Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
← Blog·Saúde21 de junho de 2026

Insulina: De Peptídeo do Pâncreas de Cão ao Análogo Ultra-Rápido — 100 Anos de Revolução

E
Equipe PeptídeosBio
Equipe Peptídeos Bio
Compartilhar:

1921: A Descoberta que Mudou a Medicina

Em 27 de julho de 1921, Frederick Banting e Charles Best — num laboratório improvisado da Universidade de Toronto — injetaram extrato pancreático de cão num cão diabético (com pâncreas ligado). A glicemia caiu. Era a insulina.

Em 11 de janeiro de 1922, Leonard Thompson, de 14 anos, moribundo com DM1, recebeu a primeira injeção em humanos — e sobreviveu. A insulina transformou uma doença que matava em meses numa doença crônica gerenciável. Banting e Macleod ganharam o Nobel de Fisiologia e Medicina em 1923 — um dos mais rápidos na história do Prêmio.

---

Estrutura Molecular da Insulina

A insulina humana é um heterodímero de dois peptídeos ligados por pontes dissulfeto:

  • Cadeia A: 21 aminoácidos (A1-A21) — inclui loop intracadeia (Cys6-Cys11)
  • Cadeia B: 30 aminoácidos (B1-B30) — inclui hélice alfa central
  • 2 pontes A-B: Cys7(A)-Cys7(B) e Cys20(A)-Cys19(B)

Precursores:

  • Pré-pró-insulina (110 aa): Peptídeo sinal (24 aa) + pró-insulina (86 aa)
  • Pró-insulina → PC1/3 + PC2 (convertases) → insulina (51 aa) + Peptídeo C (31 aa, conector)

Peptídeo C: Não tem função hormonal clássica, mas é marcador de secreção endógena de insulina:

  • C-peptídeo normal: 0,9–3,0 ng/mL em jejum
  • C-peptídeo em DM1: Indetectável (destruição de células beta) → confirma ausência de reserva endógena
  • Insulina exógena: Não contém C-peptídeo → C-peptídeo baixo + insulina alta = uso exógeno

---

Receptor de Insulina: O GPCR que Não É GPCR

O receptor de insulina (IR, INSR) é um receptor tirosina quinase (RTK) — não um GPCR:

  • Estrutura: Heterotetrâmero α2β2 ligado por pontes dissulfeto:

- 2 subunidades α (extracelulares): Ligam a insulina - 2 subunidades β (transmembrana + citoplasmáticas): Domínio tirosina quinase

Ativação:

  1. Insulina → liga às 2 subunidades α (sítio de ligação bipartido)
  2. Mudança conformacional → ativa domínio TK das subunidades β
  3. Autofosforilação do IR em múltiplos resíduos Tyr (Tyr1158, Tyr1162, Tyr1163 no A-loop — mais Tyr972)
  4. IR ativado → fosforila IRS-1 e IRS-2 (Insulin Receptor Substrate)

Via IRS-1/PI3K/AKT — A Via de Captação de Glicose

  1. IRS-1 fosforilado → PI3K (p85/p110) recrutada → PIP3 (fosfatidilinositol 3,4,5-trifosfato)
  2. PIP3 → recruta AKT (PKB) + PDK1 → AKT fosforilado (Thr308 por PDK1, Ser473 por mTORC2)
  3. AKT → GLUT4: AS160 (TBC1D4) fosforilado → inibe RAB GAP → RAB10/14 ativo → GLUT4 transloca para membrana plasmática → captação de glicose
  4. AKT → GS (glicogênio sintase): Inibe GSK3 → GS ativa → síntese de glicogênio

Via RAS/MAPK — Crescimento e Proliferação

  • IR → Grb2/SOS (via Shc) → Ras → Raf → MEK → ERK1/2 → crescimento celular
  • Esta via é proeminente em células musculares lisas vasculares (relevância para aterosclerose em hiperinsulinemia)

---

Evolução dos Análogos de Insulina

1era Geração: Insulina Animal (1922–1980s)

  • Bovina (difere em 3 AAs do humano) e suína (difere em 1 AA — Ala30 em vez de Thr30)
  • Problemas: Imunogenicidade + contaminantes → lipodistrofia, reações alérgicas

