Use o cupom PRIMEIRA10 e ganhe 10% OFF na primeira compra
← Blog·Oncologia de Precisão24 de junho de 2026

Daratumumabe e Isatuximabe: Anti-CD38 Revolucionando o Mieloma Múltiplo — POLLUX, CASTOR, MAIA, IKEMA e EMMY

B
BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
Compartilhar:
💉 Disponível no nosso catálogoVer catálogo →

CD38 no mieloma: biologia, expressão e mecanismos de citotoxicidade

CD38 — a molécula: CD38 é uma glicoproteína de transmembrana tipo II com dupla atividade enzimática:

  • Adenosil ciclase: converte NAD+ em cADPR (segundo mensageiro de Ca++)
  • Nucleosídeo hidrolase: quebra AMP → adenosina

Expressão normal: linfócitos ativados (T e B), plasmócitas normais (moderada), células NK, eritrócitos (fraca). ALTA em plasmócitas de mieloma multiplo (MM): 10-100× mais CD38 vs. plasmócitas normais — alvo diferencial ideal.

Mecanismos de ação do daratumumabe (múltiplos e complementares):

  1. ADCC (Antibody-Dependent Cellular Cytotoxicity):

Daratumumabe liga CD38 na célula de MM → porção Fc do anticorpo recruta células NK e macrófagos → lisam a célula tumoral. Principal mecanismo imune.

  1. CDC (Complement-Dependent Cytotoxicity):

Fc ativa sistema complemento → C1q → cascata → C5b-9 (complexo de ataque à membrana) → lise osmótica.

  1. ADCP (Antibody-Dependent Cellular Phagocytosis):

Macrófagos fagocitam células de MM opsonizadas por daratumumabe.

  1. Inibição de CD38 enzimático:

CD38 produz adenosina (imunossupressora). Daratumumabe bloqueia essa produção → restaura imunidade antitumoral → menos adenosina → menos Tregs → mais células T efetoras.

  1. Depleção de MDSCs e Tregs CD38+:

MDSCs (myeloid-derived suppressor cells) e Tregs expressam CD38 — daratumumabe as depleta → melhora imunidade geral no microambiente do MM.

  1. Efeito pró-apoptótico direto:

Sinalização por CD38 clustering → apoptose direta em subconjuntos de células de MM.

Daratumumabe como agente único e nas combinações POLLUX/CASTOR

Daratumumabe mono em RRMM triplo-refratário (GEN501/SIRIUS): GEN501 (Lokhorst et al., NEJM 2015): dose escalation, ORR 36% em MM r/r. SIRIUS (Lonial et al., NEJM 2015): 106 pacientes triplo-refratários (prot+iMiD+cortico). Daratumumabe 16 mg/kg IV q1sem×8 → q2sem×8 → q4sem. ORR 29,2%. CR 2,8%. Duração mediana de resposta 7,4 meses.

Aprovação FDA novembro 2015 — acelerada para RRMM ≥3 linhas. Primeira aprovação de anti-CD38.

POLLUX (Dimopoulos et al., NEJM 2016) — RRMM 2ª+ linha: Daratumumabe + lenalidomida+dexametasona (DaraRd) vs. Rd. ORR: 92,9% vs. 76,4%. SLP: NR vs. 18,4 meses (HR 0,37; P<0,001). MRD negativa: 24% vs. 7% (10⁻⁵).

CASTOR (Palumbo et al., NEJM 2016) — RRMM 2ª+ linha: Daratumumabe + bortezomibe+dexametasona (DaraVd) vs. Vd. ORR: 82,9% vs. 63,2%. SLP: 16,7 vs. 7,1 meses (HR 0,31; P<0,001).

Aprovações: DaraRd e DaraVd em RRMM novembro 2016.

MAIA (Facon et al., NEJM 2019) — 1ª linha não-transplante: DaraRd vs. Rd em mieloma 1ª linha não-candidatos a transplante. SLP: NR vs. 34,4 meses (HR 0,53). SG: HR 0,68 em atualização 5 anos. Aprovação FDA: junho 2019.

ALCYONE (Mateos et al., NEJM 2018) — 1ª linha não-transplante: Daratumumabe+VMP (bortezomibe+melfalan+prednisona) vs. VMP. SLP: 36,4 vs. 19,3 meses (HR 0,42). Aprovação FDA: maio 2018.

Daratumumabe em transplante e tratamento candidato: GRIFFIN, PERSEUS, CASSIOPEIA

GRIFFIN (Voorhees et al., Blood 2020) — transplante elegível: Daratumumabe+VRd (bortezomibe+lenalidomida+dexametasona) → HDM/ASCT → dara+Rd manutenção vs. VRd → ASCT → Rd. sMGCR (stringent complete response) pré-ASCT: 42,4% vs. 32% (P=0,07). MRD negativa: 51,3% vs. 17,3%.

