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← Blog·peptideos19 de junho de 2026· 13 min de leitura

Aspirina, clopidogrel e ticagrelor: antiagregantes plaquetários, COX, tromboxano e stents coronários

Aspirina inibe irreversivelmente COX-1/2 nas plaquetas — bloqueia tromboxano A2 e reduz agregação. Clopidogrel e ticagrelor bloqueiam P2Y12 (ADP). Terapia antiplaquetária dupla (TAPD) é padrão em SCA e pós-stent. Prasugrel e cangrelor. AINEs e risco cardiovascular.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Fisiologia da agregação plaquetária e alvos dos antiagregantes

Plaquetas e hemostasia primária:

  • Plaquetas circulam como discos inativados (150.000-400.000/µL)
  • Lesão vascular → colágeno subendotelial + FvW exposto → glicoproteína GP Ib-IX-V (plaqueta) + GP VI liga colágeno → adesão plaquetária → ativação

Cascata de ativação plaquetária:

  1. Ativação: GP VI + colágeno → PLC → IP3 → Ca²⁺; GPVI → Src → LAT → PLCγ2; Ca²⁺ ativa PKC + PKC ativa GP IIb/IIIa
  2. Amplificação — 3 vias principais:

- Tromboxano A2 (TXA2): PGH2 (endoperóxido) → TXA2 sintetase → TXA2 → receptor TP (Gq e Gi) → mais Ca²⁺, recrutamento de mais plaquetas; bloqueado por aspirina - ADP: plaquetas ativadas secretam ADP dos grânulos densos → P2Y1 (Gq, ativação transitória) + P2Y12 (Gi, amplificação e estabilização do trombo)bloqueado por tienopiridinas (clopidogrel, prasugrel) e ticagrelor - Trombina: via PAR-1 e PAR-4 (protease-activated receptors) na plaqueta — ativador mais potente; vorapaxar (PAR-1 antagonista)

  1. Agregação: GP IIb/IIIa (integrina αIIbβ3) ativada → liga fibrinogênio (pontes entre plaquetas) → tampão plaquetário; bloqueada por inibidores de GP IIb/IIIa (abciximabe, eptifibatida, tirofibana)

COX (Ciclooxigenase) — enzima central da inflamação e hemostasia:

  • Converte ácido araquidônico (AA, liberado por PLA2 de fosfolipídios de membrana) → PGG2 → PGH2
  • PGH2 → TXA2 (em plaquetas, via TXA2 sintetase) → agregação plaquetária, vasoconstrição
  • PGH2 → PGI2 (prostaciclina, em endotélio, via PGI2 sintetase) → vasodilatação, inibe agregação plaquetária (efeito anti-trombótico endotelial)
  • PGH2 → PGE2, PGD2, PGF2α (em vários tecidos) → inflamação, dor, febre

COX-1 (constitutiva — plaquetas, estômago, rins):

  • Plaquetas: TXA2 → pró-agregante
  • Estômago: PGE2 e PGI2 → proteção da mucosa gástrica
  • Rins: PGE2 e PGI2 → autorregulação do fluxo renal

COX-2 (induzível — células inflamatórias, macrófagos, sinovócitos, endotélio):

  • Upregulada por citocinas (IL-1, TNF), LPS → PGE2 e PGI2 → febre, dor, inflamação
  • Constitutiva em rim, cérebro, endotélio vascular
  • Inibição seletiva de COX-2 → menos PGI2 endotelial (anti-aggregante) sem reduzir TXA2 plaquetário (pró-agregante) → balanço pró-trombótico → explicação para o risco cardiovascular dos COXibs!

Aspirina: mecanismo irreversível, indicações e AINEs seletivos (COXibs)

Aspirina (AAS — Ácido Acetilsalicílico) — o antiagregante mais usado do mundo:

Mecanismo único — acetilação irreversível de COX:

  • Aspirina → no ambiente ácido do estômago, hidrolisa parcialmente → salicilato + acetila as COXs na Ser530 (COX-1) e Ser516 (COX-2)
  • Irreversível: como plaquetas são anucleadas (sem núcleo, sem síntese proteica nova), a COX-1 bloqueada permanece bloqueada durante toda a vida da plaqueta (~7-10 dias)
  • Uma dose de aspirina → TXA2 bloqueado por 7-10 dias! Novo lote de plaquetas não produzido até que as velhas sejam substituídas
  • Endotélio tem núcleo → sintetiza nova COX-2 em horas → PGI2 se recupera mais rápido que TXA2 plaquetário

Doses e indicações:

