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← Blog·peptideos21 de junho de 2026· 12 min de leitura

Agentes alquilantes: ciclofosfamida, ifosfamida e platinas (cisplatina, carboplatina, oxaliplatina) — alquilação de DNA, toxicidade e resistência

Agentes alquilantes são a classe mais antiga de quimioterápicos — formam adutos covalentes com DNA (alquilação, cross-links), bloqueando replicação. Ciclofosfamida (pró-fármaco hepático), ifosfamida (urotóxica/mesna), cisplatina (nefrotóxica), carboplatina (hematotóxica), oxaliplatina (neuropatia ao frio). Mecanismos de resistência e regimes.

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Mecanismo de alquilação do DNA e classes de agentes alquilantes

Alquilação do DNA — mecanismo central:

  • Agentes alquilantes formam carbocátions altamente reativos (eletrófilos) → atacam nucleofilicamente os átomos de nitrogênio e oxigênio do DNA
  • N7 da guanina = sítio mais susceptível (60-70% das alquilações) → por ser nucleofílico e acessível
  • Adutos monofuncionais: uma cadeia do DNA alquilada → distorção da hélice
  • Cross-links intrafita (intrastrand): dois sítios na mesma fita alquilados → curvaturas no DNA → bloqueio de replicação/transcrição (principal mecanismo das platinas: ~90% intrastrand; Pt-d(GpG) e Pt-d(ApG))
  • Cross-links interfitas (interstrand): fitas opostas alquiladas → impossível abrir o DNA → letal (mais letal que intrastrand) → principais nos alquilantes bifuncionais clássicos (nitrosureias, melfalano)

Atividade de fase do ciclo: agentes alquilantes são inespecíficos para fase do ciclo (mas G1/S mais sensível por precisar de DNA íntegro para replicação); efeitos sobre DNA são cumulativos

Classes de agentes alquilantes:

  1. Mostardas nitrogenadas: ciclofosfamida, ifosfamida, melfalam, clorambucil, bendamustina
  2. Etileniminas/aziridinas: tiotepa, altretamina
  3. Sulfonatos de alquila: busulfam
  4. Nitrosureias: carmustina (BCNU), lomustina (CCNU), estreptozocina — lipossolúveis, cruzam BHE
  5. Triazinas/imidazotetrazinas: dacarbazina, temozolomida — metilantes
  6. Platinas (tecnicamente não alquilam, mas formam adutos de platina ao DNA): cisplatina, carboplatina, oxaliplatina, nedaplatina

Mecanismos de resistência aos alquilantes:

  • Aumento de reparo de DNA: NER (Nucleotide Excision Repair) aumentado → remove adutos de platina; MMR (Mismatch Repair) — paradoxalmente, se deficiente em células tumorais, podem ser resistentes a platinas (não reconhecem o dano e não ativam apoptose) → MSI-H tumores podem ter resistência a oxaliplatina
  • Inativação da droga: glutationa e metalotioneínas inativam cisplatina e alquilantes; superexpressão de GST (glutationa S-transferase)
  • Redução de influxo: cisplatina entra pelas porinas de cobre (CTR1) — downregulação de CTR1 → resistência
  • Aumento de efluxo: MRP2 e outras bombas ABC exportam platinas
  • Perda de apoptose: mutação p53, upregulação de Bcl-2 → células não morrem mesmo com DNA danificado

Ciclofosfamida e ifosfamida: pró-fármacos hepáticos e urotoxicidade

Ciclofosfamida (Cytoxan® / Endoxan® — Bristol-Myers Squibb / Baxter):

  • Pró-fármaco inativo → ativação hepática obrigatória:

1. CYP2B6 e CYP3A4 oxidam a ciclofosfamida → 4-hidroxiciclofosfamida ⇌ aldofosfamida 2. Aldofosfamida → fosforamida mostarda (alquilante ativo) + acroleína (metabólito tóxico responsável pela urotoxicidade)

  • Fosforamida mostarda: bifuncional → cross-links interfitas no DNA das células tumorais
  • Acroleína: irritante do epitélio urotélial → cistite hemorrágica (disúria, hematúria, raramente hemorragia maciça); sem efeito antitumoral
  • Prevenção da urotoxicidade:

- Mesna (mercapto-etanosulfonato de sódio): excretado pelos rins → no trato urinário reage com a acroleína → thioéter inativo → sem cistite; dosar mesna 20% da dose de ifosfamida antes, 4h e 8h depois; essencial para ifosfamida (sempre), ciclofosfamida alta dose (HDCT) - Hiperhidratação (3 L/m²/dia) dilui a acroleína urinária - Micção frequente

  • Vias de administração: IV (solução) ou oral (comprimidos); oral usado em doenças autoimunes (artrite reumatoide grave, granulomatose com poliangeíte, LES com nefrite classe III/IV — pulsos IV ou oral)
  • Metabolismo: hepatite grave ou interações CYP → alterar resposta
  • Efeitos adversos:

- Mielossupressão (neutropenia — nadir dia 10-14) — dose-limitante - Cistite hemorrágica (sem mesna/hidratação) - Náusea/vômito (antieméticos essenciais) - Alopecia - SIADH (síndrome da secreção inapropriada de ADH) com doses altas — hiponatremia - Gonadotoxicidade: azoospermia/falência ovariana prematura (dose-dependente → preservação de fertilidade antes de iniciar em jovens) - Pneumonite e fibrose pulmonar (raro, mais em combinação com RT torácica) - Leucemia secundária (t-LMA — 2-3% em sobreviventes de longo prazo com altas doses)

  • Indicações: mama (AC, CMF, CEF — adjuvante e neoadjuvante), LNH (R-CHOP), linfoma de Hodgkin (BEACOPP), LMA (protocolos de condicionamento), LLC (FC), LES e vasculites (doenças autoimunes), condicionamento pré-CTMO (Cy + TBI = mieloablativo), neuroblastoma, sarcomas

Ifosfamida (Ifex® — MedImmune/AstraZeneca):

  • Isômero da ciclofosfamida; ativação hepática similar (CYP3A4 e CYP2B6) → isofosforamida mostarda + acroleína + cloroacetilaldeído
  • Cloroacetilaldeído: metabólito neurotóxico → encefalopatia por ifosfamida (confusão, alucinações, psicose, coma em 5-30% em doses altas) → suspender se ocorrer; azul de metileno IV (inibe mitocôndrial electron transport → reduz formação de cloroacetilaldeído) como antídoto
  • Mesna SEMPRE obrigatória com ifosfamida (mais nefrotóxico e urotóxico que ciclofosfamida)
  • Nefrotoxicidade tubular direta (glomeruloesclerose + tubulopatia proximal tipo Fanconi com perda de fosfato, glicose, amino ácidos)
  • Indicações: sarcomas de tecidos moles e ósseos (ifosfamida + doxorrubicina — AD; ou ifosfamida + etoposídeo — IE), germinativo (BEP é padrão, mas VeIP/TIP com ifosfamida em 2ª linha), CPNPC, câncer de colo de útero

Busulfam: alquilsulfonato; muito mielossupressor → condicionamento pré-CTMO (Cy+Bu ou Bu+Flu); convulsões (profilaxia com fenitoína ou levetiracetam obrigatória); monitoramento de nível sérico

Temozolomida (Temodar® / genérico):

  • Agente metilante oral; atravessa BHE; ativa em pH fisiológico → MTIC → metila N7-guanina e O6-guanina; O6-guanina → G-T mismatch → morte celular (via MMR)
  • Glioblastoma multiforme (GBM): temozolomida + RT (protocolo Stupp 2005 — EORTC) → OS 14.6 vs 12.1 meses; manutenção 6 ciclos → padrão; eficácia correlacionada com metilação de MGMT (O6-metilguanina-DNA metiltransferase — enzima que repara o dano da temozolomida; promotor metilado = silenciamento de MGMT = menos reparo = mais sensibilidade → OS 21.7 vs 12.7 meses com temozolomida em MGMT-metilado vs não-metilado)
  • Astrocitoma, oligodendroglioma: temozolomida ± RT
  • Melanoma avançado: ativo mas inferior a imunoterapia/TKIs modernos

Platinas: cisplatina, carboplatina e oxaliplatina — mecanismo, toxicidades e indicações

Compostos de Platina — ligam-se ao DNA de forma diferente dos alquilantes clássicos:

  • Pt²⁺ forma adutos covalentes com N7 de guanina (e adenina) → intrastrand cross-links (1,2-d(GpG), 1,2-d(ApG), 1,3-d(GpXpG)) e interstrand cross-links → distorção da hélice → bloqueio de replicação/transcrição → apoptose
  • Reconhecimento dos adutos por HMG-box proteins (HMGB1) e sistema NER → início da apoptose via p53

Cisplatina (CDDP — Platinol® — BMS / genérico):

  • Primeira platina (descoberta 1969 por Barnett Rosenberg por acidente — eletrólise com eletrodos de platina matava bactérias em campo elétrico)
  • Nefrotóxica — toxicidade dose-limitante principal:

- Dano tubular proximal (célula S3 no túbulo proximal proximal) por acúmulo de platina → necrose tubular → IRA não-olígúrica; pode ser cumulativa e permanente - Prevenção (protocolo de hidratação): SF 0.9% 1-2 L antes da cisplatina; salina contínua 250 mL/h durante + após; manitol 20% (para forçar diurese); monitorar creatinina antes de cada ciclo — não administrar se Cr > 1.5 mg/dL ou eGFR < 60 (ajuste de dose)

  • Ototóxica: perda auditiva de altas frequências, tinnitus; mais em crianças (monitorar audiometria); acúmulo de Pt no estria vascular da cóclea → dano permanente
  • Êmese grave (altamente emetogênico — emetogenicidade grau 5): ondansetrona + dexametasona + aprepitante + lorazepam obrigatórios
  • Neuropatia periférica: sensorial, dose-cumulativa; pode ser permanente (síndrome de platina tardia)
  • Hipomagnesemia e hipocalemia: cisplatina aumenta excreção tubular renal de Mg²⁺ e K⁺ → suplementação
  • Indicações: testicular (BEP = bleomicina + etoposídeo + cisplatina — taxa de cura >90% em germinativo metastático; um dos maiores triunfos da oncologia), CPNPC (cisplatina/carboplatina + taxano ou pemetrexede), ovário (carboplatina + paclitaxel padrão, mas cisplatina historicamente), bexiga (GC = gemcitabina + cisplatina — 1ª linha urothelial metastático), esôfago/gástrico (DCF, EOX, FLOT), cabeça e pescoço (cisplatina + RT = padrão para cabeça/pescoço), colo de útero (cisplatina + RT = padrão), medulo blástoma (protocolo crianças)

Carboplatina (Paraplatin® / genérico):

  • Modificação estrutural: grupo diacarbóxilato mais estável → hidrolisa mais lentamente → reactividade menor → menos nefrotóxica, menos ototóxica, menos emetogênica que cisplatina → perfil de toxicidade mais favorável
  • Mielossupressão = toxicidade dose-limitante (vs nefrotoxicidade da cisplatina): trombocitopenia especialmente (nadir dia 14-21); neutropenia
  • Dosagem por AUC (Calvert formula): Dose (mg) = AUC × (GFR + 25); AUC alvo 5-6 para primeira linha, 4-5 para combinação com mielossupressores; ajuste automático para função renal → mais previsível que mg/m²
  • Indicações: ovário (carboplatina + paclitaxel = PADRÃO 1ª linha — ICON3, AGO-OVAR 3; equivalente em OS a cisplatina+paclitaxel com menos toxicidade); CPNPC (carboplatina + taxano + pembrolizumabe ou bevacizumabe); cabeça e pescoço (carboplatina + cetuximabe quando cisplatina contraindicada); germinativo (carboplatina é inferior a cisplatina para germinativo — usar cisplatina quando possível); mama (triplo negativo — carboplatina + paclitaxel semanal ↑ pCR)

Oxaliplatina (Eloxatin® — Sanofi/genérico):

  • Diaminociclohexano (DACH) platina; forma adutos de Pt com grupos DACH ligados → não reconhecidos pelos mesmos MMR e HMG-box que reconhecem cisplatina-adutos → sem resistência cruzada com cisplatina!
  • Neuropatia periférica em 2 tipos: (1) Aguda (reversível): durante ou logo após infusão → disestesias ao frio (toque de superfícies frias, liquidos frios → parestesias, espasmos musculares); mecanismo = inibição de canais Nav por oxaliplatina → usar luvas no inverno, não beber bebidas geladas; (2) Crônica (dose-cumulativa): neuropatia sensorial dose-limitante similar ao paclitaxel; nadir após 8-12 ciclos; dose acumulada > 780-850 mg/m² → alta frequência de neuropatia grau 3
  • Sem nefrotoxicidade significativa; moderada êmese; mielosupressão moderada
  • Indicações: câncer colorretal (FOLFOX = leucovorina + 5-FU + oxaliplatina → 1ª linha metastático; FLOX: adjuvante estágio III — mosca 58% → 66% sobrevida em 3 anos vs 5-FU); gástrico (FOLFOX ou FLOT — FLOT superior em gástrico ressecável: pCR 16% vs 6%); pâncreas (FOLFIRINOX: oxaliplatina + irinotecano + leucovorina + 5-FU → 1ª linha pâncreas metastático em PS bom)