CASSIOPEIA (Moreau et al., Lancet 2019) — transplante elegível, VTd vs. DaraVTd: 1.085 pacientes elegíveis a transplante. Dara+VTd × 4 → ASCT → Dara+VTd × 2 → dara manutenção vs. VTd → ASCT → VTd × 2. sCR: 28,9% vs. 20,3% (P=0,0001). SLP: HR 0,53. Aprovação EMA/FDA: para transplante elegível.

PERSEUS (Sonneveld et al., NEJM 2024) — transplante elegível com VRd: 709 pacientes elegíveis a ASCT. DaraVRd → ASCT → DaraVRd → Dara+Rd manutenção vs. VRd → ASCT → VRd → Rd. Atualização 2024: SLP superioridade expressiva. MRD neg em medula: 75% vs. 48%. Dados de SG imaturos.

Daratumumabe subcutâneo (COLUMBA trial): Dara SC (1800 mg flat dose em 3-5 min) vs. IV (16 mg/kg em 3-7h) em MM. ORR não-inferior. Reações de infusão: 12,7% vs. 34,5%. SC muito mais conveniente — substituiu IV na maioria dos centros.

Isatuximabe: anti-CD38 com diferenças de epitopo e aprovações IKEMA/EMMY

Isatuximabe (Sarclisa®, SAR650984) — diferenças de daratumumabe: Ambos são anti-CD38 IgG1, mas se ligam a epítopos DIFERENTES na molécula de CD38:

  • Daratumumabe: epitopo linear único
  • Isatuximabe: epitopo conformacional, porção mais central de CD38

Consequências: isatuximabe tem propriedades apoptóticas diretas maiores que daratumumabe (clustering diferente → mais apoptose intrínseca). ADCC/CDC similares.

IKEMA (Moreau et al., Lancet 2021) — RRMM: Isatuximabe+carfilzomibe+dexametasona (Isa-Kd) vs. Kd em RRMM (1-3 linhas). SLP: NR vs. 19,1 meses (HR 0,53; P<0,001). ORR: 86,6% vs. 70,6%. MRD negativa: 29,6% vs. 13,0%. Aprovação FDA: março 2021 para RRMM + Kd.

EMMY (Attal et al., NEJM 2019) — RRMM com Pd: Isatuximabe+pomalidomida+dexametasona (Isa-Pd) vs. Pd em RRMM (≥2 linhas, pós-lenalidomida+prot). SLP: 11,5 vs. 6,5 meses (HR 0,60; P=0,001). ORR: 60,4% vs. 35,3%. Aprovação FDA: março 2020 para RRMM + Pd.

Daratumumabe vs. isatuximabe — escolha prática: Sem comparação direta. Daratumumabe SC (convenient) e mais dados acumulados (2015 vs. 2020). Isatuximabe: formulação IV somente (1h de infusão) mas sem ajuste por peso. Ambos cruzam entre si com resistência: pacientes que falharam em daratumumabe, isatuximabe tem resposta de ~25-30% (parcial cross-resistance). Não usar sequencial de anti-CD38 como estratégia de resgate de CD38 — esperar 6+ meses e re-sensibilização.

Resistência a anti-CD38: Downregulação de CD38 por epigenética (mecanismo principal), alteração de glicosilação, exossomos com CD38 sequestram o anticorpo.

Toxicidade de daratumumabe e impacto em testes de compatibilidade sanguínea

Reações de infusão: Daratumumabe IV: reações em ~47% (grau 3-4: ~3-5%). Predominam na primeira infusão (86% das reações no D1). Sintomas: rinite, tosse, broncoespasmo, náusea, hipotensão, rubor. Pré-medicação obrigatória: corticosteróide + difenidramina + paracetamol + antiasmático (montelucaste ou salbutamol inalado) 1h antes. Daratumumabe SC reduziu reações de 34,5% para 12,7% — grande vantagem logística.

INTERFERÊNCIA EM TESTES DE TIPAGEM SANGUÍNEA: Daratumumabe se liga a CD38 em ERITRÓCITOS (que expressam CD38 em baixo nível). Isso causa reatividade inespecífica em testes de compatibilidade sanguínea (CROSSMATCH e COOMBS indireto) — pode MASCARAR anticorpos clinicamente relevantes de alo-anticorpos de transfusão.

SOLUÇÃO: antes de iniciar daratumumabe, o banco de sangue deve fazer tipagem ABO/Rh COMPLETA com fenotipagem extensa e congelar amostras de soro "pré-daratumumabe" para uso futuro em crossmatch. ALERTAR o banco de sangue que o paciente recebe daratumumabe.

DTT (dithiothreitol) desnatura CD38 nos eritrócitos → permite crossmatch sem interferência de daratumumabe — técnica especializada disponível em laboratórios de referência.

Neutropenia: MM pacientes já têm comprometimento da produção hematopoética. Daratumumabe aumenta neutropenia quando combinado com lenalidomida (DaraRd: neutropenia grau 3-4 em 51% vs. 37% com Rd). G-CSF quando indicado. Monitorar hemograma q2-4 semanas.