  • 75-100 mg/dia (dose antiagregante): bloqueia COX-1 plaquetária eficientemente; COX-2 muito menos afetada a estas doses
  • 500-4000 mg/dia (analgésica/anti-inflamatória): bloqueia COX-1 E COX-2 em vários tecidos
  • Diferença farmacocinética: aspirina de baixa dose em formulação entérica (para reduzir erosão gástrica)

Prevenção cardiovascular primária — debate e mudança de paradigma:

  • Metanálises recentes e ensaios ARRIVE (sem DCV prévia) + ASPREE (idosos) + ASCEND (DM sem DCV): aspirina reduz eventos CV mas aumenta sangramentos; balanço desfavorável na maioria em prevenção primária
  • AHA/ACC 2019: aspirina em prevenção primária apenas em adultos 40-70 anos com risco de ASCVD em 10 anos ≥10% E baixo risco de sangramento; NÃO recomendada rotineiramente em prevenção primária ≥70 anos

Prevenção secundária (DCV estabelecida):

  • IAM, AVC isquêmico, doença arterial periférica, pós-stent, pós-revascularização: aspirina 75-100 mg/dia = padrão de cuidado; redução de MACE 25% (meta-análise Antithrombotic Trialists Collaboration)

AINEs (Anti-Inflamatórios Não-Esteroidais) — inibem COX de forma competitiva/reversível:

  • Ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, cetoprofeno, meloxicam: não-seletivos ou ligeiramente COX-2 preferentes
  • Interação com aspirina: ibuprofeno tomado antes da aspirina pode bloquear o sítio Ser530 na COX-1 → competição → impede acetilação irreversível pela aspirina → perda do efeito antiagregante; naproxeno tem menos essa interação; naproxeno > ibuprofeno > diclofenaco em CV safety

COXibs (inibidores seletivos de COX-2):

  • Celecoxibe (Celebrex® — Pfizer): COX-2 seletivo; menos úlcera vs AINEs tradicionais; CLASS trial: menos eventos GI; mas risco CV aumentado com doses altas
  • Rofecoxibe (Vioxx® — Merck, RETIRADO em 2004): altamente seletivo COX-2; menos GI, MAS VIGOR trial revelou aumento de IAM 4-5x vs naproxeno → retirado pelo fabricante voluntariamente após APPROVe trial confirmou risco CV
  • Etoricoxibe (Arcoxia®), parecoxibe (Dynastat® IV): ainda disponíveis em vários países; usar com cautela em pacientes com DCV
  • IMPORTANTE: não usar COXibs em pacientes com DCV estabelecida ou alto risco CV

Síndrome de Reye — contraindicação absoluta em crianças:

  • Aspirina em <18 anos com infecção viral (influenza, varicela) → Síndrome de Reye (encefalopatia + disfunção hepática) — mecanismo incompletamente compreendido; usar paracetamol/ibuprofeno em crianças febricitantes

Clopidogrel, ticagrelor, prasugrel: antagonistas de P2Y12 e terapia antiplaquetária dupla

Antagonistas de P2Y12 — bloqueiam o receptor de ADP que amplifica e estabiliza a agregação plaquetária:

Clopidogrel (Plavix® — Sanofi/BMS) — pró-droga:

  • Tienopiridina; absorção oral → CYP2C19 (e 1A2/3A4) → metabolito ativo → liga irreversivelmente P2Y12 (bloqueio covalente com grupamento tiol) → inativa para vida da plaqueta
  • Onset: 2-8h com dose de ataque 300-600 mg; dose de manutenção 75 mg/dia
  • Farmacogenômica CYP2C19 — crítica clinicamente:

- *2, *3 (loss-of-function alleles): metabolizadores lentos (LoF carriers) → menos metabolito ativo → menos inibição plaquetária → pior resposta → mais trombose de stent - Prevalência: 2-14% da população (varia por etnia; asiáticos: 50% carreadores de *2 ou *3) - FDA black box warning 2010: variantes CYP2C19 reduzem eficácia de clopidogrel - Alternativa em portadores de LoF: prasugrel ou ticagrelor (não dependem de CYP2C19) - Omeprazol: inibe CYP2C19 → reduz metabolismo de clopidogrel → menos ativo? Dados inconclusivos em desfechos clínicos; COGENT trial: omeprazol + clopidogrel → mais úlceras protegidas mas sem mais eventos CV; usar pantoprazol se preocupado

Prasugrel (Effient® — Eli Lilly/Daiichi Sankyo):

