso mais importante:

  • TNF-α é essencial para manutenção dos granulomas de Mycobacterium tuberculosis (forma os granulomas que encapsulam e controlam a infecção latente) → bloqueio de TNF → dissolução de granulomas → reativação de LTBI → TB ativa, frequentemente extrapulmonar ou disseminada
  • Risco de reativação com anti-TNF: 1-2% em países de alta prevalência de TB (como Brasil) sem rastreamento prévio; risco reduzido em >70% com rastreamento e profilaxia
  • Protocolo antes de anti-TNF: (1) Raio-X de tórax; (2) IGRA (QuantiFERON-TB Gold ou T-SPOT.TB) — preferido sobre PPD em vacinados pelo BCG (sem falso positivo pelo BCG); (3) Se LTBI (IGRA+ sem TB ativa): isoniazida 300 mg/dia × 6-9 meses → completar pelo menos 1 mês de isoniazida antes de iniciar anti-TNF; (4) Se TB ativa: tratar completamente antes de anti-TNF

Outros riscos de classe dos biológicos anti-TNF:

  • Infecções graves: bacteremia, pneumonia, infecções fúngicas oportunistas (histoplasmose, coccidioidomicose, pneumocistose) — risco 2-3x maior vs placebo
  • Reativação de HBV: portadores HBsAg+ → profilaxia com entecavir ou TDF enquanto em anti-TNF e por 6-12 meses após; HBsAg-/anti-HBc+: monitorar DNA-HBV trimestralmente
  • Insuficiência cardíaca: anti-TNF contraindicado em ICC grave (NYHA III-IV); ATTACH trial: infliximabe piorou IC → só usar em AR com IC NYHA I-II com cautela
  • Desmielinização: relatos de exacerbação de esclerose múltipla → contraindicado em EM/neuromielite óptica
  • Malignidades: linfoma ligeiramente aumentado (mas AR per se já tem maior risco de linfoma); câncer de pele não-melanoma
  • Anticorpos antinucleares (ANA) e síndrome lúpus-like induzida por droga (DILE): autoanticorpos em 30-50% dos pacientes em anti-TNF; síndrome lúpica com sintomas em 5-10%; reversível ao suspender

Secuquinumabe (IL-17), ustekinumabe (IL-12/23), tocilizumabe (IL-6) e JAK-inibidores orais

Anti-IL-17A:

Secuquinumabe (Cosentyx® — Novartis):

  • IgG1κ anti-IL-17A; 150-300 mg SC (psoríase) ou 150 mg SC (EA/APs) → loading q1 semana × 5 → q4 semanas manutenção
  • Psoríase em placa: ERASURE/FIXTURE trials: PASI90 em 60% (vs 3% placebo e 21-44% etanercept) — muito superior a anti-TNF para psoríase; secuquinumabe ou ixekizumabe são hoje 1ª escolha para psoríase moderada-grave
  • Espondilite anquilosante (EA/EpA axial): MEASURE 1/2: ASA20 em 61% vs 29% placebo; BASDAI melhorou significativamente; opção em falha de anti-TNF
  • Artrite psoriásica: FUTURE 1/2: ACR20 e PASI redução; aprovado para APs com ou sem psoríase associada
  • Efeitos adversos distintos: candidíase mucocutânea (oral, vaginal, esofágica) — IL-17A é essencial para defesa anti-Candida; leve a moderada em 3-5%; tratamento oral com fluconazol; IBD: anti-IL-17 pode PIORAR (ou precipitar) IBD — contraindicado em Crohn ativo; cuidado em pacientes com IBD subjacente
  • Sem risco de reativação de TB (mecanismo diferente do anti-TNF)

Ixekizumabe (Taltz® — Eli Lilly):

  • Anti-IL-17A; 80 mg SC q2 semanas (primeiros 3 meses) → q4 semanas; aprovado para psoríase, APs, EA
  • IXORA-S: ixekizumabe superior ao secuquinumabe em psoríase (PASI 90 72% vs 65% em 24 sem — diferença significativa mas clinicamente modesta)