Hepatite B reativação: Testar HBsAg e anti-HBc antes. Se positivo → profilaxia com antiviral (entecavir ou tenofovir). Similar a rituximabe.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é daratumumabe e como ele trata o mieloma múltiplo?+

Daratumumabe (Darzalex) é um anticorpo que se liga à proteína CD38, presente em quantidade muito elevada na superfície das células de mieloma. Ao se ligar, ele sinaliza para o sistema imune (células NK, macrófagos) destruírem essas células, ativa o sistema complemento para perfurar as células tumorais, e reduz células supressoras imunes que o tumor usava para se esconder. Ele funciona de várias formas ao mesmo tempo — o que explica sua eficácia notável. Com ele, a taxa de resposta ao tratamento dobrou em comparação com os esquemas antigos: em primeiros esquemas (MAIA), mais de 90% dos pacientes respondem. É um marco na oncologia hematológica.

Preciso de algum cuidado especial com transfusão de sangue durante o tratamento com daratumumabe?+

Sim — e isso é muito importante. Daratumumabe se liga ao CD38 que existe nos glóbulos vermelhos, interferindo nos testes de compatibilidade sanguínea usados antes de transfusões. Isso pode fazer parecer que há anticorpos incompatíveis quando não há — ou pior, mascarar anticorpos reais que indicariam risco de reação transfusional. Por isso: (1) antes de iniciar daratumumabe, avise o banco de sangue e faça uma tipagem sanguínea extensa com guarda de amostra; (2) sempre informe ao banco de sangue que você recebe daratumumabe antes de qualquer transfusão; (3) eles usarão uma técnica especial (DTT) para fazer o crossmatch corretamente. Sem esse aviso, pode haver erros graves.

Qual é a diferença entre daratumumabe e isatuximabe?+

Daratumumabe (Darzalex) e isatuximabe (Sarclisa) são ambos anticorpos anti-CD38 para mieloma, mas se ligam em partes diferentes da proteína CD38, causando mecanismos de morte celular ligeiramente diferentes. Daratumumabe tem mais dados (aprovado desde 2015, mais estudos, mais combinações aprovadas) e está disponível em formulação subcutânea (injeção de 3-5 minutos). Isatuximabe é somente IV (infusão de ~1 hora). Ambos são eficazes e podem ser usados em combinações diferentes: daratumumabe + Rd ou Vd (mais usados), isatuximabe + Kd ou Pd. Há resistência cruzada parcial entre eles — geralmente não faz sentido usar um depois do outro rapidamente.

Mieloma múltiplo tem cura com os novos tratamentos?+

Ainda não — mieloma múltiplo permanece incurável na maioria dos casos, mas os novos tratamentos (daratumumabe, carfilzomibe, lenalidomida, venetoclax-like em t(11;14), BCMA-directed therapies) transformaram profundamente a sobrevida. O que era uma mediana de 3-4 anos (pré-2000) chegou a medianas de 7-10+ anos nos melhores regimes atuais. Uma pequena proporção de pacientes — especialmente jovens com ASCT (transplante autólogo) + novos agentes que ficam MRD negativos por anos — podem ter remissão muito prolongada e possivelmente cura funcional. Novos alvos (BCMA com ciltacabtagene, belantamab mafodotina) estão transformando ainda mais as últimas linhas. A oncologia de MM avança rapidamente.

Daratumumabe precisa ser tomado para sempre?+

Depende do contexto. Em primeira linha (MAIA: DaraRd), o daratumumabe faz parte do regime de manutenção — geralmente contínuo até progressão ou toxicidade inaceitável. Em combinações como DaraVd (CASTOR), a duração do daratumumabe é definida no protocolo (geralmente 2 anos de manutenção). Daratumumabe subcutâneo (SC), administrado mensalmente após a fase de indução, é muito mais conveniente que o IV e pode ser mantido por longo prazo. A decisão de quando parar leva em conta a resposta (MRD negativo mantido), tolerância e logística — sempre em conjunto com o hematologista.

Referências Científicas

  1. . , .
  2. . , .
  3. . , .
  4. . , .
  5. . , .

Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

#daratumumabe#isatuximabe#CD38#mieloma múltiplo#POLLUX#CASTOR#MAIA#IKEMA#anti-CD38#plasmócito

Produtos relacionados no catálogo

Apresentações ligadas ao que este conteúdo aborda. Material educativo — a decisão de uso é de um profissional de saúde.

Ao avaliar qualquer apresentação, confira o COA, a pureza por HPLC e a procedência.

Avalie este conteúdo

Seja o primeiro a avaliar

Comentários

Faça login para deixar um comentário.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro.

Pronto para começar?

Explore nosso catálogo de peptídeos com qualidade farmacêutica e COA.

Ver Catálogo →
Daratumumabe e Isatuximabe: Anti-CD38 Revolucionando o Mieloma Múltiplo — POLLUX, CASTOR, MAIA, IKEMA e EMMY | Peptídeos Bio