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← Blog·peptideos21 de junho de 2026· 14 min de leitura

Antivirais: oseltamivir (influenza), aciclovir/valaciclovir (herpes), tenofovir/emtricitabina (HIV/HBV) — mecanismos e indicações

Antivirais sistêmicos: oseltamivir inibe neuraminidase influenza; aciclovir/valaciclovir inibem DNA polimerase do herpes após fosforilação pela timidina quinase viral; tenofovir/emtricitabina/lamivudina são NRTIs que inibem transcriptase reversa do HIV e HBV. Baloxavir, letermovir, sofosbuvir também abordados.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Antivirais para influenza: oseltamivir, zanamivir e baloxavir

Influenza — vírus RNA de fita simples negativa, família Orthomyxoviridae; tipos A (H1N1, H3N2 — pandêmicos) e B (influenza B/Victoria, B/Yamagata)

Ciclo replicativo do influenza e alvos dos antivirais:

  1. Hemaglutinina (HA) — proteína de superfície; liga ao ácido siálico de células respiratórias; fusão de membranas
  2. Replicação intracelular → novos vírus montados
  3. Neuraminidase (NA) — cliva o ácido siálico → libera novos vírions da superfície celular para infectar novas células; SEM neuraminidase: vírus ficam presos, não se disseminam

Oseltamivir (Tamiflu® — Roche/Genentech):

  • Pró-fármaco (éster etílico) → convertido a oseltamivir carboxilato (ativo) pelo fígado → inibidor competitivo e reversível da neuraminidase de influenza A e B
  • 75 mg q12h × 5 dias (tratamento); 75 mg/dia (profilaxia); ajuste renal (ClCr < 30: 30 mg q12h); disponível em xarope para crianças
  • Eficácia: reduz duração dos sintomas em ~1 dia (vs 7 dias para placebo → 6 dias) se iniciado dentro de 48h; reduz complicações (pneumonia, hospitalização) em estudos observacionais; RCTs: benefício modesto em pacientes saudáveis mas mais claro em alto risco (>65 anos, grávidas, imunossuprimidos, DM, DPOC)
  • Resistência: H275Y na NA → resistência de alto nível (H1N1 sazonal 2008 quase 100% resistente; H1N1 pandêmico 2009 < 1% resistente; monitorar por season)
  • Indicações fortes: gripe confirmada com início < 48h, grau moderado-grave ou fator de risco; profilaxia pós-contato (75 mg/dia × 10 dias) em contatos de casos confirmados com fatores de risco

Zanamivir (Relenza® — GSK):

  • Inibidor de neuraminidase inalado (pó seco); minimamente absorvido → concentra-se no trato respiratório; 2 inalações 5 mg q12h × 5 dias
  • Alternativa para oseltamivir-resistente (H1N1/H275Y geralmente mantém sensibilidade ao zanamivir)
  • IV disponível (zanamivir parenteral) para influenza grave hospitalar
  • Contraindicado em DPOC grave (broncoespasmo)

Peramivir (Rapivab® — BioCryst):

  • IV dose única 600 mg (1 infusão) — conveniente para influenza grave hospitalar; 30 min infusão

Baloxavir marboxil (Xofluza® — Roche/Shionogi):

  • Mecanismo diferente: inibidor de cap-snatching (atividade de endonuclease PA subunit do complexo de polimerase viral, RdRp) → sem síntese de RNAm viral → replicação bloqueada
  • Dose única oral 40 mg (<80 kg) ou 80 mg (≥80 kg) → mais conveniente; reduz duração similar ao oseltamivir mas viremia cai mais rápido
  • Resistência I38T na PA → emergência em ~3% em adultos tratados, mais em crianças; resistência cruzada com outros PA-inhibidores
  • Importante: NÃO combinar com antiácidos polivalentes (Mg²⁺, Al³⁺, Ca²⁺ = quelam baloxavir → reduzem absorção)

Amantadina e rimantadina (adamantanos):

  • Antigos antivirais para Influenza A somente; bloqueiam canal de prótons M2
  • Resistência generalizada (>99% H3N2 e H1N1): NÃO recomendados para influenza (CDC 2011)
  • Amantadina ainda tem uso para Parkinson (mecanismo anticolinérgico e dopaminérgico)