Bimekizumabe (Bimzelx® — UCB): anti-IL-17A e IL-17F (ambas); psoríase: PASI90 em >85% — ainda mais eficaz; aprovado 2023 EU/UK

Anti-IL-12/23 (anti-p40):

Ustekinumabe (Stelara® — Janssen):

  • Humano anti-p40 (subunidade compartilhada por IL-12 e IL-23) → inibe ambas; IV (dose única baseada em peso) para indução em Crohn/CU → SC q8 semanas manutenção; SC 45 ou 90 mg q12 semanas para psoríase e APs
  • Psoríase: eficaz (PASI90 em ~55-60%); seguro para longo prazo; menos candidíase que anti-IL-17
  • Doença de Crohn: UNIFI e UNIFI-Maintenance: aprovado para Crohn moderado-grave; também para CU (UNIFI CU)
  • Perfil de segurança excelente — sem sinal de reativação de TB, sem risco de IBD como anti-IL-17; risco de infecções discretamente aumentado

Risankizumabe (Skyrizi® — AbbVie) e guselkumabe (Tremfya® — Janssen), mirikizumabe (Omvoh® — Lilly): anti-p19 (anti-IL-23 seletivo, sem bloqueio de IL-12) → maior seletividade; muito eficazes para psoríase (PASI90 em 75-80%+), Crohn, CU, APs; risco de IL-12 bloqueio (infecções intracelulares) eliminado

Anti-IL-6R (anti-receptor de IL-6):

Tocilizumabe (Actemra® / RoActemra® — Roche/Genentech):

  • Humanizado anti-IL-6R (bloqueia tanto receptor solúvel quanto membranar de IL-6) → sem sinalização de IL-6 → supressão de inflamação sistêmica e articular
  • IV q4 semanas (8 mg/kg) ou SC 162 mg q1-2 semanas
  • AR: OPTION, AMBITION, TOWARD trials: tocilizumabe superior a metotrexato; ARACTs: monoterapia tocilizumabe não inferior a combinação tocilizumabe + metotrexato (único biológico comprovado eficaz em monoterapia sem metotrexato em AR, importante para pacientes que não toleram MTX)
  • Artrite sistêmica juvenil (AIJ): fármaco de escolha (muito eficaz nos picos febris e sintomas sistêmicos)
  • Síndrome de liberação de citocinas (CRS — Cytokine Release Syndrome): tocilizumabe IV é o tratamento padrão pós-CAR-T e bispecific antibodies (aprovado FDA 2017 para CRS grau ≥3)
  • COVID-19 (doença grave): RECOVERY trial: tocilizumabe + corticoide em hospitalizados com hipóxia e inflamação elevada → redução de mortalidade e necessidade de ventilação mecânica
  • Efeitos adversos: neutropenia (IL-6 estimula granulopoiese → sem IL-6 → neutrófilos caem), trombocitopenia leve, elevação de transaminases, hiperlipidemia; mascaramento de febre (IL-6 → pirogênio; tocilizumabe elimina febre → paciente pode ter infecção bacteriana grave sem febre → monitor de PCR não-confiável com tocilizumabe)

Sarilumabe (Kevzara® — Regeneron/Sanofi): anti-IL-6Rα; SC 200 mg q2 semanas; AR — não-inferior ao adalimumabe em MONARCH trial

JAK-inibidores orais — o futuro dos biológicos é molecular pequena:

  • Tofacitinibe (Xeljanz® — Pfizer): pan-JAK-i (JAK1/3 preferencial); 5 mg 2x/dia (AR, APs, CU) ou 10 mg 2x/dia (CU indução); AR: eficácia similar ao adalimumabe (ORAL Satndar); alerta FDA 2021: risco aumentado de MACE (eventos cardiovasculares maiores) e tromboembolismo venoso vs anti-TNF em AR com risco CV alto (>50 anos, fumante, obeso) — aviso Black Box
  • Baricitinibe (Olumiant® — Eli Lilly): JAK1/2-i; 2-4 mg 1x/dia; AR, dermatite atópica, alopecia areata; COVID (ACTT-2: reduziu tempo de recuperação em hospitalizados)
  • Upadacitinibe (Rinvoq® — AbbVie): JAK1-i seletivo; 15 mg/dia (AR) ou 30-45 mg/dia (Crohn/CU indução); mais potente que tofacitinibe; alopecia areata (45 mg); EA; psoríase em placa (em registro)
  • Filgotinibe (Jyseleca® — Gilead): JAK1-i; 100-200 mg/dia; AR, doença de Crohn

Perguntas frequentes sobre biológicos em doenças autoimunes

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Por que preciso fazer teste de tuberculose antes de iniciar adalimumabe?+

Adalimumabe e todos os anti-TNF bloqueiam o TNF-alfa, que é essencial para manter os granulomas tuberculosos intactos. Os granulomas são estruturas formadas pelo sistema imune para 'enjaular' o Mycobacterium tuberculosis em latência — impedindo-o de se multiplicar ativamente. Quando o TNF é bloqueado, esses granulomas se dissolvem → o M. tuberculosis latente se multiplica sem controle → tuberculose ativa, frequentemente com formas graves e extrapulmonares (TB miliar, TB de SNC). O risco é especialmente alto no Brasil (país de alta endemicidade de TB). O protocolo obrigatório: (1) IGRA (QuantiFERON-TB Gold) — preferido ao PPD/tuberculina pois não tem falso-positivo por vacinação BCG, que é universal no Brasil; (2) Se IGRA positivo (infecção latente confirmada): tratar com isoniazida 300 mg/dia × 6-9 meses ANTES de iniciar anti-TNF (ou pelo menos 1 mês de isoniazida antes, concluindo os 6 meses em paralelo); (3) Raio-X de tórax para excluir TB ativa (cavernas, infiltrado, linfonodo hilar); (4) Se TB ativa: tratar completamente (2 meses RHZE + 4 meses RH) antes de qualquer biológico imunossupressor. Esta triagem reduz o risco de TB ativa com anti-TNF em >70%.

Qual a diferença entre adalimumabe (Humira) e biossimilares? São igualmente eficazes?+

Biossimilares de adalimumabe (Hadlima, Cyltezo, Hyrimoz, Amjevita, Yusimry e outros aprovados) são altamente similares ao Humira original em estrutura, eficácia e segurança. A diferença de um 'genérico' para o biossimilar: adalimumabe é uma proteína complexa (IgG1 humano) produzida por células de mamífero — impossível copiar com 100% de identidade (diferente dos genéricos de moléculas pequenas, que são quimicamente idênticos). Os biossimilares são aprovados após demonstrar que: a estrutura é 'altamente similar' (glicosylation patterns, sequência de aminoácidos, dobramento proteico); a farmacocinética é comparável; a imunogenicidade é similar; os estudos clínicos mostram não-inferioridade em pelo menos uma indicação aprovada (geralmente AR ou psoríase). Estudos de switching (troca do original para biossimilar em pacientes estáveis) como NOR-SWITCH (infliximabe) e AMPLE SWITCH (adalimumabe) mostram não-inferioridade em manutenção de eficácia após a troca. A vantagem real: redução de custo de 30-80% → maior acesso (biossimilares permitiram que mais pacientes com AR e psoríase tenham acesso a biológicos). No Brasil, biossimilares de adalimumabe e etanercept estão disponíveis no SUS desde 2020-2021.