  • Tienopiridina; pró-droga; metabolismo mais eficiente (não CYP2C19-dependente) → sem farmacogenômica de conversão
  • Mais potente e mais rápido que clopidogrel
  • TRITON-TIMI 38 (SCA submetido a ICPC): prasugrel vs clopidogrel → mais redução de IAM (24%) mas MAIS sangramento grave (32%), especialmente em CABG → contraindicado em história de AVC/TIA + evitar em >75 anos + <60 kg (pela interação peso-dose)
  • Dose: 60 mg ataque + 10 mg/dia (ou 5 mg/dia se ≥75 anos ou <60 kg)

Ticagrelor (Brilinta® / Brilique® — AstraZeneca):

  • Ciclopenil-triazolo-pirimidina; NÃO é pró-droga (ativo diretamente); liga P2Y12 de forma reversível (diferente das tienopiridinas) → efeito desaparece mais rápido ao parar (3-5 dias vs 7-10 dias)
  • PLATO trial (SCA): ticagrelor vs clopidogrel → redução de mortalidade CV (-21%), IAM (-16%), AVC (-17%) com mesmo sangramento não-CABG; mais dispneia (15% — via P2Y12 em eritrócitos? Adenosina?);
  • Dose: 180 mg ataque + 90 mg 2x/dia (SCA); 60 mg 2x/dia (manutenção em SCA estável >1 ano, PEGASUS trial)
  • Interações: CYP3A4 (inibidores potentes como cetoconazol aumentam nível; indutores como rifampicina reduzem)

Cangrelor (Kengreal® — Chiesi) — IV, reversível, ultra-ação rápida:

  • P2Y12 antagonista IV; ativo (não pró-droga); onset <30 min, reversão em 60 min ao parar infusão
  • CHAMPION PHOENIX: ICPC com pré-tratamento de cangrelor → menos trombose de stent e IAM perioperatório vs clopidogrel pré-dose
  • Uso: pacientes sem pré-tratamento oral de P2Y12 submetidos a ICPC urgente; ponte para cirurgia em pacientes que precisam manter antiagregação

Terapia Antiplaquetária Dupla (TAPD / DAPT):

Quando usar TAPD:

  • SCA (IAM-ST, NSTE-ACS, angina instável): aspirina + ticagrelor (preferido) ou aspirina + prasugrel ou aspirina + clopidogrel por 12 meses (mínimo de 3-6 meses se alto risco de sangramento)
  • Pós-stent (DES/BMS): aspirina indefinida + P2Y12 por 12 meses (NSTE-ACS/IAM) ou 6 meses (DAC estável em DES)
  • Estabilidade após IAM: em alto risco CV, considerar extensão de TAPD além de 12 meses (DAPT trial, PEGASUS)

Inibidores de GP IIb/IIIa (2ª linha, uso hospitalar):

  • Abciximabe (ReoPro®): fragmento Fab de anticorpo monoclonal; liga GP IIb/IIIa + αvβ3; meia-vida longa (efeito plaquetário 48-72h após parar)
  • Eptifibatida (Integrilin®): peptídeo cíclico; liga GP IIb/IIIa via sequência RGD (mimetic); meia-vida curta (2-3h)
  • Tirofibana (Aggrastat®): pequena molécula; similar à eptifibatida
  • Indicados em: ICPC de alto risco, trombose de stent, infusão intracoronária
  • Principais riscos: sangramento, trombocitopenia imune-mediada (abciximabe > eptifibatida > tirofibana)

Vorapaxar (Zontivity® — Merck) — PAR-1 (receptor de trombina) antagonista:

  • TRACER trial (SCA): redução de eventos mas aumento de sangramento → aprovado apenas para prevenção secundária pós-IAM em pacientes sem AVC/TIA prévia
  • Uso extremamente limitado na prática

Perguntas frequentes sobre antiagregantes plaquetários

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Posso substituir clopidogrel por ticagrelor? Qual é melhor?+

Ticagrelor mostrou superioridade sobre clopidogrel no ensaio PLATO em pacientes com SCA (Síndrome Coronariana Aguda), com redução de mortalidade cardiovascular, IAM e AVC, sem diferença significativa em sangramento grave (exceto perioperatório em CABG). Por isso, guidelines AHA/ACC/ESC 2023 recomendam ticagrelor como preferencial em SCA. Clopidogrel é mantido quando: (1) ticagrelor/prasugrel são contraindicados ou não disponíveis; (2) quando sangramento é uma preocupação maior (clopidogrel tem menor efeito = menor sangramento também); (3) pacientes fora do contexto de SCA (DAC estável). Para substituição direta: sim, pode-se trocar clopidogrel por ticagrelor (ou vice-versa) com dose de ataque do novo agente. A troca de ticagrelor para clopidogrel deve ser feita com dose de ataque de 600 mg de clopidogrel para garantir inibição plaquetária imediata (ticagrelor é reversível, e ao parar surgem plaquetas sem inibição).