Aciclovir, valaciclovir e antivirais para herpes: mecanismo de ativação e uso clínico

Herpesvírus humanos e seus antivirais:

  • HSV-1, HSV-2 (herpes simples): aciclovir, valaciclovir, famciclovir
  • VZV (varicela-zoster): aciclovir, valaciclovir, famciclovir
  • CMV (citomegalovírus): ganciclovir, valganciclovir, foscarnet, cidofovir, letermovir (profilaxia em transplante)
  • EBV (Epstein-Barr): aciclovir tem baixa eficácia; sem tratamento específico aprovado para mononucleose

Mecanismo do aciclovir (Zovirax® — GSK):

  1. Fosforilação pela timidina quinase (TK) viral → aciclovir monofostato (aciclovir-MP); a TK viral faz isso 3000x mais eficientemente que a TK humana → SELETIVIDADE: apenas células infectadas por herpesvírus ativam o pró-fármaco
  2. Quinases celulares → aciclovir-DP → aciclovir-TP (trifosfato — forma ativa)
  3. Inibição competitiva da DNA polimerase viral (aciclovir-TP vs dGTP natural) → incorporação no DNA viral → terminação da cadeia (aciclovir carece de OH 3' → sem elongação adicional) → bloqueio da replicação viral
  • Resistência: mutação ou deleção da TK viral → vírus incapaz de ativar aciclovir; mais comum em imunossuprimidos (HSV resistente → tratar com foscarnet ou cidofovir que não precisam de TK para ativação)

Aciclovir IV/oral: oral absorção ~15-20%; IV para formas graves

  • HSV encefalite: 10 mg/kg IV q8h × 14-21 dias (emergência — iniciar empiricamente antes de confirmação por PCR no LCR; mortalidade sem tratamento > 70%)
  • Herpes neonatal: 20 mg/kg IV q8h × 14-21 dias (doença disseminada/SNC)
  • VZV em imunossuprimido: 10-12 mg/kg IV q8h × 7-10 dias
  • Herpes genital 1º episódio: aciclovir 400 mg 3x/dia × 7-10 dias ou valaciclovir 1g 2x/dia × 7-10 dias

Valaciclovir (Valtrex® — GSK / Zelitrex®):

  • Pró-fármaco L-valina éster do aciclovir → absorção oral ~55% (vs 15-20% do aciclovir) → altos níveis plasmáticos com dosagem menos frequente → preferido para uso oral
  • Herpes genital recorrente: 500 mg 2x/dia × 3-5 dias; terapia supressiva (para reduzir recorrências e transmissão): 500 mg/dia ou 1g/dia (se >9 recorrências/ano) indefinidamente
  • Herpes labial (cold sore): 2g q12h × 1 dia (2 doses) — dose alta curta; valaciclovir topicamente não tem utilidade; aciclovir tópico: muito pouco eficaz
  • Herpes-zóster (cobreiro): valaciclovir 1g 3x/dia × 7 dias ou aciclovir 800 mg 5x/dia × 7 dias — reduz duração e a neuralgia pós-herpética se iniciado < 72h do exantema; idealmente < 24h
  • Profilaxia de CMV pós-transplante: valganciclovir ou valaciclovir em altas doses (2g 4x/dia) para transplante renal soronegativo com doador CMV+

Famciclovir (Famvir® — Novartis):

  • Pró-fármaco de penciclovir; mecanismo similar; maior biodisponibilidade oral que aciclovir; alternativa para herpes-zóster e herpes genital

Ganciclovir e valganciclovir — CMV:

  • Ganciclovir IV: análogo de guanosina; ativado pela fosfotransferase UL97 do CMV (não TK como herpes simples) + quinases celulares → inibe DNA polimerase UL54 do CMV
  • Valganciclovir (Valcyte® — Roche): pró-fármaco oral de ganciclovir; absorção ~60%; 900 mg 2x/dia (tratamento), 900 mg/dia (profilaxia)
  • Indicações: retinite por CMV em AIDS, doença por CMV em transplantados, profilaxia em transplantados de órgão sólido e CTMO CMV+/receptor
  • Mielotoxicidade: neutropenia dose-limitante (ganciclovir > valganciclovir > foscarnet) — monitore CBC semanal
  • Resistência: UL97 mutation (perde fosforilação de ganciclovir) → usar foscarnet; UL54 mutation (dupla resistência ganciclovir + foscarnet) → cidofovir