Pode engravidar usando adalimumabe ou outro biológico?+

Depende do biológico específico. Adalimumabe e infliximabe: contêm a região Fc (IgG1) → atravessam a placenta ativamente pelo receptor FcRn (que transporta IgG da mãe para o feto) a partir do 2º trimestre → o feto tem níveis detectáveis de adalimumabe/infliximabe. Implicações: (1) Segurança materna e fetal: dados de registros (OTIS, EUROSTAR, MotherToBaby) de milhares de gestações mostram que adalimumabe/infliximabe durante a gestação não aumenta risco de malformações, prematuridade ou baixo peso ao nascer — considerados compatíveis com gestação em doenças ativas onde o benefício de controlar a doença supera o risco; (2) Imunossupressão neonatal: como o biológico persiste no recém-nascido por 2-6 meses (meia-vida longa), vacinas vivas (BCG, rotavírus, febre amarela, varicela) são contraindicadas nos primeiros 6 meses de vida do bebê; (3) Estratégia: muitos especialistas recomendam suspender adalimumabe após a semana 20-28 de gestação (período antes da passagem placentária máxima) se a doença estiver controlada → menor exposição fetal; retomar pós-parto se necessário. Certolizumabe pegol (sem Fc) é o anti-TNF com MENOR passagem placentária → preferido quando biológico é essencial durante toda a gestação. Ustekinumabe e secuquinumabe: dados mais limitados mas sem sinal de risco em registros. Tocilizumabe e JAK-i: evitar na gestação por dados insuficientes de segurança.

Psoríase: qual biológico é melhor — anti-TNF ou anti-IL-17?+

Para psoríase em placa moderada-grave, os anti-IL-17 (secuquinumabe, ixekizumabe, bimekizumabe) e anti-IL-23 seletivos (risankizumabe, guselkumabe) são superiores aos anti-TNF em termos de clearance de pele (PASI 90 e PASI 100): anti-IL-17: PASI90 em 60-75%; PASI100 em 35-45%; anti-IL-23: PASI90 em 75-85%; PASI100 em 55-65%; anti-TNF (adalimumabe, etanercept): PASI90 em 40-50%; PASI100 em 20-25%. Network meta-analyses de ensaios clínicos (como a PRISMA network meta-analysis) confirmam a superioridade de anti-IL-17 e anti-IL-23 sobre anti-TNF para psoríase cutânea. No entanto, a decisão clínica considera também: comorbidades (presença de IBD → anti-IL-17 contraindicado, usar anti-TNF ou anti-IL-23/12; espondilite axial associada → secuquinumabe ou ixekizumabe excelentes; artrite psoriásica → anti-IL-17 igualmente eficazes); custo e disponibilidade; experiência prévia; preferência de esquema de aplicação (mensal vs bimestral). Em termos práticos: para psoríase em placa sem IBD, secuquinumabe ou risankizumabe são escolhas de primeira linha baseadas em eficácia máxima; adalimumabe quando custo ou acesso limita ou quando há IBD associada.

Referências Científicas

  1. Weinblatt ME, Keystone EC, Furst DE, et al. (ARMADA trial — adalimumab in RA) Adalimumab, a fully human anti–tumor necrosis factor α monoclonal antibody, for the treatment of rheumatoid arthritis in patients taking concomitant methotrexate (ARMADA). Arthritis Rheum, 2003.
  2. Langley RG, Elewski BE, Lebwohl M, et al. (ERASURE/FIXTURE — secukinumab psoriasis) Secukinumab in Plaque Psoriasis — Results of Two Phase 3 Trials (ERASURE and FIXTURE). N Engl J Med, 2014.
  3. Gabay C, Emery P, van Vollenhoven R, et al. (MONARCH trial — tocilizumab vs adalimumab) Tocilizumab monotherapy versus adalimumab monotherapy for treatment of rheumatoid arthritis (MONARCH). Ann Rheum Dis, 2016.
  4. Sands BE, Sandborn WJ, Panaccione R, et al. (UNIFI — ustekinumab in UC) Ustekinumab as Induction and Maintenance Therapy for Ulcerative Colitis (UNIFI). N Engl J Med, 2019.
  5. RECOVERY Collaborative Group (tocilizumab COVID-19) Tocilizumab in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY). Lancet, 2021.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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