Resistência às platinas — problema clínico crítico:

  • MMR (mismatch repair) deficiência: paradoxalmente, MSI-H tumores podem ser resistentes a platinas (tolerate Pt-adducts without triggering apoptosis via MMR) → mas muito sensíveis a pembrolizumabe (checkpoint inhibitor)
  • BRCA1/2 mutações: aumentam sensibilidade a platinas (BRCA participam do reparo HR de quebras de fita dupla → BRCA-mutados não conseguem reparar o dano da platina → mais sensíveis); base do uso de olaparibe (PARP-i) em tumores BRCA+: PARP-i + platina = letal sintético
  • Excisão de adutos via NER aumentada: ERCC1 alto → mais reparo → resistência (testicular câncer tem ERCC1 baixo → sensível a cisplatina → 90% de cura)
  • Resistência a cisplatina NÃO confere resistência a oxaliplatina (grupos DACH diferentes)

Perguntas frequentes sobre agentes alquilantes e platinas

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Por que a cisplatina precisa de tanta hidratação intravenosa antes e depois?+

A hidratação intensiva com soro fisiológico é essencial para prevenir a nefrotoxicidade da cisplatina — a complicação mais séria e potencialmente irreversível. A cisplatina é filtrada pelos glomérulos e concentrada no filtrado urinário conforme a água é reabsorvida no túbulo proximal. As células da alça de Henle e especialmente as células S3 do segmento 3 do túbulo proximal acumulam cisplatina → necrose tubular aguda → IRA. Hidratação com SF 0.9% (não SG5%, que não dilui suficientemente os íons de platina) aumenta o volume urinário e dilui a concentração de cisplatina no túbulo → menos acúmulo → menos dano. O volume típico: 1-2 L de SF antes da cisplatina (1h), infusão com 250 mL/h durante, e mais 1-2 L após. Manitol 20% pode ser adicionado para forçar diurese osmótica adicional. Monitorar débito urinário (>100 mL/h durante o tratamento). Sinais de preocupação: creatinina sobe >25% → adiar próximo ciclo; persistir elevada → troca para carboplatina. Em pacientes que precisam de múltiplos ciclos, a nefrotoxicidade pode ser cumulativa — monitorar creatinina seriada e eGFR.

Ciclofosfamida oral pode ser usada para lúpus e artrite reumatoide?+

Sim — ciclofosfamida tem indicação estabelecida em doenças autoimunes graves: (1) Lúpus eritematoso sistêmico (LES) com nefrite lúpica proliferativa (classes III/IV) grave ou resistente: pulsos IV mensais (750-1000 mg/m² q4 semanas × 6 meses = protocolo NIH de Austin) ou protocolo Euro-Lupus (baixas doses 500 mg q2 semanas × 6 pulsos) — seguido por micofenolato ou azatioprina como manutenção; (2) Vasculites ANCA (granulomatose com poliangeíte de Wegener, PAM): ciclofosfamida IV ou oral induz remissão em 90%+; rituximabe é alternativa equivalente sem as sequelas da ciclofosfamida; (3) Artrite reumatoide grave refratária: raramente hoje com biológicos disponíveis, mas históricamente usado; (4) Pneumonite intersticial por esclerose sistêmica: ciclofosfamida IV ou oral (SLS I trial: DLCO e TLC melhores vs placebo); (5) Síndrome nefrótica resistente em crianças: ciclofosfamida oral 2 mg/kg/dia × 8-12 semanas. O uso em autoimune usa doses menores e mais curtas que em oncologia → menos gonadotoxicidade mas ainda presente → preservação de fertilidade (espermatozoides ou óvulos congelados) antes em pacientes jovens.