Foscarnet (Foscavir® — AstraZeneca):

  • Análogo pirofosfato; NÃO precisa de ativação por TK ou quinase viral → ativo em HSV/VZV TK-resistentes, CMV resistentes ao ganciclovir
  • Inibe diretamente DNA polimerase viral (sítio pirofosfato)
  • Altamente nefrotóxico + hipocalcemia, hipomagnesemia, hipofosfatemia (sequestro de cátions por quelação) → hidratação vigorosa obrigatória

Letermovir (Prevymis® — Merck):

  • Mecanismo único: inibe o complexo terminase do CMV (UL56/UL51/UL89) — NÃO é análogo de nucleosídeo; sem resistência cruzada com ganciclovir ou foscarnet
  • Profilaxia de reativação de CMV em transplantados de CTMO soropositivos: 480 mg/dia oral ou IV × 100 dias — Trial PREVAIL: 38% vs 61% de infecção clinicamente significante por CMV (letermovir vs placebo)
  • Sem mielotoxicidade (vantagem sobre valganciclovir em CTMO com aplasia)

Cidofovir (Vistide®):

  • Análogo de citidina; monofosforilado celularmente (sem necessidade de kinase viral) → ativo em CMV resistente, adenovírus, BK vírus (em transplantados renais), HSV/VZV resistentes; nefrotóxico (pré-hidratação + probenecida obrigatórios)

Tenofovir, emtricitabina e lamivudina: NRTIs para HIV e hepatite B

NRTIs (Nucleoside/Nucleotide Reverse Transcriptase Inhibitors) — a espinha dorsal da terapia do HIV e hepatite B:

Mecanismo geral dos NRTIs:

  1. Pró-fármaco nucleosídeo/nucleotídeo → fosforilado por quinases celulares → trifosfato ativo
  2. O trifosfato é incorporado na cadeia nascente de DNA viral pela transcriptase reversa (HIV) ou DNA polimerase do HBV
  3. Falta o grupo 3'-OH (para os NRTIs clássicos) → terminação de cadeia (chain terminator)
  4. A transcriptase reversa tem ~4x maior sensibilidade aos NRTIs que a DNA polimerase humana → alguma seletividade (imperfeita — daí a toxicidade mitocondrial)

Toxicidade mitocondrial dos NRTIs:

  • DNA polimerase γ mitocondrial pode ser inibida por NRTIs (principalmente os mais antigos: zalcitabina, ddI, d4T) → disfunção mitocondrial → acidose lática, esteatose hepática, lipodistrofia, neuropatia periférica
  • NRTIs modernos (tenofovir, abacavir, emtricitabina, lamivudina) têm muito menos toxicidade mitocondrial

Tenofovir (TDF = Tenofovir Disoproxil Fumarate; TAF = Tenofovir Alafenamide):

  • TDF (Viread® — Gilead): nucleotídeo (já monofosforilado como tenofovir); pró-fármaco → ativo nas células; excelente potência; excreção renal → nefrotóxico (tubulopatia proximal tipo síndrome de Fanconi com uso prolongado) + perda de densidade mineral óssea
  • TAF (tenofovir alafenamide — presente no Descovy®, Biktarvy®, Genvoya®): pró-fármaco intracelu lar melhorado → 90% menos exposição plasmática → mesma eficácia antiviral com muito menos nefrotoxicidade e menos perda óssea; PREFERIDO sobre TDF nas formulações modernas
  • Atividade: HIV (NRTIs backbone em todos os esquemas modernos) + HBV (TDF/TAF são 1ª linha para hepatite B crônica — com emtricitabina ou lamivudina em co-infecção; como monoterapia: TDF 300 mg/dia para HBV monoinfectado)
  • PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV): TDF + emtricitabina (Truvada® — diário) ou TAF + emtricitabina (Descovy® — diário) = eficácia >90% em reduzir infecção pelo HIV em populações de alto risco (HSH, casais sorodiscordantes, UDI) se uso diário; também PrEP 2-1-1 (evento-driven/PrEP 2x1x1 para HSH: 2 comp 2-24h antes + 1 comp 24h + 1 comp 48h após