Por quanto tempo devo tomar os dois antiagregantes (TAPD) após colocar um stent?+

Depende do tipo de stent e do contexto clínico: (1) Stent coronário em DAC ESTÁVEL (angina estável, SCA-estável): stent metálico simples (BMS, raro hoje) → mínimo 1 mês de TAPD; stent farmacológico (DES — liberador de droga, padrão atual) → 6 meses de TAPD, depois apenas aspirina indefinida; (2) Após SCA (IAM-ST, NSTE-ACS): TAPD por 12 meses independente do tipo de stent; se risco de sangramento muito alto, pode reduzir para 6 meses (TWILIGHT trial com ticagrelor monoterapia após 3 meses); (3) Extensão além de 12 meses (DAPT extendido): em pacientes com SCA e alto risco isquêmico (DAPT trial): redução de MACE de 29% com TAPD por 30 meses vs 12, mas com mais sangramento; individualizar. A aspirina é mantida indefinidamente em todos os pacientes pós-stent. Nunca interrompa TAPD sem consultar o cardiologista — risco de trombose de stent.

Aspirina realmente protege o coração? Em que dose?+

Sim, em prevenção SECUNDÁRIA (pessoas que já tiveram IAM, AVC, ou têm doença arterial documentada) — a evidência é robusta: redução de ~25% de eventos cardiovasculares maiores em metanálises de grande escala (Antithrombotic Trialists). A dose eficaz é baixa: 75-100 mg/dia é suficiente para bloquear TXA2 plaquetário irreversivelmente. Doses maiores não adicionam benefício antiagregante e aumentam muito o risco de sangramento GI. Em prevenção PRIMÁRIA (sem doença CV estabelecida), o panorama mudou: estudos recentes (ARRIVE, ASPREE, ASCEND) mostram que o benefício de redução de eventos CV é quase completamente anulado pelo aumento de sangramentos (principalmente GI). Para a maioria dos adultos saudáveis acima de 60 anos, as guidelines modernas não recomendam aspirina profilática. Em 40-60 anos com risco CV ≥10%, pode ser considerada. A decisão deve ser individualizada com médico.

Aspirina e ibuprofeno podem ser tomados juntos?+

Há interação importante entre ibuprofeno (e outros AINEs) e aspirina de baixa dose (antiagregante). Ibuprofeno compete pelo sítio ativo Ser530 da COX-1 de forma reversível — se tomado ANTES ou simultaneamente com aspirina, pode bloquear o acesso da aspirina ao sítio e impedir a acetilação irreversível. Isso reduziria o efeito antiagregante da aspirina. Para minimizar esta interação: tomar aspirina pelo menos 30 minutos ANTES do ibuprofeno (para garantir que a aspirina já acetilou a COX-1), ou usar aspirina de liberação imediata (não entérica). Naproxeno tem menos chance de interagir que ibuprofeno por ter cinética de ligação diferente. Diclofenaco e meloxicam têm menos esta interação. Importante: se você precisa de AINE regularmente para dor crônica E toma aspirina para o coração, discuta com o médico — pode ser necessário avaliar COXib com menor interação ou mudar a estratégia.

Referências Científicas

  1. Antithrombotic Trialists Collaboration. Collaborative meta-analysis of randomised trials of antiplatelet therapy for prevention of death, myocardial infarction, and stroke in high risk patients. BMJ, 2002.
  2. Wallentin L, Becker RC, Budaj A, et al. (PLATO trial) Ticagrelor versus clopidogrel in patients with acute coronary syndromes (PLATO). N Engl J Med, 2009.
  3. McNeil JJ, Wolfe R, Woods RL, et al. (ASPREE trial) Effect of aspirin on cardiovascular events and bleeding in the healthy elderly (ASPREE). N Engl J Med, 2018.
  4. Wiviott SD, Braunwald E, McCabe CH, et al. (TRITON-TIMI 38) Prasugrel versus clopidogrel in patients with acute coronary syndromes (TRITON-TIMI 38). N Engl J Med, 2007.
  5. Bhatt DL, Stone GW, Mahaffey KW, et al. (CHAMPION PHOENIX) Effect of platelet inhibition with cangrelor during PCI on ischemic events (CHAMPION PHOENIX). N Engl J Med, 2013.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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