FOLFIRINOX para câncer de pâncreas — o que é e para quem serve?+

FOLFIRINOX é um regime de quimioterapia combinado para câncer de pâncreas metastático: FOL = ácido folínico (leucovorina, potencializa 5-FU), F = 5-fluorouracil (5-FU, antimetabólito), IRI = irinotecano (inibidor de topoisomerase I), NOX = oxaliplatina. A combinação de 4 drogas é mais eficaz que gemcitabina isolada, mas mais tóxica. PRODIGE 4/ACCORD 11 (2011): FOLFIRINOX vs gemcitabina em pâncreas metastático com bom performance status → OS 11.1 vs 6.8 meses (hazard ratio 0.57); taxa de resposta 31% vs 9% — revolução para câncer de pâncreas (doença historicamente com OS de apenas 6 meses com gemcitabina). Porém: toxicidade intensa (neutropenia grave 45%, diarreia 13%, neuropatia, fadiga) → somente para pacientes com PS 0-1 (ECOG), boa função hepática e renal, ≤75 anos em geral. FOLFIRINOX modificado (com doses reduzidas de irinotecano e 5-FU bolus retirado) tem perfil de toxicidade melhorado e é amplamente usado. nab-Paclitaxel + gemcitabina (MPACT) é alternativa para PS 2 ou quando FOLFIRINOX não é tolerado. Terapia neoadjuvante com FOLFIRINOX + nab-paclitaxel pode 'converter' alguns casos irresecáveis para ressecção.

A neuropatia ao frio da oxaliplatina é permanente?+

Existem dois tipos de neuropatia da oxaliplatina, com prognósticos diferentes: (1) Neuropatia aguda (ocorre durante ou imediatamente após a infusão — dentro de horas): disestesias e parestesias ao contato com frio, espasmos musculares, disfagia ao engolir alimentos frios; mecanismo = inibição de canais de sódio voltagem-dependentes por oxaliplatina (quelação de Na+) → hiperexcitabilidade nervosa; REVERSÍVEL em dias a semanas após a infusão. É prevenida evitando: bebidas geladas nas 24-48h antes e após o tratamento, luvas no inverno ao tocar superfícies frias, alimentos geladíssimos. (2) Neuropatia crônica (cumulativa, sensorial): similar à neuropatia do paclitaxel; aparece com doses acumuladas > ~780-850 mg/m² (tipicamente após 8-12 ciclos de FOLFOX); parestesias nas extremidades, ataxia; PARCIALMENTE REVERSÍVEL — melhora gradualmente após fim do tratamento mas pode levar 6-18 meses e, em graus severos, deixa sequelas permanentes em ~10-20% dos pacientes. Estratégia 'stop-and-go': após 6 ciclos de FOLFOX (carga de oxaliplatina), manter apenas 5-FU/leucovorina e reintroduzir oxaliplatina se progressão → reduz neuropatia cumulativa com OS equivalente (estudo OPTIMOX1).

Referências Científicas

  1. Conroy T, Desseigne F, Ychou M, et al. (PRODIGE 4/ACCORD 11 — FOLFIRINOX) FOLFIRINOX versus Gemcitabine for Metastatic Pancreatic Cancer. N Engl J Med, 2011.
  2. Ozols RF, Bundy BN, Greer BE, et al. (GOG 158 — ovarian platinum) Phase III Trial of Carboplatin and Paclitaxel Compared with Cisplatin and Paclitaxel in Patients with Optimally Resected Stage III Ovarian Cancer (GOG 158). J Clin Oncol, 2003.
  3. Stupp R, Mason WP, van den Bent MJ, et al. (Stupp protocol — GBM) Radiotherapy plus Concomitant and Adjuvant Temozolomide for Glioblastoma (EORTC-NCIC/temozolomide). N Engl J Med, 2005.
  4. André T, Boni C, Navarro M, et al. (MOSAIC trial — FOLFOX vs 5-FU adjuvant colorectal) Improved Overall Survival With Oxaliplatin, Fluorouracil, and Leucovorin As Adjuvant Treatment in Stage II or III Colon Cancer (MOSAIC). J Clin Oncol, 2009.
  5. Einhorn LH. Treatment of testicular cancer: a new and improved model (BEP — cisplatin era milestone). J Clin Oncol, 1990.

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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