Emtricitabina (FTC — Emtriva® — Gilead):

  • Análogo de citidina; meia-vida intracelular longa (~39h); bem tolerada; coadministrada com tenofovir (sinérgicos e complementares em resistência)
  • Atividade: HIV + HBV; presente em Truvada® (FTC+TDF), Descovy® (FTC+TAF), Biktarvy® (FTC+TAF+bictegravir), Triumeq® (FTC+TDF+dolutegravir variant); resistência M184V → reduz 4x a potência; mas M184V aumenta sensibilidade a AZT e TDF → pode ser mantida estrategicamente

Lamivudina (3TC — Epivir® — ViiV/GSK):

  • Análogo de citidina; a mais antiga do grupo ainda muito usada; bem tolerada, barata; ativa para HIV + HBV
  • Hepatite B crônica (HBV): lamivudina 100 mg/dia era padrão mas resistência YMDD em 70% após 4-5 anos (mutação M204I/V) → TDF ou entecavir são preferidos por maior barreira à resistência
  • HBV em co-infecção HIV/HBV: TDF + FTC (ou TDF + 3TC) cobrem ambos os vírus como backbone do esquema HAART

Entecavir (Baraclude® — BMS):

  • Análogo de guanosina; triplamente fosforilado → inibe iniciação da replicação HBV (DNA pol, transcriptase reversa e DNA-pol de 1ª fita); alta barreira à resistência (<1%/ano em naive); 0.5 mg/dia (naive), 1 mg/dia (refratário a lamivudina)
  • HBV monoinfectado sem HIV: entecavir ou TDF = 1ª linha (AASLD/EASL guidelines)

Abacavir (ABC — Ziagen® — ViiV):

  • Análogo de guanosina; alta potência; presente em formulações de 1 comprimido/dia (Epzicom® = ABC+3TC; Triumeq® = ABC+3TC+dolutegravir)
  • HIPERSENSIBILIDADE A ABACAVIR: reação multiorgânica grave (febre, erupção, GI, mal-estar) em ~5-8% dos portadores do alelo HLA-B*5701 (teste obrigatório antes de prescrever abacavir — farmacogenômica); portadores de HLA-B*5701 NÃO devem receber abacavir; prevalência HLA-B*5701: ~8% em caucasianos, 3% em afrodescendentes, 1% em asiáticos

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Perguntas frequentes sobre antivirais

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Preciso tomar oseltamivir para gripe? Serve para qualquer gripe?+

Oseltamivir beneficia principalmente grupos de risco e casos moderados a graves, não toda gripe. Para adultos saudáveis com gripe não-complicada, o benefício é modesto (redução de ~1 dia de sintomas) — a decisão de tratar é razoável mas não mandatória se os sintomas são leves e o paciente está bem. Oseltamivir deve ser prescrito preferencialmente para: (1) Gripe confirmada ou suspeita em pacientes hospitalizados; (2) Qualquer gripe em grupos de risco: >65 anos, grávidas, <5 anos especialmente <2 anos, IMC ≥40, doença pulmonar crônica (DPOC, asma), cardiopatia, DM, imunossuprimidos, doença renal/hepática crônica; (3) Início dentro de 48h dos sintomas (após isso, benefício muito reduzido, exceto casos graves hospitalizados onde pode ajudar mesmo com mais de 48h); (4) Doença grave (pneumonia). Não tem utilidade para resfriado comum (rinovírus, coronavírus sazonais) — é específico para influenza A e B. Teste rápido para influenza ajuda a guiar a decisão. Para gripe em contexto pandêmico ou com circulação de cepa virulenta (H5N1 aviar), tratar todos os casos.