2a Geração: Insulina Humana Recombinante (1982+)

Humulin R (regular — insulina humana solúvel) e NPH (protamina + zinco → cristais → liberação lenta):

  • Eli Lilly/Genentech: Primeira proteína recombinante humana aprovada (1982)

Limitações da insulina regular:

  • Associação de hexâmeros em solução → lenta dissolução para monômeros → onset 30–45 min → precisa injetar 30 min antes da refeição (pacientes raramente fazem isso)
  • NPH: Perfil absorção irregular (pico variável a 4–6h) → risco de hipoglicemia noturna

3a Geração: Análogos Rápidos (1996+)

Modificações na cadeia B para evitar hexamerização → absorção mais rápida:

  • Lispro (Humalog®, 1996): Inversão de Pro28(B)-Lys29(B) → Lys28-Pro29 → menos tendência a hexamerizar → onset 10–15 min, pico 1h
  • Aspart (NovoRapid®, 1999): Asp28(B) (em vez de Pro28) → carga negativa repele dímeros → onset 10–15 min
  • Glulisina (Apidra®, 2004): Lys3(B)+Glu29(B) → onset 10–15 min

Análogos Ultra-Rápidos (2017+)

  • Fiasp (faster aspart): Aspart + niacinamida + L-arginina → onset 2–4 min mais rápido que aspart
  • Lyumjev (lispro-aabc): Lispro + citrato + treprostinil → absorção imediata

Análogos Basais de Longa Duração

  • Glargina (Lantus®, 2000): Extensão C-terminal + 2 Arg extras + Asp21→Gly21 → precipita no pH fisiológico (após injeção SC) → absorção lenta sem pico, 24h
  • Detemir (Levemir®, 2004): Ligação de ácido mirístico (C14) a Lys29(B) → albumina sérica se liga → reservatório → 12–20h
  • Degludeca (Tresiba®, 2012): Modificação que forma multihexâmeros no SC → reservatório de absorção lenta → >42 horas de duração → mais flexível e menos variabilidade (pode injetar em diferentes horários)

Insulina Inalada

  • Afrezza (MannKind Corp., FDA 2014): Insulina inalada via inalador Technosphere® → absorção por alveolo → onset 12–15 min, duração 1,5–3h
  • Para refeições → evita injeção prandial (DM1 e DM2)
  • Limitação: Contraindicado em DPOC, asma; menos acurado em dose

---

Insulina Semanal: A Próxima Geração

Icodec (Novo Nordisk — NDA aceito FDA 2024):

  • Insulina basal semanal (1× por semana)
  • Modificações: Ácido graxo longo ligado → albumina → meia-vida 196h (~8 dias)
  • Estudo ONWARDS: Similar a degludeca em controle glicêmico + mais conveniente (semanal)

---

Referências

  1. Banting FG, Best CH. "The internal secretion of the pancreas." *J Lab Clin Med.* 1922;7:251–266.
  2. Adams TE, et al. "Structure and function of the type 1 insulin-like growth factor receptor." *Cell Mol Life Sci.* 2000;57(7):1050–1093.
  3. Hirsch IB. "Insulin analogues." *N Engl J Med.* 2005;352(2):174–183.
  4. Zinman B, et al. "Degludec insulin in combination with insulin aspart in type 1 diabetes." *Diabetes Care.* 2012;35(11):2226–2232.
  5. Heise T, et al. "Once-weekly insulin icodec vs once-daily insulin glargine U100 in type 2 diabetes." *NEJM Evid.* 2022;1(7).
  6. Katzung BG, et al. *Basic and Clinical Pharmacology.* 15th edition. McGraw-Hill, 2021. Chapter 41.
Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

#insulina#diabetes#análogos de insulina#receptor de insulina#glargina#degludeca#lispro#DM1#pâncreas#sinalização insulínica

Avalie este conteúdo

Seja o primeiro a avaliar

Comentários

Faça login para deixar um comentário.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro.

Pronto para começar?

Explore nosso catálogo de peptídeos com qualidade farmacêutica e COA.

Ver Catálogo →
Insulina: De Peptídeo do Pâncreas de Cão ao Análogo Ultra-Rápido — 100 Anos de Revolução | Peptídeos Bio