Aciclovir pode curar o herpes para sempre?+

Não — aciclovir, valaciclovir e todos os antivirais para herpes suprimem a replicação viral mas NÃO eliminam o vírus latente nos gânglios nervosos (trigêmeo para HSV-1, sacral para HSV-2). O HSV persiste em latência por toda a vida nos neurônios sensitivos e pode reativar periodicamente. O que os antivirais fazem: (1) Encurtam e reduzem os sintomas de um episódio ativo; (2) Reduzem a frequência de reativações (terapia supressiva diária com valaciclovir 500 mg/dia reduz recorrências em 70-80% e reduz transmissão ao parceiro em ~50%); (3) Reduzem (mas não eliminam) o derramamento viral assintomático. A cura total do herpes ainda não existe — pesquisas com edição genômica (CRISPR-Cas9 para excisão do DNA viral latente nos neurônios), vacinas terapêuticas e anticorpos monoclonais estão em desenvolvimento mas ainda em fases iniciais. Manejar o herpes hoje: terapia supressiva contínua, comunicar ao parceiro, evitar contato sexual durante lesões ativas, uso de preservativo (reduz mas não elimina o risco de transmissão).

TDF versus TAF: qual é melhor para HIV ou hepatite B?+

TAF (tenofovir alafenamide) é geralmente preferido ao TDF (tenofovir disoproxil fumarate) nas formulações mais modernas por perfil de segurança superior. A diferença principal está na farmacocinética: TDF tem altos níveis plasmáticos (potencial de nefrotoxicidade — tubulopatia proximal, síndrome de Fanconi em uso prolongado, disfunção renal em predispostos) e perda de densidade óssea. TAF é um pró-fármaco intracelu lar melhorado: penetra bem nas células-alvo e libera tenofovir concentrado intracelularmente, com 90% menos exposição plasmática, mesma eficácia antiviral (virológica) demonstrada em trials de não-inferioridade. Resultado: TAF → menos proteinúria, menos disfunção tubular proximal, menos perda de DMO. Para HIV: TAF está presente em Biktarvy®, Genvoya®, Descovy® e é o preferido especialmente em pacientes com DRC (ClCr 15-29 mL/min ainda pode usar TAF mas não TDF) ou com baixa DMO/osteoporose. Para HBV: TAF 25 mg/dia aprovado para HBV crônica com DRC; TDF 300 mg/dia para HBV em pacientes sem DRC. Para PrEP: Descovy (TAF+FTC) aprovado para PrEP em HSH/transgênero mulher (não para mulheres cisgênero — dados insuficientes de eficácia vaginal).

Valaciclovir diário pode prevenir transmissão do herpes ao parceiro?+

Sim, parcialmente — e este é um uso evidenciado em estudos clínicos. O trial NEJM 2004 (Corey et al.) randomizou 1484 casais sorodiscordantes (um parceiro com herpes genital): valaciclovir 500 mg/dia pelo parceiro positivo vs placebo × 8 meses. Resultado: redução de 48% na transmissão do HSV-2 ao parceiro negativo; redução de 75% nas seroconversões com doença sintomática. Também reduziu em 77% o derramamento viral assintomático (shed assintomático medido por PCR). O mecanismo: supressão da replicação ativa e do shed assintomático. Porém, NÃO elimina o risco completamente — ~2% dos parceiros ainda foram infectados no grupo do valaciclovir (vs ~4% no placebo). Estratégia combinada mais eficaz: valaciclovir diário + preservativo nos contatos sexuais + informar ao parceiro sobre status. O preservativo reduz transmissão HSV-2 em ~30% isoladamente; combinado com valaciclovir a proteção é maior que qualquer método isolado. Ainda não há vacina aprovada para herpes genital.

Referências Científicas

  1. Jefferson T, Jones MA, Doshi P, et al. (Cochrane review) Oseltamivir for influenza in adults and children: systematic review of clinical study reports and summary of regulatory comments. BMJ, 2014.
  2. Corey L, Wald A, Patel R, et al. Once-daily valacyclovir to reduce the risk of transmission of genital herpes (NEJM landmark trial, HSV-2 sorodiscordant couples). N Engl J Med, 2004.
  3. Grant RM, Lama JR, Anderson PL, et al. (iPrEx study) Preexposure chemoprophylaxis for HIV prevention in men who have sex with men (TDF+FTC PrEP). N Engl J Med, 2010.
  4. Marcellin P, Heathcote EJ, Buti M, et al. (HBV tenofovir trial) Tenofovir disoproxil fumarate versus adefovir dipivoxil for chronic hepatitis B. N Engl J Med, 2008.
  5. Whitley RJ, Gnann JW. Herpes simplex encephalitis: an update (acyclovir treatment review). Curr Infect Dis Rep, 2002.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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